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sexta-feira, dezembro 19, 2003

Gosto muito, gosto 

Gosto do blog ONDAS (logo que me ensinem a remeter para lá, venho aqui corrigir a ignorância). É um blog despretensioso que se lê com o mesmo prazer com que é escrito porque o surf ocupa ali o mesmo lugar que o Silêncio ocupa na Literatura. É para lá que, enquanto força mítica e centrípeta, tudo tende. Só por isso a palavra surf merecia ser grafada com maiúscula - Surf, o conceito. Um conceito que se declina em experiências tão reais quanto indizíveis, das quais sinto uma saudável inveja por nunca ter aprendido a perder o medo das ondas grandes. E «o prazer das ondas, como o prazer do amor, é eterno porque é sem palavras...» Pedro Arruda dixit.
É com o que se escreve neste blog que, se pudesse, eu queria casar. IFS

Ainda Vermelho 

Numa época em que a abundância parece ser tanta, alguns seres sensíveis, que, no cumprimento de uma vida normal, são obrigados a abandonar reiteradamente o leito, sentem-se mal, esvaziados de substância, sem forças nem vontades. A verdade é que os dias curtos e cinzentos sugerem o ocaso da vida e, como num poema que andei obcecadamente a comentar ao longo de um dia, «anoitece em todas as cidades do mundo». Em simultâneo. Como se pudéssemos ignorar o tempo. Resta-nos o sono e o sonho. E foi num destes que a história de Vermelho se viu reescrita. Ao contrário da poesia, a ficção não costuma ressoar por mais de uma semana em mim. Mas Vermelho confirmou algumas ocorrências poéticas. Tenho chegado à conclusão de que não há escritor que não sofra a tirania da insuficiência das palavras, o que mais facilmente se traduziria pela seguinte imagem de Philippe Jacottet: «a palavra sangue não sangra». Em Vermelho, Mafalda Ivo Cruz dá-nos habilmente conta disso (este é um dos temas em que o livro se pode desdobrar), e é entre a morte e o amor que Tito, a voz principal, se queixa: «O que é o Thanatos? Como se fosse possível decompor em palavras as sombras. Quando as palavras - não abrem, não rasgam, não matam, não mostram o sangue e a sujidade repulsiva que são um bem, penso eu.»
E eu penso que voa lentamente por ali uma borboleta capaz de asfixiar pescoços e de fazer as suas vítimas. É uma borboleta que sangra. IFS

MANOBRAS DE DIVERSÃO (Produções Fictícias) 

Na sala principal do teatro São Luiz. De 19 a 31 de Dezembro.




Dezembro. O verdadeiro espírito de Natal está no Chiado. Nas decorações luminosas, nos sorrisos das crianças, no som do visa a passar nas máquinas, nos magotes de gente carregada de sacos aos empurrões para disputar o último par de peúgas com raquetes da prateleira para oferecer já nem se sabe bem a quem? Tudo isto num país onde já não há dinheiro. Não há jantares com os amigos. Não há roupinha de marca. Não há fins--de--semana no Algarve. Não há carrinho novo. Não há trabalho. Não há rendimento mínimo. Não há pão para malucos. Olé! Por supuesto! O que vale é que há um espectáculo sobre tudo isto. Um Best Of! E inclui uma faixa escondida!


Depois de O Espírito de Natal, depois de Não Há Crise, depois de Fechado para Férias, as Manobras de Diversão orgulham-se de apresentar... O Espírito de Natal, Não Há Crise e Fechado para Férias - Manobras Completas, um Espectáculo original.



Dias: 19, 20, 26, 27, 30 Dezembro - 21 horas
21 e 28 Dezembro - 16 horas
31 Dezembro - 22 horas com festa de Reveillon.




Com Bruno Nogueira, Carla Salgueiro, Manuel Marques, Marco Horácio, Sandra Celas, Sofia Grillo e Ana Ribeiro. Encenação e direcção de actores de Marco Horácio e com Sónia Aragão. Textos de Luís Filipe Borges, Maria João Cruz, Nuno Artur Silva, Nuno Costa Santos e Patrícia Castanheira, com coordenação de textos de Nuno Costa Santos. Realização plástica de António Jorge Gonçalves e desenho de luz de João Paulo Xavier. Direcção Geral de Nuno Artur Silva. Produção UAU.



Teatro São Luiz
Morada: Rua António Maria Cardoso, 54
Tel.: 21 325 76 40 (geral)
Bilheteira: 21 325 76 50
Horário da Bilheteira: das 13h00 às 19h00 e das 13h00 às 22h00 (dias de espectáculo)

Descontos Especiais

20% Menores de 25 anos e maiores de 65 anos
20% Estudantes de Escolas Artísticas
20% Grupos de mais de 5 pessoas e até 9
30% Grupos de mais de 10 pessoas e até 19
50% Grupos com mais de 20 pessoas

Acessos - Metro: Baixa-Chiado / Eléctrico: 28 / Autocarros: 100 - 58

A publicidade e as mulheres 

Mulheres que cozinham, mulheres que não raciocinam. Homens que contraem empréstimos bancários, preparam PPR, decidem do futuro da família. É este o pão nosso de cada dia na publicidade da TSF, do BES, da PT.
A mulher na cozinha a fazer um pudim de ovos: filho, vai pedir ao pai que ligue para o telemóvel da avó a saber quantos ovos são.
Resposta do pai: pensas que eu sou rico, ou quê?
Pergunta da mulher: por causa dos ovos?
Ele: ofereço-te esta neve toda, todinha.
Ela: oh, que bom! mas também está a cair neve na varanda da vizinha.
Os publicitários não são sexistas. Falam para quem compra. Acharão que as mulheres não têm poder de compra, que assim conquistam essas débeis criaturas ou talvez que espelham os hábitos das portuguesas? CMC

A guerra das oliveiras: jornalismo isento 

Vejo uma reportagem de Henrique Cimerman sobre os dois lados: israelo-palestiniano. Cimerman é um judeu isento. Mostra a cara e o reverso. Crianças a sofrer. De um lado, cerca de 100 mortes. Do outro, perto de 400.
Este bom aluno queria ir para medicina. Agora quer ser homem bomba como os irmãos. Um psiquiatra palestiniano explica: estas crianças não sorriem. Enquanto houver nada no horizonte, vão querer ser homens bomba ou terroristas. Revejo a imagem que correu mundo, do pai palestiniano junto ao qual balearam o filho. E de seguida, a da mãe judia cuja filha, vítima de um coktail molotoov, ficou com as mãos mutiladas, a cara queimada, 30 operações em cima a reconhecer que o sofrimento do pai é superior ao seu.
Diz Cimerman: Uma criança palestiniana resiste a sair de casa para ir estudar porque muitas vezes volta e não encontra a família. E interroga: como é que na Palestina com 60% de desemprego, os ordenados na casa dos 100 dólares mensais (e acrescento, casas sem rede de esgotos, água canalizada e electricidade), não há-de ser aliciante resolver o futuro da família com um prémio de milhares de dólares?
Li algures que as crianças judias ou palestinianas sonham-se perseguidas. Odeiam-se de morte. O stress de guerra não poupa nenhum dos lados. A quem aproveita esta guerra? A Arafat, uma das maiores fortunas do mundo? A Sharon para manter umas quantas oliveiras nas suas mãos? Assim o simplifica a minha amiga judia, para quem a criação de Israel representou a segurança que a vida lhe confiscou : “ Esta é uma guerra por umas oliveiras a mais”. CMC

quinta-feira, dezembro 18, 2003

interrupção voluntária do pudor 

Não deixa de ser interessante que os partidos que violentamente se bateram, por duas vezes (1982 e 1997), pela consideração do aborto como crime, punido com pena de prisão, venham agora, impudicamente, dizer que já não é bem assim, que, pois, daqui por dois anos, até se podia mudar, etc. e tal.
Estes partidos não se preocupam também com a maior "vergonha" do sistema judiciário português: toda a gente sabe que existem dezenas de milhar de "criminosas" e "criminosos" à solta, que praticam o crime de aborto, o tal do artigo 140.º do Código Penal, punido com pena até 8 anos de prisão, todos os anos, e que faz a Polícia Judiciária, que faz o Ministério Público? Nada. Meia dúzia de julgamentos mediáticos, para dezenas de milhar de "crimes". É o maior escândalo da investigação criminal portuguesa, é a impunidade total. Se eu fosse procurador ou juiz, começava a prender todos estes criminosos - ou seja, a levar a sério a lei, a mesma com que alguns partidos gostam de brincar aos puritanos retóricos e beatos. Podia ser que assim a lei fosse mudada mais depressa. E, ao mesmo tempo, podia sempre criminalizar-se a demagogia barata, para que o artigo 140 não ficasse em branco - afinal, esta, também é um crime contra a vida. Ou pelo menos contra a vida que eu quero levar. MR

quarta-feira, dezembro 17, 2003

O Fim do Welfare State (2) 

Quando abracei a função pública, fui milhentas vezes bafejada pelo hálito da inveja.
Paradoxalmente, os mais furiosos perseguidores da minha casta, quais S.Paulo ou S. Pedro, foram os primeiros a converterem-se e renegarem-se na hora da verdade. Assim, aconteceu com colegas de curso mulheres que estando no sector privado e apontando-me como “parasita social ”, consultavam todas as semanas os diários da República à cata de um concurso externo e com colegas homens que à primeira oportunidade trocaram os chorudos vencimentos do privado por menos dinheiro mas mais segurança no Estado. Sempre me deliciaram estas incoerências. Nada como deixar escorrer o tempo, para chamar esses colegas à barra: “ então agora aos trinta e tantos anos é que vais ser juíz, tu que sempre condenaste os funcionários públicos?”
“- Mas os juízes não são funcionários públicos (Enfim, nunca admitir mesmo quando a verdade se enfia pelos olhos dentro). Além disso, não estou bem certo da escolha, sabes, sempre era mais aliciante a advocacia: ganha-se muito mais” ( sempre o dinheiro a falar mais alto). Mas logo vai-lhe escorregando a boca para a verdade:” Sabes, quando era advogado não tinha horários, nem fins-de-semana. Ia jantar a casa e voltava para o escritório”.
Tudo isto apenas para concluir, que os mais duros e acérrimos opositores da função pública desejam tanta a sua segurança como qualquer ser humano. E que é legítima essa pretensão. Porquê, então, ocultá-la como se fosse uma vergonha, uma fraqueza?
O liberalismo está hoje aí, na sua face mais predadora e quem não se protegeu que se cuide! Ainda esta semana a Somague foi comprada por espanhóis e isso significa, para o sector da construção civil, um pouco do que se está a passar na banca, com o Santander, portugueses à espera de ver os seus contratos rescindidos e mandados para casa com indemnizações.
São os valores do capitalismo: consumo e poder, que afectam indiscriminadamente as relações profissionais e pessoais. São valores, claro que sim. Não questionar se bons se maus. Existem e temos que viver com eles. Ou proteger-nos deles. Mas o certo é que sem um pouco de estabilidade, segurança, esperança no futuro, não construímos a paz e alguma felicidade. Colocarmo-nos do lado dos fortes e ignorarmos que um dia podemos acordar do lado dos fracos, aceitar o espírito de divisão, individualismo e luta, é enfraquecer e perder. CMC

O Fim do Welfare State (1) 

Pertenço à classe “inoperante, pesada” da função pública. Bode expiatório no presente e futuro para défices públicos, faltas de produtividade e qualificação. Que teve e terá os salários sem aumentos enquanto houver recessão económica. Não terá mais progressões automáticas de escalão e, quanto a promoções na carreira se interroga sobre o que lhe reserva a frase:” avaliação de desempenho subordinada a quotas”?! (Não entendo como é que se pode “avaliar um desempenho” quando, por exemplo, o avaliador num mesmo serviço só pode atribuir excelentes a 5% dos funcionários, o que no meu serviço perfaz 6 quintos de uma pessoa!)
Fim à paz e bom ambiente entre os colegas, para quem ainda aufere deste privilégio.
Com a reforma em curso que passa pela privatização dos serviços e pela adopção do regime do contrato individual de trabalho (embora ainda este ano, vá-se lá saber como, tenham entrado mais 19 mil funcionários do Estado), os serviços públicos- que não acabem- serão prestados por trabalhadores regidos pelas leis dos privados e pelos critérios da economia de mercado.
Não questiono que é necessária mudança, apenas que se ponha a tónica no público como se o privado fosse o melhor dos mundos.
Na minha curta passagem pelo sector privado tive ocasião de lhe conhecer os defeitos: Patrões prepotentes, colegas vexados com gritos, a espada do desemprego sobre as suas cabeças, gravidezes comunicadas a tremer quando não é mais possível disfarçar, reuniões ao fim do dia, licenças de maternidade gozadas sem calma, empresas descapitalizadas.
Escapei a outras realidades do privado bem mais duras: Uma vida inteira a falsos recibos verdes, sem descontos para a segurança social e, consequentemente, sem qualquer protecção na doença, no desemprego e na velhice e sem subsídios de natal e 13º mês. Salários magríssimos que, como já se sabe, são abaixo dos da função pública. Falta de sindicatos que representem esta maioria de trabalhadores profissionais liberais ou por conta de outrem: advogados, arquitectos, pessoal da restauração, emigrantes de Leste ou dos Palop’s que desistem, progressivamente, de um país que não lhes dá protecção social. Os sindicatos falam hoje em nome de uma minoria sindicalizada e apenas dão sinais de vida em dias de greve.
Vidas completamente desprotegidas a que estão, cada vez mais, votadas as novas gerações que entram no mercado laboral. É tudo isto que se pretende generalizar ao público, como modelo monolítico e salvífico de todos os males. A questão é se a Europa pode de um dia para o outro abraçar o modelo anglo-saxónico deixando cair o Welfare State de que foi mãe/ pai e mentora?
A questão da responsabilização e produtividade, para mim, nunca se colocou pela repressão, pela autoridade (claro, que a natureza humana é transgressora). As pessoas mais responsáveis que conheci (curiosamente, também os melhores colegas) não o eram por medo, porque tinham um Big Brother a vigia-las mas porque tinham um juíz dentro de si, um grilo, uma boa consciência fruto da educação. CMC

terça-feira, dezembro 16, 2003

«WE GOT HIM»? 

Podemo-nos regozijar pela captura do antigo (ou actual, à luz de um direito internacional que parece não existir) presidente do Iraque, Saddam Hussein, mas só levianamente a devemos festejar. Ouço Paul Bremer, administrador do Iraque, imposto pelos norte-americanos, proclamar «Ladies and gentleman, we got him» e questiono-me se este senhor, ou o país que ele representa, crê firmemente que a captura de Saddam (ditador odioso, de resto) significa que, de ora em diante, a paz reinará na região do Tigre e do Eufrates e, mais amplamente, no mundo, ou no mundo ocidental considerado como alvo privilegiado de atentados terroristas. Acreditará Bremer, acreditará George W. Bush, acreditarão os norte-americanos acreditaremos todos nós, agora que o rei posto está quase morto (e Bush, qual governador do Estado do Texas, é claramente a favor da aplicação de uma pena de morte a Saddam, sem que tenha sequer havido julgamento), que o mundo é um lugar melhor para se viver? Que acabou o terrorismo? Que a invasão ao Iraque se encontra, finalmente, justificada?
Não nos enganemos. Não nos enganemos, muito menos, com o ar vitorioso de Paulo Portas e de Durão Barroso, quando anunciam ao país, quais líderes de uma grande potência mundial, na esteira de Bush, Blair ou mesmo Aznar, que o ditador foi capturado.
Não me entendam mal: ainda bem que Saddam foi capturado. Preferia, contudo, que tivessem vindo dizer que foram encontradas armas químicas, biológicas ou de destruição maciça (pouco provável nesta altura do campeonato), explicando que tudo tem uma justificação não diria clara, mas legítima, legal, que não a mera busca de petróleo ou o controlo de uma região estratégica. Que tudo, enfim, se justifica, vá lá, à luz dos princípios orientadores do direito natural e da justiça universal, e não de regras impostas pela lei do mais forte (o pleonasmo é intencional).
Que venha, então, a justiça dos vencedores, que curiosamente não somos todos nós.
HR

A classe do professor 

Soa o "trrriiiimmm" estridente da campainha.
Nesse preciso momento estava entretido a fazer "brrrr-brrrr" com um pequeno carrinho ao longo do muro baixo que ladeia o recreio. Levanto-me, limpo o ranho na manga da bata e corro para a aula, arriscando os meus joelhos nos atacadores desapertados.
Quando o professor entra na sala a turma dá um pulo e grita em uníssono: "Boa tarde, sr. professor!".
- Boa tarde, meninos! O sumário de hoje vai ser Gramática Portuguesa.
Faço uma careta e tiro para fora da mochila o estojo do material. Dois lápis, o azul e o verde, tombam de imediato no chão. Quando os devolvo para cima da carteira, o azul vem com o bico partido. Por sorte não tinha deixado o afia do Spiderman em casa.
- Menino Luís, venha ao quadro. - dispara o professor à queima-roupa.
Ponho de lado o coto do lápis e, tremelente, dirijo-me ao cadafalso.
- Escreva aí a frase "Aquilo que o traz hoje aqui".
Pego no giz e, de braço esticado, começo a riscar a ardósia com uma letra demasiado achatada.
À primeira letra o giz parte-se em dois bocados. Ouvem-se risos na fila de trás. Com o bocado mais pequeno do giz escrevo, a medo, a frase: "Aquilo que o trás hoje aqui".
O professor agarra no ponteiro e, com repetidas pancadas na palavra "trás", exclama irritado:
- "Traz", menino Luís, "traz"! "O que o trrraaazzz hoje aqui"!
- Paciência, sr. professor.
- Paciência? Mas qual paciência?!
- Paciência para aturar professores que nunca se enganaram a escrever a palavra "elegância", mas que não fazem ideia do seu significado. LCA

um homem do Norte 

Ricardo, um sincero obrigado pelo teu texto. Foste lúcido, categórico, elegante, e posso discutir contigo apenas um ponto. Quando brinco com o meu rangelismo, e escrevo "quero atrair leitores", não pretendo dizer - exactamente - que os queira agradar. Sabes bem que tenho enchido chouriços com uma certa frequência aqui no DC, que editei um livro de poesia (poesia) do qual não recebo um tusto, e que ironizo amiúde sobre mim próprio. Quero atrair leitores sim, mas apenas na base que nós os 14 temos construído desde há muito. E todos somos sagazes o suficiente para perceber que um blog com tamanha dispersão nunca poderá passar de um certo nível (que muito agradável tem sido). Sei bem que o "gozo" de ser o mais visitado nunca acontecerá. E, mesmo sucedendo, não seria propriamente um gozo no sentido brasileiro do termo. Para atrair leitores ou fãs, pura e simplesmente, criava o meu próprio blog e tentava a sorte tout court. E isso não quero. O gozo verdadeiro é o que esta equipa de amigos - em bom número aglomerados por mim - me dá. E a muitos "casadoiros", estou certo. Nomeadamente o de ler os nossos milhares de posts, desde o primeiro, sem perder um único. Aquele abraço, LFB

causa nossa, indeed 

Enquanto não se via o cucuruto e os caninos de Saddam, boa parte da blogosfera entreteve-se a arrasar a chegada, aparentemente ignominiosa, deste blog. O meu amigo Luís Osório e os seus companheiros, por certo, serão os primeiros a reconhecer que ainda não demonstraram cabalmente a verve que do grupo se espera - mas, curioso facto, não é a discussão à volta da qualidade do dito cujo propriamente dito que entretém largo número de bloggers.
Não. "Causa nossa" tornou-se o lema de muitos, para quem o blog homónimo parece ser uma besta negra, absolutamente indesejada no nosso seio.
Sejamos francos, caríssimos. A febre blogueira já deu o que tinha a dar. O interesse dos media desapareceu, as audiências médias baixam a olhos vistos - fica o quê? Tudo o que isto tem de bom desde o princípio. Para não ser fastidioso, destaco apenas a principal das qualidades: liberdade. De se entrar na blogolândia; de nos posicionarmos, ou não; de - inapelavelmente - entrar para a mesma linha horizontal em que todos nos encontramos.
Não surpreende por aí além mas não deixa de ser interessante constatar que muitos se comportam como cães assustados com a capacidade mictória que outra matilha demonstra junto do poste eléctrico preferido. "Eles são o blog cómico do ano; eles não pertencem aqui; eles deviam ter vergonha", escuta-se por aí, nas paredes virtuais do nosso mundo de faz-de-conta. E à credibilidade e mais valia que este blog (que se posiciona ao nosso lado, aberto ao debate, com endereços pessoais disponíveis e vontade de participar nas discussões deste mundo revolucionário) pode vir a trazer a toda a blogosfera dizemos nada.
Grande parte da blogosfera parece-se cada vez mais com velhos hippies, nostálgicos de Woodstock, que ainda correm os concertos todos dos Grateful Dead apesar do cheiro a formol e das barbas que assustam crianças e colegas de trabalho. Tudo isto no fito de esquecer que os anos passaram e "amor e uma cabana" já só se encontra nas canções de Chiquita. Já repararam como o cinismo faz com que a escrita de gente nos vinte e tais pareça a de cavalheiros de meia-idade? Envelhece-se tão depressa, hoje em dia. LFB

actually, Joel 

Penso que exageraste em muitos pontos do teu texto sobre "Love Actually". Não irei tão longe como o Nuno Markl ou Rui Pedro Tendinha, que o consideram uma das melhores comédias de sempre, mas é preciso uma boa dose de má vontade para não reconhecer rasgo na história dos dois stand-in's do filme erótico, na personagem de rocker frustrado composta por Bill Nighy ou na cena em que o presumível gay se declara em silêncio à mulher do melhor amigo.
Richard Curtis, na minha opinião, é um brilhante escritor de comédias românticas e se - no caso concreto - não consegue um filme magistral, que se lhe reconheça o mérito da inovação: 30 minutos a mais do que a duração normal deste género cinematográfico; o esquema à la Altman que, se não é novo, é pelo menos bastante ousado no que diz respeito a estas comédias, e um bom número de one-liners hilariantes. Lembras-te do velho rocker, quando regressa - surpreendentemente sensível - para o seu manager, vindo de uma festa em casa de Elton John, e este pergunta: "10 minutos com o Elton e já és gay?!".
Quanto à Lúcia Moniz, admito que soa estranho ouvir deixas em português no meio de diálogos em inglês. Como seria bizarro ouvir-se hebraico no meio de um discurso em latim, ou escutar Madredeus no intervalo de Strokes. Mas julgo que é apenas isso. A Lúcia, a meu ver, não vai nem melhor nem pior que ninguém. Vai bem, atendendo a que mais não lhe era pedido. Como calculas, apesar de todo o star system inglês, a fabulosa americana Laura Linney, e o prodígio Rodrigo Santoro (um daqueles actores notáveis que vai sofrer por ser bonito - ver "Abril Despedaçado"), é óbvio que nenhum destes actores será galardoado com prémios de interpretação por esta película.
Parece-me ainda que o filme não caracteriza de forma terceiro-mundista Portugal e os portugueses. Portugal só lá está enquanto país representado por uma actriz com uma excelente qualidade de girl next door e por um número pequeno de personagens que representam emigrantes em França. Sabemos bem - sem ofensa - que estes não são propriamente conhecidos pela sua argúcia nas artes da economia e no mundo da alta finança.
Anacronismo grave, esse sim, é aquele de nos porem a dar beijos na boca uns dos outros. Mas, caramba, valha-nos o momento hilariante em que o Hélder Costa dá um chocho ao Colin Firth. Desde o Howard Carter que não se via um inglês tão fascinado por uma múmia. LFB

A Llansol explica e recapitula 

«Eu sei, (...), que a altura da montanha está na base
Do teu sonho. Vou pôr as coisas de outro modo. Paredes
Diferentes relacionam-se se um fluxo de cor ininterrupto
For substrato___sim ou cin ou robialaque. Mas se surgir
Mancha ou obstáculo, é de esperar que o lavável se não
Descolore. Importantíssimo, basta o descolorido para se
Ver a dor que a cor esconde nas paredes. Razão por que
À cin e à robialaque, prefiro sim. É outra atmosfera. Em
Qualquer muro, seja ele alma ou marca fabril, se açoita
Um animal inesperado por definir. "Atenção ao selvagem!",
Como dizes.» (M. G. Llansol)
IFS

segunda-feira, dezembro 15, 2003

Desejo Casar (pelo civil) 

No dia de todas as palavras sobre Saddam Hussein, estalou uma pequena rixa aqui no DC. Não me parece mal – e creio até que estará de acordo com o espírito do blog, no sentido em que, de certa forma, se cultiva aqui uma escrita «anti-blogosférica». Mas vamos já lá.

Diz o Luís Borges que o Desejo Casar se aproxima mais de um formato de revista do que, propriamente, daquilo que seria esperado num blog. Não poderia estar mais de acordo e é algo em que penso desde os nossos alvores. O DC é uma revista on-line, com características específicas pelo suporte a que recorre (entre elas, o facto de ninguém receber um tusto – mas até aí se aproxima de outras publicações independentes), e depois, sobretudo, pelo facto de bailar num macro-ambiente em que a generalidade dos blogs são, efectivamente, weblogs.

Pessoalmente, tenho admiração por aqueles que, todos os dias, nos oferecem comentários e pensamentos, alimentando a casa sozinhos. Poderá haver umbiguismo, narcisismo, prosápia e «vontade de aparecer», mas quero crer que há também uma grande dose de generosidade e desinteresse. Afinal, muitos deles já não precisam disto para nada.

Mas o DC é o formato que me interessa – para o qual tenho disponibilidade e onde, apesar de não estar sozinho, sinto total liberdade para me expressar da maneira que bem entendo. É a minha revista, sem editores ou hierarquias, em que o número de caracteres, as temáticas ou a periodicidade das colaborações são decisão minha e apenas dependem do meu bom senso. Como somos muitos, é natural que se espere bom senso também dos restantes. Mas até agora ninguém postou fotografias de meninos, nem utilizou o blog para insultar ninguém, portanto parece-me que nos entendemos.

Diz ainda o Luís que o blog se construiu pela «negação de alguns dos vectores aparentemente fundamentais a qualquer blog português digno de registo. A saber: o posicionamento ideológico, a discussão política, a busca pela polémica, entre outros». Ninguém combinou nada disto à partida, mas, de uma forma natural, acabou por acontecer. Há um desinteresse tácito (não confundir com desatenção) em comentar as matérias que ocupam boa parte dos blogs portugueses. O que não significa, evidentemente, que qualquer dos membros não possa enviar a sua farpa ou provocação quando bem lhe aprouver. O Hugo Rosa, por exemplo, faz comentários políticos com frequência, o que só valoriza a diversidade que esta «revista» pretende ter.

Mas compreendo muito bem o que o meu querido amigo Bernardo diz quando fala em critério, em ponderação. O Bernardo pertence a uma espécie rara, de exigência pessoal desmesurada e de desencanto para com a realidade prosaica. É um indivíduo que sofre com a mediocridade, talvez de uma maneira tão funda que seja incapaz de a contornar com o cinismo. Daí ser desbragado quando se refere a aspectos que lhe ferem essa sensibilidade «cortante».

O mail que resolveu postar, e que deu origem a esta polémica (que se espera amigável e frutuosa), levanta alguns pontos que me parece interessante destacar. Em primeiro lugar, a questão dos anúncios e dos posts de auto-promoção. Nada tenho contra eles, e parece-me que se integram nessa lógica de liberdade e de arbítrio. Podemos ter uma opinião, achá-los mais ou menos irritantes, mais ou menos disparatados, mas a verdade é que na blogosfera se vendem coisas, como se vendem coisas em qualquer parte. É legítimo e perfeitamente natural que se divulguem eventos e se procure alguma «exposição».

Quanto à questão do ruído, do frenesi em postar, mesmo quando nada há a dizer, parece-me que o problema diz respeito à consciência de cada um – sobre se tal post poderá beneficiar ou não uma determinada imagem. Obviamente que se trata de um espaço colectivo e poderá incomodar o facto de, logo após um longo texto, em que o autor suou e reflectiu, apareça um post com uma frase «engraçada» ou um artigo perfeitamente desenquadrado (sobretudo no tom) com as palavras anteriores. Pode incomodar, mas é uma regra implícita que cada um de nós aceitou ao embarcar neste projecto. No limite, podemos chegar a um ponto de total falta de identificação e simplesmente sair. Mas até lá, esta revista é mesmo assim.

Por fim, a relação com os leitores. Devo dizer que é talvez o aspecto em que este blog, enquanto «revista», se revela mais heterodoxo e displicente. Pelo menos para mim. Ao contrário da publicação que vive do público e das vendas, e que por isso deverá manter o carácter que o levou a conquistar esse público e a atingir essas vendas, no Desejo Casar não me parece que a questão se coloque. A mim não me interessa o público, e muito menos me interessa agradar esse público. Este post que agora escrevo, por exemplo, quantos é que chegaram até aqui? Chegou o Luís, o Bernardo, o Nuno, e mais um ou outro. É completamente «anti-blogosférico», assim como o é um excerto de ficção, uma página de história ou qualquer coisa com mais de 5000 caracteres. É «anti-blogosférico», mas devo deixar de escrevê-lo, para não cansar o leitor?

É neste ponto que não concordo nada com o Luís. Audiências, competição, busca desenfreada de leitores, são conceitos moles que não me dizem nada. Eu entendo o blog como um «treino aberto ao público». Uma sala de ensaios, onde venho experimentar coisas, dar uns toques na bola, escrever sobre assuntos que não teriam lugar em mais lado nenhum. Não venho «competir», nem conquistar a simpatia de ninguém. Há evidentemente o estímulo de haver gente a assistir ao treino, mas só nessa medida é que o exercício se distingue da mera página de word.

De resto, esta acepção poderia ser mais larga e levar-nos ao campo da criação. Muitos leitores, Luís? Quantos escritores portugueses contemporâneos, que mereçam ser chamados «escritores», é que vendem balúrdios? E quantos deles é que se preocupam com os leitores, no momento em que escrevem? Os que eu respeito são muito poucos. Depois há os fenómenos (alguns interessantes) e há a literatura comercial que é objectivamente feita para agradar leitores. O resto é a solidão e o trabalho e, na minha perspectiva, o pouco interesse em «comunicar». RIS

P.S. Entretanto, verifico que há um desagravo nas posições. Ainda bem. Estamos a precisar é de uma boa jantarada entre todos. Sem leitores nem sitemeters.



Castelo de cartas 



E quando eu achava que já nada mais havia de interesse que suplantasse as gengivas do Saddam, eis que o nosso amigo BR decide divulgar uma crítica que nos foi enviada para o DC. Um leitor alertava para a nossa falta de critério e, no meio de alguns exemplos, referia-se explícitamente a um post colocado por mim. Lançado o mote, BR decide publicar o texto e enriquecê-lo com alguns pastiches de sua autoria. Ora, contendo o referido texto uma crítica que me era dirigida, a sua divulgação aqui no blog, sem prévia consulta ao visado, poderá parecer ao leitor mais distraído um gesto de deselegância. Mas não é. Como BR depois confirmou, a sua intenção era apenas a de iniciar uma reflexão sobre aquilo que nos trás a este espaço comum.
BR, se pretendesse dirigir-me alguma crítica, não necessitava de o fazer recorrendo a uma elipse. Quanto mais não seja porque é arquitecto, um ofício que desde sempre elegeu o esquadro e a régua para traçar as linhas rectas e evitar o ornamento. LCA

natal violento 

Pedimos desculpa a Amélia dos Santos Carreira e Aristides Melo Nunes, os dois únicos leitores do DC que esperavam ler alguma coisa sobre Saddam Hussein neste blog. Ainda tenho de me pegar com outro amigo, o Joel, por ter chacinado o "Love Actually" (e, de passagem, a nossa conterrânea Lúcia Moniz); e - brevemente - provocar a ira de uns quantos para quem parece estar na moda bater no Luís Osório. Feliz Natal. LFB

bala perdida 

Fico à espera do post reflexivo do BR e do RIS sobre as vicissitudes do blogging. Só me parece, Bernardo, que não há necessidade nenhuma de usar a aparente eminência parda do jornalismo e metabloguismo português como referência. Se esse senhor for quem metade da blogosfera pensa que é, fica difícil compreender e aceitar como relevantes a opinião de um jornalista - espécie de enxerto de Margarida Rebelo Pinto com um par de testículos - que escreve numa revista dedicada ao entretenimento solitário de meninos queques que acabaram de destruir o jeep ao pai. Vocês, meus amigos, não são anónimos. Enquanto as opiniões deste "P.", a meu ver, têm a credibilidade que teria o Pe.Melícias, se fosse ele o autor do Meu Pipi. LFB

estamos entendidos, sim. 

Caro BR

ambos nos assumimos como os onanistas cá do burgo.

e ambos utilizamos o argumento escorreito e claro do: "faço o que muito bem me der na mona" - pelo que compreenderás se te respondo às críticas. Farfalhácia a mais ou a menos, a verdade é que "enfiei o barrete", sim senhor. Aliás, respeito muito a sabedoria popular e - para utilizar outra digna do género - quem não se sente, não é filho de boa gente.

Acho deselegante que te refiras à tua participação no "Livro Aberto" nesses termos. Parece que todo o blog te criticou. Não se tratou de uma polémica interna sequer, uma vez que não o debatemos aqui no DC, nem havia o que debater. Representaste muito bem o blog, sobretudo tendo em conta que foste convidado uma hora antes da gravação e mantiveste um registo digno de quem não ia ali para "as palhaçadas para agradar de que este país está cheio". No teu lugar teria sido mais chalaceiro mas não é novidade para ninguém que sou o Rangel cá do sítio. Quero atrair leitores.

APARTE

Aliás, e sem merdas: toda a gente que anda na bloga quer ser lida. E quanto mais lida, melhor. Simplesmente não faço segredo das minhas intenções a esse respeito. Dava-me muito gozo que este fosse o mais visitado de todos os blogs.

pergunta retórica para a blogolândia em geral: É assim tão incompreensível (ou difícil) assumir isto?

A terminar: respeito (acredita que é verdade) a tua posição césar-monteirista sobre o público. Mas então porquê publicar - in the first place - o mail do senhor Francesco? LFB

Busca com remetente 

Pela primeira vez na história do DC, uma busca no Google a um elemento do nosso blog, veio assinada. (ver post anterior) LCA

é o próprio 

Alguém acaba de chegar ao DC com uma busca no google por "luis+filipe+borges,+o+merdas". A precisão da internet não cessa de me espantar. LFB

domingo, dezembro 14, 2003

Há que citá-los 

Há uma palavra pessoa
Uma palavra pregada ao silêncio de dizer-se como nunca fora ouvida
E nela dizer-se posso existir.

DANIEL FARIA


Cedo receamos a felicidade daquelas imagens
que reencontramos dentro de nós
e não se ligam a nada.

JOSÉ TOLENTINO DE MENDONÇA
IFS

Há que dizê-lo 

Há que dizer o seguinte:
1. o DC é um blog colectivo, o que significa que a liberdade de cada uma das pessoas que aqui escreve não deve sobrepôr-se ao respeito tacitamente estabelecido entre essas mesmas pessoas;
2. as críticas devem ser bem recebidas quando se sabe quem as faz, de modo a não passarem por gratuitas e a permitirem uma resposta;
3. muitas vezes, quando se escreve na primeira pessoa (e quem não o sabe é que não devia escrever), não se está propriamente a narrar ipsis verbis um episódio que diz respeito ao eu que se expressa - de uma forma muito básica: quem conta um conto acrescenta um ponto e os blogs vivem essencialmente disso;
4. já o O'Neill, e repare-se que era o O'Neill, afirmava que a regra é a de cada um, o que é o mesmo que dizer que «critério» é sinónimo de «ponto de vista».

Há que dizer ainda o seguinte:
1. em relação ao ponto 1. acima referido, aconteceu o que não deveria ter acontecido;
2. em relação ao ponto 2. acima referido, aconteceu o que não deveria ter acontecido;
3. em relação ao ponto 3. acima referido, um bom exemplo para o que ali se diz é um dos posts criticados em que, mencionando a minha febre, me referi ao livro «Vermelho», de Mafalda Ivo Cruz: há meios que justificam os fins.

Que fique claro: não se enfia aqui nenhum barrete, mas, quando um mail que usa como exemplos posts concretos para construir a sua crítica, um mail enviado para o correio do DC, é revelado a todos os que visitam o blog (quer estes leiam tudo ou só o que lhes apetece; ao que me parece, ninguém aqui escreve em troca de uma esmolinha de atenção...), a eloquência que o silêncio poderia ter numa situação destas esvazia-se de sentido. IFS

title: new post 

quando é preciso recorrer às palavras
para dizer o que a mão diz quando não escreve
então as palavras são gestos a mais
que não fazem sentido

para quem me lê a mão e cala a boca. MR

arrebentaremos a boca a este gajo à hora que ele quiser 

ou
Onanismo - parte 3674

Quem vem aqui com uma certa regularidade já sabe que ando obcecado com o meu primeiro livro de poesia. Pois... é só para informar todos aqueles que não tiverem muito dinheiro para as últimas prendas de Natal que

"Mudaremos o Mundo depois das 3 da Manhã"

estará, enfim!, à venda - a partir de amanhã. Com destaque para uma significativa encomenda da FNAC que mudou radicalmente a minha impressão sobre o chauvinismo francês. E pronto! Calo-me com isto de uma vez por todas.LFB

onanismo, parte 2437 

Tenho o prazer de anunciar que o espectáculo "STAND-UP TRAGEDY", escrito por mim e pelo NCS, e com o Tiago Rodrigues na interpretação do ano, mereceu mais uma semana de exibição no Maria Matos. Acaba, assim, não este domingo mas sim no próximo, 21 de Dezembro.

espectáculos às 21h30 - na 4º, 5ª, 6ª e Sábado
e às 18h no Domingo.


Bilhetes grátis mediante concurso on-line - publicado no blog aqui do lado, primeiro da nossa lista de vizinhos. LFB

Deixo-vos com um post do TR,


Citação ou não

"Basta apenas uma mesma coisa para se ser um falhado ou um homem de sucesso: não ter medo do ridículo".

Ricardo Magalhães, humorista relutante

A oriente, tudo de novo 

Manuel António Pina e Álvaro Magalhães estiveram hoje no «Oriente», na SIC Notícias. Explorados (na medida em que os escritores o permitiram) os devidos universos - devidos e indevidos, que é como quem diz literários e pessoais -, ficou a ressoar no sítio onde algumas palavras sobrevivem o seguinte verso de Álvaro Magalhães: «A palavra solidão faz-me companhia.» IFS

metabloguismo 

6 meses depois - a primeira polémica interna a sério?

O Bernardo editou uma carta do leitor Francesco Louças (nome seguramente verdadeiro), e deixou alguns comentários que me levam a escrever sobre o assunto, na ansiedade de que - talvez - a minha resposta lance alguns casadoiros num debate interno.
Ora bem, edita BR a carta do leitor, uma crítica, e faz muito bem - as críticas são muitas vezes positivas e "Francesco", no caso, diz que falta critério ao DC. É, quase, a pura verdade.
Já o escrevi antes e continuo a achar que este blog construiu-se à volta de uma ideia fraterna de juntar amigos em redor da mesma mesa, e pela negação de alguns dos vectores aparentemente fundamentais a qualquer blog português digno de registo. A saber: o posicionamento ideológico, a discussão política, a busca pela polémica, entre outros.
A nossa riqueza sempre foi, a meu ver, a versatilidade das vozes que aqui se encontram - tão eficazmente ironizada pelo RIS, ainda há poucos dias, quando comparou o DC à "Torre de Babel", de Bruegel.
Acredito que, para quem cá chega, o DC funciona como, por exemplo, uma revista. O leitor pode escolher o que quiser nos items de um vasto menu: as opiniões do nosso opinionmaker de serviço, HR, as crónicas de costumes do LCA, os textos do nosso terno desterrado REC, a literatura quotidiana da IFS, etc.

Significa isto que a crítica que mais escutamos, não se consegue ler tudo, não faz qualquer sentido.

Não é obrigatório nem faz sentido ler tudo. Este não é um blog unipessoal. Os leitores lêem o que muito bem lhes apetecer. E dá-me ideia que (atendendo sobretudo à nossa caixa de correio), ao fim de 6 meses, muitos conseguem identificar os estilos pessoais de cada membro da equipa e escolher os seus preferidos. Julgo que é uma opção saudável e que só aumenta a boa competição interna: como somos muitos e todos queremos ser lidos, temos de nos esforçar.
O que me leva a outro ponto da carta de "Louças": basicamente, o de que não há coisas interessantes para partilhar todos os dias. Não há. Às vezes não há coisas interessantes num mês inteiro. Mas, e com o devido respeito, eu partilho aquilo que quero e você lê o que quer.
Outra questão a levar em conta é a de que somos o único blog que, desde o seu primeiro dia, nunca falhou uma actualização. Todos os dias se produz no DC e - esta é mais dirigida ao BR - às vezes cansa. Não tenho qualquer presunção de que todos - ou sequer metade, ou um terço - dos cerca de 200 posts que já editei neste blog tenham "qualidade", "importância", "critério" ou o que lhe quiserem chamar. E, se utilizo a primeira pessoa, é pela simples razão de gastar bom tempo dos meus fins-de-semana a vir ao trabalho postar para não deixar passar o dia blogueiro em branco. Ninguém me obriga a isso, é certo - mas foi um compromisso que assumimos e que procurarei honrar enquanto estiver por cá.

Nota final para uma crítica do Bernardo que, naturalmente, me toca. Quando ele diz que muitos utilizam o DC para fins pessoais, ingenuamente ou motivados pelos seus leitores e fãs, está seguramente a referir-se a duas pessoas. Recapitulo 6 meses de blogagem casadoira e creio que uma delas só posso ser eu.
Faço-o, sem dúvida nenhuma. Já me chamei "onanista do costume" e já me referi, com mais ou menos ironia, com mais ou menos sinceridade, a leitores e fãs. A questão é muito simples. Uso regularmente este blog para fins pessoais porque ele é meu. Como o é, em percentagens iguais, de mais 13 pessoas. Sendo meu, não recebendo salário nem tendo de obedecer a ordens superiores, escrevo sobre o que me dá na real gana e, por vezes, utilizo-o para promover coisas em que estou envolvido. Tal como o utilizei para promover o livro do meu irmão, o Cénico de Direito, os "Dez Regressos" do NCS, outros blogues, ou uma peça encenada pelo TR quando ele ainda nem fazia parte do DC. E continuarei a utilizar o DC para fins pessoais sempre que me parecer conveniente.

Suponho que a segunda pessoa a que a crítica do Bernardo se dirige, é ele próprio, que o fará, decerto, sensivelmente pelas mesmas razões. LFB

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