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sexta-feira, março 12, 2004



O Nuno Costa Santos resumiu bem o assunto: «este blog, tal como foi concebido no início, deixou de fazer sentido». E é altura de acabar, de ir casar para outro lado. Fica o interesse pela blogosfera e a convicção de que o fenómeno é imberbe – passou pelo nascimento, pela euforia das fraldas, e caminha agora tranquilo para um corpo adulto. Será um corpo disponível, aberto a experiências, a transformações, a novas possibilidades. Poderá ser mais discreto e diluído, mas precisamente por isso ocupará lugar na «rede» - social, virtual, mediática. Será um novo elemento, como a revista ou o jornal, com regras próprias. E gerações futuras poderão usá-lo sem constrangimentos ou excitações. Poderão usá-lo. Isso é o que importa. Parabéns ao grandes pioneiros, a todos aqueles que introduziram esta realidade no tecido português. Foi um achado importante. Que Ficará. Quanto a nós, continuaremos por perto. Até já.
RIS



Queria fazer um post de despedida, mas só me ocorre isto 


11 de Março 2004-Terrorismo em Madrid 

" E no entanto era impossível, no mais fundo do meu ser..., desistir e nada fazer para estancar o fluxo. Porquê? Pergunto-me agora. E respondo: porque o sangue é precioso, mais precioso que o ouro e os diamantes. Porque o sangue é uno: um lago de sangue repartido por nós, pelas nossas vidas separadas, mas a que por natureza cabe estar junto: emprestado e não dado; possuído em comum, entregue à nossa tutela para que o estimemos: parecendo viver em nós, mas parecendo apenas, pois na verdade somos nós que vivemos nele. Um mar de sangue, de novo reunido: será assim o fim dos tempos?"

"Sem dó nem piedade pensei: uma guerra sem dó nem piedade, sem limites. Uma boa guerra para não se viver.
E quando um dia eles crescerem continuei em voz baixa- acha que a crueldade se vai embora? Que espécie de pais darão essas crianças a quem se ensinou que o tempo dos pais chegou ao fim? ..Eles incendeiam pessoas e riem-se ao vê-las arder até à morte. Como tratarão os filhos que tiverem? De que amor serão capazes?...
" ...Filhos do ferro, pensei. A própria F., também não muito longe da dureza do ferro. A idade do ferro. Após a qual virá a idade do bronze. Quanto tempo, sim, quanto tempo até que o ciclo regresse às idades mais brandas, a idade do barro, a idade da terra?"

A Idade do Ferro- J.M. Coetzee CMC

quinta-feira, março 11, 2004

o casamento do mundo 

Chegámos a uma serena conclusão: é altura de abalar. De irmos manifestar o nosso desejo matrimonial para outro lado. Cada um terá a sua justificação. Eu tenho a minha: este blog, tal como foi concebido no início, deixou de fazer sentido. E, para além disso, entendo a blogosfera como um espaço dinâmico. Um blog é fundamentalmente uma inquietação. Os blogs nascem de impulsos e, quando esses impulsos adormecem, o melhor é tomar a decisão de fechar o estabelecimento. Quem sabe para abrir outro (ou outros) na rua ao lado. Espero que abram, que vão surgindo todos os dias novos blogs, novas inquietações. O importante é que, enquanto estiverem online, mantenham a sua pulsão, a sua razão de ser. Termino com a mesma aspiração do post inaugural: desejo que este mundo solitário, trágico e cínico perca, um dia, o medo de casar (e que me convide depois para a festa). NCS

segunda-feira, março 08, 2004

Gógol em Perafita 

«(...) Encontraremos aqui bigodes divinos, que nenhuma pena pode desenhar, nenhum pincel pintar; bigodes a que foi dedicada a melhor metade da vida, bigodes em que foram derramados maravilhosos perfumes e fragrâncias, bigodes que foram untados por preciosíssimas, raríssimas pomadas; bigodes que se embrulham para a travessia da noite em delicado papel velino; bigodes envolvidos pela mais comovente afeição por parte dos seus utentes e de que os transeuntes têm inveja. (...)»

Avenida Névski, Nikolai Gógol
RIS

domingo, março 07, 2004

O fim da Rádio Luna 

Desde que aqui bloguei sobre as exéquias da radio luna, algum tempo passou porque a Média Capital tardava em consumar o negócio. Mas agora é de vez. O que aí vem ainda se desconhece. Peço que mantenha a qualidade e erudição que fidelizou os seus ouvintes e que não se torne em mais uma rádio de saturação e publicidade. O último programa vai para o ar domingo, às 15h10. Despeço-me com dois poemas. CMC

A vida não é para cobardes ( Mme Curie) 

Almoço na Sociedade de Geografia. Conheço um violinista italiano, fundador de um agrupamento musical de música antiga, relativamente conhecido em Itália e há dez anos a viver em Portugal. Afirma-me que Portugal é um excelente país para se viver e que só nós não o valorizamos. Em Itália, garante, é o caos e pouco se cria, ocupados que estão a preservar o património. Ignorância também há muita. Chegou a ouvir a edilidade de uma pequena cidade medieval, justificar o empréstimo de instrumentos musicais desafinados e o atraso nas horas do concerto com a frase: “não temos tradição de música barroca”.
Entretanto, gera-se uma contenda germano-italiana, Bach versus Corelli/Vivaldi/Purcell, de um lado a superioridade de Bach, o pilar da música moderna, do outro a sua falta de emoção, obras menos geniais como a Paixão segundo S. Lucas, o decalque que Bach fez de peças de Purcell e Bomporti.
O grosso da conversa, coisas bem mais rasteiras, cachets pagos apenas num terço, lista de sponsors para bater porta a porta, contas feitas ao aluguer, limpeza da sala de concerto e venda de bilhetes, pois um concerto só rende depois dos primeiros 100 bilhetes vendidos. Ossos do ofício. CMC

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