<$BlogRSDUrl$>

sábado, julho 12, 2003

Os convictos (1º Mecanismo de Redenção) 

Tenho ouvido muito: "Pá o Debord pa mim é uma coisa meu, diz-me muito, identifico-me, sou um profundo situacionista."
Lembram as digníssimas que no intervalo de serem sub subrepticiamente plastificam as capas dos volumes de S. Agostinho. "Pá, a gente ainda áinde de redimir-se...e casar com o príncipe, o estóico."

Mecanismos de fuga ao imponderável.

Esperem, o rapaz ainda quer dizer mais qualquer coisa... 

"Quando digo que «à excepção dos meus amigos, todas as pessoas que encontro à noite são, no mínimo, desprezíveis» não quero que pensem que odeio a Humanidade de forma geral. Longe disso. Foi apenas uma forma de tentar exprimir a minha neutralidade perante as pessoas que encontro na rua."

Pedro Robalo, O Complot

"Neutralidade", Pedro?! Suponhamos então: você não conhece o mendigo na esquina perto de sua casa, logo ele é - para si - desprezível. Hmm... não seria suficiente recusar-lhe educadamente a moedinha, se ele a pedisse?

O DC, nas últimas horas, vem alimentando uma querela sem importância com este blog, no intuito de animar os dias pardacentos antes de irmos de férias. Vão ao link e entretenham-se.

LFB

Os carneirinhos que um homem a sério deve contar para adormecer 

Nunca percebi essa tradição de contar carneirinhos para chamar o sono. Para já, quantos malditos carneiros poderão realmente pular uma cerca? Depois, porque é que são carneiros e não outra coisa qualquer? Enfim, a própria ideia de um animal felpudo, branquinho, uma cerca - muito campo, muito silvestre, os pulinhos e o contá-los... parece-me material suficiente para o PIPI desenvolver novas teorias sobre a "rotice".

Desde adolescente que chamo o sono imaginando negócios e equipas do Benfica. Por exemplo, nos dias que correm sou o Luís Filipe Vieira da terra dos sonhos. Começo por vender uma defesa inteira ao Southampton: vai o Bossio, o Cabral, o Dudic, o Peixe e o João Manuel Pinto. Um milhão de contos, tudo somado. Depois, e ainda na liga inglesa, o Sunderland dá-me 400.000 mocas por dois trincos, o Andrade e o Andersson. Consigo, de seguida, numa viagem relâmpago ao Japão, despachar pelo Nagoya Grampus, o Yokohama Marinos, o Kashima Antlers e o Vituku Warriors, todos a 50.000 contos cada, os seguintes cepos: George Jardel, o Andersson brazuca, o Toni, o Diogo Luís, o Geraldo, o Mawete Junior, o Nuno Santos, o Cristiano e o Ronald Garcia. De passagem, faço uns troquitos em tribunal com o Sabry, o José Soares, o Porfírio e o Drulovic. A acabar, o Bordéus perde a cabeça e dá um milhão de contos para ter o Carlitos e o Ednilson. Total: quase 3 milhões de contos. Sem perder tempo, pago ao Ricardo aquilo que ele merece, meto o Polga no centro da defesa, chamo o Bruno Aguiar à equipa principal, dou 500.000 ao Fulham pelo Luís Boa Morte e 100.000 ao Guimarães pelo Rogério Matias, para fazer o lugar benzinho enquanto o Tiago Gomes ganha músculo. Para terminar, e só para deixar o Rui Costa curtir o estrangeiro mais um tempinho, dou 200.000 ao Brescia para trazer o meu ídolo de adolescência, o Roberto Baggio. E ainda fico com 1,5 milhões de contos à maior.

Depois faço a equipa: Ricardo na baliza; 2 - Miguel, 3 - Matias; 4 - Rocha; 5 - Polga; 6 - Tiago; 7 - Petit; 8 - Simão; 9 - Sokota; 10 - Baggio; 11 - Boa Morte. E o banco tem estes nomes: Moreira, Helder, Armando, Geovanni, Mantorras, Roger e Nuno Gomes.

Começo a sonhar com os jogos mas, como sou humilde, o sono chega sempre na altura em que estamos a dar 4-1 ao Inter na meia-final da Champions League. Típico de um português, este pensar pequenino.

LFB

ESCLARECIMENTO 

Ontem à noite publiquei um post intitulado FUI PARA A CAMA COM A ISABEL FIGUEIRA no qual, a linhas tantas, admitia a inalação de uma substância proibida. Como surgiram interpretações erróneas aqui fica o esclarecimento:

não fui para a cama com a Isabel nem a droga inalada era das pesadas. Não tenho dinheiro nem para uma coisa nem para a outra.

LFB

Está tudo dito. 

"À excepção dos meus amigos, todas as pessoas que encontro à noite são, no mínimo, desprezíveis."

Pedro Robalo, O Complot


LFB (assinado por exigência do próprio Robalo)

sexta-feira, julho 11, 2003

Qualquer dia, sou apanhado pelo gang da Kapital 

O Complot apanhou-me bem, reconheço, com aquela da ironia à Berlusconni. Agradeço, também, revelar que esperava mais da minha definição de beto, porque parece indicar algum gosto pelo que, até aqui, tenho postado.
Mas Pedro Robalo que me desculpe: se me pergunta o que ele próprio é, dizendo que tem cabelo à beto, que se veste à beto e com marcas de betos, mas que leu Balzac e até foi hoje ao King... a resposta não pode ser outra: é, evidentemente, um beto; na melhor das hipóteses, um beto culto.
É-me mais difícil compreender o porquê de "frequentar amiúde" o bairro alto, mesmo abominando-o. É-me, finalmente, insuportável ver alguém apregoar, depois de me ter chamado de fascista, que "à excepção dos meus amigos, todas as pessoas que encontro à noite são, no mínimo, desprezíveis." Isto não é ser beto, é achar que se tem o rei na barriga, ter lido demasiado João Pereira Coutinho, ser arrogante, misantropo e, convenhamos, um bocado tonto.
AB

Da tv para o blog? 

Com o passar das semanas, a discussão em torno de quem seja o autor de O Meu Pipi não cessa. Lanço mais um nome: fontes seguras garantem-me que a circunstância das férias futebolísticas conjugada com o estilo inteligente e pleno de humor apontam para o nome de... Paulo Catarro.
AB

FUNNY GAMES 

Um mês depois do lançamento do DC, aqui vão alguns factos curiosos:

Muita gente tem vindo cá parar através de buscas no google com as seguintes entradas:

avião erótico
gato fedorento
ginger lynn
jenna jameson
kelly mcgillis
jorge luís borges

ou os extraordinários:

"procuro mulher de Leste" e
"mobiliário évora cama"!

Em relação aos blogs com links para o DC, a maior fonte de visitas vem do DICIONÁRIO DO DIABO. Boa gente.
Outras curiosidades:
intrigados com o título do nosso blog a brasileira Boneca linkou o DC com este comentário: "Tem blog p'ra tudo, mesmo!"
O 100nada atribuiu-nos o prémio "João Ratão" - bem-hajam. E, talvez preocupados connosco, a malta do Cruzes Canhoto publicou uma notícia sobre os malefícios do casamento.

Mas temos de acabar com o mais genial insulto/crítica que nos fizeram. Uma advertência do Quarto do Pulha: "avisem essa equipa que os lugares no DN já foram ocupados". Brilhante. Assim vale a pena.

Não Sabe Que Nada Sabe 

Acabo de ouvir no Opinião Pública, da SIC Notícias, um telefonema de um tal Mário Teixeira - 54 anos, gestor - dizendo, indignado, que "o sr. Luís Filipe Vieira é um semi-analfabeto; não sabe falar, não sabe gerir, não sabe nada." Ó sr. Mário, veja lá isso! Daqui a nada começa o insulto! LCA

Consultório político 

Ainda há por aí muita gente confusa. Mais do que consultórios sentimentais e sexuais, precisamos de consultórios políticos. O consultório político seria conduzido por um enigmático professor e apontaria direcções ideológicas, tentaria enquadrar politicamente os cidadãos e daria conselhos naquele tom pedagógico, usado nas diversas variantes editoriais da clássica “Maria”. Em vez de cartas do género “Chamo-me Guga, tenho 21 anos e sou da Amora. Desde pequenino que não me sinto lá muito homem e tenho um pai que foi comando. Devo mudar de sexo?” teríamos pedidos de consulta neste estilo: “Sou o Luís Carlos, da Bobadela, e sempre achei que era de esquerda - até ontem, quando dei por mim a dizer à mesa que o senhor Berlusconi, para além de ter uma ironia de grande originalidade, usa uns belos fatos. Professor, ando confuso quanto à minha identidade política. Devo mudar de partido?”. O consultor político deveria também ir buscar técnicas à astrologia: “Prevejo que a semana seja dramática para os nativos do Bloco de Esquerda, dado que não está prevista para estes dias nenhuma vigília contra a globalização, em todo o território nacional. Por sua vez, os nativos do PSD seguirão, esta semana, o exemplo do Governo no tocante à Função Pública – vão reformar as suas relações amorosas e sexuais no sentido de as tornar mais dinâmicas e competitivas e de instituir contratos por objectivos”. Quando se justificasse, o consultor político poderia também passar receitas aos cidadãos mais perturbados com a política nacional, como "emigração imediata para países civilizados" ou "interdição de assistir ao canal Parlamento (agora AR tv) durante mais de 15 minutos por dia". É todo um mundo de possibilidades e de interactividade com os leitores que se abre – e que talvez merecesse ser objecto de atenção por parte dos editores de política dos nossos jornais. NCS



Fui para a cama com a Isabel Figueira! 

Quando lerem este post teremos ultrapassado a barreira dos 10.000 visitantes. Precisamente no dia em que faz um mês que o DC foi oficialmente lançado.
Venho do jantar com a malta que conseguiu aparecer para celebrar o feito. Sei que o Bernardo e o Ricardo, homens do Norte, fizeram o mesmo na Invicta. Nos Açores, o Hugo bebeu o melhor gin tónico do Mundo (Peter's - cidade da Horta) para festejar. Em Lisboa comeu-se e bebeu-se e discutiu-se até tarde.
Serve este post para agradecer a quem nos lê, a quem nos critica, a quem nos insulta, a quem deseja casar connosco, a quem está casado connosco, a quem nos envia correio e a quem nos dá sugestões. Estamos felizes por fazer parte desta aventura.

E eu estou doente. Sim, porque depois de uma noitada com amigos, 4 imperiais, 5 johnnie walker red label, um gin tónico e a inalação de uma substância proibida, vir ainda ao trabalho só para escrever isto é sinal de adição grave. Alguém me faça chegar o artigo do Público sobre a dependência da net, por favor!

Um abraço a todos,

LFB

ps: o título deste post era só para garantir que o liam.

Morte às Palavras 

No PÚBLICO de segunda-feira noticiava-se a censura exercida em exames e manuais nas escolas norte-americanas. Supostamente dirigida por «grupos radicais» (à esquerda e à direita), a pincelada azul investe sobre palavras como gordo, feio, diabo, anão e escravo, substituindo-as por termos mais piedosos como «obeso», «misterioso», «pessoa de reduzida estatura» (cutchi cutchi, que giro!) ou «escravizado» (voilá); ou então banindo-as, quando a imaginação lexical simplesmente se esgota (diabo podia ser «sorumbático» e passar depois a «mal disposto» e ainda a «menos feliz» ou em «dia não»).
A ideia é brilhante, e vem provar uma vez mais a vanguarda do pensamento «radical». Há também livros interditos, como o «Admirável Mundo Novo», de Aldous Huxley; o «Adeus às Armas», de Ernest Hemingway; o «Diário», de Anne Frank e até o Harry Potter, de J.K Rowling (deve ser pelos morcegos - ai!). Para além disso, há ainda alguns temas pouco recomendáveis a que os prestimosos grupos sugerem a extradição. A saber: morte, aborto, doenças, teoria da evolução (?), questões militares, desporto (??), política, estilos musicais controversos (rap, rock´n´roll, Marlyn Manson) e terminologia agrícula, financeira e política (aqui estou de acordo e percebo a ideia de não transtornar).
Este fascinante exercício recorda-me uma passagem de «1984» (um título de George Orwell, que desconfio bem que não conste da lista), onde a personagem principal, Winston, se encontrava com Syme, um entusiasmado filólogo do Partido, que andava empenhadíssimo na compilação da Décima Primeira Edição do Dicionário de Novilíngua. Explicava Syme:

«(...) – Coisa magnífica, a destruição de palavras. Claro que a grande quebra é nos verbos e nos adjectivos, mas também há centenas de substantivos que podem ser dispensados. E não são só os sinónimos; há também os antónimos. Afinal de contas, qual a razão de ser de uma palavra que seja simplesmente o contrário de outra? Cada palavra contém em si própria o seu contrário. Olha, «bom», por exemplo. Se temos a palavra «bom», para que é que precisamos da palavra «mau»? «Imbom» faz o mesmo efeito. Melhor, até, porque é rigorosamente o oposto de «bom», coisa que «mau» não é. Ou ainda, se queremos uma versão mais forte de «bom», que sentido faz termos toda uma série de palavras vagas e inúteis como «excelente», «esplêndido» ou outras que tais? «Extrabom» cobre perfeitamente este sentido; ou «duploextrabom»», se se pretender um termo ainda mais forte. (...) No fim todo o conceito de bondade e maldade será abarcado apenas por seis palavras... que são, no fundo, uma única. Não vês a beleza disto, Winston?»

Palavras para quê? Aprender assim é duploextrabom.

RS

quinta-feira, julho 10, 2003

Despudorado Martins  

O dr. Gentil Martins comentou em várias tribunas a operação das duas gémeas siamesas iranianas – a primeira tentativa de separação pela cabeça de gémeos adultos. Pondo de lado a razão que poderá – ou não - ter no plano médico, o que me ficou das suas declarações foi o despudor com que foram ditas. Gentil Martins arrasou a intervenção cirúrgica num tom nada amável e (aparentemente) muito informado – o que nos permitiu deduzir que um dos elementos da equipa de 128 profissionais de saúde tinha um telemóvel na mão para relatar ao médico, num ritmo Perestreliano, todos os pormenores do problema que ali se abria. Sem qualquer ética médica – que, naturalmente, o tornaria cauteloso no comentário de uma operação e de um problema específico que ele, em rigor, desconhece -, Gentil Martins quis mostrar que é o maior condutor de operações do mundo. Estive, pois, à espera que, a qualquer momento, fosse contagiado pelo registo Mário Jardel e dissesse em frente às câmaras: “O dr. Gentil Martins é um médico que gosta de ajudar a medicina a ganhar desafios. E a verdade é que o dr. Gentil Martins estava no seu consultório à espera que o convocassem. Quiseram arriscar apostando num tal de Keith Goh que nunca ganhou um Bisturi de Ouro. O dr. Gentil Martins sente-se, assim, obrigado a ir actuar para o estrangeiro”. NCS


Lambi Coninnis 

Existe em Portugal um fenómeno deveras inquietante, que atravessa transversalmente a sociedade portuguesa, indo parar, amiúde, ao rés-do-chão dos nossos prédios. Falo, como todos já devem ter percebido, dos cães das porteiras.
Por um fenómeno qualquer inexplicável, os cães-de-porteira apresentam-se com dimensões extremamente reduzidas. Tão reduzidas, tão aflitivas, que os cães vão deixando de se parecer - justamente - com cães, para se começarem a confundir com roedores. Eu não quero parecer demasiado conservador, mas acho que um cão se deve parecer com um cão - i.e., não deve ter o tamanho de um telemóvel.
As porteiras - tenho para mim - andam a fazer experiências genéticas com cães. De outra forma, como se explica o facto de andarem munidas com pequenos gebos do deserto a largar caganitas de coelho no passeio? Como se isso não bastasse, vestem essas amostras-de-cão com padrão escocês, pegam-lhes ao colo e, qualquer dia, andam a levar-lhes o pequeno-almoço à cama. Ninguém viu, estou certo disso, uma porteira, de avental xadrês, a passear um pastor alemão na rua!
Ora um cão que se preze, nunca, mas nunca, deve ter o tamanho de uma bosta de outro cão. Não é aceitável. Para um cão ser cão existem três regras de ouro que nunca devem ser quebradas:
1 – O cão não anda ao colo do dono.
2 – O cão nunca tem frio.
3 – O cão nunca se deve confundir com um hamster.
A partir de hoje, quando me cruzar no passeio com canídeos que não cumpram estes três requisitos, ajeito a gola da camisa, puxo uma perna bem atrás e mando-lhe uma bojarda de pé cheio - à antiga, à Eusébio - seguindo depois à minha vida, correndo rua abaixo de braços estendidos - à Pauleta. LCA

um novo alfaBETO social 

Terei comprado a minha primeira guerra blogosférica?
Pedro Robalo, de O Complot, reagiu mal às minhas anotações acerca da micro-invasão do Bairro Alto pelos betos. Não tenciono fazer nenhum post do desagravo, mas a verdade é que não percebo em que momento a ironia não é perceptível.
Pedro compara a noção de território que aplico ao bairro à reforma agrária de 76, a minha atitude ao fascismo e reserva como alternativa ao perfume intenso dos betos a pura e simples troca de piolhos. E estica-se um pouco mais quando sugere se eu preferiria aos betos aqueles que sobram, isto é, segundo ele, "os freaks, skin-heads, traficantes de drogas leves e intelectuais ecuménicos."
Não deixa de ser uma curiosa visão do mundo, uma nova estratificação das sociedades. Quem não for beto deve passar a rever-se numa das quatro categorias citadas. Quem não for beto falhou, com certeza, a vida; é, na melhor das hipóteses, um intelectual ecuménico com cholé. A partir daqui, os agentes da autoridade inquirir-nos-ão na rua: "Ora, vamos lá a saber... O senhor não é beto, portanto: leu Balzac, trafica pólen ou manda pontapés a pretos? Hmm?" Ou uma conversa entre mães: "O meu Jorge está tão beto! Aqui há uns tempos, ele andava com umas companhias esquisitas e trocava embalagens de vasenol por livros do Proust e placas de haxixe, mas desde que conheceu a Mimi Fatucha de Pereira e Sousa que é um rapaz novo!! E o teu?" "Ah! Nem me digas nada... O meu Paulinho vendeu as camisas burberry's para comprar uma máquina para rapar o cabelo e uns óculos de massa preta. E... (princípio de choro)... a Constança Mafalda de Sá e Avilez disse-me que o viu no outro dia a rondar o King... buááááá!!!!"
É isso, Pedro. Ou se é beto ou o melhor é ir já para uma casa de correcção.
Entretanto, é óbvio que a grande virtude do bairro alto será sempre a de não pertencer a ninguém e admitir em si os grupos mais heterogéneos. No fundo, os betos não são mais irritantes que os preocupadamente-despreocupados-so-called-almost-freaks. O estilo de uns é tão ditador quanto o dos outros.
AB

Dr. Henrique 

O Henrique, meu querido amigo e autor do olharcritico, terminou, há pouco, o curso de Direito e faz questão de agradecer no seu blog a alguns membros do DC por terem-no ajudado a ser aquilo que é. Evidentemente, Henry, não tens o que agradecer. És um óptimo amigo e tens um magnífico futuro diante de ti.
E, já agora, parabéns!! É sempre uma vitória concluir um curso. Que importa se foi em Direito?
AB

Da minha poltrona onanista 

No rescaldo de mais uma sessão de exames orais na Faculdade de Direito, tive de ouvir coisas tão singelas quanto a nacionalidade portuguesa ter-se afirmado no século VIII, as Ordenações do Reino (de Portugal) serem anteriores à fundação da nacionalidade (portuguesa), o mestre de Avis de 1383-85 ter sido D. João VI, and so on...
Mas porque é que não existe a mínima noção do tempo e das sequências? E não vale dizer que só se exigem nomes e datas... O que se exige é perceber quem chamava aqueles nomes e porque os chamavam naquele dia. Ora tente-se lá imaginar a nossa vida sem os nomes da nossa vida e as datas da nossa vida... É porque sem eles, não há vida: há manifestos de tempo perdido, sem amor, sem sorrisos, sem dor, sem outros, sem nada.

MR

Cultura a galope 

Nas últimas semanas alguns portugueses que escrevem em jornais e outros que não, lançaram-se numa demanda comparável à procura do Santo Graal. Da Visão ao Público, do Gato Fedorento às duas gatas siamesas do Pedro Burmester, todo um país pergunta: onde está o ministro da Cultura? Quem é?
Durão Barroso não coloca esta pergunta no seu top ten das dúvidas metafísicas, mas aproveitará em breve para baralhar e voltar a dar. É só haver aí um caso de corrupção de um ministro e vai de lhe dar com a remodelação e aproveita-se e põe-se a andar o Roseta. Esperemos que Durão Barroso tenha lido Suetónio quando, nos Doze Césares, ao biografar Calígula, ele recorda que este imperador chegou a um momento da sua estadia no poder em que não sabia quem eleger para determinado cargo. Parece-me que seria cônsul ou senador. Não confiava em ninguém para desempenhar essa missão. Teve então uma ideia genial, elegeu a única criatura a quem seria capaz de confiar a vida: o seu cavalo branco.
Bem sei que a ideia parece ridícula e poderia lançar o país numa polémica interminável. Mas, a acontecer a substituição que proponho para o Ministério da Cultura, ao menos não passaríamos de cavalo para burro!

TR

Governo ao Fundo 

De uma vez por todas, isto tem de ser dito: o Primeiro Ministro Durão Barroso tem atrás de si um grupo de predadores à solta! Esses tubarões, essas lampreias, esses… esses… - nem consigo dizer isto sem que me embargue a escrita - esses troglóbios!, espreitam por detrás da sua cabeça, por cima do seu ombro, de olhos vorazes (sabe Deus à espera de quê!) para, à menor oportunidade, se atirarem de dentes em riste ao nosso encalço.
Tudo se passou ontem, durante a apresentação da recém criada Comissão Estratégica dos Oceanos, em frente ao tanque central do Oceanário de Lisboa…LCA

Paciência de Chinês 

Segundo um estudo científico recente (fonte FOCUS), os chineses são o povo mais inteligente do mundo. Entre outros indicadores aponta-se o facto de, para se falar e entender chinês, ser necessário um esforço intelectual muito superior ao que exige qualquer outro idioma do mundo.
Mas então, se os chineses são os gajos mais espertos do mundo, como é que ainda não perceberam que o comunismo já morreu?

LFB

O ESTADO DO TESÃO 

O debate sobre o Estado da Nação não aqueceu nem arrefeceu. Quer dizer, aqueceu... mas não teve a ver com a Nação propriamente dita. A julgar pelo que mostraram as câmaras de televisão, os deputados estavam mais preocupados com o visual de Joana Amaral Dias do que com o país. Mas quem poderá levar isso a mal? É que a crise já tem rugas, a Joana não.

LFB

ZZZZ ptoing ZZZZ crish ZZZZ ma'quê?! 

Berlusconi entrou a matar no Parlamento Europeu e chamou "nazi" ao representante alemão. Ninguém o cala e não vai ficar por aqui. Mas ainda mais bizarro que o insulto foi o estranho ruído que se escutava durante o discurso do italiano. Ainda não está confirmado mas parece que se tratava do barulho feito pelo seu cérebro no esforço para tentar compreender a sua própria estupidez.

LFB

E deu-me este amigo a mim ( o F. que não tem tempo para ler blogues e faz anos hoje)! 

Numa contenda sobre amizade, Pedro Mexia dizia que um amigo tem a obrigação de apontar a verdade e os defeitos por muito que isso magoe, enquanto o MEC defendia ser impossível essa isenção e que, enquanto amigo, lhe crescem as unhas e a sanha de procurar o "porquê" e as desculpas para acções menos dignas.
Para mim confesso, mais importante do que um amigo confrontar-me com a verdade ou defender-me, interessa-me que ele seja um pilar de força. Seja aquele que quando estou de rastos, quando a vida me tirou o tapete debaixo dos pés, me deu a machadada ou o golpe de misericórdia final, me diz que estou e continuarei a estar acima das suas contingências, que o meu valor intrínseco sai ileso, que não perco nada que não se reponha.
Que acredita, basicamente, nesse valor intrínseco tanto quanto eu acredito no seu, por isso, a amizade é amiga da vaidade.
Uma força, um escudo, uma protecção, uma segurança e um guia. Alguém que me conhece tão profundamente que sabe precisamente aquilo que precisamos de ouvir, quando a nossa auto-estima precisa de ser reassegurada ou quando o orgulho e a soberba precisam de ser domados. Que aplaca os medos e os torna risíveis e cobardes. Que consegue sentir como se estivesse metido na nossa pele e ver, de todos os ângulos, de fora, com uma atenção que não negligencia nenhum perigo.
E é aquele que é também uma força lógica, que arranja os argumentos para me vergar ao ponto da rendição aliviada, até que eu exclame: eram estas as razões que me faltavam e às quais nunca chegaria! e, pelo menos, momentaneamente, me reassegura, por entre as veredas de insegurança que temos de pisar.

CMC

O show bizz 

Berlusconi chamou aos juízes "golpisti" ( golpistas) e o seu ministro Pietro Lunardi, outro nome a registar, afirmou: "em nome da lei também podemos colaborar com a mafia". Não vejo que mal tenha os políticos assumirem-se como entertainers, não é para isso que lhes pagamos?

CMC

quarta-feira, julho 09, 2003

PRESÉPIO SEM FIGURINHAS 

Durante a noite, muitas ruas de muitas cidades transformam-se em ruas de bonecas a que faltam as bonecas. Isto, evidentemente, é apenas uma maneira de dizer: eu poderia escrever, antes, que essas ruas são como velhos cenários abandonados, em papelão, em madeira, fachadas apenas, que começam a desbotar e a acusar o desuso; ou poderia anotar que chegam de facto a parecer construídas somente para afazeres cinematográficos, spots publicitários, coisas do estilo; outras pessoas terão ali representado as suas deixas, que não interessam mais. Mas prefiro a imagem das bonecas ausentes, porque me dá vontade de as pôr lá: com uma rua assim pode fazer-se quase tudo.

LDA

O gosto pelos finsprincípios 

Concluímos, ontem à noite, mais um programa de televisão e o facto fez-me recordar do quanto gosto das coisas que acabam, quando acabam. Dos abraços e dos brindes, dos discursos e das piadas de ocasião, dos copos, de arrumar tudo no dia seguinte; saber que se cumpriu o que de nós era esperado e imaginar o que virá depois.
Há sempre paz depois de um final. E, de repente, tudo parece ter corrido bem, mesmo quando todos sabemos que nem sempre foi assim. Que todas as decisões tiveram uma razão de ser. Que fez sentido chegar aqui.
Só lamento ser terça-feira e termos de festejar entre o Tokio e o Dock's, mas como o verão sempre traz à luz e liberta nestes lugares uma quantidade de mulheres espantosas que andavam, com certeza, agrilhoadas em profundas caves durante o resto do ano, tudo saiu compensado. Tudo, repete-se, fez sentido.
Casar ninguém casou, mas o desejo andou à solta.
AB

Quatro periscópios (não tem nada a ver com  

Mais um blog luso com virtudes expressas: queiram conhecer o periscopio-quatro, em que o Rui escreve e bem.

MR


Parabéns pelo programa 

Só posso saudar a saraivada de casamentos e suas descrições que começam a surgir no blog. Finalmente isto vai fazer algum sentido. Depois, poderemos também avançar por novas áreas, com os seus próprios blogs. Por exemplo,

o DESEJO FILÓSOFAS, para discutir massas de pizzas,

o DESEJO MENORES, para discutir tendências da arte contemporânea,

o DESEJO MEXICANAS, para discutir a OMC e o GATT,

o DESEJO QUEIJO, para discutir rimas,

e assim por diante.

MR

Casório II 

Sobre casamentos, tenho um sentimento que me assola sempre que vou a um: o arrependimento.
Normalmente só me dou conta dele no dia seguinte, quando me arrependo daquelas magníficas iguarias que não cheguei a provar; e, por outro lado, de todas as bebidas que abusei...LCA

Casório I 

Há quatro dias que não escrevo aqui um post. Embora reconhecendo que para a maioria dos nossos leitores isso seja motivo de celebração rija (excepção feita à minha família mais próxima e ao meu guaxinim), sinto-me na obrigação de deixar aqui uma singela justificação.
E a desculpa não podia ser melhor: não tenho escrito para o DESEJO CASAR porque estive num casamento. E sobre a cerimónia propriamente dita, verificando o abandono progressivo da liturgia tradicional, lamento em especial o abandono daquela parte em que o padre pergunta à plateia “Se alguém aqui presente tiver alguma razão para que o casamento não se realize, que fale agora ou se cale para sempre.”
Eu acho que está mal. Não é correcto. Acho que se devia sempre deixar essa porta aberta. Nunca se sabe quando vai surgir, da parte detrás da nave da igreja, junto ao transepto, a exclamação da mulher ofendida que, de filho ao colo, diz, para extupefacção dos fiéis: Eu tenho uma razão! Faça-me o sr. padre o favor de perguntar a esse f*** da p*** que está aí à sua frente, vestido de piguim, se sempre conseguiu comprar tabaco.LCA

Relato de um casamento ou como se limpa uma cidade de média dimensão em 48 horas 

Regressado e já mais refeito da minha experiência matrimonial em Burgos, passo a contar a história. A cerimónia, na sua parte episcopal, foi bastante mais suave e breve do que eu imaginaria. A noiva levava um vestido com cauda e escamas. O noivo uma gravata cor de laranja. O padre estava com um vestido branco, muito simples, mas bonito. A coisa, em edição bilingue, fez-se sem sobressaltos. Mais interessantes podem ser alguns comentários laterais, em estilo de haikus estremenhos, que ensaiaria:

O homem da gabardine

Eu tinha-me esquecido de levar um cinto, qual Ega sem queijadas. Sábado de manhã, na busca do “Corte Inglés” de Burgos, o Tiago resolve questionar uma jovem mãe, que passeava na rua de marido e criança. Falou naquela língua que os portugueses falam quando estão em Espanha. A senhora não percebeu. O Tiago levantou a camisa e apontou para o cinto... A senhora chamou o marido. O Tiago tinha a braguilha aberta.

A morcela interminável

Sinto-me, ainda hoje, como que regressado de uma sessão muito dura com o embutidor mor das Espanhas. Nada como uma morcela frita e um Montecristo ao acordar antes de me ter deitado.

Os Charlie’s Angels gostam de boquerones

A nossa embaixada a Espanha era composta por mim próprio, por dois amigos de longa data, por três amigas ex-colegas de faculdade, pelo namorado francês de uma delas e por uma jovem sul-africana radicada em Lisboa – tudo sub 30. A parte feminina da missão teve grande sucesso, aliás muito merecido. Recordo a nossa pose para as câmaras, frente à igreja, que incluía tatuagens tribais, vestidos pretos transparentes, cabedais vários, rastas capilares, óculos espelhados... – na parte feminina, bem entendido. Quem disse que um casamento não pode ser uma experiência adolescente?
E, já agora, Maria João, havemos novamente de tomar um café...

Octogenários do século XVII

Passámos por um jantar muito agradável, num claustro seiscentista. Numa ida “a los aseos”, ouvi um octogenário espanhol a falar para outro, com um entusiasmo transbordante, sobre “las jovenes chicas portuguesas”. Receei o pior para o seu coração. “Menos mal, que nos queda Portugal”, como dizem.

A constituição europeia

O Sebastien, astrofísico e namorado da Susana, ensinou-nos que, quando determinado gesto técnico é especialmente bem feito, em francês deve designar-se como “pompe”, com o verbo “pomper”. Em troca, ensinei-lhe, ao acaso, palavras e expressões como “escangalhar”, “peladona” e “por-lhe uns patins”.


Os erros pagam-se caros, mesmo quando há bar aberto

Mas porque é que em Espanha mesmo uma garrafa de Moskovskaya com bom aspecto tem de ter lá dentro uma mistela que sabe a aguarrás e é servida com Fanta de limão? Tudo isto são limitações sérias à competitividade de um país.


Bob Marley não alugava na AVIS

Faço um apelo aos meus amigos que viajem comigo 1600 quilómetros num carro alugado por mim. Por favor, tentem deixar menos filtros feitos com ex-maços de cigarros debaixo dos assentos da viatura e coisas afins... Apesar de limpeza cuidada a que procedi antes de devolver o carro, e que encheu dois sacos do Jumbo, ainda hoje sinto que a qualquer altura poderei vir a ser detido.

MR

Fenomenologia Em Directo 

Numa das minhas últimas conversas com o Bernardo a propósito de blogs, interrogava-me, entre uma vodka de limão e um oblívio momentâneo para observar uma kittie, sobre qual o registo a adoptar num espaço como o DC, onde a profusão de vozes torna algo impraticável uma escrita pessoal, de estilo diarístico. Como também não há um «tema», ou «temas», a que os desejosos se vejam obrigados, a tendência é algo paradoxal: por um lado, o indivíduo tem liberdade de falar sobre o que lhe apetece, do modo que lhe apetece, às horas que lhe apetece – quando todos fazem o mesmo, forma-se um todo coerente, baseado na dispersão de 12 (?) canetas. Por outro lado, é nessa mesma liberdade, que num blog poderá ser extremamente radical e abusiva, que reside a grande ameaça ao texto colectivo. Se eu decidir escrever todos os dias sobre gémeas siameses, dissertando com abundância sobre as suas nuances conjugais ou sobre quem leva a melhor parte do bife, das duas uma: ou me telefona o Nuno Costa Santos a pedir que fale também de trigémeos e da condição dos nenúfares gemelgos, ou então a minha insistência irá provocar desequilíbrios: não tanto para o leitor, que com o scroll passa a frente os nenúfares, mas entre os meus pares, que passarão a contar com um «bacilo», empenhado na sua própria agenda. Nesse caso, justificar-se-ia o meu blog sobre siameses, destinado ao meu público particular.
E daí estas considerações - como ser livre sem destoar? Como manter a independência, a voz pessoal, o cunho privado, sem afectar um tecido que pertence a vários; sem romper o acordo, necessariamente tácito, de que o espaço obedece a diferentes velocidades e que a sua originalidade se encontra, precisamente, nessa homogeneidade do geral?


Mea Culpa 

Desculpem o tom algo brejeiro dos dois posts anteriores. É que acabei de ver, aliás com particular interesse, aquele programa de strippers do canal 18. A última despiu-se ao som de Perry Blake.
Meus amigos, há coisas que um homem de princípios não pode suportar... Então a artista quer concentrar-se no seu trabalho e metem-lhe uma lamechice sadcore de um larilas da Irlanda?!

LFB

PS: o que se seguirá? Filmes porno com banda sonora de Wim Mertens?

O PUNHETEIRO PROFISSIONAL 

Nos EUA - onde é que havia de ser? - existe um banco de esperma onde determinado dador bateu todos os records do género. Aliás, nunca a expressão "bateu" foi tão apropriada. Esta instituição paga cerca de 20 contos por uma... hã... doação. Ora bem, o cavalheiro anónimo faz duas por dia, e presta-se à dita cuja todos os dias úteis da semana. Vamos a contas:

10 doações por semana a 20 contos cada uma / 4 semanas por mês, mais dia menos dia

Conclusão: O sujeito ganha 800 contos por mês praticando aquilo que os leitores de O Meu Pipi fazem - de graça! - pelo menos uma vez por dia.
A meu ver, urge a criação de um Sindicato.

LFB

ps: se pensarmos que os dadores de esperma são anónimos e avaliando a quantidade de "depósitos" que este cavalheiro já fez, imagine esta situação - vinte anos depois de hoje:

Mary conhece William e rapidamente se apaixonam. Entre outras coisas sentem-se unidos por um facto peculiar: as suas mães engravidaram por inseminação artificial... Estão a ver o filme? Enfim, há que ver a coisa pelo lado positivo: pior que serem meios-irmãos era se William descobrisse que o espermatozóide que lhe deu origem nasceu para o mundo a toque de uma revista Gina qualquer enquanto o de Mary foi inspirado por uma edição premium da Playboy.

Rui Teixeira Fan Club 

O Hugo deu a notícia. Rui Teixeira vai mudar de tribunal e é quase certo que o processo Casa Pia mudará de mãos. Teremos saudades tuas, Rui. Da pinta capaz de gerar empatia no MotoClub de Faro, das transcrições de conversas telefónicas que fazem lembrar os desenhos das nuvens no céu:
- que giro! Parece uma ovelha!
- a mim parece um pacote de margarina "Pastor"...
Saudades ainda de te ver atravessar a rua para ir ao ginásio como se isso fosse do maior interesse nacional e do teu ar pacato mas ao mesmo tempo ameaçador - do género:
"Pergunte-me outra vez sobre o Pedroso e meto-lhe uma escuta das antigas pela zona rectal acima."

Mas, agora a sério, sentirei saudades da tua atitude de super-herói tuga: rechonchudo, sim; um pouco tímido até; mas capaz de meter toda a gente ao barulho e no mesmo saco. Intrépido. Nem o PR escapou.

LFB

ps: aqui entre nós... só espero que não tenhas feito merda, Rui.

terça-feira, julho 08, 2003

Conversa entre amigas 

Solteira com boas perspectivas casadoiras:
- Minhas amigas, acima de tudo pragmatismo! Ouçam a lição que as nossas mães nos deram. Procurem um homem para a vida! Que pague as contas da casa, que seja o pai dos vossos filhos. Gestor, médico, advogado ou engenheiro, ou qualquer outra coisa mas que dê dinheiro certo ao fim do mês. Um homem que vos dê umas viagens, bons restaurantes e hotéis. Um certinho e atinado. Uma estabilidade material e afectiva!

Solteira com péssimas perspectivas casadoiras:
- Mas quem é que quer um homem certinho e engravatado a chegar a casa ao fim do dia? Que seca! Um homem igual a mim para falar de quê? Leis, bolsa, doenças? Para se aguentar o dia-a-dia precisamos é de alguma dose de paixão, diferença, romance. Alguém que nos tire da rotina de todos os dias porque minhas amigas, mais tarde ou mais cedo, tudo se converte em rotina: despertadores, patrões, fraldas, doenças e birras e só uma coisa nos permite aguentar o cinzento: um não-cinzentão!

Divorciada:
- Mas quem é que, ainda, precisa de um gajo seja para o que for?

CMC

As classes trabalhadoras 

Entro no café ao lado da minha casa. Já por lá passaram muitas caras, jovens e voláteis, mas as que retenho é a destes empregados, sexagenários e septuagenários, cabelos completamente brancos, calça preta e camisa branca impecável, acordados desde as seis da manhã e a servir cafés desde as sete. Afáveis, sem uma irritação que transpareça, Kms para trás e para a frente, a aturar os caprichos dos clientes, está quente, está frio, mais isto e aquilo e humildes: deseja mais alguma coisa? depois paga; deixe lá, não pense mais nisso. Quando chego às oito estão eles a sair para irem dormir longe dali, do coração da cidade.
Entro no sapateiro, também este nos 60 e tantos anos de disciplina e método. Alguém se queixa que já está a pé desde as seis e ele diz que acorda todos os dias a essa hora.

- "Então que horário é que faz"? pergunto-lhe.
- "Gosto de chegar cedo para não ter de me preocupar com o lugar para o carro. Vou com calma tomar o café e às sete e meia sento-me aqui ( sozinho, num r/c acanhado de porta escancarada para a rua) até às 7h da tarde".
- "Trabalha demais".

Responde-me, vivo e orgulhoso do seu sentido de dever:
"Somos nós que temos de puxar por este país"
E quando esta gente desaparecer quem terá esta fibra de corpo e de mente?

CMC

Felizmente, nenhum disco morre ou enrouquece 

Ultimamente, dou por mim a sair da fnac apenas com discos quase da minha idade, quando não mais velhos ainda. Os primeiros de Palma, Tom Waits, Miles, Bowie, Joy Division - uma escolha heterogénea. Ando voltado, em particular, para "Rain Dogs" e "Nighthawks At The Diner" - o preferido de quase todos e o meu preferido pessoal. Da sinfonia de jornada e circo do primeiro ao intimismo do segundo, quem resiste a histórias como a de "Big Joe And Phantom 309"? Enquanto a humidade não me comer os cds não comprarei um único Linkin Park ou Incubus seja lá o que o suposto Rock de hoje produzir.
Entretanto, Barry White morreu. Como ele próprio diria e porquanto essa humidade permitir, "let the music play"...
AB

REFERÊNCIA ARREBITA-NABOS 

O brasileiro Antônio S. Silva elaborou um interessante dossier sobre a blogosfera portuguesa em que o DC figura numa meia-dúzia de blogs nacionais mencionados. Vejam aqui.
Melhor ainda, podem também ler a entrevista que o gentil brasuca faz ao PIPI, na qual o guru sexual da blogosfera confessa que, "entre duas punhetas", gosta de ler o Desejo Casar. Ainda há esperança para este homem.

LFB

EROTIC JUSTICE 

A advogada norte-americana Susan Selles decidiu protagonizar um filme produzido por uma empresa de pornografia cliente do seu escritório. O vídeo chama-se "Erotic Justice" e os pais devem estar orgulhosos: da carreira de advogada para a de actriz porno, bem se pode dizer que Susan "deu o salto".

LFB

Tudo tem uma justificação 

É tudo o que me ocorre escrever enquanto ouço "Waiting For The Moon" (Tindersticks), antecedido de "Happy Songs For Happy People" (Mogwai).

CONSULTOR HONORÁRIO 

Apenas para agradecer ao nosso fiel leitor, José Machado, que bem merece o cargo honorário de "consultor informático" do DC. Quer dizer, merece muito mais. Obrigado pela ajuda, José!

Adeus Rui Teixeira 

Rui Teixeira vai deixar o Tribunal de Instrução Criminal para ser colocado, em Setembro, em Torres Vedras, adianta o DN na sua edição de terça-feira, 8 de Julho.

Workshops de amor e amizade 

É chique fazer workshops. Dá prestígio – é bom para meter em conversas. “O que é que andas a fazer?” “Estou a fazer um workshop de expressão corporal com um tipo polaco, o Baratech”. “E tu?”. “Estou a fazer um workshop de sapateado pós-moderno com o Yokoshima”. Qualquer jovem artista português que se preze tem de andar sempre metido em workshops. Se não está, é porque se passa alguma coisa estranha – a investigar rapidamente. Começam logo a circular preocupações e rumores: “Sabias que o Zé Tó não está a fazer nenhum workshop... Queres ver que o gajo anda agora com a mania que não é artista”. “Pois, já tinha começado a notar isso desde a altura em que ele começou a deixar de aparecer no Majhong”. O jovem artista português, para além de ter sempre 4527 projectos entre mãos, faz workshops por tudo e por nada. Workshops de expressão corporal, de voz, de concentração, de pós-existencialismo dramático, de formas de insultar o público, etc. Pergunto: o jovem artista português levará este vício para a sua vida pessoal? Não me admirava nada. E até ouço uma conversa de engate frustrada, numa esquina do Bairro Alto: “Queres vir fazer um workshop de posições exóticas para minha casa”. “Agora não, estou cansada. Vou fazer um workshop de sono”. “Já agora: quem é que dá esse workshop?”. “É o meu namorado, o Nando, aquele rapaz musculado e irritadiço que está a vir para cá com uma matraca na mão”. NCS

segunda-feira, julho 07, 2003

Betos invadem bairro 

Não sei se é impressão minha ou se já outros terão reparado que, ultimamente, sabe-se lá por que carga de água, uma região da Zona Classificada do Bairro Alto foi invadida por betos.
E mesmo diante - pasme-se! - da Tasca do Xico... A Tasca do Xico?! Sim, o lugar com o nome mais improvável de despertar a cobiça daquela espécie aparentemente-gerada-por-clonagem foi atacado pelo sacrilégio.
São todos muito betos, muito novos, muito iguais uns aos outros; eles, o cabelo, as camisas por fora das calças, o sapatinho, elas, louras, de argolas, de jeans artificialmente remendados e botas. Betos, portanto, iguais a todos os outros, como manda a lei.
A conclusão - que nos deixa a todos sem abrigo - é que já nem o nosso querido bairro escapa.
Resta-me contentar com o facto de, por fim, haver ali um pedacinho de território nocturno que cheira bem. Quem passa ali, pelo meio deles, pensa que entrou numa perfumaria. É que dita o artigo quarto do código da espécie: "Cumpre ao betos a missão de se substituirem aos aromatizadores."
Bem hajam!
AB

O que eu não leio! 

Como qualquer fútil não assumida folheio, mas não compro, as revistas do social. Será do verão, da crise ou nunca vi tantas separações de Vip’s: Sharon Stone, Albarran, José Luís Arnaut, Sofia Alves. Depois na Lux, Alexandre Lencastre já empossada no novo look, confessa que a idade a torna mais chorona e que lamenta não ter namorado mais!
Anda aqui uma pessoa a agarrar-se a esta última miragem de que casada as coisas melhoram. Bolas!

CMC

Apanhada! 

Agora que já foi denunciada por tantos links a minha condição de "penetra" no jantar da UBL e, deste modo, ter honrosamente contribuído para subidas no número do contador do DC queria, além de agradecer à Charlotte e aos Pedros as elogiosas referências, manifestar a minha estranheza por ainda não ter recebido propostas de casamento e afins... E não será já tempo dos casadoiros deste blog publicitarem a sua foto e c.v? Pensem nisso!

CMC

Quando é que arranjas um trabalho "a sério"?! 

Quis o destino que me licenciasse em Direito e, no mesmo dia de tal desiderato, começasse a trabalhar numa produtora de televisão. Dois anos e meio de Mínima Ideia, 5 programas de televisão depois, vim trabalhar para as Produções Fictícias - faz agora 7 meses. Ou seja, a minha curta carreira profissional tem pouco mais de 3 anos mas, de cada vez que encontro um conhecido ou amigo mais desatento, a conversa é sempre igual:
- Então o curso?
- Não estou a fazer nada com ele.
- Então e trabalho?!
- Epá... fiz uns programas, agora estou nas Produções...
- Pois, que giro! Televisão e fazer piadas, não é?
- Hã... sim...
- Mas não foi isso que eu perguntei. E "trabalho", como é?

LFB

É outra para mim, por favor! 

Encontro um velho conhecido dos tempos do Cénico de Direito. Hoje tem 32 anos e a sua própria empresa de produção de eventos e mantém o ar cool de, como diria Carlos Castro, "rapagão bem-parecido". Rever o Bernardo recordou-me um episódio passado em Santa Apolónia, na partida para um festival de teatro. Ao balcão do snack-bar, onde uma louríssima empregada há já vários minutos lhe apontara a mira, o Bernardo - distraído do facto - pede uma sandes mista, acrescentando:
- Parta-me ao meio!
(ligeiríssima pausa para uma boquinha sensual da empregada, que responde)
- Você ou a sandes?...

LFB

LEONARD COHEN DEPOIS DE 3 GANZAS 

Fui ver PHONE BOOTH, excelente exercício de realização de Joel Schumacher cujos méritos profissionais lembram um electrocardiograma - bruscos altos e baixos. Colin Farrell demonstra ser um actor a sério (como já se tinha visto em MINORITY REPORT) e o argumento de Larry Cohen é muito bom apesar do moralismo de pacotilha subjacente. Mas foi a interpretação de Kiefer Sutherland, quase toda em off, como o vilão que ameaça Colin do outro lado da linha, que me recordou esta antiga dúvida existencial: ok... percebo que ninguém levaria a sério um vilão de voz fininha mas que mania é esta que os americanos têm de fazer os "maus" sempre com uma voz tipo Leonard Cohen depois de 3 brocas?!

LFB

Os métodos piadescos 

Depois da moda das escritoras light, temos a moda dos novos comediantes. Portugal descobriu o humorista que há em si. Agora, em cada português há um tipo cheio de graça, capaz de animar um serão com as suas piadas sobre tudo - desde o conflito Israel/Palestina até à velha questão cuecas à antiga/boxers. O fadista que há em cada português um dia acordou e começou a pensar, enquanto olhava a cidade que se descobria pela janela: “Espera aí. Aquela piada sobre gajas que eu disse ontem, no intervalo entre duas músicas, até resultou bem. E se começasse agora a dizer umas larachas de vez em quando?”. E o próximo espectáculo fica logo com um início diferente: “silêncio que se vai dizer umas piadolas”. Há um novo fascismo social. Socialmente, “ter piada” começou a contar muito. Hoje, quem não diz umas graçolas durante um jantar de amigos está condenado. Começa por ficar isolado entre as gargalhadas alheias e, quando dá por si, deixa de receber convites. Daqui a nada, temos uma espécie de polícia a torturar pessoas sem piada em quartos esconsos e usando métodos piadescos. Estou a ver um torturador de serviço: “Humm... Com que então o menino não gosta de dizer piadas. A gente agora vai ver se não sai uma graçola daí de dentro!”. E zás, obrigam-no a ver uma cassete com uma série interminável de anedotas gastas – até a coisa sair. Agora, um tipo que queira fazer uso do clássico pedido de casamento está tramado se não tiver um talento inato para a comédia. Imagino a conversa de um pai, sentado na sua poltrona e de cachimbo na mão, a receber um candidato a genro: “Pronto, tiraste o curso de Direito e de Gestão de Empresas e administras um grupo multinacional. Isso é tudo muito bonito, mas vamos lá a saber: e piada, tens?”. E lá tem o rapaz que fazer um improvisado número de stand-up comedy entre o fumo do cachimbo e alguns móveis antigos. Para provar que já é um homenzinho. NCS


domingo, julho 06, 2003

E que tal escrever coisas novas? 

Vejo com satisfação no Violinista Marreco uma referência à obra iconoclasta de Jefferson Blows, com particular incidência para o episódio do escorregão na casa-de-banho de Westfordbedshire que, aliás, vem bem descrito num ensaio de Raimundo Ortega referido a semana passada pelo Tiradentes Comuna. Este blog surpreende ainda por realizar com o Chupa Chupa Psicadélico, de Santarém, a primeira joint-venture da blogosfera, com a sua assídua e comungada análise da vida e obra de Sebastian Hadenough, telegrafista agnóstico considerado o maior estudioso da obra de Jean-Christoph T'Encule e que publicou um único romance em toda a vida - o famigerado "Ah, putain!", obra paradigmática do existencialismo cuja epígrafe, aliás, figura no cabeçalho do Viris Paus Me Penetrem.
Que bom sentir a jovialidade e ousadia de tantos blogs nacionais, a audácia pela novidade ou - vá lá - reinvenção... mas não me demoro na ideia. Não seria justo uma vez que já foi exposta pelo Ejaculação Precoce e Depois?, desenvolvida pelo Camilo Pessanha Lives On, e devidamente citada e linkada pelo Camus Também Cagava.
Bem hajam.

LFB

I wanna be corrupted 

Já consegui pôr uma amante de Incubus e Christina Aguilera a ouvir, devota, Tindersticks. Já deixei de lágrimas nos olhos com temas de Lloyd Cole uma fanática de boys-bands. Orgulho-me de ter introduzido Kruder e Dorfmeister na discoteca de uma gótica. E pus uma adepta de heavy a escutar Perry Blake. Mas ainda nenhuma namorada me fez deixar a pop - quase sempre depressiva e melancólica de quase sempre gays anglo-saxónicos reprimidos - para ouvir, sei lá, um festivo Robbie Williams. Até quando?

LFB

DEATH & TAXES 

Dizem que são as únicas coisas certas da vida.
Andava intrigado com um envelope há várias semanas abandonado em cima da caixa de correio do meu prédio. Nele existe o carimbo estatal e a indicação da remetência não augura nada de bom para o destinatário, meu vizinho do 2ºdireito: Ministério das Finanças. Hoje, todavia, reparei que alguma coisa estava diferente no envelope. Alguém acrescentara, a caneta de feltro verde, a palavra "Falecido".
Algo no traço, talvez a sua finura, parece denunciar o constrangimento de quem escreveu essa informação. O mesmo constrangimento que deverá levar a carta das Finanças a permanecer mais tempo abandonada e por abrir. Talvez para informar o Sr. contribuinte Macário de que - pela primeira vez na vida - teria algum dinheiro a receber do Estado.

LFB

This page is
powered by Blogger. Isn't yours?