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sábado, junho 28, 2003

MANIFESTO EDITORIAL 

1. Abaixo o manifesto editorial.

2. DesejoCasar é um blog heterogéneo, composto por doze pessoas, cuja matriz
comum é, e será sempre, até que o desnorte nos separe, "ter alguma coisa de
jeito para dizer".

3. DesejoCasar não se rege por tendências ideológicas ou morais.

4. DesejoCasar divorcia-se de qualquer espécie de violência gratuita, seja ela
física, verbal ou um pontapé na boca.

5. DesejoCasar ironiza com a ideia da web como refúgio dos solitários.

6. DesejoCasar é uma homenagem ao sr. Carvalho. Este indigente não pedia
dinheiro, pedia Amor.

7. O Amor é, de facto, uma coisa linda.

8. O dinheiro pode não trazer felicidade, mas dá muita vontade de rir.

9. O sr. Carvalho não tinha vontade de rir.

10. Nós ainda não a perdemos.

Nota: subscrito pelo autor com os votos de "pronto, ’tá bem" dos restantes elementos.

DESEJO AMOR 



Há cerca de dez anos que tenho esta fotografia pendurada em casa. Tirei-a, certo dia, quando fazia um trabalho para a faculdade. Foi no Rossio, em frente à Loja das Meias, que eu conheci o sr. Carvalho. Demorei imenso tempo a tirar a fotografia. Queria que saísse bem. Tive medo que quando acabasse de a tirar, ele se tivesse divorciado. Que em vez de Desejo Casar, se lesse Desejo Advogado. Convém aqui dizer que eu não tenho jeito nenhum para fotografia, mas, se há fotografias que se tiram sozinhas, esta é uma delas.
Só mais tarde reparei num senhor que almoçava ao meu lado na cantina da faculdade. Entrava sozinho, calado, cabisbaixo e pensativo. E assim voltava a sair. Contaram-me que os meus colegas da Associação de Estudantes tinham um acordo com ele: algumas vezes por semana, ou sempre que precisasse, o sr. Carvalho iria almoçar ou jantar à faculdade, oferta da associação. Curioso, explicaram-me que vivia sozinho e que passava dificuldades. Lembro-me de me dizerem qualquer coisa sobre a sua biblioteca, dos livros que vendia para poder sobreviver. Certo dia, em vez do habitual almoço, pediu-lhes que desenhassem umas palavras num cartaz.
Durante os anos que continuei na Faculdade, deixei aos poucos de o ver. Depois encontrei uma fotografia parecida com a minha na rubrica “Portugal No Seu Melhor”, do jornal O Independente. Quando tirei a minha fotografia também me lembrei de a mandar para lá, mas como não tinha a sua autorização, nunca a divulguei. Até hoje.

Até hoje, o sr. Carvalho foi o único pobre que conheci que não pedia dinheiro. Pedia Amor. Engano-me, ele desejava Amor. Há aqui uma enorme diferença. Se fosse um pedido ele teria escrito Quero Casar. Mas não era um pedido, era um desejo. E ele tinha razão. O Amor não se pede, dá-se. E, por vezes, recebe-se. É algo que se oferece. Não é uma oferta desinteressada, é certo, mas é generosa. O único interesse do Amor é o próprio Amor.
O sr. Carvalho pedia Amor mas, no fundo, o que ele queria era dá-lo. E quando é assim, não se é pobre, mas rico. Dir-me-ão que isto é uma grande laracha… Dir-me-ão, convictos, - Isso é tudo muito bonito, mas ninguém vive sem dinheiro. Talvez, mas o sr. Carvalho, que não tinha uma coisa nem outra, escolheu o Amor. Dir-me-ão que o homem era maluco. Talvez, mas não andamos nós… doidos pelo dinheiro?
Eu cá tinha pedido dinheiro. Mas isso sou eu que sou uma besta. E tenho trinta anos e ainda julgo que vou a tempo de me tornar bestial aos olhos de alguém.
Pode até ser que ele apenas quisesse uma companheira; uma companhia que o aliviasse da solidão em que vivia. Talvez, mas sei perfeitamente que o que ele queria mesmo era Amor. Está na cara…
Se naquele cartaz estivesse escrito Desejo Amor em vez de Desejo Casar, não o iam levar a sério. Diriam com desprezo - Olha, o gimbras quer amor! e rir-se-iam.
Hoje o Amor não se leva a sério. Leva-se a jantar à Bica-do-sapato. E o Amor - não tendo nada a ver com arroz-de-pato - é o melhor alimento que a alma pode querer. Tem proteínas, hidratos de carbono e todas as vitaminas do abecedário. É uma salganhada de emoções. Uma sopa de letras. Com que se escreve a alma e, por vezes, se reescreve a vida.
O sr. Carvalho foi a poesia mais bonita que eu alguma vez vi sobre o Amor. Ou, pelo menos, a mais original. Não sei se ele alguma vez se chegou a casar. Ou se teve o Amor que merecia. Gostava de pensar que sim. Gostava de lhe desejar essa felicidade. Gostava, também, de lhe agradecer a lição que me deu. Ele ensinou-me esta coisa importante: que todos nós - sejamos quem formos e estejamos onde estivermos - temos sempre este dever para com o nosso Amor: o dever de procurá-lo.
E, encontrando-o, o dever de tirar o cartaz para fora do casaco, para fora da alma, e dizer em letras gordas, com todas as letras, que ele é o nosso Amor. LCA

O meu melhor amigo 

Falar sobre o prazer que me dá ter o Hugo neste projecto dava para um post demasiado longo (e a malta do DC bem me tem avisado, com paninhos quentes, que sou dado a frenesis-produtivescos - para inventar uma expressão, à la Bernardo - pouco compatíveis com a atenção limitada do leitor do século XXI (leia-se "falta de pachorra").

Em resumo, o Hugo Rosa e eu, além de primos, somos amigos quase desde o tempo do biberão, e fizemos "percurso" juntos, nas leituras e escrituras, até chegarmos ao mundo vicioso da Faculdade de Direito de Lisboa. Essa escola caduca muito contribuiu para minar as vontades literárias do Hugo que, até então, era presença praticamente semanal no DN Jovem e o ser humano mais talentoso que alguma vez conhecera.
Vem isto a propósito de uma mensagem que recebi do nosso advogado na ilha do Faial, altas horas da manhã:

"Estás contente com o pouco que escrevi?"

Hugo, claro que sim. Estamos todos. Dás plena razão às três palavras que o Francisco José Viegas escolheu para explicar na Visão o DESEJO CASAR como um dos seus blogs preferidos: humor, literatura e sensibilidade.
E queremos mais, meu amigo.

LFB

POST-BLITZ 

Se és daqueles que prefere a Aida da Callas à da Caballé vai mas é pentear macacos com pneumonia atípica! Props pó people da òpera de Viena! Amo-te "violoncelista dourada"! Onassis Forever!

NOS COPOS COM O DIABO 

Alguns elementos do DC estiveram a beber copos com o Pedro Mexia. Serve este para salientar o prazer que é estar na companhia do Pedro e manifestar a pena de o ver partir cedo, com as mãos a tremer - ressacadas - devido ao vício. Acabo de ver os seus últimos posts e está a fugir-me o pé para o chinelo sentimentalão. Só espero um dia também ter razões para esgrimir argumentos em polémicas com PM, como o Tiago Rodrigues e o Miguel Esteves Cardoso, meu grande amigo e minha grande referência - respectivamente. É que a blogosfera também é o MATRIX dos intelectuais. Temos uma vidinha quotidiana mais ou menos normal mas, à noite, tomamos o comprimido vermelho, enfiamos o cabo, e passamos a viver neste mundo paralelo, estilosos e peritos na porrada. Uma espécie de FIGHT CLUB para gente que compreende a nobreza do desabafo.

Venham depois os copos e abraços.

LFB

POST-BLITZ 

Se preferes a técnica viciada do Sinatra à empatia espontânea do Tony Bennett vai mas é encher a boca de merda! Props pó people do Hot Club! Tony e KD forever!

sexta-feira, junho 27, 2003

A pedido de nenhuma família, a categoria que faltava 

Maridos PC – “As decisões sobre as tarefas da casa têm de ser, urgentemente, centralizadas”. É com esta frase que os maridos PC começam o dia a seguir ao do casamento. Antes, na noite de núpcias, o aviso já havia sido dado: “Eu ajudo, sim, mas só se decidirmos tudo juntos”. As regras ficam claras logo no início: a decisão sobre se o jantar vai ter couve lombarda ou couve-flor ou sobre se o casal deve contratar uma empregada lituana ou ucraniana só podem ser tomadas num comité a dois. Os maridos PC nunca se riem à mesa – “sabes quantas pessoas não têm comer?” – e, caso se sintam explorados pela mulher, criam sindicatos domésticos. Uma mulher de um marido PC pode estar sujeita a um cenário destes: ao chegar a casa, sem saber como, encontra duzentos maridos PC – recrutados nos quarteirões circundantes - na sala, prontos para fazerem uma série de reivindicações.

Maridos PC renovadores – começam por ser idênticos aos maridos PC só que, a dada altura, começam a pensar que aquela coisa da distribuição igualitária de tarefas "não é bem assim”. NCS



Tiago, 

Aproveita agora que o Mexia está a marcar o MEC...

AB

Não volto a pô-lo aqui  

até o SEXUS dedicar um especial ás blogadas.
como não leio outro jornal que não este tenho perdido as pérolas que os futuros nobéles produzem.


Ontem entrei na Livraria (leitura) para comprar a Tabacaria e tropecei literalmente no Eduardo Prado Coelho carregado de hermeneutica francesa fresca na mão.
Comprei o Arranha-Céus de J.G. Ballard pó equilibrio. ground the planes...

Alexandre, és brilhante! Claro que a Clara não será alva dos meus olhares! Eu ás vezes Vendo-me! barato.....Abraços a todos Caros Amigos! e tamos quaso todos a dále agóra.
para quando DC no Porto? na Praia da Luz, no Museu dos Presuntos, no Buraco, enfim...
BRa

AC, DC 

Só agora percebo aquilo que sentia de familiar na nossa sigla. "DC" é, evidentemente, "Desejo Casar", mas também, de modo mais evidente ainda, "Depois de Cristo" - parece uma coisa cabalística. "AC" seria o quê? "Argh!! Casar?!"? "Até Casava (mas cheiro mal dos pés)"? "A Carapaus (mas faltam dicionários)"?

AB

Alexandre Borges responde III 

Bernardo,

A malta de Lisboa sentiu a tua falta no jantar do DC e, como tu, lamentou a ausência. És um excelente tipo, com grande sentido de humor, background cultural... MAS LIVRA-TE DE FAZER OLHINHOS À ÚNICA MULHER QUE IRÁ AOS NOSSOS JANTARES!!

AB, ciumento

Alexandre Borges responde II 

Tiago,

O meu voto é "sim" - deves polemizar com Pedro Mexia. Polémicas entre duas pessoas inteligentes, no seu movimento parada-e-resposta, despertam-me mais emoções que um Benfica-Sporting. E é ver-me aos saltos em frente ao computador: "Vai, vai, vai...", "Dá-lhe agora!", "Isso!", "Não!", "Vai pela direita...", "Olha a esquerda..."

AB

Alexandre Borges responde I 

Clara,

Ficamos todos a dever-te esta. Ainda que apenas tenhas reconhecido os factos (que os rapazes do DC são de uma "beleza viril", "simpáticos", "com humor", etc), é bom saber que ainda há quem dê valor à verdade. Enquanto os meus dois lados - o cavalheiro e o machista se pegam à pancada para saber, afinal, qual deles deseja mais casar - sento-me, aguardando as dezenas de mails das leitoras...

AB

Falta injustificada 

Companheiros, sei assumir quando quebro uma promessa: faltei ontem. Nem um postzinho para amostra e nem sequer era fim-de-semana. Poderei alegar que fui assistir à vitória do Porto na final da Taça UEFA?

Alexandre Borges

SEXY-HOT - literatura explícita 

Zapping intenso com passagem mais tranquila pelo Sexy-Hot. Começa o filme "Diários de uma Colegial". Plano da menina em cima da cama, totós, meia branca, saia xadrez, the works. Surpresa: ela está a estudar. Tem vários livros à volta. Plano de corte para dois em particular: a Mensagem de Fernando Pessoa e a Lírica de Camões.
Moral: nunca a musa e a tusa combinaram tão bem.

LFB

A Escócia na Horta 

Na exígua Biblioteca Pública e Arquivo da Horta encontro "Farewell", primeira obra poética de Graham McNosh, nascido a 23 de Abril de 1958 em Inverness, Escócia. A propósito da sua passagem pelos Açores, em 1987, escreveu o poema "There.Not there". Pode ler-se: "All this great/sea/and I had to be/stuck in the middle/of the Atlantic Ocean./Good lord/it doesn´t even come/on shirts!". O autor faz uma alusão indirecta à marca Ocean Pacific, que vendia (desconheço se actualmente vende) roupa desportiva, nomeadamente calções de banho, t-shirts e chinelos de praia, partindo para uma provável (e questionável) conclusão de que esse Oceano era navegavelmente superior ao Oceano Atlântico. Num outro poema, que traduzi de ânimo leve, escreve McNosh: "Fui marinheiro de água/doce/até me tornar/diabético./Não há problema/desde que siga/a prescrição médica/e o/Heart of Middlothian/vença o campeonato."
Horta, 27 de Junho de 2003

OS NOSSOS BONITOS 500 

Amigos do DC, membros da equipa, caros leitores, povo em geral: ontem registámos o redondinho, lindo, badocha, fofo, rotundo número de 500 visitas certinhas. Sei que vocês, que têm vida, não devem estar nem aí, mas eu estou feliz. E agora mais uma informação perfeitamente inútil: vou postar duas vezes e jantar.

LFB

Enganei-me? Errei? 

Enganarmo-nos faz parte da vida e, aleluia! não estamos sozinhos.
Passo por um quiosque e vejo as parangonas das revistas sociais: a palavra dada às mulheres, das mais inteligentes às assumidamente fúteis:
" O amor cega-nos"- Hillary Clinton,
" Não voltarei nem para Marc nem para José Frade"- Norma Duval.
Dar com a cara no chão. Levantarmo-nos. Recomeçar. Porque não?
Derrotas e frustração fazem parte da vida e, como diz um amigo meu, são tão importantes quanto as vitórias, embora o mundo nos queira convencer do contrário.
Portanto, estejam à vossa vontade. Errem e recomecem, por favor. Pior, muito pior, seria não poder cair e não poder tornar a tentar.

CMC

Ó, noites de Juno 

Ontem começou por um magnífico jantar no Pap?Açorda, aconselho: folhado de chèvre com rucola, costeletinhas de borrego panadas com esparregado, falhou-me apenas tempo para a mousse de chocolate da casa. Seguiu-se um belíssimo concerto da Mafalda Arnault, fados da sua autoria e composição, desfiados a céu aberto sob as ruínas do Convento do Carmo, e ali mesmo conversei com a simpática e acessível Adriana Calcanhoto, fã do nosso fado e do Alentejo. Em seguida, passagem pelo Largo Camões que formigava de gente que, de certeza, não trabalha no dia seguinte e um pézinho no Frágil que, com a concorrência de acontecimentos, se revelava um espaço respirável, para assistir ao lançamento do Cosmopolis e beber licor de noz num copo de chocolate. Sou uma fútil, não sou? Cáspite! (como diria a Flor de Obsessão).

CMC

Os maridos e a política 

Ultimamente, tem-me dado para reflectir sobre a ligação entre o casamento e a política, especialmente na vertente "maridos". Servi-me de alguns partidos para fazer uma espécie de classificação dos maridos portugueses:

Maridos PP - é nesta condição que a maior parte dos homens chega à instituição casamento. Os maridos PP acham que partilhar as tarefas domésticas é coisa de tipos que têm saudades da altura em que se faziam telediscos como o do "I Want to Break Free" - sim, aquele em que o Freddy Mercury aparecia, vestido de empregada doméstica, a aspirar alegremente o chão. Nada de particularmente recomendável, portanto. Não só não ajudam absolutamente nada em casa, como esperam que a mulher lhes leve à cama "o desportivo", o almoço de sábado de manhã e, nalguns casos já investigados, a "Xis" (que é para irem vendo "umas miúdas" de forma mais ou menos legítima). Ainda a semana passada tive conhecimento do assassinato da mulher de um destes maridos PP. Causa: as peúgas Ralph Laurent que o homem queria levar para o golfe - e que iam muito bem com a cor do calção - tinham ido para lavar.


Maridos PSD - os maridos PSD não ajudam em casa. Digamos que acham que participar nas tarefas domésticas "é mais próprio" das mulheres. Nunca entram na cozinha - a menos que tenham alguns fetiches sexuais nesse espaço. Quando querem falar com as mulheres, aproximam-se, a medo, da porta desse sítio interdito. E é nessas alturas que lhes dá para imaginar transformações. "E se fizéssemos aqui umas obras? E se mandássemos esta parede abaixo e construíssemos aqui uma chaminé?". "Ó filho, mas nós já temos uma ali". "Não interessa". Os maridos PSD acham que um bom marido é um marido autoritário. Se um homem quer comer um bacalhau com grão, o bacalhau tem de estar pronto a sair. Caso não esteja preparado daí a uns 10 minutos, um homem tem de tomar as suas medidas. A bem do casamento.


Maridos PS - os maridos PS são como aqueles jovens generosos: têm vontade de participar. Vamos lá a isso. Vamos lá ajudar em casa porque "é importante" ajudar em casa. Os maridos PS fazem às vezes a sua cama, levam os seus pratos à máquina, cozinham umas coisas de vez em quando. Por vezes, dá-lhes para fingir que têm uns certos problemas de audição. "Ó Carlos, anda cá ajudar!". E nada do Carlos. A esta altura o Carlos deverá estar a pensar em silêncio, enquanto faz um zapping ou lê um romance do Paul Auster: "Já levantei o prato da mesa e ainda quer que eu vá levantar a roupa?! Raio da mulher!". É nessas alturas que os maridos PS pensam que talvez o melhor fosse mesmo contratar mais uma ou duas - ou mesmo três - empregadas. Quando têm visitas em casa, o maridos PS sentem um orgulho especial em dizer que participam das tarefas da casa. Especialmente se os convidados forem maridos PSD.

Maridos Bloco de Esquerda - os maridos Bloco de Esquerda tomam a iniciativa nas tarefas domésticas. Ao contrário dos maridos PC - que dividem as tarefas da casa com as respectivas de uma forma absolutamente igualitária -, os maridos Bloco de Esquerda gostam de fazer tudo. "Deixa-te estar aí sentadinha que eu faço o caril de camarão à goesa". Na verdade, os maridos Bloco de Esquerda só pecam na arrumação. A arrumação não é o seu forte. Uma casa bonita é uma casa desarrumada - e, é claro, com algum cheiro a incenso. De vez em quando, os maridos Bloco de Esquerda fazem umas mudanças na sala, em busca de "boas energias". Dizem que as mulheres - estamos, é claro, a falar de uniões de facto - dos maridos Bloco de Esquerda são umas sortudas. Não sei se será bem assim: ninguém é feliz ao saber que, quando chegar a casa, vai ter em cima da mesa da cozinha um prato vegetariano.


Pela parte que me toca, tenho ficado cada vez mais de esquerda dentro desta grande instituição. O que contraria a ideia de que a sensatez e o casamento estão intimamente ligados. NCS

É para o inferno se faz favor! 

A Sr.a Ministra das Finanças tem quatro mil taxistas em frente do ministério, na Praça do Comércio. Estes briosos – e honestos – industriais dos transportes, manifestam-se contra um imposto que consideram injusto.
Enquanto espreitava debruçada pela janela do seu gabinete, a ministra terá desabafado:
- É sempre a mesma coisa: quando se precisa de um, nunca aparecem. Agora que ando de motorista, tenho quatro mil à porta.LCA

Insónias 

Eis o meu problema: não tenho sono. Padeço desse terrível mal que me faz ficar acordado até às horas mais tardias, de olhar fixo e catatónico, escancarado no tecto. Já tentei de tudo e nada parece fazer efeito. Ler não é propício ao sono, já que acabo por me embrenhar no livro em vez de o fazer nos lençóis - se bem que uma boa lombada maciça, tipo As Aventuras de Pantagruel (1ª edição), bem aplicada ao parietal, pudesse fazer milagres. A música, mesmo no mais soporífero decibel, produz o mesmo resultado. O chá também não resulta. Adoro chá, em especial no Inverno, mas qualquer folhinha infusa, por mais tília que seja, provoca-me uma fusão termonuclear sináptica, obrigando-me a passar a noite em DEFCON 5. O café está banido. A partir das quatro da tarde nem o cheiro lhe quero sentir - é o diabo! Em relação ao leite sou um fascista da pior espécie: leite não é juventude, leite não é puberdade, leite não tem direito a voto. O leite - na melhor das hipóteses - é branco e sabe mal. Em especial morno, com um baralho de belgas ao lado. E quem disser o contrário leva com a xícara na cabeça descalcificada.
O álcool é inviável. Em pequenas quantidades resulta como estimulante; em doses de contrabando - hic! - resulta em coma. De vez em quando, se numa emergência tiver de acordar às nove da matina, vou roubar um Xanax a qualquer lado. Resultado: fico com insónias na mesma mas agora já não me importo nada com isso.
Subterfúgios amorosos, por definição, também não resultam. Por outro lado, se houvesse missas às três da manhã, eu tomava duas.
Por vezes, farto de remar contra a maré, decido juntar-me à insónia e fazer uma directa para o dia seguinte, mas as directas comigo nunca funcionam porque me fazem sempre imenso sono.LCA

quinta-feira, junho 26, 2003

Escolas de Pensamento Lopezianinas, fortes na proporção. 

É uma verdade que não param de aparecer escolas de pensamento a advogar ter a J-Lo ido longe demais neste seu último vídeo enquanto, por exemplo, Beyonce nos brinda com Estética Hegeliana da mais apurada.
São factos. E não foi em vão nem á toa, amigos, que Schonberg, no fim dos seus dias concluíu não ser da harmonia o que se tratava. Bruxo espantoso.

Ahh, Adorno, não mentes quando, ohh, dizes que "O métier põe os limities contra a infinidade nefasta nas obras".
Contra nefastas infinitas, venham cá, eu ponho já uns limites, sacrificando-me á obra, eu meto. BRa

Nos oitenta, ainda a rir!  

Hoje ao almoço o meu amigo Gil que dentro de dias já está nos 80 (anos) disse-me que troca diariamente dois comentários com os rapazes da sua idade que frequentam o mesmo ginásio de Karaté:
1º) Rapazes, vamos lá a ver se passamos o cair da folha!
2º)E é que na época do rebentar da folha também é um varre vassoura!

CMC

Mataiota 

A propósito do post anterior e a todos os bloguistas compulsivos, ofereço esta máxima de um antigo, Creusos Tomos ( tradução, boca de oiro):
"Mataiota mataiatoten ta panta mataiota"

Tradução: vaidade das vaidade. É tudo vaidade!

Vêem como sei grego antigo?

CMC

Dicionário do Tiago 

Menos de uma semana no blogosfera e já se avizinha uma polémica. E logo com o Pedro Mexia (Dicionário do Diabo). O meu ego regozija-se! Ele beliscou-me o José Bové e eu dei-lhe um pirolito no Papa. Ele veio a seguir e roçou-se no Subcomandante Marcos. Os preliminares prometem. Daqui a pouco andamos a agredir-nos com miniaturas da Nossa Senhora de Fátima ou T-shirts com a cara do Che!

Caro Pedro Mexia, alguns amigos já me avisaram, durante a tarde de hoje, para não me meter contigo porque és um mestre da polémica (as palavras não são minhas). Pegaste no calcanhar de Aquiles do meu texto e enfiaste-lhe a seta com veneno (as palavras são minhas). Aquela história da Palavra a espalhar-se ao comprido foi a minha inconsequência. Bom, deixemo-nos disso. Ou brincamos ou falamos a sério. Hoje não tenho tempo nem para uma coisa nem para outra. Tenho ainda que acabar um texto e depois vou ver o nosso amigo Nuno Lopes, no D. Maria II. Hoje não me sobra tempo útil para polémicas ou para pensar se entro ou não nelas.

Aliás, num espírito de «displicência» e «inconsequência» que ambos apreciaremos (estou certo disso), proponho um referendo aos meus companheiros de Desejo Casar e navegantes da blogosfera em geral:

Devo ou não polemizar com Pedro Mexia?

Aceitam-se sugestões, respostas simples e, é claro, propostas de casamento.

Entretanto, caro Pedro, venha uma Cola e um Big Mac! Já engoli sapos piores...

Tiago Rodrigues
tiagorodrigues@yahoo.com

Namoros desfeitos: 

Aos meus inconsoláveis amigos, eu digo: é sempre possível amar mais e melhor!
E enquanto dura é eterno! ( esta é da minha avó liberalona).

CMC

E Vivam os rapazes do DC! 

Ontem o Desejo Casar teve o seu jantar de grupo tão bem sucedido que estamos a pensar alargá-lo a convivas de outros blogues para quem a palavra do dia, da noite e da cachimónia é blogar!
À mesa estávamos 5 elementos do DC e o tio de um de nós que se inteirou compulsivamente do panorama bloguístico nacional.
Agora, fala a única moçoila do grupo, às suas esperançadas leitoras : sim, vale muito a pena conhecer os moços do DC, mais que melhor, reúnem sérias qualidades casadoiras: além de beleza viril para todos os gostos, em comum têm humor, simpatia e sobretudo, amigas, são hetero!
Isto vos afiança uma mulher de fino sensor, na sua qualidade de amiga não libidinosa nem colorida, mas de mero objecto de olhos cravejantes e cobiçosos, porque digam o que disserem, regra a aplicar aos com ou sem anilha, só assim se testa a dita cuja testosterona e como é bom ser objecto (em certas situações, claro)!
Como diria Virginia Woolf a propósito do seu grupo de Bloomsbury livrem-me da companhia de sodomitas por muito cultos, inteligentes e até divertidos porque sendo tranquila e até nos pondo muito à-vontade tem esta desvantagem incontornável e é a de que nós, mulheres, ficamos despojadas do gostoso exibicionismo!
Na companhia de sodomitas algo é sempre contido e mata a exibição, a vaidade que reclamo como imperiosa necessidade da vida e não necessariamente, conducente à paixão ou à cópula, you know what I mean!
Mas regressando aos moços, além de hetero, são, ainda, cavalheiros, qualidade que muito aprecio apesar de saber que por detrás de um gentleman pontifica um machista. Mas mil vezes um homem que me dá passagem, e que se levanta ou faz menção disso mal eu chego à mesa, embora só conheça um destes dinossauros, do que um sabujo ignorante destas elementares regras sociais a apregoar que somos todos iguais, my eye!

CMC

NÃO GOSTO NÃO GOSTO (a nova rubrica, para que se dissipem as dúvidas e possamos todos dormir descansados) 

Prontos, não gosto. Já disse. Nem sequer com batatinhas à volta. É cá uma coisa minha.

Pessoal. É assim mesmo. Tem de ser. Porquê? Porque sim. Faz-me espécie. Azia.

Fico aziago. Azarado. Ajoujado. Não me chateies pá! Vai ver se chove. Se faz sol.

Se estou na esquina. Se não estou. É provável que não. Eu não existo. Sou um holograma.

Um anagrama. Um pijama. Um anagrama num pijama. Deixem-me dormir.

E não me acordem. Deixem-me em paz. Deitado. Com flores na campa. Acampado.

Desleixado. Mal lavado. Suburbano. Sentado à espera. E não deitado. Tanto faz.

Chuva ou sol. Na paragem. À espera. À espera. À espera. Atrasado. Adiado. Odiado.

Sempre a mesma merda. Chega! Por fim. Mesmo no fim. Afinal. Não gosto.

Prontos, já disse. Tinha de ser. De dizer. De escrever. Porquê? Porque é assim.

Porque falo e leio e sinto. E canto. A minha alma.

Tenho dito. Mesmo que nada diga. LCA

Coisas essenciais 

Chego a casa, ligo o computador e sou tocado pela ternura: o Francisco relembra uma tarde eterna no Livramento, entre histórias várias, os aromas da aguardente da Graciosa e o clarinete de Woody Allen. O Hugo, para não incomodar ninguém, aparece descalço no Desejo Casar, como um pescador que entra em casa, acabado de chegar das ondas. E o Tiago diz que escreve numa altura em que a mulher e a filha estão a dormir. Afinal, as coisas essenciais também passam por aqui. NCS

Carta Aberta à Minha Mãe 

Mãe, hoje não durmo em casa.
LCA

Humphrey Blogart 

A minha mulher e a minha filha estão a dormir.
Blogosfera, só te conheço há 3 dias, mas pressinto que isto vai ser o início de uma bela amizade.

Tiago Rodrigues

quarta-feira, junho 25, 2003

Um primeiro post 

Séamas O´Hogain pergunta a Corto Maltese (em "As Célticas", volume II): Que procuras na Irlanda? Corto responde: A panela de ouro do Leprechaun! O´Hogain faz outra pergunta: Como vais descobri-la? «Vou descobri-la no dia em que encontrar uma rapariga a chorar na margem de um rio... Sinn Fein... Só nós», responde Corto. O irlandês conclui:...Sinn Fein... Só nós. Bem-vindo à Irlanda, Corto Maltese. O marinheiro já se encontrava na Irlanda há alguns dias, mas só a partir deste momento passa a ESTAR na Irlanda. As boas-vindas são assim, simples e ternas (por vezes em código, ao serviço do I.R.A.) e é a partir delas que passamos a pertencer aos sítios. Obrigado, Desejo Casar. E não é que desejo mesmo!

Hugo Rosa

O primeiro linque de um blogue para si próprio é nosso. somos solteiros e dados à irrascível debilidade- bebemos 

demais

tu queres ver que ele está a falar de nós 

"Hoje, já não é a imaginação de um Eça de Queirós que nos leva às alcovas a ver as marotices. São as alcovas que se abrem e se mostram ao mundo inteiro por via electrónica".

(Eduardo Cintra Torres sobre a internet no artigo "Big Brother - Fanfarra para o Homem Vulgar ", incluído no
Caderno Minerva n.º2 - "Reality Shows - Ritos de Passagem da Sociedade do Espectáculo") NCS

A diferença visível 

Sempre disse, desde que tenho idade para dizer qualquer coisa, que o problema das Direcções da RTP era falta de tempo. Não acredito que, com tanta instabilidade e rotatividade nas administrações e direcções de programas e informação, em tantos que lá passaram, fossem todos incompetentes ou imbecis. Aliás, sei com toda a certeza que já passaram por direcções da RTP pessoas com um olhar muito interessante sobre o que deve ser Televisão e o que deve ser serviço público. Seria até capaz de nomear algumas dessas pessoas, se a tal fosse obrigado.
Porque falo de falta de tempo? Porque, como na maior parte das empresas públicas, 80% do tempo útil dum director é consagrado a gerir o seu poder, a falta dele, as tricas, os ultimatos, as intrigas de canto do olho, os ambiciosos de meia tigela e os ambiciosos que têm razão para o ser. Resta-lhes portanto cerca de 20% do tempo de trabalho para pensar na melhor forma de trabalharem. Quando chega a hora de trabalhar, não o fazem porque não há tempo. O problema não está em gastar 20% do tempo a pensar. O problema está em não gastar os 80% a praticar o que se pensa.

Vem isto a propósito das polémicas sobre a blogosfera. Apesar de ser um novato, ou noviço, ou mancebo... apesar de ter entrado na blogosfera há menos de uma semana, dou-me conta que o tema mais discutido é o que pensam os outros dela. Atenção! Não me refiro que se passa a maior parte do tempo a pensar a bolgosfera, o que só pode contribuir para a sua melhoria... Passa-se, antes, a maior parte do tempo a escrever e a ler coisas que defendem ou atacam aquilo que alguém, se calhar sem grande conhecimento de causa, disse sobre a blogosfera. Falta encontrar a linha ténue que separa a reflexão sobre este meio de comunicção que só agora descobri e as "lutas tribais", utilizando a expressão de Pacheco Pereira no Abrupto, que se mascaram de debate. A linha é ténue, mas a diferença é visível. Depende de como usamos os nossos 80%. Deixem lá quem está de fora a olhar pela montra! Mais tarde ou mais cedo, estarão cá dentro.


PS- Caros companheiros de DESEJO CASAR, perdoem-me a monopolização do espaço durante esta tarde. Estou verdinho, cheio de vontade...

Tiago Rodrigues
tiagorodrigues@yahoo.com

Inveja quase sincera 

Passam-se uns minutos e olhos mais atentamente para o Dicionário do Diabo (blog do Pedro Mexia). Passam-se uns minutos e a minha inveja por este indivíduo passa a ser um pouco mais sincera. Mas não lhe posso perdoar nem a cultura enciclopédica, nem o ser de direita. Tenho dito.

PS- O facto de ser de direita até podia ser perdoável...

Tiago Rodrigues
tiagorodrigues@yahoo.com

Invejo o Pedro Mexia 

Porque escreve ironicamente sobre a prisão do José Bové, activista francês, que o Mexia deve detestar pelo mau gosto do bigode farfalhudo. Quem me dera, caro Mexia, a sua displicência na observação do mundo e a justeza das suas causas. A defesa de um Papa (injustamente acusado de turista perdulário, coitadinho!, andava a espalhar a Palavra, como se a Palavra não se tivesse espalhado ao comprido sem qualquer espécie de ajuda...) e Bové reduzido à fauna hooliganesca. Quem me dera ser um irreverente de direita, agora que a esquerda está tão fora de moda. Quem me dera o acesso VIP, sem consumo mínimo, à inconsequência como forma de arte.
Mas, sobretudo, invejo o Pedro Mexia e o seu blog (Dicionário do Diabo), porque falou antes de mim de alguém que eu invejo (e a esse invejo-o mesmo!), o Nuno Lopes, um dos mais notáveis jovens actores portugueses, um fora de série como ser humano e um bom amigo que estreou ontem o Titus Andronicus, pela Cornucópia, no Teatro Nacional D. Maria.

Tiago Rodrigues
tiagorodrigues@yahoo.com

Invejo o Carlos Queiróz 

Porque vai poder dizer ao Beckham que o passe que fez devia ter sido dois milímetros mais à direita.

Porque vai poder dizer ao Figo que só pode fintar sete jogadores em cada três passos.

Porque vai poder torcer o nariz e dizer ao Zidane: "foi mais ou menos"

Porque vai poder mandar o Roberto Carlos tomar vitaminas para ganhar força.

Porque vai poder dizer ao Ronaldo para se dedicar mais aos golos e menos à criatividade capilar.

Porque não vai estar longe de casa, mas apesar de tudo, está num País.

Invejo a Alexandra Lencastre 

Invejo a Alexandra Lencastre por razões menos óbvias do que aquelas que vos terão ocorrido durante a leitura do título. Se procuram descrições pormenorizadas de fantasias sexuais com a protagonista de Ana e os 7, aqui não as vão encontrar, nem com 7, nem com mais ou menos anões envolvidos no assunto. Invejo-a pelo talento, mas também não é isso que me traz aqui. Haveria, sem qualquer indício de sarcasmo, outros nomes cujo talento mais facilmente suscitaria as minhas invejas.

A actriz fez, há pouco menos de uma semana, uma declaração a uma revista do coração (não me lembro, sinceramente, de qual, porque li a citação no Público) em que defendia que "os portugueses são como os actores: gostam de ser bem dirigidos. E em Portugal é um vazio..." Pode não ser esta a frase textual, mas é, com toda a certeza que cabe em mim, muito próxima e fiel ao sentido e forma da frase original.

Ora, quanto ao vazio português, a nossa querida Alexandra limitou-se a bater num ceguinho em avançado estado de decomposição. Aliás, se um dia este país saísse do chiqueiro, muitos de nós deixariam de ter fosse o que fosse para dizer.

No entanto, tanto na qualidade de actor profissional como de cidadão português (neste caso, não é profissional... Para mim, ser português encaixa-se um pouco mais na categoria do hobbie), dizia que, tanto na qualidade de actor como na de português, invejo a Alexandra Lencastre. Porque deve ser fácil, viver assim à espera de alguém que nos saiba dirigir, no palco e na vida. Alguém que nos diga para onde ir, como dizer esta ou aquela frase, pagar este ou aquele imposto, ver este ou aquele programa de televisão. É perfeito. É tranquilizador pensar que isto é possível.

Invejo a Alexandra Lencastre porque, até hoje, não consigo senão acreditar que, actores e eleitores devem procurar ter uma opinião própria, uma vontade própria, enfim, serem indivíduos. Implica que não queremos ser dirigidos, antes nos dirigimos a nós próprios e confiamos noutros para nos representarem em momentos em que nós próprios não podemos decidir. Democraticamente falando, seria assim que as coisas se passariam, nos palcos como na vida. Ora, todos sabemos que ser um indivíduo, com tudo o que isso implica, não é fácil e muito menos é tranquilo. A democracia custa muito. Ser um algarismo num número, ser um grão de areia na Caparica, ser mais um na carneirada, é bem mais fácil e tranquilizador. Enfim, ser dirigido é encontrar a paz. Invejo a Alexandra Lencastre porque acredita que, tanto nos palcos como na vida, é a paz que devemos procurar. Para os outros, os que não acreditam na paz dos líderes, a vida será bem mais complicada.



Tiago Rodrigues
tiagorodrigues@yahoo.com

Todos os bons jogadores nos interessam 

Camacho deve andar a deitar o olho guloso ao Desejo Casar... "Mas dionde arranjia esta giente tanto dinhieiro para comprar rugadories?" E diz-se, à boca pequena, que Filipe Vieira prepara um blog novinho em folha para oferecer ao mister e preencher, de vez, a folha de exigências.
Saúdo, com isto, as recentes aquisições da nossa equipa - o que vale é que podem jogar mais de onze... Note-se a preocupação de ter dois jogadores para a mesma posição: nos casados, Tiago Rodrigues e Nuno Costa Santos esgrimem argumentos na luta por um lugar a titular; nas loiras, Inês e Clara; nos irmãos, Luís e Alexandre; nos desterrados, Bernardo (Porto) e Hugo (Faial); Luís Camilo e Miguel correm o campo todo. De resto, entre solteirões todas as tácticas são permitidas.
Entretanto, decorrem reuniões secretas entre outras vedetas e a nossa direcção. Rui Costa, Cláudio Ramos e uma adolescente que deixa post its na porta do frigorífico da avó, tecendo as suas considerações sobre o que gostaria que fosse o almoço foram já, segundo a nossa estimada Reuters, contactados.

AB

Stand up for your laughs 

Nilton lançou, ontem, no auditório da Antena 3, o primeiro dvd de um stand-up comediant português. A noite arrancou umas quantas gargalhadas - só é pena que o mérito não caiba ao próprio Nilton, mas, antes, aos seus convidados, na generalidade, muito melhores que ele. Uma óptima oportunidade para ver Francisco Meneses, Ricardo Araújo Pereira e Aldo Lima. Jorge Mourato podia ter tido graça se não fizesse o mesmo número de sempre; os restantes eram a segunda divisão.
Em todo o caso, boa sorte ao anfitrião e que o seu dvd venda muito, de modo a que, no mínimo, se abra a mesma oportunidade aos seus virtuosos amigos.

AB

Invejas telegráficas 

1- Tenho inveja de todos os que inventam boatos porque nunca são apanhados. Eu, pelo contrário, lancei um boato - involuntariamente - e fui logo apanhado e denunciado às altas patentes políticas do nosso país. Como é óbvio, não farei comentários e não reproduzirei na blogosfera o boato involuntário que lancei. Até porque é, realmente, um boato. Aproveito só para pedir desculpas aos lesados, que são boa gente e não mereciam ser vilipendiados involuntariamente. Da próxima vez que caluniar, será de forma voluntária e com espírito missionário.

2 - Invejo quem tem tempo para escrever todos os dias na blogosfera. Mesmo aqueles que só escrevem completas inutilidades. Só consigo «postar» as minhas inutilidades dia sim dia não.

3 - Invejo a SIC Notícias porque nunca olhou para mim e eu passo o dia inteiro a olhar para ela.

4 - Invejo o Paulo Portas, porque mesmo que um dia o seu fato às riscas passe a ser um fato às bolinhas, o seu aspecto exterior nunca será tão ridículo como as demogagias interiores que, por vezes, nos deixa vislumbrar.

5 - Invejo Marrocos, porque é igual a Portugal, mas é um Portugal realista porque nunca acreditou fazer parte da Europa.

6 - Invejo os ingleses porque, como dizia o Público de anteontem, os políticos ingleses estão a estudar o fenómeno do Big Brother, para perceber como é que as votações deste reality show têm tanta afluência, quando as eleições legislativas contam, no Reino Unido, com um tão alto nível de abstenção. Em Portugal, os políticos devem andar a estudar o 70 vezes 70... em repetição... às 5 da manhã!

7 - Finalmente, invejo todos os que me invejam. Se me invejam, é porque acreditam que eu sou bom nalguma coisa ou tenho algo que qualquer outra pessoa não tem. E eu próprio já não acredito nisso.

Tiago Rodrigues

O Blog Afair 

Surgiu-me um pensamento horroroso. Na senda viciante - ontem aqui referida pelo Nuno Costa Santos - da blogodependência, imagino maridos e namorados de castigo, a dormir no sofá, depois de uma noite passada na blogosfera. Imagino namoradas amuadas, à procura de talões de multibanco escrevinhados nos bolsos do casaco, enquanto eles estão no duche, em vez da clássica marca de batôn nos colarinhos da camisa. Imagino amantes abandonadas em apartamentos vazios, a assoarem-se desgostosas na lingerie, com almas desmobiladas, perguntando inconsoláveis “Tens outra, não é?”
Imagino a resposta dos amantes, maridos e namorados: “Não. Tenho um blog. Mas não é nada sério.” LCA

O Impressionado  

É impressão minha ou os blogs que têm aparecido, até outros já existentes viram-camisas, estão a adoptar o modelo visual do DC?
O fenómeno lembra os incêndios em Portugal, é impressionante pá, já tem fortes proporções. BRa

As cabeças Irreais + bocas virtuais = realidade boçal  

Quem aparece em público, geralmente na tv, não demora a recorrer ao epíteto da moda. O mundo virtual como oposto ao real.
É errado. Ainda para mais nesta altura em que até as crianças Somalis não dormem na ânsia do próximo desfolhar Blogs vs jornal Sexus.

O que apelidam de real deve antes ser entendido como, pálpável, actual , que é o termo certo em Inglês. A diferença não é entre o mundo virtual e o mundo real visto o virtual ser uma sub-categoria do real. Sonhar, ver televisão, ir ao cinema, ter ideias, desejos, invejas, tusas mentais, etc, tudo isto faz parte da realidade. O próprio mundo seria irreal sem estas possibilidades. Já todos nos teríamos suicidado. Nem o real cru do mundo sabemos o que é, como Shopenhauer nos disse a todos. Só conhecemos as representações mentais que temos deste. Os cães, por exemplo vêm a preto-e-branco, quem nos diz que as cores não são fruto da ilusão? por ainda outro lado até a teoria das Super Cordas (descrição mais actualizada do Universo) tem ainda 8 dimensões não atribuidas...

E não será por gimme here that straw,que o que simplisticamente entendemos por mundo virtual, o espaço impalpável criado por megahertz pentiados, é chamado oficialmente de REALIDADE VIRTUAL, o que é suficientemente auto-explanatório.

Virtual vs Actual
Estou oficialmente aberto ao debate, venham Elas.
BRa

DUAS AQUISIÇÕES NA MESMA NOITE! 

A Direcção do Desejo Casar anuncia a contratação de dois reforços de primeira categoria para a sua equipa.

Confirmam-se os rumores de que terá acontecido uma reunião num hotel dos arredores de Lisboa com Inês Fonseca Santos, jurista, mestranda em Literatura Portuguesa, jornalista do Sociedade das Belas Artes (Sic-Notícias) e autora de "Versos do Tao e do Tempo" e "Monólogos (A Dialéctica da Saudade)". Os seus representantes confirmaram há momentos a assinatura de contrato com o DC.
Inês, tal como Hugo, é solteira (mas desconfio que ambos não aguentarão essa condição por muito tempo) e torna-se assim no segundo membro feminino da equipa. Ainda por cima são as duas lindas e louras naturais! What were the odds?!

Depois de contratar Inês - uma mulher que prova a existência de um Deus sádico e cruel - um enviado do DC partiu para a Horta onde contratou o jovem advogado Hugo Loura da Rosa, o açoriano mais charmoso do mundo, vencedor de algumas dezenas de prémios no DN Jovem, que regressa assim às lides literárias antes de, segundo os amigos mais próximos - se lançar na demorada escrita de um romance que mudará o século XXI português.

O contrato têm uma condição: os vossos nomes só vão para o cabeçalho assim que começarem a "postar". Sejam bem-vindos ao DC, o blog com a maior equipa deste país. E ainda estão para chegar mais reforços!

Há dias em que um homem se deita feliz.

terça-feira, junho 24, 2003

CARTA ABERTA A JOSÉ MÁRIO SILVA 

Caro José Mário,

nunca tive jeito para escrever cartas, muito menos quando são públicas. Desculpa-me por isso a herança jurídica que me condiciona as linhas à disciplina da alínea:

a) escrevo esta por dois motivos: quando te referes à Questão DNa, concluis que só por "cegueira ou má-fé" se pode, em resumo, arrasar o DNa de hoje. A segunda razão para escrever deve-se aos comentários em que me "acusam" de defender os amigos. As aspas não não despropositadas. Gosto, de facto, de defender os amigos. Não é o caso do José Mário, que conheço de meia-dúzia de ocasiões, e com quem tenho uma relação cordial.

b) evidentemente senti-me tocado pela questão da cegueira e má-fé pois o meu post no DC era extremamente corrosivo para com o suplemento.

c) creio, contudo, que passas ao lado da verdadeira questão. É evidente que o DNa "levou por tabela" devido à forma relativamente infundada e absolutamente arrogante como PRD tratou a blogosfera, mas o ponto essencial era a sua teorização sobre os bloggers com cargos na imprensa, atacando sem pejo pessoas da sua própria equipa.

d) José Mário, não duvido da tua dedicação nem do teu esforço em prol do suplemento e acho que ninguém duvida. Tenho pelo teu trabalho e talento respeito e admiração. Todavia, é evidente que as responsabilidades sobre a qualidade do DNa devem ser assacadas a PRD.

e) um ponto que muito me chocou foi precisamente - e creio que o demonstrei bem - a forma inacreditável como PRD te trata no texto. Quem - na administração - lesse aquilo facilmente poderia concluir que não trabalhas para o DNa como poderias trabalhar. Mentira torpe.

f) é evidente, penso, para quem conhece a carreira de PRD, que ele gosta da polémica e tudo isto pode não passar de um estratagema para que se fale mais do DNa. Parece-me bem o fim, e não me importo de lançar achas para a fogueira até, porque, em consequência, também se comentarão mais os blogs.

g) já me tinham avisado de que virias a terreiro "pôr água na fervura" o que não esperava, com toda a sinceridade, era que chegasses ao ponto de utilizar - literalmente - essa expressão no próprio texto.

h) recuso-me a acreditar que não te tenhas revoltado com o tratamento que te ofereceu PRD e que não tenhas, até, sentido um certo prazer com as reacções que se têm sucedido neste nosso mundo paralelo. Não fica mal a ninguém assumir que a vingança se saboreia com deleite. Acrescento que, a meu ver, perdeste uma boa oportunidade de fazer nascer uma lenda: depois daquele texto, no primeiro encontro na redacção, pegavas no monitor que estivesse mais à mão e tentavas um triplo com a cabeça do PRD a servir de tabela. Mas isso sou eu e a minha fúria. Mais, visto de longe, só posso acreditar que a "espinha atravessada na garganta" devia ter a ver ainda com qualquer desavença no passado entre ti e PRD.

i) quanto à "cegueira e má-fé", da parte que me toca, não a vejo como conclusão sensata. Continuo a comprar o DNa na esperança de encontrar as pequenas pérolas que referes. Mas, penso que perceberás o que digo, atacamos impiedosamente - por norma - aquilo que amamos, porque são para essas pessoas e coisas que vão as nossas maiores exigências. Deve dizer-se aos amigos, sem hesitar, aquilo em que falham. E eles a nós. Para que melhoremos juntos. É claro que o DNa não é o pior suplemento da imprensa portuguesa mas não deve/não pode contentar-se em ter um olho na terra dos cegos.
Eu sou um fanático benfiquista e, todos os anos, marcamos grandes golos, temos dois ou três craques, fazemos meia-dúzia de belos jogos, mas não ganhamos nada à nove anos. Será "cegueira e má-fé" criticar o clube do meu coração?


Com os melhores cumprimentos,

Luís Filipe Borges

A Tragédia de Brook 

Lá fui assistir à "Tragédia de Hamlet" no Maria Matos. Apanhei, obviamente, a nata: de Diogo Infante à tia mais revisteira, estava lá tudo - como uma boa descrição queiroziana das idas à ópera vos poderá minuciosamente explicar. Como seria de esperar, a turbe aplaudiu de pé, lágrima no canto do olho, a encenação de Peter Brook.

Ora bem, Brook é uma das minhas referências. É universalmente considerado um dos melhores encenadores da história, um prodigioso esteta, um autor incontornável (aconselho "O Diabo é o Aborrecimento"). Em relação a este espectáculo o diabo é mesmo a velhice. Gostei de ver a base minimalista do "carpet show" - que me recordou um workshop baseado no mesmo princípio que fiz há uns anos no Teatro da Trindade, com o inefável Jorge Fraga -, gostei de ver a opção pela banda sonora, gostei de ver o carácter ecuménico da interpretação do texto. Brook estende ao máximo a noção de que Hamlet é a representação, por excelência, das idiossincracias da condição humana: daí que não seja de estranhar a mistura de laços familiares entre pretos e brancos que se nos revela de uma grandiosa subtileza, sem cair na propaganda do SOS Racismo.

De resto, nada. Brook é um esteta cansado, desesperadamente à procura da líbido e sem pachorra para descobrir um Laertes, pelo menos, razoável. Este Hamlet é insustentavelmente leve, de uma leveza por vezes cómica o que, mesmo que voluntariamente, entra em contradição com os termos shakespereanos.

O actor que interpreta Hamlet, então, é a pedra de toque de tudo isto: um prodigioso bailarino, conquistador de cenas, belo no palco, carismático seguramente fora dele, mas Hamlet não é black-power, não é força segura, não é murro na mesa, não é um excelente actor realista elevado à décima potência que faria as delícias de um produtor de telenovelas. A angústia, a solidão nunca foram credíveis. Mas a ilusão foi muito bonita. Por isso aplaudi-o de pé.

LFB

No consultório: 

Doutor: - Diga lá o que tem, minha senhora...
- Para começar...não sei por onde começar.
- Come normalmente?
- Tenho pouca fome, deixei de ter horas para comer.
- E quanto a dormir?
- Deito-me tarde, durmo pouco mas acordo cheia de energia.
- Anda distraída?
- Mal ouço o que me dizem, deixei de ler jornais e não ligo a televisão.
- Fala com alguém?
- Não me apetecem grandes conversas.
- Alguma coisa que a assuste?
- Sim, ter perdido o controlo sobre a minha vida.
- E como se sente?
- A flutuar e não particularmente interessada no que me poderá acontecer amanhã.
- Muito bem, está com muito bem aspecto e a reagir muito bem.
- Então está tudo bem, posso continuar assim?
- Está tudo bem e pode continuar, assim, mas não por muito mais tempo.
- Estarei deprimida, doutor?
- Anda lá perto, minha senhora, está realmente apaixonada.

CMC

Saudações ao Meu Pipi 

A única mulher do "Desejocagar" é uma sua atenta e fiel leitora, da poesia às crónicas do Rotogal, e humildemente aprende e subscreve as muitas e doutas verdades finalmente reveladas à história e às tristes mulheres deste Rotogal.

CMC

Centro de Recuperação de Bloguistas 

Estou preocupado com o vício dos blogs. Diversas pessoas civilizadas passam horas e horas em frente ao computador por causa disso. Aliás, já não se viam tantos intelectuais a frequentar a net desde a altura em que frequentavam sites de conteúdo erótico/sexual (imagino mesmo que, durante muito tempo, podíamos encontrar listas dos favorites como esta: library of congress, asian teens, Prospect, hungarian sex pics, New York Times on the web, italian babes, Granta, cheerleaders galleries). E, como sabemos, os intelectuais, pessoas muitas vezes dadas à fragilidade mental e emocional, são presas fáceis do vício. Antigamente, qualquer escritor que se prezasse tinha uma garrafinha em seu nome num qualquer bar parisiense. Hoje tem um blog. É, pois, necessário tomar algumas precauções - sob pena de vermos valiosas bibliotecas serem vendidas por causa de um acesso mais rápido à rede. Não, não quero, de forma alguma, ver gente culta a arrumar carros para poder ir ao netcenter mais próximo. Em todo o caso, acho que é altura de as autoridades que zelam pela Saúde do nosso país tratarem da criação de centros de recuperação de blogodependentes. Coisa simples. Um espaço limpinho, onde se possa cantar e tocar umas músicas com a ajuda de uma viola, de duas violas, de várias violas. Um espaço de paz e amor - sem computadores por perto, portanto. NCS

Os amigos da Olga 

Não sei porquê nem consigo explicá-lo. Com uma regularidade precisa e sasonal, reanimam-se na minha memória alguns dos dislates que os concorrentes da "Amiga Olga" nos brindavam. Essa pérola de concurso que já merecia um compacto…
Como aquela vez em que a Olga amiga pergunta ao concorrente qual o primeiro nome de Hitler. O concorrente, um coradinho do campo, geme e contorce-se à procura da resposta, que óbviamente não sabe. Passados uns dolorosos segundos a Olga lança-lhe uma ajuda (daí o “Amiga”) arrastando um aaaahhh… a ver se ele engrena no Adolf.
Mas o bruto desconfia. Meneia a cabeça para os lados. Pequenas gotas de suor escorrem-lhe pela face. As mãos permanecem cerradas. Firmes. Por fim, a vitória, a alegria, a loucura de ganhar um pente. As têmporas estoiram-se num grito eufórico e totalitário:
- Heil!!

LCA

Quando não tem nada para dizer, cite 

"A verdade é tão preciosa que precisa de ser protegida por uma escolta de mentiras."
Winston Churchill

A rubrica "Quando não tem nada para dizer, cite" é patrocinada por Alfredo Barroso, pelas lojas O-que-é-que-tem-?-a-outra-também-não-publicou-um-poema-de-e-e-cummings-? e pela seguradora Winston-Churchill-é-daqueles-que-fica-sempre-bem

AB

CALMA, NÃO DESISTA AINDA! 

Se acaba de chegar ao DESEJO CASAR, por PC, e o seu cursor (do lado direito) desapareceu, não desespere. Vá ao cantinho superior direito do écran e faça "restore down", o que abre uma caixa mais pequena onde o cursor já existe e pode ler todos os posts. Se quiser, depois de "restore down", clique em "maximize" e tudo estará normal. Bom proveito!


Desejo Casar pede desculpas 

Ontem, no correio de Desejo Casar, recebi um email indignado de um dos nossos atentos e fiéis leitores. Nesse curto - mas veemente - texto o leitor expressava o seu profundo desagrado pelo facto de, num post por mim colocado ontem ("O cão, a fufa, o porteiro e a velha"), não ter identificado o principal sujeito desse episódio, dando azo a todo o tipo de falsas especulações e considerações acerca da sua identidade.
Desde já apresento as minhas desculpas, passando de imediato à identificação do célebre cão, figura central do meu famigerado post.
Gramsci de seu nome, o Labrador castanho de quatro anos, para que se desfaçam as dúvidas. Do outro lado da trela, Pedro Adão e Silva, nosso vizinho e amigo aqui no País Relativo.
Por uma questão de princípio, transcrevo o email recebido, à guisa de penitência, esperando que esta não se torne em mais uma polémica estéril, como algumas que têm vindo a assolar a nossa querida blogosfera.

"AU AU!
Au! Au! Au! Au!!! Au! Au!! Au! Grrr!! Au! Au! Au! Au!! Au... Au! Au! Au! Au! Au! Au! Au! Au!!! Au! Au!! Au! Grrr!! Au! Au! Au! Au!! Au... Au! Au! Au! Au!

Au. Au. Au. "



LCA

É o BLOG, ESTÚPIDO! 

Caríssimos, anda esquecido - até pela discrição dos intervenientes, o blog que celebra os encontros mensais do "É a Cultura, Estúpido!", organizados pelas Produções Fictícias. O encontro pode ser mensal mas o blog é actualizado quase todos os dias com pérolas de Nuno Costa Santos e João Miguel Tavares.

JMT, para mim, é a opinião mais respeitável que existe neste país sobre música e cinema, e este blog pretende ser um diário cultural.

LFB

ps: muito obrigado José Machado por me permitires o abandono da idade da pedra. Este é o meu primeiro post com link! Eureka!

O BOTA-DE-ELÁSTICO DA BLOGOSFERA 

Não saber fazer links nos posts faz-me sentir neanderthal. Quem me ajuda?

O Génio numa Língua Estrangeira 

Já o Pedro Lomba (a quem envio um atrasado abraço de "parabéns-bem-regressado-força na verga") referiu no Flor de Obsessão que anda à procura da banda-sonora para este Verão. Encontrei hoje a minha. Andava a adiar a compra de "Music in a Foreign Language", de Lloyd Cole, por conhecer demasiado bem o meu espírito neurótico-obsessivo. Meaning: quando gosto de um álbum ouço-o repetidamente, tantas vezes quanto voltas dá o planeta sobre o seu eixo em 24 horas. Por essas e por outras, ainda tenho uns bons 30 cds por ouvir, aquietados na fila de espera. Confirma-se a doença do foro psiquiátrico.

Mas basta ouvir o primeiro tema, que dá título ao álbum, para perceber que Lloyd Cole é o único cantautor pop que faz um "la-la-la-la-la" soar aos coros de Mozart. E para a neura funciona melhor que um prozac coberto de chantilli servido pelos lábios da Bundchen.

LFB

A "Caras" Iraquiana 

Primeiro foi o “Diário de Notícias”, depois foi o “Expresso”. Mas só quando a “VIP” pegou no assunto é que me decidi a escrevinhar sobre o assunto - perante uma fonte tão credível, um homem tem de assumir as suas responsabilidades. Estes três órgãos de comunicação social resolveram revelar aos seus leitores aquilo que eles mais ansiavam conhecer: a faceta socialite de Saddam Hussein. Famílias inteiras passavam, todos os dias, pelas bancas em busca destes filmes e fotos que nos revelam um Saddam humanizado. Mas, infelizmente, só encontravam dúzias de exemplares de “O Dia”, do dr. Silva Resende. As imagens já chegaram - e mostram-nos um novo homem, junto da família, em produções de fazer inveja a um João de Deus Pinheiro. Saddam poupa-nos a um acto de terrorismo: não nos aparece de calças vermelhas e de camisa aberta, a mostrar o colar e os pelos do peito. Ao menos isso. Mas surge-nos ora de fato branco, ora de farda, acompanhado dos seus, em poses e olhares de um verdadeiro profissional do jet set tuga. Há uma foto que se destaca das outras: a que mostra Saddam e a mulher algures na neve. Cada um olha para o seu lado. Se repararmos bem, o ditador está ligeiramente inquietado com alguma coisa. E nós quisemos conhecer a razão. As boas relações entre a Reuters - agência que distribuiu este material rosáceo - e o Desejo Casar permitem-nos saber que Saddam está assim porque acaba de avistar um grupo de portugueses; um grupo de portugueses liderados por uma tal de Lili Caneças que, ao avistar alguém famoso entre as montanhas, se aproxima numa verdadeira correria ao autógrafo. O destaque dado pela imprensa a um Saddam transformado em pop star de revista de sala de espera faz-nos antecipar as próximas produções. Já estou a imaginar: Uma ida às Docas com Yasser Arafat; A visita ao solário de Bin Laden; A festa de Verão do T-Club com o subcomandante Marcos; Mohammed Saeed al-Sahhaf no bar do Paulo China. Aguardemos pois. NCS

" Negar a essência do seu trabalho, viciar o jogo da liberdade", ainda acerca de Pedro Roll D'Art. 

Eu não conheço o senhor Pedro Rolo Duarte, a quem mando daqui o meu abraço. Também devo dizer que não leio jornais portugueses há para mais de cinco anos, o que é irrelevante para o assunto, e não me tem impedido de fazer abastanza competentemente o meu obsessivo trabalho. A razão porque não leio prende-se com outras questões às quais noutra altura talvez, voltarei.
Eu tenho a certeza que o senhor Pedro Rolo Duarte é boa pessoa, apesar de não o conhecer. Parece fazer parte daqueles portugueses tão próximos que todos temos (por sermos parecidos). Há sempre um primo, um vizinho, um amigo, alguém por quem nutrimos aquela universal boa opinião, ao qual Rolo Duarte faz parte, no capítulo dos humanos, neste País, de nós, os complacentes, os Portugueses.
O senhor faz alusão à incompreensão perante a alegria e o frenesim dos blogueiros que o circundam. Começa bem, até parece educado, para depois, só ao de leve, resvalar.
Fala de pessoas que eu não conheço mas compreendo, pelo pouco que, e volto a dizer, leio e ouço de. Fala dos bloggers como reduzidos à infantilidade e juvenilidade que esta excitação traz. O senhor Rolo Duarte não poderia mais razões, fez a mais concreta e objectiva análise neste capítulo e, se não passasse para o falso mito, que como verão, é perfeitamente desculpável, teria sido uma até uma leitura agradável.
Não é por acaso que atinge criadores. As pessoas criativas, que não vivem de expedientes e editoriais mas sim do impossível mundo da sua mente e do milagre que as ideias são em geral, indisciplinadas, são conhecidas pelos desequilíbrios onde as mentes das letras, às artes, à música, geneticamente recorrem para uma coisa que, desconfio, o senhor compreenderá totalmente, mas compreenderá totalmente só ao de leve, e não me leve a mal.
A fonte de iluminação e inspiração vive na dislexia da paixão exacerbada. Como um escritor, um poeta, um músico ou artista plástico, encontra uma mente criativa, sem querer, acredite, nesta brincadeira dos blogs um meio incompreensivelmente muito mais infantil ainda do que pensa. E é precisamente esta infantilidade, que fazia por exemplo Duchamp ter preguiça, ou Picasso ter amantes, ou Lloyd Wright viver no deserto, que proporciona possibilidades. Isto é reservado a poucos infantís, no entanto. Aos que destroem, por irracionalidade a vida aos que os rodeiam.
Deixe, porventura, o espaço ao incógnito, aquele onde o seu mundo, é criado por outros. BR

segunda-feira, junho 23, 2003

O'happiness! O'joy! 

As boas notícias sucedem-se. Em primeiro lugar este foi o dia de estreia do Tiago Rodrigues e logo com dois magníficos textos da sua Crónica da Inveja; em segundo lugar, são 7 e meia da tarde e a equipa do DC já presenteou a segunda-feira com 14 posts novos; em terceiro lugar, as visitas continuam a subir. Eu cá, com a neura do início de semana, vou-me contentando com estas demonstrações de talento dos amigos. Entretanto, ainda estou a pensar em como escapei de um acidente na madrugada de domingo, por isso não devo postar hoje. Vou-me entretendo em colocar mais uns links, mudar "Archives" para "Arquivos", e alterar o cabeçalho. É uma forma de me convencer de que percebo alguma coisa de informática.

É verdade, a inscrição em latim logo após os nossos nome significa:

CRUEL AMOR, A QUANTO OBRIGAS OS CORAÇÕES MORTAIS!

LFB

Juliette Binoche ou a prova da inexistência de Deus 

Eram, talvez, umas cinco e tal da matina, estava eu na varanda do Lux e, portanto, num momento propício à reflexão, quando me ocorreu o princípio da minha tese de doutoramento acerca de Deus (algo que farei quando tiver terminado a de mestrado e, com ela, tudo quanto resta da minha vida social). Ler o post do Tiago recordou-me a ideia. Então, é assim:
Se Deus existe, tem de ser um Ser sumamente perfeito; se é um Ser sumamente perfeito, então contém em Si todas as perfeições; Juliette Binoche é perfeita; logo, Deus contém Juliette Binoche; Deus, se existe, está em cada homem; logo, cada homem tem uma Juliette Binoche.
Ora, posta a Lógica, passemos a uma demorada análise da realidade pragmática:... ONDE ESTÁ A MINHA JULIETTE BINOCHE?!
Leibniz era um grande filósofo, um destacado luterano e escreveu uma quantidade de coisas optimistas sobre este ser o melhor dos mundos possíveis, criado por Deus e blá, blá, blá... Mas Leibniz tinha um grande handicap: não viveu o suficiente para conhecer Juliette. É aí que toda a sua obra cai pela raiz. Se tivesse habitado o fin-de-siècle, ou teria ido até Paris conquistá-la ou ter-se-ia tornado ateu.
Se Deus existisse, já teria premiado os bons rapazinhos como eu com uma Juliette Binoche. E outros bons rapazinhos que por aí andam com outras Juliettes. E as igrejas estariam cheias. E Leibniz teria razão.

AB

Literatura e blabla 

Eliot, de primeiro nome George e não T.S, deu-me, agora, mais uma achega para a insolúvel questão em que entrei em tempos, na coluna infame, sobre a pretensa incompatibilidade de coexistir numa mulher bonita uma mulher culta e inteligente.
E o que nos diz ela? Diz-nos que a beleza da mulher é um narcisismo que a infantiliza, que neste absorvente processo de se tornar a si mesma um objecto artístico, a mulher se torna autista de si mesma. Que de pessoa autónoma ela se transforma num carácter em busca de autor, ou numa página em branco em busca de uma caneta que a escreva (poético!). Bla, blabla, bla, booooring.

Clara Macedo Cabral

Não há fraude! 

Ontem, na festa, conheci a Charlotte.
E perguntam-me vocês a arder em cusquice: é mesmo uma bomba inteligente?
Assim o dizes- responderei eu: uma exigente do caraças, uma quase-desistente da quimérica beleza humana.
Nota: e fica-lhe até muitíssimo bem a consciência do que se é.

Clara Macedo Cabral

As cedilhas de Camões 

Camões, sabe-se, padecia de forte zurzimento nas cedilhas, descaiam-lhe para os olhos.
Eu cá já as uso com desprimor e desparcimónia, principalmente quando faz qualor!

obrigado ao amigo do guerraepaz, que recomendo. BR

O Cão, a fufa, o porteiro e a velha 

O insólito episódio passou-se este fim-de-semana, numa esplanada de um tasco, numa vila do litoral alentejano. Um grupo de amigos, entre os quais eu me encontrava, reuniu-se em redor de uns caracóis e umas jolas. Um desses amigos trazia o fiel amigo pela trela, um saudável Labrador, de cabeça bojuda e tiques de cachorro pequeno – que não é. Até aqui tudo normal. Afinal era só um grupo de amigos a comer caracóis acompanhados de um cão preso por uma trela. Coisa pouca.
Puro engano. À nossa volta esplanavam-se pelas mesas vários comensais que, como se verá a seguir, seriam os detonadores para a confusão que se gerou. A saber: dois gatos-pingados numa mesa atrás da nossa; um porteiro de discoteca acompanhado de dois amigos; e duas fufas estrangeiras, também a comer caracóis, mas sem estarem muito convencidas disso. De súbito, quando nada o fazia esperar, passa rente à esplanada, no seu passeio de fim-de-tarde, a família pipoca. Este "ex-libris" familiar era composto por uma velha, uma mãe, duas menopausas (leia-se matronas), uma petiz pela mão da mãe, e o avô. Este biltre (o avô) vinha guarnecido com uma camisa de alças desportiva azul cueca, uns calções com riscas de lado, meias com raquetas e três neurónios (dois acamados). Os dados estavam lançados.
Sem perceber muito bem como, gerou-se um enorme alvoroço e toda a esplanada viu-se no meio de um episódio do Twillight Zone. No meio da estrada, vermelho de raiva, o biltre gesticulava generosamente com os braços, gritando impropérios e dando uns ridículos saltinhos de fandango. Estava, como o leitor já deve ter percebido, fora de si. Acusava o cão do meu amigo de ter mordido a perna da velha.
Importa aqui lembrar o leitor que por esta altura a velha chiava, o velho urrava, a neta chorava, o cão uivava e os caracóis encolhiam-se ainda mais na casca, cheios de vergonha e orégãos.
Ao que parece, tudo não passou de um equívoco. No momento preciso em que se aproximava a família pipoca, passou um rafeiro alentejano em contra-mão, dando de focinho com o Labrador do nosso amigo. Como é de apanágio entre canídeos, o Labrador cumprimenta o comparsa com um valente cheira-cú e - todo este episódio me faz crer – deve ter sido um Sr. Cheira-cú (daqueles que fazem os cães derrapar na estrada), pois o rafeiro assustou-se com o cumprimento e, no sofoco do ó-da-guarda, atirou-se para cima das pernas da velha. De imediato a velha guinchou assustada (pensando com toda a lógica que a iam comer viva), o velho acudiu e o rafeiro ala-que-se-faz-tarde.
Foi então que tudo se precipitou. Num ápice, o porteiro da discoteca ergueu o caparro para cima do meu amigo, quase levando a cadeira atrás, exigindo desculpas ao avô da petiz. Fruto de uma mente anabolizante, o porteiro não percebeu nada do que se passara e concluiu que o cão, por esta altura, estaria numa esquina a roer o pé desirmanado da infeliz criança.
O cenário não podia ser pior. Agora não era só o cão que ladrava, o velho que saltava, a criança que chorava, a velha que gemia, como tinham-se juntado à quadrilha um porteiro que ululava e duas fufas estrangeiras que chupavam caracóis. Eficazmente.
Nós tentávamos explicar em vão que tudo não passara de um mal entendido, que ninguém mordera em ninguém, que tinha sido um rafeiro que se roçara nas pernas da velha, mas ninguém cria em nós. A turba queria sangue e não aceitavam menos do que isso!
Na ténue linha que separa a razão da loucura, o grito do estalo, pensei o pior. A qualquer momento, no meio dos ânimos que se exaltavam num crescendo de irracionalidade, o cão podia de facto morder em alguém, o velho podia cair redondo e apopléctico, o porteiro podia ter cheirado o cú da fufa e a outra podia não ter, como estaria certamente no seu direito, gostado do gesto.
Numa altura em que já o trânsito parara e toda a rua olhava para nós, eu virei-me para o porteiro e, olhando para cima, disse-lhe com o ar mais sereno e Dr. Lecter do mundo: “Vai-te já sentar que a conversa ainda não chegou à estrebaria!”. Ao que ele anuiu de imediato, sentando-se mansinho no meio dos amigos.
Obviamente, isto que eu acabei de contar é uma grande mentira. (Por favor, alguém que acorde as dúzias de meninas que acabaram de desmaiar à frente dos computadores, imaginando o meu suposto acto de coragem). Se fosse louco e tivesse dito semelhante coisa, não estava cá para contar a história, que já vai longa e que, felizmente, acabou em bem. Se tivesse dito tal coisa, i.e., se a fala não me tivesse ficado embargada no duodeno à vista de tão ameaçadora figura, eu não tinha regressado a Lisboa no meu carro, mas em duas ambulâncias.

LCA

Inveja da criança que pergunta 

Deus é inerente à natureza humana. Exista ou não, Ele existe. Nem que seja apenas porque nós existimos. No entanto, podemos recusá-lo e até matá-lo. Ou antes podemos entregar-nos a ele. É uma daquelas questões que, de tão grande, facilita que caiamos no ridículo ao falar delas. Sem dúvida que, qualquer pessoa que escreva, nem que seja apenas um diário, sentiu pelo menos uma vez a tentação de escrever sobre Deus, a favor de Deus, contra Deus ou a Deus. Qualquer um de nós quis tratar os assuntos da alma, da espiritualidade, da ligação que qualquer homem ou mulher procura a algo superior e comum a todos os seres humanos. Muitas vezes, dizemos apenas o que já foi dito com brilhantismo por outrém e, por isso, somos inúteis. Outras vezes (e quem anda por este mundo dos Blogs sabe bem do que falo), procuramos a originalidade: uma boa história, uma metáfora, uma piada. Nesta hipótese, não nos safamos automaticamente da vulgaridade, até porque muitas vezes complicamos tanto a linguagem que o assunto se torna acessório.

Agora chega a parte da inveja. Tenho muita inveja de uma criança que suponho até nunca ter existido. Tenho muita inveja da forma quase insuperável como colocou a pergunta certa e exacta. Uma única pergunta que resume centenas das minhas, tornando-as fracas, confusas e inconsequentes. Invejo o poder de síntese desta criança inventada e invejo a sua pureza. Invejo sobretudo o facto de não ter sido eu a inventar esta criança. Foi o Frei Bento Domingues (ao quem desde já envio um abraço invejoso) que me contou esta pequena história, numa conversa onde também estava presente o Luís Osório (que também invejo desmesuradamente e que, tal como eu, vai por certo citar esta história nalgum dos seus textos).

A história da criança que invejo segue nas próximas linhas.

Estamos no velório de uma senhora de noventa anos. A sua filha e o seu neto estão à beira do caixão enquanto os homens da agência funerária colocam a tampa e o erguem nos ombros. O neto, um miúdo de oito anos, pergunta à mãe. “Mãe, para onde vai a avó?”. A mãe, chorosa, responde: “A avó morreu, filho. Agora o corpinho dela vai dentro do caixão para debaixo da terra e a alminha dela vai para o Céu”. O miúdo guarda silêncio por um minuto e depois coloca nova pergunta: “E tu, mãe? Para onde é que vais, quando morreres?”. A mãe responde que também o seu corpo irá num caixão para debaixo da terra e a sua alma para o Céu. Então o miúdo pergunta: “E eu?”. A mãe, um pouco surpreendida, responde: “Tu também, filho. Quando morreres, o teu corpinho vai num caixão para debaixo da terra e a tua alma vai para o Céu”. Então o miúdo diz: “Não respondeste à minha pergunta, mãe. Já sei que o meu corpo vai num caixão para debaixo da terra e a minha alma vai para o Céu. Mas... e eu? Para onde é que EU vou?”.

Tiago Rodrigues

Há dias assim... 

Comprova-se a minha crónica incompatibilidade com o amor: até quando tento escrever um postzinho sobre o assunto, só me saem asneiras...
Aqui há uns dias, deixei um post acerca de The Four Loves, de C.S. Lewis, mas devo tê-lo feito sob o efeito de drogas muito pesadas, porque disse que o senhor estava vivo, quando, afinal, morreu há já quarenta anos.
Tiago de Oliveira Cavaco e M.L. Assis tiveram a cortesia de me enviar mails educadíssimos para me ajudar a corrigir os erros. Agradeço-lhes muito e prometo-lhes que não voltarei a esquecer-me da velha máxima "se bloggar, não beba."
Não foi só na idade do senhor que me enganei; também disse que era católico, quando na verdade, dizem-me, é anglicano. Como sabia que se tornara cristão a partir da sua amizade com o católico Tolkien, tirei essa conclusão precipitada.
Ao que parece, só não me equivoquei numa coisa: o livro é mesmo bom.
Agora, dêem-me cinco minutos. Vou só ali chicotear-me um bocadinho.

Alexandre Borges

A proporção dos piqueniques 

Os apresentadores de TV, para além de insistirem em vestir-se como toalhas de piquenique, dão agora para arrazoar sobre as fortes proporções dos incêndios em Portugal.
Alguém me explica como podem, as proporções, ser fortes? Não é preciso ler Adorno três horas por dia para perceber que proporções as haverá diversas, porém, da forteza ou fraqueza plenas?
Poder-se-á dizer que o Giorgionne na Academmia em Veneza é de grandes proporções. Que os filmes de Andrei Tarkovski têm equilibrio de proporção entre o sonho e o mundo desperto. Que a Marisa Cruz e a Gizelle Bundchen são maternais na proporção. Que o Jorge Gabriel desproporciona as manhãs da terceira idade. Que no trinómio entre estádios, hospitais e PIB deste País há uma desproporção de considerável estofo...
Alguém me clarifica se poderá uma proporção ser forte? Mil macacas me mordam se ouço mais um... BR

O Dom da Inveja 

Finalmente, o Nuno Costa Santos deixou de ser o único guardião da moral e dos princípios da fidelidade e do sentimento de culpa católico deste Blog! Também eu sou casado! Eu sou o Tiago Rodrigues, 26 anos, actor no estrangeiro e seja o que for em Portugal, megalómano e monogâmico por natureza, rapaz simples dos subúrbios de Lisboa. Agradeço-vos a vós, companheiros de Desejo Casar, o convite que me foi lançado, na pessoa do Luís Filipe Borges, a integrar esta equipa.

O que vos prometo e a todos os habitantes da Blogoesfera?

Palavras cheias de invejas, porque acredito que a inveja é um sentimento construtivo e benéfico à sociedade (sobretudo se essa sociedade for portuguesa). Foi por inveja dos deuses que o Homem criou o fogo e foi por inveja do homosapiens da gruta ao lado que o homem começou a desenhar nas grutas a mulher alheia. Quando nos apaixonamos, não é como diz a canção: Foi por amor... Não. A verdade é que foi por inveja. Inveja de que qualquer outro homem pudesse beneficiar das suas gargalhadas e dos seus seios, dos seus sinais nas costas ou do som de tecido a roçar quando usa saias. É sobretudo por inveja que tentamos ser melhores ou que nos mexemos para seja o que for. É por inveja do Figo e do Rui Costa que vamos jogar à bola ao domingo de manhã. É por inveja de todos os escritores que tentamos também escrever. O filão da inveja é interminável assim que penetramos no caminho da condição humana. No entanto, tal como noutras épocas aconteceu com a violência, o sexo, o corpo, a arte ou outras ideias essenciais do espírito humano, temos o dom de tentar recalcar e desprezar a Inveja, em vez de a tratarmos como um «dom».
O que vos prometo é o dom da Inveja.

A partir de hoje, contem com crónicas de Inveja. Tentarei falar dos que invejo, pelos melhores e pelos piores motivos. Tentarei falar das invejas alheias. A palavra de ordem será lançada. A mensagem será espalhada. Invejosos de todo o mundo, invejem! A inveja é meio caminho andado! Quem te inveja teu amigo é! Mais vale uma inveja na mão, que duas ideologias a voar! Deixai vir a mim os invejosos! Heróis da Inveja, nobre povo, nação valente e imortal...

Tiago Rodrigues

Bate leve, levemente... 

Estava eu na praia, sentado na minha rídicula-mas-sabe-que-nem-ginjas cadeira da praia a ler o DNa, quando Pedro Rolo Duarte me ameaça de pancada, assim - sem mais nem menos - por dá-cá-aquela-palha, na sua coluna “Do Editor”. Eu, que uma vez fui sovado por uma sexagenária que me impingia a “Despertar”, fiquei de tal modo abalado que logo me estatelei todo na areia. Em cuidados, fechei imediatamente o DNa, com medo de levar um soco inesperado, saído da página seguinte.
Mais tarde, conforme me explicaram alguns amigos, a prometida pancada não tinha data nem hora marcada, tratava-se somente de uma metáfora acerca da emergente polémica entre os blogues e, aparentemente, o DNa.
Mas, que fique desde já assente, se me voltarem a oferecer pancada (na praia ou noutro sítio qualquer) defender-me-ei como o pintor Santa-Rita, também conhecido como Santa-Rita pintor.
Certo dia, estando o artista na Brasileira em amena tertúlia entre amigos, alguém o alertou para três meliantes contratados, munidos de cacetes, que o esperavam à porta a fim de o medir a “palmo de bengala”. Parece que Santa-Rita, por espírito de contradição, declamara umas acusações políticas bastante críticas para a sensibilidade da época. Num primeiro momento o pintor perturbou-se: físicamente era um palmiças, todo chupadinho das carochas, e não sabia esgrimir um murro que fosse. Mas, logo que recuperou a presença de espírito, levantou-se e foi à porta, dirigindo-se aos três brutos numa voz aflautada:
- São os cavalheiros que estão esperando o pintor Santa-Rita para o sovar?
Um deles aproximou-se, adivinhando a basófia do lingrinhas:
- Somos… o quê?
Ao que respondeu o pintor:
- Os cavalheiros estão mal informados… O Santa-Rita pintor não existe – e, batendo com as mãos no peito ossudo, concluiu – Isto que os cavalheiros aqui veêm é tudo roupa. Existe sim, o sobretudo, o casaco, o colete, a camisa e as camisolas de Santa-Rita… Mas o Santa-rita propriamente dito, não existe.

LCA

Conselho para comediantes da blogosfera e do resto do mundo - Ou revisitação de Ricardo Reis à luz de Fernando Rocha  

Para ser grande, sê brejeiro:
Tudo teu exagera ou exclui.
Sê histérico em cada coisa.
Põe uma piadola sobre sexo no mínimo que fazes.
Assim em cada palco o Rocha todo brilha,
porque baixo vive.


NCS

CALMA, NÃO DESISTA AINDA! 

Se acaba de chegar ao DESEJO CASAR, por PC, e o seu cursor (do lado direito) desapareceu, não desespere. Vá ao cantinho superior direito do écran e faça "restore down", o que abre uma caixa mais pequena onde o cursor já existe e pode ler todos os posts. Se quiser, depois de "restore down", clique em "maximize" e tudo estará normal. Bom proveito!

O DESEJO CASAR SOBRE O TEXTO DE PEDRO ROLO DUARTE 

Esperamos que venha bem bronzeado do weekend prolongado. Agora é tempo de ler o editorial do último DNA

Para saber do que se fala:
http://dnablogue.tripod.com/dnablogue.jpg

e depois os textos do DESEJO CASAR sobre o assunto.

Aparentemente, o post mais machista do dia 

“(...) As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa.
Elas põem a mesa
Ao redor do coração (...)”

(de “Homens que são como Lugares Mal Situados”, Daniel Faria) NCS


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