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sábado, maio 06, 2006

a música e a ironia - 24 

"Plastic Sun", dos Sonic Youth, no sistema de som do solário. LFB

a música e a ironia - 23 

"What Ever Happened?", dos Strokes, a primeira música que ele escutou no rádio (que deixara ligado) naquela manhã de ressaca. LFB

sexta-feira, maio 05, 2006

o cantinho do casado IV 

Qualquer homem, casado há mais de três anos, sabe o que uma senhora que usa lavanda faz na vida.

RMD

ninguém acreditava que ela fosse assim tão popular 

A senhora de idade que fazia a auto-estrada na faixa da esquerda, a uns alucinantes sessenta quilómetros por hora, gabava-se às amigas do número de homens que, passados tantos anos, ainda lhe faziam sinais.

RMD

eles também procuram patroa 


Sempre olhei com fascínio para os piropos. Tenho-os em conta de património não edificado da nossa secular cultura. Às vezes encosto-me junto a um bom estaleiro de obras e fico ali à espera que o piropo aconteça. E que coisas já ouvi eu! Não sabia que as flores andavam, não tenhas medo de ser feliz e o mais tradicional ò boa! Isso é só teu?.

O interesse na coisa é bem maior que etnológico. Mete antropologia, psicologia clínica e até um pouco de desassossego. É improvável mas, em cada uma daquelas cenas, fico sempre à espera, com grande ansiedade, que uma das visadas se vire para trás e responda: sim! É tudo meu! Anda cá e possui-me que eu não tenho medo de ser feliz. Adorava. Adorava ainda mais saber se alguns daqueles galifões já sacou mais que um dedo esticado à conta do galanteio. No entanto, diz o bom senso, que é escusado perguntar-lhes pela taxa de sucesso. A verdade é que a possibilidade de arranjar patroa, com um piropo, é quase tão grande como a hipótese de pescar um espadarte no Rio Trancão.

Sabendo isto, o que move pedreiros, estivadores e taxistas, para além do amor à arte?

As teses divergem. Clínicos defendem que o piropo causa um certo apaziguamento da tensão sexual, própria de ambientes com excesso de testosterona. Ou seja, galar gajas boas previne que os pedreiros acabem a olhar uns para os outros enquanto objectos de desejo. Ao invés, académicos evolucionistas, atribuem ao piropo o mesmo papel que a cauda tem no pavão ou que os cornos têm no veado: demonstrações exteriores de aptidão sexual.

Nesta lógica de ter a virilidade na ponta da língua, entre o fazia e o acontecia, o taxista que um dia gritou pela janela que curvas! E eu sem travões! era macho, humorista e rabujador, tudo ao mesmo tempo.

A tese faz algum sentido. O pombo incha o papo, o pavão mostra a cauda o político exibe a importância, o advogado mostra o dinheiro e o estivador manda a bujarda. Todos fazemos o que podemos para impressionar. Na prática nem somos muito diferentes dos pedreiros e estivadores, só não temos é tanta graça.

RMD

Do not read this post if you're a Lost fan 


Major Lost spoiler: Ana Lucia gets shot and killed in Two for the road.
I've seen it and it's oh so true.

Aeroporto IV 

Aeroporto de Banguecoque - Onde se podem apanhar voos para o Cambodja a 50 euros. Onde se pode apanhar doenças por muito menos. Onde as companhias de aviação estrangeiras têm barraquinhas com folhetos fotocopiados invariavelmente fechadas. Onde a confusão parece muita, mas não é. Onde se pode ficar horas a olhar o painel das partidas e chegadas a adivinhar nomes e países. Onde é fácil ir ter ao sítio onde as hospedeiras trocam de meias.
MR

Aeroporto III 

Aeroporto de Copenhaga - onde o chão é de madeira, como se nada fosse. Onde as pessoas se sentem bem. Onde há uma placa discreta a dizer «Quiet zone» e a zona é mesmo tranquila, com cadeirões de onde dá vontade de nunca sair, entre o silêncio absurdo de ver aviões permanentemente a descolar e a aterrar. Onde se podem comprar produtos inúteis que nunca se encontrarão no Colombo, felizmente. Onde as pessoas nunca parecem viajar, mas apenas trocar ideias sobre isso.
MR

Aeroporto II 

Aeroporto de Milão/Malpensa - Onde nada é onde parece ou pelo menos é sempre mais longe ou noutro sítio. Onde os aviões atrasam e tudo é normal. Onde as lojas afixam Gucci mas as pessoas não. Onde ninguém liga aos rx da bagagem nem manda tirar cintos, essa última humilhação agraciada aos seguranças de aeroporto. Onde há italianas, mas poucas.
MR

Aeroporto I 

Aeroporto do Luxemburgo - Onde se pede uma cerveja e um croque monsieur e parece haver tempo para tudo, com um velho empregado de avental branco que leva o pedido à mesa, como num bar decadente à espera apenas da falência que nunca chegará. Onde a loja tem muitas coisas profundamente desnecessárias, mas não tem empregado. Onde os taxistas que nos levam até lá são invariavelmente portugueses, mas nem por isso deixa de custar 30 euros. Onde os aviões têm nome de sabonete dos anos 80. Onde se podem ler 50 páginas em paz.
MR

quinta-feira, maio 04, 2006

o cantinho do casado III 

Um homem casado é como um deputado. Tem um determinado número de faltas que pode dar. Mais do que isso e perde o mandato.

RMD

o cantinho do casado II 

Um dos segredos de um casamento bem sucedido é um telemóvel que fique sem bateria depois da uma da manhã.

RMD

o cantinho do casado 

Quando uma mulher diz que precisamos de conversar, a última coisa que fará mesmo é conversar.

RMD

Quem é esse? 

- O luís Filipe Borges? quem é esse?
- É aquele. O Janita Salomé do humor.

RMD

O homem que estava demasiado à frente do seu tempo 

O novo semanário de António José Saraiva é uma pedrada no charco, um rasgo, uma ruptura, um passo em frente de uma nova geração. O saco de plástico terá pegas em asa em vez das habituais pegas em forma de orelha.

RMD

Dá para os dois lados II 

Tenho visto os últimos jogos do Benfica em casa. Percebo melhor aquele conceito de "inferno da luz".

RMD

Eu tenho um problema com os vinhos 

Não sou monárquico mas gosto do Dom Martinho.
O Dom Martinho é um vinho regional alentejano da Sociedade Agrícola Quinta do Carmo, S.A., sita em Estremoz. Mais do que isso, é um vinho tindo dos Domaines Barons de Rothschild (Lafite).
O Dom Martinho que bebi era de 2003. No rótulo não havia qualquer indicação de castas concretas, apenas se aludia às «castas tradicionais portuguesas». Atendendo à região vitivinícola de produção, adivinho a Touriga Nacional, a Trincadeira ou a Aragonez. Ou todas juntas. Mas posso estar errado. Para bom entendedor meia palavra basta; para mim, são precisas todas as palavras, ou todas as castas expressamente referidas.
Eu tenho um problema com os vinhos. O eterno problema do consumo. Não falo só em consumi-los, falo em consumi-los até ao fim, de uma assentada só, de modo a que não reste uma pinga na garrafa para o dia seguinte. E faço-o independentemente de estar sozinho ou acompanhado ( «independentemente de estar sozinho ou acompanhado» é um grande lugar-comum), nem que seja pela minha própira sombra, a que por vezes chamo de Solvstäg.
Consumir individualmente uma garrafa de um só trago é manifestamente um exagero. Mark Twain certa vez (há muito tempo) afirmou que a notícia da sua morte era um manifesto exagero. Corria então o boato de que Twain morrera, pois claro. Como todos, ou quase todos, os boatos, não se confirmou e o escritor continuou a (passo o pleonasmo) escrever.
Consumir individualmente uma garrafa de um só trago é um exagero e imagino o dia em que, em apetecendo, não terei vinho para abrir.
Também tenho um problema com os livros. Impeçam-me de entrar nas livrarias, por favor. A carteira, se pudesse falar, agradecia.
HR
[publicado originalmente aqui]

Baïkal 

Não sou militante do partido Os Verdes, nem membro de uma organização não-governamental com intervenção a nível ambiental, nem sequer um activista ambiental, ou um ambientalista activo, como se preferir, mas falo-vos do lago mais antigo do mundo, o Lago Baïkal, também conhecido por pérola da Sibéria, classificado como património mundial pela Unesco. São 600 quilómetros de comprimento por 60 de largura com cerca de 25 milhões de anos que agora estão ameaçados pelo projecto megalómano da empresa pública russa Transneft, que anunciou a construção de um oleoduto que percorrerá quatro mil e duzentos quilómetros, entre Perevoznaya, próxima de Vladivostok, e Irkoutsk, onde o Baïkal se situa.
O oleoduto terá capacidade para transportar 80 milhões de toneladas de petróleo por ano e para destruir o que natureza nos deu. Lhes deu. Aos russos.
HR
[retirado, com adaptações, daqui]


diagnóstico 

A vida é uma sucessão de vírus. Se nascemos não como tabula rasa, mas com uma natureza anterior à moral (assim Rousseau permita), pura e em estado bruto, tudo o que lhe sucede são coisas que contraímos: o vírus do certo e do errado que, depois, degenera no bem e no mal; o vírus da fé que pode passar com a idade ou tomar-nos conta do cérebro e dos gestos; os vírus da vontade, da culpa, do projecto, do fracasso, da confiança; o vírus feroz do amor que, amiúde, conduz a um estado terminal de cinismo; o vírus da política, da solidão, da necessidade, que tentamos curar com doses desmesuradas de auto-suficiência; o vírus de querer partir, que evolui para o de querer voltar a casa; o vírus de nos querermos multiplicar, de querer o abismo, de querer sair da cama, de querer recomeçar, de não querer mais nada.
No final, a felicidade não pode, pois, significar mais que a putrefacção. Se havemos de ser tragados, lentamente, pelos bichos, que deglutam, ao menos, um corpo jazendo ao sol infectado de histórias, para que tudo se propague de novo e de modo fácil, contra a saúde inodora das máquinas e das constituições.

Também publicado aqui.

O fim da superstição 

Já não somos 13 à mesa. Servem estas linhas para dar as boas-vindas ao novo casadoiro, o Rodrigo Moita de Deus. Ainda a tempo de gozar as delícias do matrimónio enquanto o divórcio se mantém ligeiramente adiado. LFB

a música e a ironia - 22 

A televisão estava ligada na VH1, que passava "The Chemistry Between Us", dos Suede, enquanto o carteiro deixava lá em baixo um envelope com os papéis do divórcio. LFB

a música e a ironia - 21 

"Do you remember the first time?", dos Pulp, era a canção que vinha do quarto do filho quando os pais discutiram pela última vez. LFB

quarta-feira, maio 03, 2006

Segunda edição, revista (e porventura aumentada) 

Prefácio à segunda edição
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.......Exumados os corpos depositados nesse jazigo familiar em que se convertera o Desejo Casar, verificou-se, para surpresa dos circunstantes, que era perfeito o seu estado conserveiro. Deliberou-se pois, como já sabem, insuflar-lhes almas frescas e oferecer-lhes o emprego antigo, porque a pensão de reforma tardava em chegar. Eis-me, assim, a picar o ponto, salvo seja.
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.......Devo, porém, aclarar o modo do meu regresso. Uma vez que esta ressurreição colectiva é, ao que julgo, facto inaudito no domínio dos blogs portugueses (para não ir mais longe), desejei honrá-la e adicionar-lhe uma outra novidade com inauguro uma prática editorial; e não era já sem tempo. O caso é este: comemora-se dentro de dias o primeiro aniversário da publicação, em um outro blog que partilho com boníssimos Amigos, de um folhetim periódico que desgraçadamente deixei pela metade, se não pelo início. Esse folhetim, hoje, está esgotado; pelo que é chegada a hora de lhe dar segunda edição. É o que aqui farei, retomando, com mínimas revisões, os seis fascículos que então cheguei a dar à estampa, se é que esta linguagem não destoa da dos pixels.
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.......E pode ser que, seis semanas contadas a partir desta em que estamos, e se o DC não tornar entretanto ao bíblico de que miraculosamente se reconstituiu, me afoite então a dar-lhe, nas duas moradas que o acolhem, a continuação merecida.
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OS LIMITES DA IMPERFEIÇÃO
Uma novela-folhetim para os tempos correntes
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[sai às quintas-feiras, mais ou menos]
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PRÓLOGO
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.......Rege-se a blogosfera por uma ética dos deveres, não por uma ética das virtudes. Há um punhado de mandamentos que pertencem ao modo da escrita e da colocação de posts, mas os portões estão desimpedidos; e aposta-se numa espécie de darwinismo do mérito como forma de corrigir os excessos de tão lassa franquia. É provavelmente bom que seja assim, sobretudo nestes tempos em que os colunistas assalariados que enxameiam os matutinos saíram notoriamente mal servidos da distribuição dos talentos do espírito. Porém eu guardo uma nostalgia dos tempos em que a subida a uma tribuna impressa sinalizava competências tribunícias, precisamente.
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.......Ora o folhetim é coisa de essas épocas, e hoje não está em uso. É muito possível que não nos sobejem já a curiosidade e o coração para acompanhar amores como os que, naqueles tempos, com quase nada se bastavam para nutrição de muitos meses de fidelidade: de amor se vivia, de amor se morria. Mas que era esse amor? Era um afazer como outro qualquer, como é hoje o aplicar um piercing no umbigo ou falar ao telemóvel. A alma das pessoas necessita ocupar-se: sem isso, degenera em pensar ou contrai enfermidades que, em certos casos, podem levar ao suicídio. Uma alma industriosa está mais resguardada de tais excessos, porque sabe entrincheirar-se nas múltiplas distracções que nos oferece o chamado dia-a-dia, e pode trotar sem esforço, e com o providencial auxílio de psiquiatras e horóscopos de revista, a caminho de uma morte mais tardia, ainda que mais definitiva.
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.......De todo o modo, eu julgo que as almas degeneradas, se sobrevivas, poderão ainda encontrar algum interesse no género do folhetim; e parece-me que o pátio da blogosfera, que está afeiçoada ao efémero, se ajusta bem à composição de uma novela contemporânea em que as personagens possam ser criadas, como agora se faz com as galinhas, em regime de semi-liberdade. Em princípio, uma personagem de folhetim é mais capaz de felicidade do que as que habitam os livros ficcionados, porque a não constrangem tanto as grilhetas dos capítulos pretéritos: os sucessos de uma personagem folhetinesca estão, de seu natural, menos calhados para o desempenho de lugares importantes na memória dos leitores. O folhetim, como as relações humanas, presta-se à falsificação, e presta-se também ao esquecimento, no que é similar à vida.
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.......É este o vínculo primário que aqui contraio: o de publicar uma noveleta em reabilitação da tradição folhetinesca. Não me iludo: não hão-de ser muitos os leitores; para consolo dos que resistam, deixo palavra honrada de que não haverá meninas penitentes em conventos nem coisas assim; tentarei uma novela dos tempos correntes. O que caracteriza as meninas de hoje é a crise dos trinta anos e, apesar de tudo, alguma falta de sexo; o que, bem vistas as coisas, é apenas uma forma diversa de penitência. Mas neste folhetim poderá nem sequer haver meninas: nada é certo. Isto dito, comecemos.
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(continua)

O que é um economista? 

Malditos sejam. Eles e os seus cabelinhos engomados. Malditos sejam. Eles e as suas verdades indexadas. Malditos sejam. Eles e a sua pelintrice de espírito cotada em pequenos mercados de ambições. Malditos sejam. Eles e a ambição suprema de decifrar o mundo com escritos em papel-moeda.

O que é um economista? Será mais fácil apontar o que não é.
Não é filósofo, não é político, não é gestor, não é empresário, não é, sequer, técnico oficial de contas. Um economista é um up grade de contabilista mas sem actividade conhecida. Um economista serve para dizer que as coisas vão ficar más quando estão boas e que vão ficar melhores quando estão péssimas. O economista é comentarista da bancada central nos serões da TSF. O economista não serve para nada. O bom economista é sempre académico.
Trata da multiplicação da própria espécie.
RMD

Quando deixam que a ex-mulher escreva o epitáfio 

"O último dissabor que causou foi
obrigar os vermes a comerem um dos seus."
RMD

Dá para os dois lados I 

A questão que verdadeiramente se coloca sobre a falta dos deputados é saber que deputados fazem mesmo falta.
RMD

Na ponta da língua, em dias que não há nada para fazer 

Se tens uma coisa urgente para ser feita, pede-a à pessoa mais ocupada de todas .
RMD

o que estou aqui a fazer? 


Alguém falou em casamento?
RMD

a música e a ironia - 20 

"Where is my mind", dos Pixies, na sala de espera do psiquiatra. LFB

a música e a ironia - 19 

"Imagine", de John Lennon, no sistema de som da sala de espera no ginecologista. LFB

terça-feira, maio 02, 2006

Só danço o samba 



Stan Getz e João Gilberto, "Só danço o samba"

a música e a ironia - 18 

"Shut Up", dos Madness, era a música favorita do speaker do Hipermercado. LFB

a música e a ironia - 17 

"Live & Let Die", de Paul McCartney, era a música preferida do cirurgião. LFB

segunda-feira, maio 01, 2006

Nota 

Esqueçam a data. E não. Este blogue não está à frente do seu tempo. Eu é que tive de deixar as tarefas domésticas feitas antes de abalar para um weekend fora. LFB

a música e a ironia - 16 

"Working Classe Hero", de John Lennon, na aparelhagem do yacht de João Pereira Coutinho. LFB

domingo, abril 30, 2006

a música e a ironia - 15 

"Stairway to Heaven", Led Zeppelin, em modo repeat, no elevador do Centro Comercial. LFB

a música e a ironia - 14 

"You're no good for me", dos Joy Division, tocado a meio do copo d'água pela banda convidada para animar o casamento. LFB

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