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sábado, outubro 04, 2003

LIBELO APEPINADOR DA «OPINIÃO» ASININA 

Já um pouco enjoado, ocorre-me escrever sobre a nova e jovem fornada de plumitivos que vem povoando as páginas de "opinião" dos nossos jornais; digo "fornada", e digo bem, porque lhes farejo, no que escrevem, odores de rabiosque assado e fralda por mudar. Mas parece-me que a lenha da assadura não há-de ter sido muita, porque, lendo-os, igualmente os acho mal cozidos.

Compõem eles, esses escribas catraios, um deplorável bando de angliparlas, deslumbrados e muito trampolineiros. Intelectualmente, são uns novos-ricos, deficiência grave que logo ressuma na leitura das croniquelhas que redigem. Cevaram à grande nas porcarias garridas que atravancam certos escaparates da Fnac; mas nos clássicos, que não frequentam, forragearam nada.

Trata-se de miúdos de pouco espírito e menos graça, apesar dos muito sudoríferos e visíveis esforços seus de evacuação de dichotes e "blagues". Desforram-se decerto da obstipação com consoladoras jantarolas de amigalhaços em que, à vez e tomando turnos, uns deles se rirão dos outros. Risos, de facto, só assim; "asinus asinum fricat".

Para além disso, são rapazes que (precisamente, asneando muito) têm o costume de proclamar-se "conservadores", cuidando que ser "conservador" lhes impõe que gastem sempre da mesma marca de papel higiénico, ou coisa que o valha. Disparates.

Ora eu embico com essa asnaria plumitiva. Dá-me para isso.

Não é, contudo, a caridade medicamentosa o que me impele a apontar-lhes os defeitos: tenho-os, a esses garotos, por casos perdidos (o que, de resto, me não tira o sono); são uns irrecuperáveis cabeças-de-atum, e talvez vá nisso a "conserva". Por mim, e como diziam os amigos do Trigueiros, que os leve o diabo, que não vai rico.

Não; o que aqui me move à denúncia é uma missão nobilíssima de defesa da saúde pública.

Não é difícil, como bem sabem os ilustrados leitores deste "blog", "épater le bourgeois" com qualquer garatuja; menos difícil o será num país, como o nosso, em que "le bourgeois c?est comme le cochon".

Ora os porcos, que não são esquisitos, comem o que se lhes leva ao focinho.

Pois eu, desde que os jornais vêm dando hospedagem aos gatafunhos cronísticos dessa "conservadora" miudagem, tenho achado as páginas de "opinião" muito aparentadas com aquelas "roulottes" finíssimas onde se servem as pingues bifanas e os coiratos com que muito boa gente, à falta de melhor, atafulha a boca.

Com uma pesada agravante: os textos da catraiada asinária não são sequer completamente isentos de "conservantes" (et pour cause, suponho...), de "corantes" em barda, e também de muitos E 300 e E 330.

Substâncias cancerígenas, se bem me entendem. LDA

O fim? 

Um post à atenção de todos e do próprio BLOGGER.
O blog No Parapeito desapareceu ontem à tarde e tal não se deveu à vontade de quem o faz. Por uma qualquer inexplicável razão o template deste blog foi violado e apagados os seus conteúdos.
Já o Ricardo Sampaio falara aqui, num texto notável, do medo terrível de, um dia, entrar no DC e não estar cá nada. Pois é. Pelos vistos, já aconteceu.
Pelo sim, pelo não, façam como nós e gravem os vossos conteúdos regularmente. Este é, oficialmente, o único post do DC que não está arquivado noutro formato além do aparentemente demasiado volátil espaço do blogger.com. São quase 600 páginas em word que nos custaria muito, para lá de quaisquer palavras, perder. Suponho que sentem o mesmo. LFB

sexta-feira, outubro 03, 2003

“Não te esqueças da água de rosas!”  

“Não te esqueças da água de rosas!”. avisou-me a minha mulher hoje de manhãzinha, lá do terceiro andar, enrolada no roupão e a ostentar os rolos na cabeça. Eu descia as escadas para ir almoçar a casa dos meus pais, carregado com as malas e o computador portátil, determinado em ser um homem moderno. Pedi-lhe que tivesse calma, muito compenetrado na difícil tarefa de não falhar um degrau (lá se iria a postura séria). Antes disso, ainda terei que saudar mentalmente os senhores de bigodes gordos e barriga farfalhuda plantados no aeroporto, deixar-me iluminar por aquela luz lisboeta e contemplar aquele céu tão azul (lembras-te daquele céu tão azul?). Ela sabe bem que, antes disso, terei que colar o nariz no vidro do carro dos meus pais, para coleccionar as primeiras impressões e reavivar as lembranças. Explico-lhe que, se o trânsito permitir, ainda entrarei num daqueles estabelecimentos classificados pela união de associações hoteleiras e afins da região Lisboa-Centro para comprar um frango para o almoço. Quero ainda voltar a cruzar-me com as Donas Alices e os Senhores Zés que confirmarão uns aos outros que a vida lá vai andando e continuarão a competir nas doenças de que padecem. Quero entrar no elevador que me conhece tão bem e que me deu as primeiras lições no mundo difícil da política, ao exibir-me, era eu puto, a sua tatuagem velhinha (entre o primeiro e o segundo andar) a proclamar “CDS - Viva Salazar”. O seu ranger prolongado denunciará o aproximar da reforma, enquanto a Dona Arminda, lamuriante, contará as novas do prédio, do bairro que vai perdendo a sua juventude. Tenho ainda que dar um passou bem ao meu antigo quarto, cúmplice do crescimento, em que o meu passado continua a despedir-se lentamente das paredes e das estantes. Vou ainda bater à porta dos meus amigos, apesar de saber que já voaram para outros destinos, para perguntar se o Diogo, o Gonçalo, o Tiago estão.
Antes de sair do prédio, de certa forma irritado com o facto de a minha mulher se recusar a calçar as pantufas com os coelhinhos, tão divertidas, que lhe ofereci para os anos, ainda berrei lá para cima, que só a seguir, mas mesmo só a seguir a isto tudo, lhe poderia comprar a água de rosas. REC

i am that i can't 

isto sim, é vício. A vida pela hora da morte, trabalho para o resto do dia e todo o fim-de-semana, jogo de bola daqui a 30 minutos e amanhã de manhã, e mesmo assim vir fazer um post ridículo só para ficar bem com a minha mesquinha consciência. Alguém me ajude. Não quero ser um dos mártires em nota de rodapé quando alguém escrever a Teoria Geral dos Blogues. LFB


Dúvida 

Não consigo compreender porque é que os blogues de extrema-direita consideram lixo os dois últimos Nobel da literatura. Os dois incómodos, politicamente incorrectos, a partirem de universos singulares para escreverem sobre a universalidade da condição humana. Afinal, tanto Naipaul como Coetzee são terrivelmente pessimistas em relação à natureza humana e elegem heróis que são sempre "outsiders", esquivos à alienação colectiva. Será por não pouparem o mundo colonial? CMC

a república e a vergonha 

Não sei se enquadradas em festejos prévios do 5 de Outubro, mas desde ontem tenho ouvido notícias ainda mais estranhas do que é habitual sobre políticos.
Ontem à noite, no regresso a casa, vindo de uma tarefa urgentíssima que era preciso acabar até à meia-noite, para que um papel fique agora dias e dias parado numa secretária a alguns quarteirões, ouço no noticiário da TSF da meia noite a história de Lynce e Martins da Cruz e da filha candidata. Senti-me, apesar de não ser familiar nem amigo, ruborizar. Senti-me verdadeiramente envergonhado.
Hoje, enquanto fugia deste Ministério por uns momentos, aproveitando para passar pelo ginásio, vi nas televisões da sala a declaração do ministro demissionário. Não corei outra vez, porque já estava corado (10 minutos de passadeira, antes).
É inacreditável que:
- um pai, que é Ministro, tenha concordado com um requrimento da filha a um colega de Governo, que, justamente ou injustamente, pretende criar uma situação de ilegalidade - mesmo que se diga que a "lei é injusta", não se pode arbitrariamente deixá-la na gaveta quando convém;
- um Director Geral mande para o seu Ministro um ofício com o teor do que tem sido divulgado, contra a lei e contra o bom senso;
- um Ministro do Ensino Superior e a sua equipa sejam tão levianos (sendo esta a melhor hipótese) no seu trabalho - que deve passar também pela apreciação jurídica, atenta, correcta, igual, dos requerimentos que lhes chegam.
Sei, por experiência própria e próxima, quão miseráveis são os serviços jurídicos da DG do Ensino Superior. Todos os documentos técnicos que tenho visto deles são de uma pobreza confrangedora, resultando várias vezes em apreciações erradas e soluções injustas. Pode ter sido mais um caso. O Director Geral devia, desde já, acompanhar o Ministro. Mas o Ministro não deve servir só para imprimir despachos, e em especial despachos como este - revelando a clara negação dos princípios que se jurou defender.
E se não houvesse jornalistas e alguma fonte envergonhada, tudo isto seria pacífico.
Fez bem em demitir-se Pedro Lynce. Fez bem em demitir-se no Parlamento. Fiquei só à espera de, na comissão parlamentar de Educação, alguém que perguntasse a Marques Mendes se ele sabia a que horas estava marcada a conferência de imprensa da demissão de Martins da Cruz - que, ainda por cima, segundo o Público, tem o desplante de dizer que a filha não vai ocupar a vaga ilegalmente obtida e que vai estudar para o estrangeiro...
Sr. Ministro, não asile a candidata e honre o seu Governo, pelo menos no seu último acto. MR

Palavras 

O que são PALAVRAS? O que elas valem? O que significam?

As tuas palavras são um doce esperado e apetecido. És tu.

Valem aquilo que quiseres. Tudo o que delas fizeres.

Significam poder saboreá-las devagar e deleitar-me com o seu aroma intenso.

Desfrutá-lo ao máximo.
Prolongá-lo.
... mais um bocado.

Levá-las comigo para a rua, para casa, para a minha cama.

Carregá-las dentro de mim para todo o lado e, quando quiser, poder desembrulhá-las e voltar a deleitar-me.

Mais uma vez.
... e outra ainda.

É poder guardá-las numa gaveta secreta, privada, a que só eu tenho acesso.

É estar fechada.
E eu ter a chave.
É abri-la....
E saber que estão lá.

É encontrar-te lá dentro.
E poder abraçar-te com ternura.
... com amor,
... com saudade.

É poder repeti-las em surdina nos meus lábios.
... e imaginá-las a saírem dos teus.

É beijar-te.
... longamente.

É sentir-me desejado.
...amado,
...procurado.

É saber isso.
... mesmo que já soubesse.

São aquilo que quiseres.
São o que delas fizeres.
... o que nelas puseres.

É um doce.
... esperado e apetecido.

São tudo quando só a elas temos.
São aquilo a que nos agarramos.

É tudo.
Não é nada.

És tu.
Sou eu.

É tão pouco.
... são apenas palavras.

Somos nós.

LCA

Armas de desilusão massiva 

São as nuvens que chovem sobre Lisboa nesta madrugada. Não matam, mas desiludem como se o Verão tivesse sido uma ilusão. Magoam a vontade. Como escreveu o Nuno Costa Santos, evocando o nosso Camus, se a nuvem tiver a dimensão e a cor certas, até pode dar vontade de matar alguém. TR

quinta-feira, outubro 02, 2003

Tesseract 

Cruzo-me por acidente com uma velha amiga, que me confunde. Envia-me para outra escola, outro café, outra cidade. Quando a desminto, fica muito corada e pede desculpa. 'Então não te conheço', esclarece. Eu disse-lhe donde, e apresentei-me. Ela jurou não ter a menor ideia de quem eu era. RIS

E agora, assim de repente, o post com o maior título da blogosfera e com o texto mais pequeno de sempre, por dá-cá-aquela-palha. 

Não dou. LCA

Uma sinusite pode mudar o mundo 

Há uns dias, fui outro. Várias noites mal dormidas alteraram-me como pessoa - tornaram-me, por exemplo, mais irritável e tiraram-me clareza de pensamento. Quando me passou a nebulosa, lembrei-me de uma preocupação antiga: uma insónia, uma digestão mal feita, uma dor de dentes, uma mudança de estação podem decidir um destino. Eu sei, há a racionalidade, a capacidade de auto-derminação, a responsabilidade, há tudo isso, mas, na verdade, orgânica e psiquicamente somos demasiado instáveis - e, por isso, estamos sujeitos à influência de uma série de ninharias. Normalmente - a menos que abusemos, todas as noites, do Jameson -, não andamos à procura de uma dor de cabeça. Ela instala-se dentro de nós, como uma visita abusadora que, ao chegar, escolhe o melhor quarto para dormir. E o zumbido de uma dor de cabeça, provocado por uma insónia (uma daquelas), pode condicionar as opiniões, a forma como nos dirigimos aos que amamos e àqueles com quem, no trabalho, partilhamos secretárias. Uma dorzinha de cabeça pode determinar uma decisão urgente para a nossa vida. No limite, um conjunto de circunstâncias (uma indisposição difusa, a força do calor de uma praia, etc.) pode-nos - como lembrou Camus - levar a matar alguém. É uma ideia que fascina e que perturba: saber que uma sinusite, uma doença tão pateticamente vulgar como a sinusite pode mudar o nosso mundo. NCS

encantamento 

Por vezes, há histórias inteiras que se contam num único beijo. LFB

Have a braun 

Clarinha, estou solidário contigo nesta coisa estranha de seres citada por blogs a atirar ao facho. Mas não te esqueças, até Hitler amou. E loura como és, não te admires se te passarmos a tratar por Eva. LFB

O fã nº1 da Clara participa: 

Não há fome que não dê em fartura. Agora, Miguel A., apaixonado por CMC, envia colaborações para o DC:

"E porque, por coincidência, hoje se fala do Adonis como possível prémio Nobel deste ano, uma prendinha! ;)

The Pearl by Adonis (Ali Ahmad Said)


How do I walk toward my people, toward myself?
How do I go toward my passion and my voice?
How do I ascend?
When I am only a river
bearing the pearl of poetry,
only a dream
that I am a light
journeying through the body of night,
that I am boisterous, embracing the Earth as a woman
and falling asleep,
awakening my love in her
as a conquering flame
which opens in her body
or brings forth to it,
a sign,
that I am
a book,
that my body is ink
and my limbs are words.

How do I walk toward myself, toward my people?
When my blood is fire,
my history a heap of debris.
Prop up my chest.
In my chest there is fire, there are spaces,
and bodies of centuries which drag themselves.
Histories are mirrors,
and civilizations are mirrors

splintering.

Oh, no. Leave me,
I can hear voices singing in my ashes,
and glimpse them marching along
like the children of my homeland."


Operação homens afectivos 

Foi aqui lançada, há uma semana, e já recebeu contributos inestimáveis.
Para começar uma leitora S. que afirma " tomei as rédeas do meu destino", "pelo caminho vou conhecendo algumas pessoas". Muito bem, S. estás a fazer o que eles fazem.
Bonita história é a da sortuda T, que já lá tem o seu homem afectivo. Conta T. que, mal acorda, envia ao " querido" um SMS, que este anota num caderno. Mas se a T. esquece o SMS da manhã e lhe telefona directamente, ai, o que ela foi fazer! então, a minha mensagem?- reclama ele.
A leitora mais viajada é M. divorciada de um português, teve alguns " dates" nos States e viveu com um alemão "com quem era facílimo viver". Defensora da qualidade do produto estrangeiro, diz-me "o tuga mal nos deita as mãos quer mandar, com o alemão não sentia o peso de obrigações nem horários, se queria fazia um jantar ou aspirava a casa e ele ficava tão agradecido que, uma vez, em troca de um jantar levou-me o pequeno-almoço à cama durante três dias". Bonito! CMC

Coetzee a Nobel 

Só para esclarecer a Nova Frente que não se trata de uma questão de presciência, mas da notável influência de que o DC goza junto da Academia Sueca. CMC

Beatriz doente 

Vejam só como anda a minha vida amorosa, que a coisa mais romântica que me aconteceu esta semana foi a minha filha vomitar-me em cima esta manhã. Foi amor agridoce. TR

quarta-feira, outubro 01, 2003

Sozinha serve  

Cinema sessão das nove. Há qu?anos o prometia a mim mesma mas faltava-me a coragem, com uma ou outra tentativa falhada pelo caminho, a sair de casa e a voltar atrás. Afinal, estavam lá mais como eu. Cortei o bicho das sete cabeças. Futuras proezas: sessão da meia-noite e restaurante fora da horas. CMC

Tibúrcio quer mamar 

Um obstetra inglês, Stuart Campbell, desenvolveu uma nova técnica de ecografia que permite ver – em tempo real – os movimentos e as expressões faciais do feto na barriga da mãe. Se está zangado ou contente, por exemplo. Pelo sim, pelo não, se estiver grávida, é conveniente não encostar a barriga ao televisor quando estiver a dar o Fernando Rocha. Já imaginou se a primeira palavra do seu bebé, em vez de "mamã", fosse "bujão"?! LFB

sim, a blogoesfera já falou disto 

Foi descoberto em Cuba uma espécie animal que os cientistas julgavam extinta. Não, não estou a falar de nenhum comunista. Se bem que o alquimi, assim se chama o bicharoco, seja um animal nocturno, o que quer dizer que também estava habituado à clandestinidade. LFB

terça-feira, setembro 30, 2003

Das boas... 

Nem de propósito falo aqui do quanto sou distraída e logo me acontecem das boas.
Vou a pé, descendo a rua para ir jantar.
Às tantas, chamam-me da janela de um prédio. É um rapaz que me acena. Retribuo-lhe o aceno. Acena-me mais forte e eu continuo a acenar, convencida que é um amigo que ali vive num prédio em frente e que já não via há que tempos.
Faz-me, então, sinal para que espere no passeio e desaparece. Ali fico uns segundos, mas lembrando-me de reparar melhor, vejo que não é o prédio cor-de-rosa do meu amigo. É um prédio amarelo, de reputação duvidosa e xungaria do pior, dois furos acima.
E o rapaz a esta hora já vem lançado, escada abaixo, convencido que foi bem sucedido no engate. Desato a correr pela rua abaixo.
Chego ao restaurante. Numa mesa está numa cara levemente conhecida, será?
No fim do jantar, levanta-se e diz-me: já viu a minha menina? Tem uma recém-nascida nos braços. Não me descaio: não, ainda não a tinha visto. Diz-me: vai-se agora acabar a licença de maternidade. É tão difícil separarmo-nos deles! Pois é, pois é?. (escuro, escuro). Bem, então, adeus e saudades a todos lá no serviço!
Mas como é que eu podia associar, esta cara, neste sítio, às 500 e tantas caras de um serviço? CMC

Desafinado 

Penso em ti e apercebo-me, agora que já passou meio ano, que não posso dizer-te que penso em ti. Tenho saudades tuas e não posso telefonar-te. E na hora em que nos reencontrarmos, também não poderei falar-te nem dizer-te da falta que me fizeste porque já não sentirei nada.
Resta a canção que te fazia sorrir. Também já não a canto. Sem o teu sorriso, sai-me sempre desafinada. TR

Última pergunta 

No meio das extraordinárias viagens de aventura do helicópetro dos bombeiros de Lamego, ficou sem resposta a seguinte pergunta: alguém levou ou não o camarão?

HR

O belo horrível 

Somos um grupo de solitários que se reúne, volta e meia, para beber e fazer sarcasmos com o futuro. Somos gajos de vinte e muitos trinta e poucos anos a medir forças uns com os outros. Em braços-de-ferro sem ódio ou ganância. Tipos que acreditam em algo que está à sua espera, no limiar de um golpe de asa.
Acordamos ressacados, normalmente. Seja das poucas horas de sono ou das muitas. Acontece porque somos incompletos. Sabemos que somos assim, por isso competimos - sim - mas com ética. Como um futebolista que agarra o adversário isolado em direcção à baliza, evitando magoá-lo. Quando o podia fazer, porque será expulso à mesma.

Chegou, enfim, a chuva. E ainda bem, porque o Outono veste bem esta geração dos vinte e muitos trinta e poucos. É a mais imperfeita das estações. Chove, mas não muito; faz frio, mas não tanto; caem folhas de plátano mas as tempestades não são temíveis e, a espaços, há dias de sol enganadores e, até, um pequeno Verão (de São Martinho).
Como estes tipos, o Outono não é bem carne nem peixe mas é belo. Como bela e horrível é a procura individual desta geração de utópicos subtilmente amargos (já). É que não se trata da felicidade. Não ainda. Há um ponto prévio nada despiciendo. Uma procura interior. Uma luta violenta, essa sim, que cada um destes tipos trava - tem de travar - para se conhecer e ser melhor. Para saber, ao certo, em que órgão vital desconhecido repousa esse golpe de asa. Uma luta consigo próprio. Consigo próprios e não com os outros. LFB

A atenção 

Sou distraída e, o que não ajuda nada, vejo mal.
Na rua, é raro reconhecer alguém. Às vezes, conheço as caras mas não sei de onde, sobretudo se estão nos lugares errados. Não me peçam para reproduzir um corte de cabelo, uma cor de olhos, uma toilette.
Não tenho vaidade nenhuma nisto. Irrita-me não reparar nas coisas e quando me perguntam: viste aquilo? na maior parte das vezes ter de responder: não. Fico, aliás, muito grata se me dizem: olha, ali!
Esforço-me por disciplinar a natureza: não trocar o nome das pessoas, não perder coisas, o lugar onde deixei o carro, o melhor trajecto para chegar a um destino, detalhes de viagens e de lugares.
Desta semi-letargia saio com abanões.
Uma palavra que se escolheu. O brilho de um rosto atrás de um pensamento. Um gesto de encontro ao balcão. Um sacudir de corpo. Belo? Horrível? Coisas que não sei bem explicar. O que me fica do outro é a voz, o cheiro, as mãos a falar, um modo de andar. O que não esqueço, a sua história, as marcas indeléveis, as palavras reincidentes. Decido-me, então, por outro mundo a meio caminho entre o familiar e o que ondula na escuridão. CMC

segunda-feira, setembro 29, 2003

'Under Blog' 

Desde que a blogosfera nacional «estoirou» (por volta dos meses de Abril e de Maio) que se iniciaram interessantes práticas de 'meta-bloguismo', 'sócio-bloguismo' e mesmo de 'futuro-bloguismo' (para quando um pouco de 'espiritismo'?), todas elas necessárias e algumas das quais bastante respeitáveis. O que me parece que tem passado um pouco ao lado de toda esta discussão é a coisa em si, ou seja, a plataforma onde se escreve e desvela o fenómeno em análise. Por outras palavras, muito pouco se tem dito sobre o «serviço». O que é a Blogger? Quem a criou? Onde? Há quanto tempo? Com que objectivos? E, talvez a pergunta chave: «Até quando?».

Tem-se criado um espólio interessantíssimo de textos, que será impossível desprezar num futuro próximo e distante. «Até quando?» Até quando estarão no ar? De quem depende a sua manutenção? E qual o risco de, num belo dia, todos os bloggers portugueses, esfaimados de leitura, se depararem com uma mensagem de «erro» e todos os seus textos, e dos seus blogs favoritos, se tiverem simplesmente evolado no espaço binário? Think about it. E, já agora, pelo sim pelo não, mais vale ir imprimindo os textos do Pipi. RIS

CDS-PP e SLB-SAD 

1. No seu comentário semanal na SIC, José Pacheco Pereira referia um episódio ocorrido no último congresso do CDS-PP, que envolvia Rosado Fernandes e Paulo Portas. Em pleno discurso, ofegante, disse Rosado Fernandes: “O bolor do Dr. Soares a chamar tumor ao Dr. Portas!” E Paulo Portas riu desalmadamente. Ora, é certo que Portas se encontrava presente no congresso enquanto líder do partido; acontece, porém, que esse Portas é indissociável do Paulo Portas Ministro de Estado e da Defesa Nacional, terceira figura do executivo de Durão Barroso. Exigia-se e recomendava-se por isso alguma contenção, exigia-se e recomendava-se que aquela boca não estivesse tão escancarada – ou, melhor, que estivesse fechada num estado de “eurocalmia”, em definitivo. É que essa boca aberta, desde os tempos áureos do Independente até hoje, já mostrou do que é e do que não é capaz. E o que escasseia pela afirmativa, abunda pela negativa.
E o que dizer de Rosado Fernandes, que, se não me falha a memória, é professor numa universidade? Nada. Talvez rir para não chorar.

2. Numa recente entrevista à revista Focus, Jaime Antunes, candidato à presidência do Sport Lisboa e Benfica, chamava a atenção para a péssima política seguida pelo clube (ou pela SAD do clube) quanto às contratações: Ronald Garcia, internacional boliviano, foi contratado por 300 mil contos ao Alverca e emprestado logo a seguir ao mesmo clube. Jaime Antunes rematava: «E depois diz-se que não há dinheiro para contratar os jogadores que o treinador precisa...». Eu pergunto: esses 300 mil contos não davam para contratar ao Vitória de Guimarães o Bessa, ou o Hugo Cunha, ou o Nuno Assis (e, já agora, aproveitava-se para voltar a chamar e manter o Ednilson)? Ou para contratar ao Nacional da Madeira o Rossato, ou o Paulo Assunção? Ou para contratar ao La Louviére esse nigeriano desconhecido que dá pelo nome de Odemwingie? Provavelmente, davam. Mas o clube (ou a SAD do clube) optou por comprar o boliviano Ronald Garcia e um tal de Alex que pouco ou nada fez no Benfica este ano, a não ser cortar o cabelo.

HR

A gambala 

A grande dúvida que assola, presentemente, o coração de todos os portugueses é - sem margem para dúvidas ou mayonese - a questão da "gamba". Depois de um ano horribilis como este (a crise, o desemprego, a pedofilia, os incêndios, a rasteira do Costinha sobre Simão), surge agora, travestida de gamba, a machadada final na nossa autoestima. Até ao momento ainda ninguém soube responder com clareza, dissipando assim a dúvida premente de dez milhões de portugueses, sobre a presença inusitada - senão mesmo abusiva - de um "camarão" dentro do perímetro dos Bombeiros Voluntários de Lamego. E neste ponto as imagens televisivas são conclusivas, ilustrando bem a ganância com que se clamava, a dada altura, ao comandante dos bombeiros: "O camarão! Leve o camarão!".
Mas que merda vem a ser esta do "camarão"? Porquê a insistência obsessiva de um casal em fazer transportar o "camarão" no helicóptero? Porque teimava o "camarão" em ficar em terra? Que relação existe, afinal, entre o comandante dos bombeiros, o presidente da câmara, o presidente da junta e um "camarão"?
Qual o grau de intimidade mantido com o fruto-do-mar? Estaremos nós perante um caso de gambofilia? E - a mais obscura das incógnitas - estando doente a tia da "Ana do tribunal", seria essa enfermidade resultado de uma exposição prolongada à gamba?
A todas estas atormentadas perguntas, limitaram-se os responsáveis a sacudir a àgua do capote e a assobiar para o lado, deixando um país inteiro em suspenso. Mais grave ainda é a vergonhosa tentativa de se escamotear a verdade, introduzindo o ministro da tutela a falsa questão do uso indevido de um helicóptero dos bombeiros para fins recreativos.
A nosso ver, isto são tudo coisas graves demais para se deixar passar em claro e impunemente. Faz-se uma peixeirada sobre o tema, reclamando que é um escândalo e um abuso, mas ninguém se questiona verdadeiramente acerca do obscuro papel da gamba em todo este nebuloso processo. Depois é o que se sabe: o procurador não se pronuncia, Rui Teixeira fecha-se em copas, e o ministro demite o comandante dos bombeiros - claramente o bode expiatório e o elo mais fraco desta farsa.
Entretando, o "camarão" anda por aí à solta. A malta que se lixe! Vagueando sem apelido nem rosto, desconhecemos-lhe o paradeiro, os hábitos, quaisquer amigos ou familiares próximos, bem como a sua enigmática actividade. À falta de mais pistas, o caso da "gamba" permanece um mistério no coração dos portugueses, alojado no pobre e entupido aurículo do orgulho lusitano.
Resta-nos a esperança de que o "camarão", num acesso de bom senso, tenha já abandonado o país. Até lá, veremos em cada pessoa, em cada amigo, um potencial crustáceo. Pode muito bem ser o sujeito sentado à nossa frente na mesa do café, ou o homem do quiosque onde costumamos comprar o jornal. Talvez seja o tipo que está do outro lado da rua, ou o condutor do carro da frente. O clima de suspeição é generalizado: o rapaz da Telepizza tinha um ar estranho; a velha que dá milho aos pombos no jardim não veio hoje; caiu um viaduto na IC-19; a Itália ficou às escuras... Ninguém pode, com segurança, adivinhar onde vai o "camarão", seguidamente, enfiar a pérfida patinha.
Enquanto não for revelada a sua retorcida identidade, todos nós, ao sair amanhã para o trabalho, viveremos numa permanente sensação de insegurança e impotência. Não saberemos se, ao virar da próxima esquina, vamos dar de caras com o malfadado "camarão". Nem se, no lançamento do próximo livro de Alexandra Solnado, ele nos vai ser servido em cima de uma pequena tosta, enrolado com uma folhinha de salsa. LCA

Ainda sobre o destino ou sobre o amor comodista 

Num mundo com biliões e biliões de seres humanos onde se incluem milhões de mulheres lindíssimas e inteligentes, num mundo com mulheres aborígenes e suecas, mulheres do Burkina Faso e do Canadá, mulheres que jogam voleibol e mulheres que jogam xadrez, fascistas e comunistas, mulheres nuas, vestidas, púdicas, vendidas, geniais, vulgares, mulheres que viajam e mulheres que estão presas, mulheres de todos os feitios e com bons e maus feitios, donas de casa, executivas, agricultoras, guerrilheiras, advogadas, prostitutas, camionistas, estilistas, actrizes, poetisas, famosas e anónimas... com tanta mulher espalhada por todo o mundo, como é possível que eu me tenha apaixonado perdidamente por uma mulher que sempre morou a 300 metros da minha casa?

Agora essa mulher já não é minha vizinha, porque vivemos juntos. E a ironia do destino é termos a certeza que todas as voltas ao mundo que fizessemos em busca de uma alma gémea, levar-nos-iam sempre até à esplanada onde nos conhecemos. Assim, daremos as voltas ao mundo juntos. TR

Diálogo mudo 

Gosto da maneira como chegas. Nunca te apresentas. Apareces, somente, como se viesses de sorriso malandro pregar-me uma partida. Mas não. Não há em ti outra coisa que não seja delicadeza. És terna, sempre foste.

Sim, eu sei. deixa-me continuar. Sabes aquela certeza absoluta de que te falei? Por maior que seja o desânimo há sempre algo de extraordinário prestes a acontecer. Deve ser isso que chamam de fé. Ensinaste-mo, sem mais palavras, mesmo quando foste cruel - e foste-o algumas vezes. Mas, até mesmo no meio da tempestade, és delicada.

Já vai. Deixa-me terminar. Sabes muito bem que não faço projectos. Nem sei onde vou jantar amanhã. Não te admiras com nada do que faço mas dou-te de volta o que mereces. Também não me surpreendo com as tuas visitas. Não te dou troco. Abro os braços, basta isso. Venha o medo, a paz, o que for, o que vier.

Sei o que estás ansiosa por me dizer,

que te chamas "destino", substantivo masculino,

mas permite que te fale assim. É que sempre te comportaste como uma mulher. LFB

domingo, setembro 28, 2003

upper post scriptum 

Ao abrir o blog, vejo ao alto a costumeira publicidade. Desta vez, paralelos, os anúncios a

Hoteis em Condeixa-a-Nova

e

Hotels Cologne

Por favor, não me façam escolher - receio, face às propostas, ser pouco patriótico. O que se seguirá? Talvez

Incineradoras atrasadas em Estarreja

e

Charm hotels in New South Wales ? MR

A tv depois dos carris 

Ainda estou com os sonos um bocado trocados, graças ao mais rápido InterRail da história recente da Europa, mas, regressado a casa e a um breve sofá, ligo a televisão e vejo Paulo Portas e mais um conjunto alargado de pessoas num pavilhão gimnodesportivo. As pessoas que falavam cronometradas revezavam-se num exercício de adulação aparentemente histérico ao dr. Portas. Parece que queriam que fosse ele a fazer a primeira parte dos Stones, mas ficava mais barato à República ter os Xutos.
Depois vejo imagens de um helicóptero de cá para lá, falam de um "camarão", entrevistam um senhor que parece que é bombeiro e que tem planos de evacuação como nenhum serviço nacional de protecção civil é capaz de implementar. Ele garante a rapidez e a eficácia do salvamento, não garante é levar mais de três pessoas. Mais um camarão. Não faz mal, é a arca de Noé portuguesa: um bombeiro, uma funcionária judicial, uma ajudante de cozinha e um camarão. Estes quem, passados os dilúvios, erguerão o império.
O serviço público, domingo à noite, tem um deprimente jogo de futebol na 1 e corridas de carros na 2, tudo em horário nobre.
Afinal... Portugal é desporto: os políticos imolam-se nos pavilhões, os serviços públicos despicam-se na velocidade dos céus, e vem ainda futebol manhoso e vem pista de corridas estrangeira. Se calhar, temos que nos convencer um bocadinho da maior verdade do desporto - a verdade de ser mentira, de ser a fingir, de ser o ócio que fica depois do negócio e não o negócio em si. Apesar de saber bem, fingir que a corrida é a sério e não o ser. MR

Nascer para a música 

Quem veio a público chamar a atenção para a situação do quase emparedamento da Casa da Música, no Porto, tinha obrigação de lembrar o Museu da Música, em Lisboa. Dizer que este museu fica em Lisboa não basta. O Museu da Música situa-se na estação de metro do Alto dos Moinhos, zona que, até há bem pouco tempo, era um verdadeiro deserto, ainda que com as traseiras do Estádio da Luz um pouco mais acima. Acresce que a muito recente Avenida Lusíada passa exactamente sobre a dita estação, logo sobre o museu. Desconheço a média de visitantes, diários ou semanais, mas desconfio que seja bastante baixa. O que não admira nada. Quem tanta atenção dá à Festa da Música, anualmente realizada no CCB, devia preocupar-se com aquele espaço, remetido a um silencioso abandono.

HR

Ora tomem lá 

«Ontem, na Assembleia da República, a maioria actual terá derrotado, como se esperava, uma proposta de lei do Bloco de Esquerda que visava impor limites à concentração empresarial no domínio da imprensa. Nada mais do que fez recentemente o Congresso dos Estados Unidos, o Parlamento britânico ou recomendou o Conselho Europeu. Uma lei que deveria ser consensual entre democratas, uma lei que é vital para a saúde da nossa democracia, uma lei que visa pôr um travão, e apenas para a frente, a uma situação que já hoje é de quase total sujeição dos jornalistas em muitas redacções aos interesses empresariais de quem lhes paga e dita a linha editorial, com o único critério da rentabilização económica da informação - como os deputados muito bem sabem.

Para rebater os fundamentos desta lei, os deputados da maioria nem se deram a grande trabalho de argumentação, ilustrando bem até que ponto a anormalidade democrática se vai tornando coisa banal nos espíritos. Hugo Velosa, do PSD, argumentou com a liberdade de concorrência e com o facto de já haver uma autoridade da concorrência, a quem cabia preocupar-se com essas questões - um argumento anedótico ou de puro cinismo. E Nuno Melo, do PP, fugindo-lhe a boca para a verdade, confessou o que lhe vai no íntimo: a concentração dos "media" é condição essencial para a sua sobrevivência. É típico de uma certa direita sem "curriculum" democrático, que confunde governação democrática com eleições periódicas, confunde justiça social com caridade (ou "compaixão", como diz o Bush) e confunde liberdade com liberalismo.

Mas é bom que não confundamos, então, o que ontem esteve em causa na Assembleia. Não se tratou de um projecto de lei esquerdista ou inviável: tratou-se de uma lei necessária e essencial para defender aquilo que verdadeiramente é estruturante num regime democrático. A esquerda esteve a favor, a direita votou contra. Lembrem-se disso, no futuro.»
Miguel Sousa Tavares, in Público de 26 de Setembro de 2003

HR


Batita da colo meu 

Meu, palalo. Mais aua. Mais. Ó pai! Cocó... Maia, tão, papa. Dá. Um, dos, cato, dez! Kiko bexo, pó são! Mais aua. Meu. Usso, ó ó. Mais. Piu-piu, cato. Pe, pe, pe, pi, pi, pi. Não! Pó são. Colo. Mãe. Mãe. Mãe. Mãeeee!BBR



PS- Peço desculpa por este post mas a minha filha Beatriz aproveitou o facto de eu ter ido à cozinha fumar um cigarro e resolveu escrever o seu primeiro texto, agredindo violentamente o teclado do computador. Ia apagar, mas depois de uma primeira leitura, achei que a miúda tem potencial e resolvi apenas melhorar a pontuação. E ai de quem criticar! O texto é bom. É bom, sim senhor. A filha é minha... TR

Top 10 

Encontrei uma página com uma lista dos blogs de maior sucesso em Portugal. É uma listagem de 186 blogs que pode ser encontrada em:

http://weblog.com.pt/portal/estatisticas/technorati/index.php?pag=lista

Sim, é verdade. Eu não sei fazer links. Também nunca sei qual é o programa certo na máquina de lavar nem sei escolher correctamente a roupa da minha filha todas as manhãs.

Voltando à lista, o Desejo Casar congratula-se de estar colocado entre os 10 primeiros blogs da lista. Mesmo que não perceba bem qual é o critério de medição do sucesso dos blogs, ficámos contentes e achámos de bom tom partilhar essa satisfação com os nossos leitores. TR

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