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sábado, junho 21, 2003

Umbigo manipulado 

Este senhor fala aqui desd'outro.
Aconselho também o livro "Ecology of Fear". Analisa as deviações e o controle executado em LA por uma suposta gestão ecológica. Mike Davis foi talhante e camionista, agora é professor de teoria urbana na SCI Arch (South California Institute of Architecture) dirigida por Michael Speaks que, por acaso, é meu amigo (não percebo esta agora de acusar os blogueres de umbiguismo).
A ultima vez que o vi (ao MD, numa conferência, NY Columbia Univ) bateu tanto no Mayor de LA que eu entretanto voltado a Portugal terei difícil recuperação.
BR

A descodificação do DNa 

(Ainda que, no nosso blog, já se tenham referido a esta questão, não resisto a fazê-lo também. Passo, rapidamente, por alguns outros e noto que a polémica ainda não alastrou. Calculo que se deva ao fim-de-semana e à praia. Segunda-feira, começamos a fazer contas.)
Lamento muito o editorial do DNa de hoje e lamento mais ainda o já não ficar surpreendido com a atitude de Pedro Rolo Duarte. Normalmente simpático e sorridente, escrevendo, amiúde, sobre as coisas que lhe fazem a vida melhor, PRD só se exaltou - que me lembre - quando acusou os golpes disferidos contra o seu suplemento. E acusou todos - a Eito Fora, a Periférica, os Blogs... Lamento também que não seja capaz de assumir que é por ter sido criticado por um blog que se dedica, agora, ao contra-ataque, fingindo que é o puro conceito da coisa que o irrita.
Cheguei à blogoesfera há pouco tempo, mas percebi muito depressa a importância que começa a arrebatar. Miguel Esteves Cardoso, Francisco José Viegas, Pacheco Pereira, José Mário Silva, Pedro Mexia, João Pereira Coutinho são alguns dos nomes ilustres que compreenderam as virtudes dos blogs (virtudes essas que não concorrem com as da imprensa escrita) e que são, por si só, garantia da relevância do fenómeno.
Os blogs permitem que se comente uma notícia no minuto seguinte; que se escrevam apontamentos importantes, sem estar sujeitos a números de caracteres e tamanhos de páginas; que pessoas que se querem e entendem trabalhem juntas, mesmo não tendo tempo nem espaço comuns; que se partilhe um poema que se leu, um disco que se descobriu, uma atrocidade com a qual não se pode pactuar, independentemente de um editor achar que essa informação deva ou não ser publicada, conforme possa ou não aumentar o número de vendas.
Os blogs não substituem a imprensa escrita, nem a rádio, nem a televisão. Não nos entram pelos olhos dentro, quer queiramos quer não; antes, estão escondidos nos labirintos electrónicos onde só entra quem quer.
Os blogs aparecem porque o mundo muda, mesmo que Pedro Rolo Duarte ache que não.
O DNa tem sido criticado porque deve ser criticado, porque tem de ser criticado para seu próprio bem. O DNa é, em geral, criticado por aqueles que gostaram dele e que se sentem defraudados, porque o grande adversário do DNa é ele próprio, o DNa do começo, dos primeiros anos, aquele que todos os que estavam fartos da imprensa diária nacional e dos suplementos desinteressantes ficavam felizes por ler e olhar.
Hoje e já de há uns anos a esta parte, o DNa só interessa raramente. As secções-âncora da entrevista e da reportagem faliram - por culpa das dimensões do País, esgotaram-se os bons entrevistados e as reportagens humanistas, sabe-se lá porquê, quase desapareceram do mapa. A maior parte das páginas são ocupadas com moda, hi-fi, carros e secções mortas já citadas num post do DC. As magníficas fotografias de, entre outros, Augusto Brázio e a inteligência e o humor de Miguel Esteves Cardoso, talvez por cansaço ou pelo pouco arrojo da sua página, não chegam.
Se Pedro Rolo Duarte está rodeado de profissionais do blog, então já deveria ter percebido quem é que está mal, ao invés de fazer ameaças como aquela com que acaba o "Do Editor": "Esperem pela pancada..."
Nós esperamos. Se for dada com as páginas da moda ou dos sons, até é capaz de doer.

Alexandre Borges

O Inadmissível Monárquico 

Eu não admito que começe aqui mais uma polémica blogoesférica.
O que é que têm agora os blogues todos contra o Pedro Rolo Duarte? Haverá motivos para tamanha e tão propalada acicação?
Levantam-se-me todas as questões;
Porquê isto? Porquê aqui? Porquê agora? Quem são vocês para isto, pá? ( Quem é o Pedro Rolo Duarte, já agora?)

Não percebem que ainda se metem em merda ao achincalharem com os membros da Nossa Família Real!
BR

A hora do lance 

Nunca é tarde para ouvirmos Mallarmé quando diz que;
"Um lance de dados jamais abolirá a Luisa Castel-Branco".

Nós, apesar de discordar, concordamos em uníssono.
BR

AS ÚLTIMAS PALAVRAS DE PEDRO ROLL-ON DUARTE 

O dramaturgo ítalo-americano Mário Fratti tem um delicioso livro de contos eróticos cuja primeira história narra os últimos momentos de um conceituado ginecologista. Fratti entretém-se a criar um ambiente de consternação e respeito à volta do leito onde a consagrada iluminária prepara o último suspiro. À volta da cama estão os seus melhores amigos, os familiares mais próximos, os mais fiéis admiradores, todos sem excepção na expectativa de quais serão as últimas palavras a sair da boca do prestigiado moribundo. O último parágrafo é qualquer coisa como isto:

"Então, o sábio ginecologista, por todos admirado, que há várias horas não movia um membro ou emitia um pequeno som que fosse, ergueu todo o seu corpo na cama, arregalou os olhos, e perante a sofreguidão da plateia, antes de cair de novo e para sempre, exclamou:
- Cona!"

E o conto termina assim. De Pedro Rolo Duarte - sim, este post é sobre as suas Impressões Digitais no DNA de hoje - esperava como últimas palavras qualquer coisa como:
- Gajas!
- Bossa Nova!
ou, vá lá:
- Hi-fi!

Mas não. Em vez de nos presentear com uma afirmação seca que condensasse aquilo que tem sido o DNA de há uns anos para cá, PRD fez bem melhor: escreveu um texto com interesse. Coisa que, se bem me lembro, já não acontecia desde o tempo em que o José Cid vendia discos.
O texto de PRD é sobre os blogs e desde já agradeço em meu nome mais uma importante chamada de atenção que fará aumentar o interesse e número de visitantes à blogosfera.

Rolo Duarte podia ter atacado os blogs por várias razões. Ocorrem-me, assim de repente:
a) por serem sites para gajos que não sabem fazer um site;
b) por, em 95% dos casos, não interessarem nem ao menino Jesus;
c) por, na sua maioria, serem escritos em mau português;
d) por serem feitos, normalmente, por pessoas sem quaisquer créditos para apresentar.

Mas não. Surpreendentemente, PRD chama à liça a maioria dos melhores bloggers nacionais, alguns deles da própria equipa do DNA. Diz ele que resolveu falar dos blogs porque "andava com uma espinha cravada na garganta". Usa como pretexto os textos que Carlos Quevedo e Miguel Esteves Cardoso publicaram a semana passada mas, penso eu, a realidade é outra. PRD levou muito a peito os posts recentes do GATO FEDORENTO sobre o seu suplemento. É, aliás, divertido ler um texto escrito com raiva. Normalmente, o frenesi do autor é tão grande que a revisão do mesmo não sai muito bem. Por exemplo, PRD utiliza as expressões "vomitando" e "vomitado". Duas vezes vómito num texto tão curto é obra. Trata com condescendência paternalista o seu próprio editor, José Mário Silva: "o rapaz é discreto e procura não afectar o seu desempenho no DNA por causa do "blogue"" - lembra imediatamente a forma como despachou a equipa da PERIFÉRICA, há poucos dias atrás, baptizando-os de rapazes de Vila Pouca de Aguiar; e conclui a sua apreciação dos bloggers dizendo que se trata de um exercício de vaidade pura (duas vezes "vaidade"), de presunção (duas vezes no texto idem), que lhe cheira a esturro (será do vomitado?), que é uma forma de poupar no psicanalista e de massajar o ego. PRD "não queria meter-se nisto, mas teve de ser" e adianta: "Não tenho pachorra".

Meu caro, aqui vão algumas coisas para as quais "não tenho pachorra":

1) que as primeiras 10 páginas do seu suplemento de 34 sejam ocupadas com fotografias de veraneantes porque - ah, sim?! - "chegou o Verão";
2) que 12 páginas do seu suplemento de 34 sejam ocupadas com uma "reportagem" sobre o "Especial Sons - Frankfurt 2003";
3) que uma página do seu suplemento de 34 páginas seja ocupada com a enésima repetição de Eduardo Barroso, outra com as redundâncias de Camila Coelho, outra com a rubrica mais banal e irrelevante da imprensa portuguesa "Gosto não gosto"; outra - a última - com a milionésima lembrança de um anúncio ancestral (what's the point?), etc.

Estas são algumas coisas para as quais não tenho pachorra. O DNA, contra factos não há argumentos, ficou desde há muito refém do talento de muito poucos. Sobretudo depois de perder as reportagens, crónicas e entrevistas de Luís Osório. Basta ver o número de cartas de leitores que, ainda hoje, pedem o seu regresso. De resto, podia demorar-me tranquilamente e com prazer a desmontar a pobre realidade deste suplemento, mas a verdade é que esse bolo já foi muito bem confeccionado por MG e RAP no Gato Fedorento, e com as devidas cerejas no seu topo.

PRD assume que, apesar das explicações de Edson Athayde, não percebe muito bem "essa coisa nova da net". Compreendo, o meu pai também está na andropausa e, por vezes, tem dificuldade em aceitar "as coisas novas". Não há mal nenhum nisso. Mas pergunta: "o que escrevem eles no "blogue" que não possam escrever no Diário de Notícias? Que espaço estão eles a ocupar na rede que deveria ser exclusivo dos que, pelo contrário, não têm acesso às páginas de um jornal?".
Rolo Duarte não compreende que ele é um dos responsáveis pela febre dos blogs. Não percebe que é precisamente por objectos inertes, preguiçosos e parados no tempo como o DNA, que muitas pessoas estão a descobrir a blogosfera. Não aceita que há um público que procura a novidade, a ousadia, a graça. Mais ainda quando PRD escreve chalaças como "Tenho dúvidas sobre se o nome dele (José Mário Silva) não mudou para José Mário Blogue".

nota: o leitor deverá acrescentar aqui uma gargalhada enlatada.

Acusa os bloggers de não "terem lata, ou coragem, ou vontade de "vender" nos jornais onde podem e devem publicar o que pensam". Ora bem, é por demais evidente, para qualquer pessoa de bom senso, que a dúzia de muito bons blogs que, para já, possuímos, se evidenciou precisamente por lançar uma nova geração de cronistas. Como poderia ser isso possível na imprensa portuguesa, na qual - de há uma boa década para cá - não surgiu um único digno de registo?

Rolo Duarte, envergando a capa de Legislador, propõe uma "reserva legal" à blogosfera. Nela só poderiam editar aqueles que, "pelas mais diversas razões, não têm espaço próprio nos meios de comunicação". Talvez se refira à "gente anónima", "cheia de raiva", que vai ao ponto de identificar: Ricardo Araújo Pereira e Nuno Centeio.
É um facto que não constam relatos de que estes dois bloggers alguma vez tenham sido fotografados pelas revistas do social.
Todavia, é de bom tom salientar que, para um morto que ainda não recebeu o aviso das Finanças, PRD ainda dá umas voltas valentes na campa: depois da azia contra a Periférica, ainda lhe restou muito asco. E desconfio que não ficará por aqui - para gáudio dos apreciadores de uma boa polémica. Entretanto, o cosmopolita Pedro lá se vai entretendo, semana após semana, em passar uma forte camada de desodorizante - seguramente de boa marca - no seu pré-defunto suplemento.

Por mim, dou hurras à liberdade de expressão e de contacto que a blogosfera proporcionou e que me permite escrever a próxima frase em discurso directo: as páginas de carros e estereofonias são pagas com bom dinheiro - sugiro-lhe que pegue nele e pague convenientemente às pessoas que se encarregam da secção dos LIVROS, a única pérola constante que sobra no DNA. A pequena aldeia que resiste ainda e sempre (?) ao invasor.

A grande ironia de tudo isto, para terminar: o DNA é, desde há mais tempo do que é aceitável, em traços gerais, um suplemento edificado por meia dúzia de amigos, dados a umbiguismos, sem conceito editorial aparente. Não vos faz lembrar nada? A primeira palavra que me vem à cabeça é "diário". Aliás, se estendermos um pouco o raciocínio, percebemos que o DNA de hoje (e que magnífico foi outrora) tem as mesmas características do blog-médio português. Com duas pequeninas diferenças: não está on-line e... ah!, ao contrário dos blogs, envolve dinheiro. Talvez nesse pormenor onde se lê "amor à camisola" também se possa encontrar outro conceito: dignidade.

Luís Filipe Borges

PS: aguardemos as cenas dos próximos capítulos e que alguma boa alma caridosa faça chegar esta opinião ao destinatário.

DEZ REGRESSOS 

Hoje à noite, na excelente Livraria Solmar, em Ponta Delgada, Nuno Costa Santos lança oficialmente nos Açores o seu primeiro livro, DEZ REGRESSOS - com apresentação de Francisco José Viegas.

Não é por ser um dos meus melhores amigos que digo isto - e o Nuno sabe-o - é porque todas as oportunidades são poucas para recomendar este belíssimo livro, um romance escondido sob a forma de pequenas novelas que se cruzam. Magnífico.

LFB

DIABO DO DICIONÁRIO! 

Pedro Mexia sobre a condição do blogger e a sua própria ascensão como ícone da blogosfera. Vão aqui à coluna da direita que nenhum de nós sabe fazer links. Imprescindível.

LFB

O SACANA DO MEU AVÔ 

Estou eu, calmamente, a saltar de link em link, quando - no AVIZ - deparo com um post intitulado BORGES. Rejubilei. Francisco José Viegas, o único português que já escreveu sobre tudo, tinha acabado de me descobrir. Nem me deixei, tampouco, esclarecer pelo inesperado espanhol que sucedia ao título. "Muito bem", comentei para o meu amigo imaginário, "as fontes de FJV são bem informadas". O homem tinha dado com um livrinho editado pela Desierto, no México, onde estão uns poemas meus. Melhor ainda, citado pelo Francisco aquilo até nem soava a uma letra do Henrique Iglésias.
Estava eu a abrir uma garrafa de champanhe quando, susto atroz, dou-me conta do meu último livro de cabeceira, ESTE OFÍCIO DE POETA, de Jorge Luís Borges. Era ele, afinal. O cabrão do argentino caga-olho com quem estou cada vez mais parecido desde um inchaço na pálpebra esquerda que nasceu algures na noite de quarta-feira. Raios. Lembrou-me logo o momento em que, numa soalheira tarde na Feira do Livro, peguei na dita obra e comentei para com a minha actual companheira sentimental (desculpem o termo - ando a ler demasiadas crónicas da Júlia Pinheiro):

- Olha, cá está... o livro do meu avô!
(pausa)
- A sério?!

Não se riam. E se encontrarem a mulher perfeita, nunca a levem a passear à Feira.

Luís Filipe Borges

sexta-feira, junho 20, 2003

MAIS AGRADECIMENTOS E PONTO DA SITUAÇÃO 

Desta vez o DC agradece as referências elogiosas da Bomba Inteligente, de Os Putos e do O Meu Pipi, um dos mais bem escritos blogs nacionais.
De resto, e vão desculpar a basófia, o BLOGO aponta-nos como "Blog do Momento", no Pastilhas o DC está como "eminentemente fabuloso" e o nosso número de visitas é surpreendente. Enfim, já que isto é de graça, exultemos pois.

Aqui vai, mais para consumo interno do que outra coisa: segunda-feira, dia do lançamento oficial, 330 visitas. Terça, 380; Quarta, 450; e, para espanto nosso, quinta - feriado: 370 e hoje, sexta, véspera de fim-de-semana e "ponte" para muitos, já passámos as 320. Pessoal, vamos manter a regularidade e o ânimo. A festa das 10.000 visitas pode estar bem mais próxima do que imaginávamos!

Aprendam com as brasileiras! 

Às mães de Bragança juntam-se agora as mães da Guarda e de outras aldeias da Beira interior.
Esta é mesmo uma praga pior que qualquer pneumonia atípica e que assolará os nossos tempos mais próximos! 750 mil brasileiras andam à solta pela Europa para poderem simplesmente sustentar os filhos que deixaram na terra, regressar um dia, comprar casa e montar o negócio da reforma.
Já sabiam? Claro, mas há algo de novo, agora. Estas brasileiras, munidas de uma bitola de comparação internacional, revelam que o "português é porco, rude e analfabeto". "Os homens só querem saber de futebol, amigos e de bebedeiras".
Falarão apenas do português do mundo serrano e interior? Tenho as minhas dúvidas.
Depois disto o que me indigna é ainda haver quem estique um dedo acusatório, a pôr as culpas na falta de "sex appeal" das mães portuguesas, caramba!
Se são as próprias brasileira a afirmar o respeito que têm pelas mães que "andam na horta, conduzem o tractor, cuidam da casa e dos filhos" e a compreender a falta de desejo em relação ao tuga rude, a tresandar a vinho, "quem tem vontade de lhe satisfazer os apetites sexuais?" A elas, brasileiras, só as move mesmo o dinheiro.
Ouçamos ainda das brasileiras um recado que deixam às mães portuguesas: "nós não somos burras como as portuguesas. Não dividimos o dinheiro com ninguém. Não precisamos de nenhum chulo para olhar por nós. A mim quem me guarda é Deus".
Que inteligentes! Estas brasileiras só têm a minha admiração! Mulheres portuguesas: mães, trabalhadoras, chefes da casa, dignas também da minha admiração, solidariedade e estima, só vos falta uma coisa, inteligência, e é com as brasileiras que têm que aprender, esses homens não valem os vossos trabalhos, tratem-nos apenas como as brasileiras os tratam!

Clara Macedo Cabral

Sr. Embaixador, queixa-se de algo? 

Depois de nos ter anunciado que o MNE estava em falência e que os diplomatas passavam a ser julgados pelos resultados comerciais, leia-se, subida dos níveis de investimento e fluxo turístico, Martins da Cruz sempre no mesmo registo prosaico e sugestivo vem-nos, agora, ensinar que : " os centros de decisão hoje em dia estão onde está o telemóvel. Decide quem tem o telemóvel para telefonar, para fazer diplomacia, para fazer negócios.".
Ok, portanto, não estranharemos que no meio do cocktail o toque do telemóvel do Sr. Embaixador o ausente, momentaneamente, dos seus convivas, quem sabe, o impeça mesmo de ali regressar. Bravo, que saída airosa.
Desculpem-me, mas com desculpas destas, eu vou ali e já venho.

Clara Macedo Cabral

SEX-APPEAL ILHÉU 

Os sítios, alguém dizia, é coisa que não falta por todo o lado. Mas, em Lisboa, há uns sítios que os açorianos escolhem como centros de encontro. Pequeno breviário das expressões "açóricas" e desse curioso appeal que o ser-se açoriano contém para quem não o é. Sexy? A ver vamos.

Comecei a reparar numa coisa: quando conheço alguém e me apresento como açoriano, desperto - como que instintivamente - um qualquer desejo superior na outra pessoa. Esta sente, desde logo, uma incontrolável vontade de saber mais, quantas ilhas, quantos calhaus, quantas palmeiras, quantas pessoas, quantos carros, quantas vacas há. E, claro, não pode faltar o típico: "que giro!, mas não tens sotaque!".
É verdade, sou terceirense - e a ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo não conseguiu fazer valer a sua pronúncia, feita de expressões brutas, cantadas no fim, que - à laia dos brasileiros - suprimem os "R's" finais: afinal, isto é p'ra comê ou p'ra bebê?
Explico, desde logo, que o sotaque, o badalado e famoso sotaque - micaelense, é uma mistura das pronúncias alentejana e algarvia, às voltas com um francês mais ou menos macarrónico da Flandres, que surgiu do cocktail explosivo das origens dos colonizadores do grupo oriental.
Ser açoriano tem sex-appeal, conclusão. Ou, pelo menos, dá motivo para longas e curiosas conversas, muito para lá das banais discussões sobre a música ou o tempo ou o que estudas ou o que fazes, ou sei lá mais o quê. Confesso que "jogo para a piada" e não me coíbo de surripiar o sound micaelense, interpretando algumas frases no sotaque dos coriscos mal amanhados. Mea culpa. Não resisto. E as miúdas adoram - que culpa tenho eu - o meu pai é da Beira Alta - de não falar "terceirense" como deve ser?
Quem nos quiser ver (aos açorianos - que atraentes somos!), pode dirigir-se a dois sítios primordiais: a Casa dos Açores, de domínio maioritário terceirense; e o Café Suave, numa pontinha do Bairro Alto, território predominantemente micaelense. É aí que damos asas às expressões que nos caracterizam, sim, porque nem só de pronúncias se faz o sex-appeal. Um terceirense diria que "está a render...", enquanto o compincha da ilha verde diria, "isto agrada às besugas!". Na verdade, o que interessa mesmo são as fâmas (ou belas femas)!
Elas deliram, mesmo com as calafonices. É vê-las escancarar o sorriso perante conceitos inusitados como "friza", "sanabagana", "raiuéi", "pana", "spide", "estôa", "basão", ou cruzar languidamente braços e pernas ao som de nomes e lendas e histórias da América. Ah, Xailes Negros, o que fizestes por nós!
E tantas expressões mais se podiam apresentar - Onésimo Teotónio d'Almeida, onde estás quando mais precisamos de ti? - calculo que responderia: "Vôu-te sofrâ!!".

E, se tempo houver, escolheremos mais sítios, beberemos mais copos ao som de boa música e boa conversa e escreveremos lendas novas nas cidades mais velhas que nós - ...porque é que eu tenho esta mania de puxar a lágrima? Olha, tenho uma baleia no canto do olho!, tenho uma baleia no canto do olho, tenho uma baleia no canto do olho...
Imagino-me no Peter's do Parque das Nações, onde alguém explica a um fascinado grupo de meninas a história da famosa foto do Rei dos Mares (aquela onda que desenhou o perfil de Neptuno em plena tempestade no Faial). E o meu gin tónico, "poderes de bom", está como esta crónica, "a modos" de acabar.

Luís Filipe Borges

Agora, o amor 

Depois de uma breve reflexão acerca da distância que me separa do casamento, faço, agora, um pequeno post acerca do amor.
Não sou, com certeza, a pessoa mais avalizada para falar sobre o assunto, pelo que apenas vos venho direccionar para um autor e uma obra.
O autor é C.S.Lewis e a obra The Four Loves - imperdível. O norte-americano escreve este livro no ano passado, à luz, já, do 11 de Setembro, e está em melhor forma que nunca. Passada a introdução, desfilam quatro ensaios a que correspondem quatro tipos e estádios diferentes do amor: o afecto, a amizade, Eros e a caridade. Há uma ideia brilhante e uma frase luminosa praticamente a todas as páginas. Lewis é católico e não o esconde, mas, no essencial, The Four Loves pode ser lido e apreciado pelo mais céptico dos ateus. Lúcido, sólido e, potencialmente, inesquecível. Não está traduzido para Português, mas encontra-se na livraria internacional da Fnac.
Ainda me vão agradecer esta sugestão.

Alexandre Borges

crime antigo 

Praticamos, neste momento, uma cruzada justa contra o plágio. Mas, se virmos bem, andamos há séculos a plagiarmo-nos uns aos outros. Sentimentalmente, sobretudo. NCS

O termómetro da Dor 

Vi nos noticiários uma manifestação algo tocante. A manifestação contra a Dor há dias por algumas centenas de pessoas.
Em primeira análise poderá parecer mais um daqueles lamentos típicos do nosso pacato povo. Aliás poderia até mesmo ser O lamento certo do nosso povo, porque A Dor, a saudade, o fado e a complacência são as características mais comuns pelas quais somos conhecidos.
No entanto, neste misto de indiferença e paradoxo (não deixa de ser estranhíssimo uma manisfestação pública contra um entidade que não tem placa na porta, nem porta sequer) lembrei-me do livro de Elaine Scary, The Body in Pain (Oxford University Press, 1985).
Neste livro a autora analisa a dor e entre outros o facto de não haver forma de poder medir a dor. Ou seja, um médico, por exemplo, tem sempre que se guiar pela mais abstracta descrição do Doente (aquele com Dor). Doi onde? doi muito ou pouco? É intermitente, tipo moinha, ou vai e volta? etc, etc, etc.
Estes factos desarmaram-me, pela surpresa, quando li este livro no verão tórrido de 1998 em NY.
O calor e esta simples demonstração de humanismo, fizeram-me viajar no tempo e nas páginas. BR

quinta-feira, junho 19, 2003

CALMA, NÃO DESISTA AINDA! 

Se acaba de chegar ao DESEJO CASAR, por PC, e o seu cursor (do lado direito) desapareceu, não desespere. Vá ao cantinho superior direito do écran e faça "restore down", o que abre uma caixa mais pequena onde o cursor já existe e pode ler todos os posts. Se quiser, depois de "restore down", clique em "maximize" e tudo estará normal. Bom proveito!


PORTUGAL DE CALÇÕES 

É o título do livro de Afonso de Melo, nosso colega do DC (que tarda em aparecer). A edição é da Oficina do Livro e provou-me que até esta editora consegue, de vez em quando, publicar coisas para lá da mera mastubação criativa dos seus autores do costume.
É um livro que está a vender bem e foi (mal) publicitado como sendo sobre as peripécias da selecção portuguesa no último Mundial. Esse é apenas o pretexto para que o autor, presente durante toda a campanha, nos delicie com um livro de viagens em que o afecto que Afonso tem pelas pessoas e locais do mundo é oferecido ao leitor em embrulho de loja fina, com lacinho de seda e um beijo da Isabel Figueira por cima. Afonso de Melo consegue nunca perder a paixão, mesmo quando escreve sobre aquilo que não gosta. Altamente recomendável, de leitura fácil, um livro "devorável".

Ah, é verdade... em relação a esse Mundial percebe-se que, sim, o Oliveira é uma besta.

LFB

ESTREIA SÁBADO 

As
Produções Fictícias
apresentam


Manobras de Diversão
FECHADO PARA FÉRIAS

Ah, o Verão! O sol, as férias, a praia, as miúdas em biquini, o apartamento em Quarteira, a roulotte junto ao esgoto a céu aberto, o "Ó Bruna Carina não vás para a água!", as bichas para chegar à praia, o jet-ski e o jet-set, o rádio em altos berros, os telemóveis, as escutas, a Moderna e o Portas, a Felgueiras, a PJ e a Felícia… e um espectáculo para descansar de tudo isto.

Fechado Para Férias tem Bandeira Azul.

Com
Bruno Nogueira
Carla Salgueiro
Manuel Marques
Marco Horácio
Sofia Grillo
e Ana Ribeiro

Direcção de actores
Marco Horácio
Com Sónia Aragão

Textos
Luís Filipe Borges
Maria João Cruz
Nuno Artur Silva
Nuno Costa Santos
Nuno Markl

Coordenação de textos
Nuno Costa Santos

Direcção Geral
Nuno Artur Silva

Produção
UAU

Estreia 21 de Junho
Jardim de Inverno do Teatro São Luiz
quintas, sextas e sábado, pelas 23 horas, até dia 26 de Julho
Bilheteira (13h às 19h) – telefone: 21 325 76 50

Desejo? 

A minha primeira reflexão acerca do nosso blog.
Só agora reparo que ainda não me pronunciara acerca do título. Por isso, resolvo já o assunto.
Não creio que deseje casar. Ou não quero mesmo, pronto. O Nuno já deslindou o mistério do cabeçalho da página - ele é o casado e muito bem casado, felizmente, com a mulher perfeita. Tenho outros amigos que também são casados, bem casados, com mulheres perfeitas. Mas eu gosto, cada vez mais, das imperfeitas, o que resulta num grave problema: o embaraço da escolha - há mulheres imperfeitas por toda a parte. Já estou longe da mulher ideal, longe também da mulher quase ideal com um defeito ou dois; hoje, só mexem comigo mulheres muitíssimo imperfeitas. É pelos defeitos delas que rezo e é a meio das suas contradições que vislumbro e traço um caminho.
Mas, assim, não vou a lado nenhum. A cada mulher egoísta que conheço, vem uma esquizofrénica a seguir e, depois, uma suicida. E por aí adiante. Para onde quer que olhe, há uma paixão possível e eu vou-me deixando fascinar por casos cada vez mais complexos. Como casar?

Alexandre Borges

SAUDAÇÕES, ROMÃO! 

Para saudar a entrada de Miguel Romão no DC. O Miguel tem 26 anos, é professor na FDL, está a preparar a tese de mestrado, fundou a INVENTIO, foi sócio-gerente do www.fra.pt e integrou a equipa do programa ZAPPING (rtp-2). Bem-vindo!

JÚLIO VERNE E CARACÓIS 

Moro em frente a uma taberna sem nome, uma das sete tabernas sem nome que ainda restam em Lisboa, por manifesta incúria das autoridades sanitárias, pelo menos neste caso. Lembro-me que, no dia seguinte a ter mudado para esta casa, achei que vivia perto de um café e fui lá, oito e meia da manhã, tentar beber uma "meia de leite de máquina". Não tinham chávenas. Bebi uma espécie estranha de galão e percebi que não era um café.
Se regresso a casa a meio da tarde, por vezes tenho bêbados a dormir na rua, amparados pela sombra do prédio. É um bairro típico, com vista para o rio. A taberna tem sempre, desde há uns meses, caracóis e movimento imparável todo o dia. Os seus donos são um casal simpático e que me trata bem quando me vê, apesar de eu nunca lá ter ido mais – mas até gostava de voltar.
Ontem, fim do dia, a dona estava sentava na soleira da porta, a ler. Tive de tentar descobrir qual a leitura, depois da estranheza habitual. É uma estranheza tonta, aliás. A leitura é livre e os preconceitos não. Não consegui ver o título e não quis interromper, mas vi o autor: Júlio Verne.
Ninguém hoje lê Júlio Verne, que eu saiba. Eu li qualquer coisa (dois livros, um especialmente aborrecido, que no título falava de um bilhete de lotaria), há dez anos atrás. E confesso que não gostei muito. Ninguém fala hoje de Júlio Verne. Mas senti-me bem ao ver que a senhora estava a ler Júlio Verne, devotadamente. As maravilhas do futuro chegarão um dia às últimas tabernas de Lisboa. E é sempre bom pontuar os caracóis com autores que, pelo menos, sabem pontuar.

Miguel Romão

VAMOS TODOS A UM LUNCH NA LIXA 

O facto de andar a apanhar doenças desconhecidas há cem anos, através de micróbios alojados em folhas de papel que ninguém lê há, pelo menos, duzentos, a tentar fazer uma suposta tese, serve, entretanto, para apreciar a realidade de hoje com a pretensiosa elegância que a História dá... Ao ver, há dias, a sra. Fátima Felgueiras nas televisões, e recordando as exultantes manifestações de ardor popular no seu concelho, lembrei-me de uma leitura recente – do "Glória", de Vasco Pulido Valente, numa edição da Gótica (que recomendo). E cito, numa passagem que em o autor se socorre também de cronista da época, para ilustrar o tal apego popular do Norte aos seus ídolos, neste caso José Cardoso Vieira de Castro, parlamentar em visita aos seus eleitores:

"Vinha ele de Vila Real (onde havia sido muito "afectuosamente" acolhido) com destino a Fafe, e presidira (...) a uma pequena cerimónia em Amarante, quando p preveniram que o Ex. Sr. António Teixeira Marinho (o potentado da Lixa) pusera "à sua disposição um rico trem para o conduzir". Nas ruas, o povo de Amarante, "aglomerado num êxtase de entusiasmo", esperava "ansioso" a presença de "tão profícuo talento". Quando soube da nobre gente que lhe queria manifestar a sua gratidão, Vieira de Castro, indiferente às "fadigas da viagem" e desprezando frívolas "comodidades", abraçou muitos "cavalheiros de Amarante", agradeceu ao povo e, escoltado por uma dúzia de "notáveis", saiu ao encontro dos seus fiéis da Lixa.
Quando chegou ao entroncamento entre as estradas de Amarante, do Porto e da Lixa, já lá estavam "cinquenta e tantos conspícuos" cidadãos da Lixa, o presidente da Câmara de Fafe, o dr. Peixoto (...) e uma "excelente banda de música de Amarante" (...). Desde o entroncamento à Lixa apareceram bandeiras "engenhosamente colocadas nas janelas", "girândolas de foguetes"; e também "morteiros" (...). O povo "espontâneo", "ardendo em contentamento", queria vê-lo, queria "admirá-lo", queria "saciar as expansões do seu desejo" e por isso, o "cercava", "lhe embargava o trânsito" e só se deu por satisfeito, quando Vieira de Castro, "sempre afável e delicado", consentiu na sua apoteose. (...)
Veio a seguir um "surpreendente" lunch, oferecido pelo dr. Martinho, "que rinha a magnificência dos mais edificantes manjares, próprios para tal acto." (...) O lunch acabou às três e meia e o "herói", exausto por tão "aturados" triunfos, pediu que lhe permitissem descansar. (...) Às cinco horas Vieira de Castro mandou dizer que se achava recuperado do "sofrimento da jornada", uma notícia "imediatamente acolhida com música e repetidas artilharias de fogo para o ar". (...) Às 7 horas, anunciou-se o jantar, "servido esplendidamente, como nunca se havia visto" (...). Após o ágape, começaram os brindes. Um tal sr. Vieira (nenhuma relação com Vieira de Castro) dirigiu-se primeiro ao sr. Marinho, que "engenhosamente definiu" como um dos grandes "filhos de Felgueiras" (...) "Ninguém faltou em se juntar ao Ex. sr. Marinho com impulsos de leal sentimento e de visível cordialidade, significando assim ao sr. Vieira de Castro o apreço e consideração" que lhe dedicava o concelho de Felgueiras." (pp. 187 a 189).

Faz lembrar qualquer coisa? A geografia de Portugal não está nos mapas, está no tempo que não passa.

Miguel Romão

Olhamestes 

A página de Blogs do Sapo, Blogo,logo existo, anixou o DC ali na moldura dos blogs do momento.
Esperando que com isto não estejam a desejar-nos o abrunhosa, façam imediatamente o favor de nos enviar a vossa conta bancária. e a morada, temos cabazes (mandamos strippers ao domicílio).

O trilema do arquitecto desconfiado 

Desconfio que neste fim de semana vou tentar uma novidade curiosa. Estar em três sítios ao mesmo tempo.
Já várias pessoas avalizadas me garantem não trazer efeitos colaterais.
Há semanas comprometi-me estar amanhã em França, no aniversário de uma arquitecta amiga. Como é obvio, não poderei faltar. Ela faz 30 anos e a festa é em uma simpática casa de campo a 70 km da cidade das Luzes.
Igualmente amanhã, e estando já comprometidíssimo há meses, lá estarei em Ponta Delgada no lançamento do livro Dez Regressos do meu melhor amigo, o Nuno Costa Santos. O livro comoveu-me, diria estar a despontar um genuíno e verdadeiro talento, em uma pessoa genuína e verdadeira.
Obviamente só isto seria tarefa de um certo afâ mas nada difícil. O problema está em conseguir, ao mesmo tempo, ficar cá no rectangulo para ter uma reunião de apresentação de um plano urbano. É provável que também vá á praia, se as pressões e as temperaturas se mantiverem aprazíveis . BR

Online, com um castor debaixo do braço  

O Joaquim Matoso do “O Carapau Inchado” cita o Andrade e Sousa do “Hermenêutica com Chocolate”, que por sua vez é citado pelo Afonso Gastão do “Faz um Blog e Aparece!”. O Fernando da Costa Lima do “Chamussa Lírica” elogia o Pinheiro Matateu do “Rinoceronte Anão” e refere-se com agrado ao Soromenho Dias do “O Meu Pópó”. A blogosfera satisfaz-se, muitas vezes, na auto-citação. Os bloguistas citam-se uns aos outros como colegas de redacção dos velhos jornais do Bairro Alto. Baptista-Bastos, mestre no género, já merece um blog. NCS

KIDS ON THE BLOG 

Acabou há 15 minutos o "Escrita em Dia", na Antena 1, onde Francisco José Viegas conduziu com o talento do costume uma agradável conversa entre Nuno Costa Santos (DC), Pedro Lomba (livre no mercado), José Mário Silva (Blog-de-Esquerda) e Pedro Mexia (que anunciou o inevitável: vai voltar com o sugestivo DICIONÁRIO DO DIABO). Já adivinharam, claro, foi uma conversa sobre a blogosfera. Obviamente interessante atendendo ao nome dos interlocutores. Puxando a brasa à nossa sardinha, citemos NCS: "Devemos, todavia, relativizar a importância da blogosfera. Nenhum de nós, em pequenino, sonhava ser bloguista mas sim jornalista ou escritor".

É bem. E está certo.

LFB

quarta-feira, junho 18, 2003

A vida dos Vizinhos 

Descobri um enigma que veio trazer outro tom ao que julguei ser uma banal obra no prédio.
Os meus vizinhos do piso de cima sempre foram um pouco inconvenientes. Com barulho, passos, sons, etc, lá pontuam as minhas chegadas a casa e os meus levantares.
Há uns tempos embarcaram naquilo que pensei ser umas valentes obras. Marretadas, lichadelas, emparedamentos e aberturas de ligações entre cozinha e sala. Na altura nem me fiz muito rogado. A Laura (a minha mulher preferida no planeta) estava grávida em Itália, o que me manteve em constantes viagens, longe das obras. Entretanto acabaram as estrepitantes marretadas, voltando as outrora clássicas maratonas de aspirador madrugador, corrida em fandango com galochas e a mítica descarga profunda de óttoclishm. Home sweet home.
Há dois dias aconteceu o improvável. Enganei-me no piso e, sendo o dia da empregada lá ir e não estranhando a porta entreaberta, entrei em casa. Deparei-me com um cenário difícil de vos explicar e só após uns longos segundos percebi onde estava (no andar de cima, o 7º).
Ao virar do hall, encontrei umas ervas soltas com terra, tipo sujidade de bota mal limpa e fui lá com o pé intrigado. Vi então o irreal, o corredor substituído por um longo campo, com erva, relva, flores, um tortuoso riacho e até umas fiadas de choupos, com sombra aprazivel. Ao passar uma suave colina deparei com um enorme, enormíssimo e fundo buraco, naquilo que consegui deduzir mentalmente ser aproximadamente a zona mesmo por cima do meu quarto, entre pedras soltas, terra e uns cantis a um canto. Espreitei com curiosidade e não é que lá no fundo, por entre a poeira, vi os meus vizinhos, a dormir. Estavam aninhados, pressuponho que aproveitando as horas quentes do dia para descansar, entre um gigantesco esqueleto ainda semi-descoberto. Pelo que consegui ver, entre o lusco-fusco, descobriram um animal maravilhoso, bíblico provavelmente. Um místo de Rentaurosex com asas de pinguim e um longo e escamado dorso tatuado (tatuagens estranhas. Reconheci uma página do NY Times sobre a estreia do Requiem para um jovem Poeta, de Zimmermann, a que assisti em 99 no Lincoln Center, com a foto já desbotada de Mayakowsky). Enpunhava um pingalim. Soltei uma gargalhada por finalmente ficar explicado o enigma do barulho. BR

O pai e o tirano 

Dois novos livros portugueses, ambos altamente recomendáveis, um escrito à luz de um pai, o outro à sombra de um tirano. O primeiro chama-se Quanto Tempo - Uma Criança No Olhar, de José Manuel e Luís Osório; o segundo é Al-Jazeera, Meu Amor - Da Cimeira Dos Açores À Tomada De Bagdad e é da autoria de Joel Neto.
Luís Osório já havia antes, em "Portugalmente", conversado com José Manuel Osório, o pai ausente, diante do comentário público, pelo que, para dizer a verdade, não tinha muitas expectativas em relação a este novo diálogo. Mas, afinal, muitos sentimentos continuam a ser escancarados diante das perguntas e respostas entre estes dois homens cujos olhares escolheram sempre direcções totalmente diversas. O espanto, a comoção, o respeito e a pura e simples estupefacção tomam, amiúde, aquele que lê. É claro que é estranho e discutível se um pai e um filho devem ou não editar um livro com uma conversa sua, mas o que importa é que a sua leitura pode e vai, com certeza, contaminar todos quanto a ela se dispuserem. O sexo, o fado, a política, as viagens, a família e a morte, a partir de duas razões invulgares.
Joel Neto viajou para Doha, no Quatar, como enviado especial do "Correio da Manhã" à guerra no Golfo e, no regresso, aceitou o convite para reunir as suas crónicas em livro. Mas o resultado não é um mero compêndio de crónicas, não é um texto datado, não é, sequer, um livro sobre a guerra. Mas é bom; a espaços, muito bom mesmo. Al-Jazeera, Meu Amor é, à sombra da tirania de Saddam Hussein e da luta entre aqueles que o atacaram e aqueles que o defenderam, um livro, sobretudo, sobre o jornalismo de guerra, sobre o bom, o mau, o possível e o impossível jornalismos de guerra. E, lá dentro, bem lá dentro, perdidas entre muitos relatos, estão as reflexões de um homem, quer queira quer não, ainda a crescer. É da humanidade e da sinceridade com que escreve Joel Neto que se fizeram os grandes contadores de histórias.

Travessia enviesada 

Confirma-se. Atravessar a rua fora da passadeira dá mesmo direito a multa! Que o digam os trinta peões que em Faro foram multados pela PSP, que os aguardava do outro lado da estrada numa emboscada muito bem montada. A multa ascende aos seis euros e pode chegar aos trinta se o infractor se recusar a pagar. Se fosse comigo, dizia logo ao polícia:
- Foda-se! Roubaram-me a mota.

LCA

A MINHA AVÓ E O ZAPPING - uma definição de Serviço Público 

A minha avó materna vê televisão desta forma singular que, no mínimo, dá um novo sentido ao conceito de zapping. Se não o destrói, mesmo. Está o meu avô, refastelado no sofá, com esse instrumento supremo do gozo individual na mão (ler: o controlo remoto), a fazer zapping quase à velocidade do som, e a minha avó, impávida e serena, é capaz de continuar a ver, sem piscar os olhos, o "mesmo" programa - lendo como um texto contínuo as legendas que se vão sucedendo, enquanto o meu avô salta da RTP-1 para a SIC, depois o Telecine, depois a NBC, e assim sucessivamente. Mesmo a barreira linguística é superada. E, durante longos instantes, a minha avó vai compondo um intrincado puzzle de uma narrativa digna de David Lynch.
Lembro-me de uma história passada há uns anos: na SIC, António Fagundes era expulso de casa pela esposa Glória Pires, enquanto no canal 1 o Porto de Bobby Robson preparava-se para ganhar o campeonato em pleno estádio de Alvalade. No fio narrativo contínuo que a minha vó ia fazendo na sua cabeça, enquanto o meu avô zappava, talvez ajudada pelo cabelho grisalho partilhado por Fagundes e Robson, a conclusão foi esta: no momento em que, terminada a partida, os jogadores do Porto atiravam o seu técnico ao ar, festejando, a avó - indignada - exclamou: "Coitado! A mulher mete-o na rua e agora espancam-no!".

Fora de brincadeiras, para a minha avó, serviço público é haver televisão ligada em casa. Pronto. Agora vem a boca ressabiada para acabar: e para este governo, o que é?

Luís Filipe Borges

À nossa atenção 

À vossa atenção - chegou ao meio um dos mais recentes blogs: o Aviz (http://www.avis.blogspot.com), da autoria do jornalista e escritor Francisco José Viegas, que também teve a amabilidade de nos linkar. Do que já lemos, três palavras: a não perder.

Também fica aqui o nosso "obrigades" à Ana Albergaria, também ela jornalista, e a referência obrigatória ao seu Crónicas Matinais (http://www.cronicasmatinais.blogspot.com).

BONS VIZINHOS 

Muito obrigado a Nuno Miguel Guedes pela referência ao DC no seu Tradução Simultânea e a Francisco José Viegas que, mal lançou o AVIZ, colocou um link para o nosso casadoiro blog. E, já agora, muito bom futuro para o AVIZ!

O pior defeito dos portugueses 

O pior defeito dos portugueses é exigir dos outros aquilo que não exigem deles próprios.
Os portugueses exigem tudo. E mais alguma coisa. A forma como o fazem, como assacam responsabilidades ao outro, é geralmente sempre a mesma: indignados. Com as faces enrubescidas e as carnes intumescidas, o português grita, chora, lamenta, vocifera, espuma, gesticula, maldiz e meneia a cabeça para os lados em sinal de lamento, como quem diz, consternado, “Não há direito! Fazerem-me isto…”. A pior ofensa que se pode fazer a um português é fazerem-lhe alguma coisa.
O português é por natureza um ofendido (quando nasce já vem a chorar). E quem é o ofensor? São todos os outros portugueses. Filhos da mãe.
Neste momento, num jardim, numa rotunda, num café de esquina, há um português que ofende outro. Mesmo agora, no preciso momento em que acabo esta frase, esse número acaba de duplicar. E antes mesmo de carregar na tecla que lhe coloca um ponto final, esse número já triplicou.
O que mais ofende o português, destacado em primeiro lugar na lista negra, é o Governo. Logo seguido do carro-da-frente. Seguem-se as pilhas-do-telecomando, o carro-de-trás, a mota-do-lado, o árbrito, o fiscal-de-linha, o fiscal-em-geral, a senhora-do-guichet, a senhora-com-um-cão, o cocó-de-cão, a cagadela-de-pombo, a greve, a conta, o decote, a falta dele… a lista não tem fim. (Os portugueses também odeiam listas).
O que dizer de um povo que leva a peito, como uma ofensa de morte, ser ultrapassado na estrada?
– Olhameste! Vais com pressa ó palhaço?! Péra lá que eu já te digo! - e carregam com o pé no acelerador, matando a família inteira no cruzamento.
O português exige aumentos mas, sempre que pode, não paga os impostos. Queixa-se da estrada que tem buracos mas, por outro lado, vocifera contra o aumento das portagens. Queixa-se do cocó de cão mas, à primeira oportunidade, escarra no passeio. Exige que o bitoque não demore muito e, logo que chega, come com a cara enfiada no ovo a cavalo. Diz enojado, de cotovelos em cima da mesa, que a sopa tem um cabelo. Exige respeitinho - que é bonito - mas anda na rua aos encontrões às pessoas. Lamenta que o país não anda para a frente mas, sempre que pode, faz ponte, faz gazeta, mete baixa. Chega contrariado ao trabalho, cola três pirilampos mágicos no monitor do computador, descasca cinco laranjas e joga paciências até à hora de picar o ponto. Diz que são todos umas bestas a guiar, mas depois não para no Stop, na passadeira e, se for preciso, entra numa rua de sentido único. Queixa-se do trânsito, que está um caos, mas estaciona o carro em segunda fila, no meio da estrada, para ir beber a bica ou comprar uma cerveja ao Extra. Diz que isto é um país de merda mas raramente puxa o autocolismo.
De certeza que o português se vai ofender comigo. É natural, ele não gosta de lições de moral. Mas, por outro lado, é um saudoso do antigo regime, “Naquele tempo é que andavam todos na ordem!”.
Mas nem tudo está perdido. Apesar de tudo, o português tem qualidades de sobra - para dar e vender. Como qualquer outro povo - ou mais ainda.
Como dizia John F. Kennedy, “Não perguntem o que a América pode fazer por vocês, perguntem antes o que vocês podem fazer pela América.”
Eu apenas acrescentaria: não se queixem daquilo que Portugal não faz por vocês, queixem-se daquilo que vocês não fazem por Portugal.

LCA

Poesia para refrescar a tarde: 

you shall above all things be glad and young.
For if you´re young,whatever life you wear

it will become you;and if you are glad
whatever´s living will yourself become.
Girlboys may nothing more than boygirls need:
i can entirely her only love

whose any mystery makes every man´s
flesh put space on;and his mind take off time

that you should ever think,may god forbid
and(in his mercy)your true lover spare:
for that way knowledge lies,the foetal grave
called progress,and negation´s dead undoom.

I´d rather learn from one bird how to sing
than teach ten thousand stars how not to dance

e.e. cummings

Clara Macedo Cabral






Bem-vindo, Tiago! 

Serve este para anunciar a contratação relâmpago de Tiago Rodrigues, se me permitem, uma das pessoas mais geniais da sua geração. O Tiago tem 26 anos, é director-criativo da Mínima Ideia, actor no prestigiado grupo belga STAM, fundador do grupo Sub-Urbe, marido da Magda, pai da Beatriz, encenador, trabalhou como jornalista, enfim... é um prazer e um privilégio recebê-lo no DESEJO CASAR.
Além da natural liberdade para escrever sobre o que quiser, o Tiago Rodrigues introduzirá uma nova rubrica, A CRÓNICA DA INVEJA, que consiste em falar de figuras que invejamos por este ou aquele motivo. Eu, por exemplo, quando for grande, gostava de ser o Harrison Ford.

LFB

História verídica 

Reza a história que, descendo Cesário Verde o Chiado, lhe grita do outro lado da rua um seu conhecido, um madraço de meia-tigela, que estava à porta da Havaneza:
- Adeus Cesário Azul!
Ao que respondeu de imediato o trovador:
- Adeus, seu troca-tintas!

LCA
(Esta é para o LFB)


CALMA, NÃO DESISTA AINDA! 

Se acaba de chegar ao DESEJO CASAR, por PC, e o seu cursor (do lado direito) desapareceu, não desespere. Vá ao cantinho superior direito do écran e faça "restore down", o que abre uma caixa mais pequena onde o cursor já existe e pode ler todos os posts. Se quiser, depois de "restore down", clique em "maximize" e tudo estará normal. Bom proveito!

POLÍTICA NOS BLOGS: O MEU É MAIOR DO QUE O TEU! 

Na minha qualidade de mirone da blogosfera, tenho observado um fenómeno curioso: o exibicionismo político. Depois do exibicionismo tipo Gisela do Masterplan, surge agora o exibicionismo político no mundo dos blogs. Blogs de direita, de esquerda, do centro, do centro-esquerda, do centro-direita esforçam-se por gritar as suas posições políticas ao mundo. Nós agradecemos - é importante para as nossas vidas saber, por exemplo, que o André Miguel do “Catatau Roxo” acha que o Fórum Social é coisa de comunas rotos. Os nomes das pessoas deixaram de interessar. O importante é mostrar a etiquetazinha ideológica em cada intervenção, seja sobre a guerra no Iraque, seja sobre a praga do escaravelho japonês. Imagino o momento em que se apresentam uns aos outros: “Olá, eu sou de esquerda”. “Olá, eu sou de direita”. “De direita da parte da mãe ou do pai?”, pergunta alguém que por ali passa. Este fenómeno do exibicionismo político blogosférico, no fundo, é parecido com o exibicionismo dos miúdos. Aparece como uma espécie de despontar da virilidade. Em vez do “O meu é maior do que o teu!” temos o “Eu sou mais de esquerda do que tu!”. Estamos, pois, no plano da gritaria - da imaturidade. O que até pode ser giro: imagino a realização, em breve, de concursos do género “Mister de Direita”. Uma prova de halterofilismo político em que os concorrentes competem uns com os outros para mostrar quem é que tem a musculatura mais conservadora. É uma ideia - pode ter a sua piada. E será certamente uma boa oportunidade para o regresso em força do clearasil. NCS

terça-feira, junho 17, 2003

Obrigado 

Faço minhas as palavras do Filipe, agradecendo a todos aqueles que se lembraram de nós, citando-nos nos seus blogs, e acrescentando o devido agradecimento aos Gatos Fedorentos (gatofedorento.blogspot.com) pela referência e -esperamos - preferência.
Gostaria apenas de referir que neste espaço coabitam em harmonia pessoas de vários locais de Portugal, não havendo, por isso, nenhuma matriz regional.

Luís Camilo Alves

WEBLOG - day one! 

Hoje foi o dia do lançamento oficial do DESEJO CASAR. Serve esta para agradecer ao Blog-de-Esquerda, aos Marretas e a Miguel Esteves Cardoso, a generosidade, a simpatia e a celeridade com que publicitaram o nosso projecto. Em bom português, "bem-hajam"!

Entretanto, ainda temos metade da equipa em hibernação mas lá vão despertando aos poucos, acordados pelo calor do Verão e pela visão de t-shirts rasgadas por fãs enfurecidas que desejam casar connosco. Ainda esta noite junta-se a nós Miguel Romão.

No País Relativo já houve um comentador que me confundiu com Luís Filipe Vieira. Parece-me justo. Também em mim existe um Camacho prenhe de condições. É natural, por isso, que - até Agosto - a nossa equipa seja reforçada com craques de reconhecida qualidade para enfrentar a época dura e ambiciosa que se avizinha.

Para quem já nos visitou, para quem já nos recomendou,
citando Djavan: MUITO OBRIGADO!

LFB

OBRIGATÓRIO! 

Até dia 21 de Junho, pelas 21h30, no teatro de bolso do TEUC - em Coimbra, pode e deve assistir à peça CALÍGULA de Albert Camus.

reservas: 239 827 268

Porquê?

- o TEUC é o mais antigo grupo de Teatro Universitário da Europa
- celebra o seu 65º aniversário (é Comendador da Ordem de Instrução Pública e Membro Honorário da Ordem do Infante Dom Henrique)
- pela qualidade do texto
- pela encenação, a cargo de Tiago Rodrigues: actor no prestigiado grupo franco-belga STAM; fundador do grupo SUB-URBE, que encenou uma peça sobre o movimento zapatista e foi representá-la em Chiapas; e editor do programa de culto ZAPPING (RTP2).

Mama mia! 

Ainda ontem, nas pausas de leitura de Adorno, absurdamente me questionava do porquê dos ousados peitos das jovens bloquistas. É haver feriado, manif, festival ou desfile de engolidores de fogo e lá as vemos, saltitonas, atrevidas, suadas até, enpunhando cartazes e apelando á utopia, contentes.
Até hoje, nos intervalos de virar de página de Thomas Moore, outra vez me lembrei, (não percebendo o porquê desta recorrência que agora científicamente se desvela). BR

ONDE ANDAM VOCÊS? - a nostalgia do sonho erótico 

Todos tivemos o nosso caso de amor pela televisão. Não me refiro a uma paixoneta mais ou menos erótica pela caixinha propriamente dita, ou pelo conceito abstracto da mesma, refiro-me a um caso platónico, a uma palpitação romântica, por uma menina do pequeno écran.
Recordo-me, com um aperto no peito e uma pontinha de nostalgia (a expressão "pontinha", aliás, não é inocente), da primeira vez em que percebi para que serviam as mulheres: foi quando vi a menina Sabrina a cantar "Boys, boys, boys" enquanto lavava com frenesi a sua pouca roupa, entrando e saindo com insistência de uma majestosa piscina. Ah!, o que é feito de ti?
Recordo-me, uma meia dúzia de anos mais tarde, de a rever, depois de uma melancólica travessia do deserto, como convidada do "Parabéns" de Herman José, mais gordinha e a falar sobre pesto. Já não tinha idade para masturbações convulsivas (do alto dos meus 17 anos) mas senti um arrepiozinho na espinha e em outras cartilagens, não o nego.
A televisão prestou este serviço a muitos milhões de adolescentes, por esse mundo fora. Podia enumerar outras estrelas, algumas entretanto cadentes: a Lena Coelho, das Doce, a desaparecida Kelly McGillis, a intemporal Madonna, a sublime Sean Young, a morena que ajudava o Kit e o canastrão Hasselhoff na série "O Justiceiro", as amantes do JR Ewing, a Alexandra Lencastre na "Rua Sésamo"...
O que fazer aos posters que cobriam as paredes da nossa adolescência? O mesmo que fizemos com a dita cuja, perdê-los - hèlas.
Não há problema. A televisão, no seu magnífico e peculiar conceito de espaço-tempo, não deixará, um dia destes, de recuperar essas memórias. E, quando menos esperarmos, apanhamos com uma das mulheres da nossa idade platónica, no esplendor dos seus melhores anos, a sorrir-nos sensualmente do lado de dentro do écran. Só para nós. Só para mim.

Luís Filipe Borges

Resposta ao post anterior da Clara 

Há.

LCA

Mamas, política e cheiros 


Instalou-se em tempos da já saudosa Coluna Infame uma polémica acerca da relação inversamente proporcional entre higiene e cultura e foi por essa ocasião que discutindo com um amigo biólogo este me afiançou estar provada uma relação bem mais curiosa: mulheres de esquerda têm mamas grandes, mulheres de direita e autoritárias têm mamas pequenas, acrescentando que comprovaria esta teoria no Agito, ao Bairro Alto.
Falou-me depois de uma experiência para testar a sensibilidade das mulheres às feromonas masculinas. A partir de vários lotes de t-shirts de homens pediu-se-lhes para seleccionarem as de cheiro mais atraente. Não é que elegeram as t-shirts pertencentes a homens mais simétricos e geneticamente melhor dotados?
Há lá coisa mais fidedigna do que um nariz!

Clara Macedo Cabral

ondas de choque e euforia colectiva. 

As ondas de choque que atravessam a sociedade portuguesa após o meu início bloguista não param. Em catadupa sou assolado por questões, cumprimentos, assobios e até dicas de fashion e curiosas receitas culinárias, num esforço titânico dos portugueses em oferecerem-me uma vida mais plena do amor e da alegria que tanto tardam. Mails de fãs de todo o território nos chegam em enxurradas, como é exemplo o seguinte: " ó arquiduque, quando é q entregas a merda do projecto? tava a dever favores ao teu vezim mas tá quase o desenhador da junta a fazer o acrescento ás latrinas..."
resta render-me humildemente e daqui agradecer, estou assolapado! BR

Aviões 

Ontem, várias dezenas de velhos alentejanos fizeram o seu baptismo de vôo. Parece que as câmaras municipais de Grândola e Cuba promoveram uma viagem de avião para entreter os seus reformados e idosos. Eu, que tenho pânico em andar de avião, vi-os no chek-in todos bem dispostos e sorridentes. Eu, que tenho horror às alturas, vi-os sair do avião ainda mais sorridentes e bem dispostos. Fiquei sinceramente impressionado com tanta descontracção. Fiquei, confesso, envergonhado com algumas figuras que faço, sempre que tenho de embarcar.
Eu só tenho um problema com os aviões – o peso. O avião é muito pesado. Só uma turbina deve pesar para aí umas cinco tonelas! Não faz sentido.
As minhas viagens de avião começam normalmente com dois meses de antecedência, até à data do embarque. Durante esses sessenta dias tenho pesadelos com aviões, acordo com suores frios e vejo premonições e sinais em todo o lado. Chegado ao aeroporto, no dia da partida, já levo dois Xanax no bucho. A bordo do monstro, sentado no meu lugar, fecho imediatamente a janela para não ver a asa a arder. Espero ansiosamente que o comandante dê as boas vindas, para lhe reconhecer na voz a banalidade de mais uma viagem. E para ter a certeza de que vai alguém a guiar.
Tomo outro comprimido, agora um Serenal, daqueles que só se dá a elefantes. E julgam que consigo dormir? Népia. Vou a viagem toda esbugalhado, à espera de um ruído suspeito no sistema hidráulico. Uma vez, quando ia para os Açores, sentei-me no meu lugar e tirei uma revista que vinha dentro da bolsa do banco da frente. A revista era uma edição da ANA, que vendia perfumes, cigarros e mensagens de quadros da empresa. Comecei a lê-la, para me obrigar a distrair. Quando aterrei na Terceira, já ia na segunda página.
É a bordo do avião que eu tenho as minhas recaídas místicas. A Nossa Senhora que o diga. Farto-me de rezar e invoco toda a corte celestial para me protegerem.
Quando saio do avião, desço aos tombos por causa dos comprimidos. Envergonho a família inteira, que se esconde atrás das colunas do aeroporto. Durante meia hora não digo coisa com coisa. E não me calo. Venho eufórico.
Agora percebem porque ontem me senti tão ridículo ao ver aquelas carinhas larocas e cheias de rugas, desembarcarem alegria à chegada, depois de uma viagem de avião.
Mas eu aprendi a lição. Da próxima vez que eu tiver de voar, em vez de um Xanax, tomo um octogenário. Vou a um jardim de Grândola, tomo um velho pelo braço, arranco-o à força de um jogo da bisca e levo-o comigo a bordo, sentadinho na cadeira ao lado. É certinho.

LCA

A minha primeira branca no blog 

















LCA

CALMA, NÃO DESISTA AINDA! 

Se acaba de chegar ao DESEJO CASAR, por PC, e o seu cursor (do lado direito) desapareceu, não desespere. Vá ao cantinho superior direito do écran e faça "restore down", o que abre uma caixa mais pequena onde o cursor já existe e pode ler todos os posts. Se quiser, depois de "restore down", clique em "maximize" e tudo estará normal. Bom proveito!

ÚLTIMA HORA! 

A direcção do DESEJO CASAR confirma os rumores avançados nas últimas horas de que teria avançado para a contratação de Pedro Mexia, ex-Coluna Infame. Todavia, e apesar de Mexia ser proprietário do próprio passe, aquela que viria a ser a maior transferência desta Liga não deverá acontecer. A Direcção terá esclarecido os sócios, em assembleia geral que ainda decorre, de que Mexia está fora dos limites orçamentais do DESEJO CASAR. A decepção entre os associados foi indescritível. Pedro Mexia esteve incontactável pela imprensa durante todo o dia mas o seu agente, José Manuel Fernandes, afirmou à agência Lusa: "No comments".

MANIFESTO EDITORIAL 

1. Abaixo o manifesto editorial.

2. DesejoCasar é um blog heterogéneo, composto por doze pessoas, cuja matriz
comum é, e será sempre, até que o desnorte nos separe, "ter alguma coisa de
jeito para dizer".

3. DesejoCasar não se rege por tendências ideológicas ou morais.

4. DesejoCasar divorcia-se de qualquer espécie de violência gratuita, seja ela
física, verbal ou um pontapé na boca.

5. DesejoCasar ironiza com a ideia da web como refúgio dos solitários.

6. DesejoCasar é uma homenagem ao sr. Carvalho. Este indigente não pedia
dinheiro, pedia Amor.

7. O Amor é, de facto, uma coisa linda.

8. O dinheiro pode não trazer felicidade, mas dá muita vontade de rir.

9. O sr. Carvalho não tinha vontade de rir.

10. Nós ainda não a perdemos.

Nota: subscrito pelo autor com os votos de "pronto, ’tá bem" dos restantes elementos.


ELE CHEGOU! 

Nuno Costa Santos acaba de postar no DESEJO CASAR. Destrói sem mais aquela o enigma do cabeçalho e deseja-nos o matrimónio. A coisa compõe-se. A partir de hoje, a horas decentes, este blog começará a ser publicitado. Enfim, que vamos todos casando, sim, mas com uma condição: um por ano, não mais (pronto, podes ser tu primeiro, Clara) e o último paga uma rodada a todos os visitantes que tivermos. Longa vida ao DC.

LFB

Crónicas de um homem casado 

Sinto-me a Sofia Sá da Bandeira da blogosfera portuguesa. Entro para o mundo dos blogs na condição de casado num universo de solteiros mais ou menos militantes. Prometo não ser muito chato. No fundo, sou uma espécie de Bill Gates num encontro de punks. Um Macário Correia numa coffee shop de Amesterdão. Um Dom Duarte na pista de dança do Lux (lá em baixo, às 6 da manhã). Confesso: sinto-me bem nessa condição. Sentado e bem sentado na minha poltrona de homem casado, olharei para os meus companheiros de blog a caminharem, com maior ou menor ironia, em direcção a esta grande instituição. Espero que se casem todos – não demasiado depressa, é certo, de modo a que este nosso desvario na net ainda tenha alguns anos de vida. Desejo ver-vos casados, meus amigos. Mais. Desejo ver o mundo todo casado. Para vocês, enquanto marcam dia, hora e local e escolhem o vinho para a festa, “On Line”, música de Marcos Valle: “Pela Internet/você me promete/ ser aquilo tudo que eu sonhei”. NCS

segunda-feira, junho 16, 2003

SIM, DESEJO CASAR 


Começaram os Santos. Noites quentes. Uma lua-cheia a expulsar-nos de casa.
Corro a agenda do telemóvel. Queres vir aos Santos? Tampa, tampa e mais tampa!
Onde é que vai uma mulher sozinha em noites de Santo António se nem o Santo lhe vale?
Direitinha para casa é que ela vai, escrever um post sobre esta coacção social que lhe entra pelos olhos dentro: desejo casar. Será que é muita ambição acrescentar: depressinha e bem antes que se faça tarde?
É fútil? É vulgar ? É uma seca? Não há casais felizes, estes dois ainda nem há um ano se casaram e já estão divorciados? Aquele casou e já a trocou por uma da idade da filha? Ó meus amigos esqueçam tudo o que vos disse. Quero lá saber. A chaga da solidão é bem pior que a de um casamento.Uma mulher solteira está mais amputada que sei lá o quê. Vêem-nas, por acaso, sozinhas nas sessões da meia-noite? Num avião ou no carro para passar um fim-de-semana fora? Ou nalgum restaurante fora de horas?
Mas casar com quem? (as carochinhas não tinham este sério problema…) e entenda-se "casar" um verbo permissivo de contratos não legais.
Agora que li no Meu Pipi a história do Rotogal encontro a resposta. Portanto, vivo num país de gays, dantes às escondidas, agora às claras e ser-se homo é mesmo o que está a dar. Nada contra, apenas reparo que se safam bem melhor que os hetero, como eu.
E como se não bastasse a escassez do produto nacional "available" descubro, no outro dia, pela Galina- a minha mulher-a-dias de Leste- que dá, também, aulas de russo que os seus alunos, homens, portugueses, casadoiros, aprendem russo para melhor entabularam relacionamento com as belíssimas mulheres do Báltico.
Sem querer com este "post" de abertura montar um consultório para este grande drama nacional, arrisco-me a sugerir às minhas conterrâneas: deitem o olho ao produto estrangeiro e nada de desperdícios!

Clara Macedo Cabral

A caixinha que mudou a minha vida 

Enquanto trabalho oiço rádio com regularidade e, de vez em quando, ponho uns CD’s a tocar. Outras vezes estou a trabalhar em silêncio e pleno sossego. Mas desde há três meses que tenho no escritório uma televisão pequena, encostada a um canto, o dia todo a ruminar imagens. Como ainda não me dei ao trabalho de ler as instrucções a fim de sintonizar os canais, vejo sempre o mesmo canal desde há três meses para cá (aquele que o aparelho sintoniza automáticamente, sem eu lhe mexer). Chego de manhã ao ateliê e gramo com o National Geographic Channel até à hora de almoço. Chego do almoço e levo com o National Geographic a tarde toda. Vou à casa-de-banho e quando volto, levo com uma seca desgraçada sobre pinguins (em brasileiro), durante duas horas. Ando desgraçado da vida. Há três meses.
Eu já sei tudo o que há para saber sobre mabecos, hienas, tamanduás, cobras coral, jacarés, ilhas tropicais, vulcões, zulus, marsupiais da Autrália e lémures de Madagáscar. Eu até sei de um sacana de um grilo qualquer que, durante a noite, altera a sua estrutura mulecular, congelando o seu corpo (literalmente) até à manhã seguinte.
Eu já não aguento mais.
Só há uma coisa que me consola. Imaginem que em vez do National Geographic Channel, estava sintonizado na NTV…

LCA

INVISUAL 

Pior do que a Justiça ser cega, é ter nas mãos uma balança. Alguém já passou na Rua Augusta e deparou com um cego a tentar tocar balança? Não dá jeito nenhum. A balança não tem teclas, não tem cordas, não tem sítio para soprar, enfim, não tem ponta por onde se pegue. Há já algum tempo que a nossa Justiça merece um instrumento digno da sua condição - um acordeão. LCA

A feira e os livros 

Acabou-se. Ontem foi o último dia de mais uma Feira do Livro e o Parque Eduardo VII regressa aos seus dias de identidade secreta.
Nunca perceberei o que faz aquela quantidade de gente que se passeia, ano a ano, pelas bancas, se, no fim de contas, ninguém lê. Calculo que vão à esplanada, comam um gelado, falem em gritos ao telemóvel com a família de Pampilhosa e, pelo meio, dêem uma volta pelo circuito, olhando as capas dos livros como quem vê nas montras peças de roupa ou de mobiliário que jamais pensarão comprar.
Ao contrário do que toda essa gente talvez pense, a Feira do Livro não é um centro comercial ao ar livre. E também não é a feira dos queijos nem dos enchidos. Sobretudo, não é uma desculpa para apanhar sol.
Fico sempre absurdamente alegre quando abre a feira. E muitíssimo mais humilde. Mal cruzo as primeiras bancas, percebo que ainda não li nada e que o tempo de vida de um humano jamais será suficiente para conhecer sequer um terço daquilo que os homens escreveram de essencial.
Deus dá nozes a quem não tem dentes. Os elefantes é que deveriam saber ler. Ou as árvores.

Alexandre Borges

Luis Camilo Alves 

Dois… Dois… Um, dois… Teste… Aah… Aaah…
Eu tenho um blog. Este é o meu blog. Bom, não é só meu, é de todos estes amigos que assinam aqui ao lado. Gente boa.
Formei-me em Design de Comunicação, pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa; trabalho como criativo numa agência de publicidade e design, que também é minha; e… e o resto poderão ler aqui, no Desejo Casar, que é onde me preparo para ir deixando a alma, em formato de Post-it’s. A minha alma num Post-it… Credo!
Como dizia, eu agora tenho um blog. Mas eu não percebo nada de blogs. Aliás, eu percebo muito pouco de chats, de fóruns e afins. A ideia que tenho acerca dos blogs é de um meio muito concorrido, cheio de gente, de ideias, de opiniões e de mirones. Óbviamente, quanto mais gente vier cá ver isto, mais divulgado se vai tornar e mais conhecido vai ficar no mundo da blogosfera (é assim que se diz?).
Ora, como tudo na vida, também vão aparecer malucos. E, como toda a gente sabe, há malucos para tudo. E é precisamente neste universo descurado e malquisto que eu pretendo apostar. Quem sabe eu não tenho aqui uma pequena possibilidade de realizar um sonho antigo: ter dinheiro na conta.
Para mim, ter um blog não é realizar o sonho da escrita – é ter dinheiro em caixa. A escrita que se lixe. Não conheço ninguém que pague a renda com a escrita. Nunca vi ninguém a entrar na Bénard a meio da tarde, pagar um croissant de chocolate com uma crónica e receber de troco três poemas. Do mesmo modo, ninguém vai ao banco depositar um ensaio, ou ao Multibanco levantar uma prosa. Nunca vi um pedido de resgate que dissesse, em letras de jornal recortadas, “sE qUIsEr O seU fILho dE VoLtA eXIgIMos UmA tRiLoGiA cOmpLEtA Em PágInAs nÃo NUmeRaDaS”.
Se tudo isto fosse possível, haveria arrumadores por todo o lado com os bolsos a chocalhar livros do Paulo Coelho. Seríamos abordados por magricelas enquanto desciamos o Chiado: “Olhe, não me arranja uma Margarida Rebelo Pinto para eu ir comer uma sandes?”.
O que eu quero é graveto. A ideia é simples: se em vinte leitores houver um maluco que não saiba o que fazer com o seu dinheirinho, e esteja disposto a dar-me algum guito, eu estou aqui para ajudar. Agora imaginem que temos quarenta leitores: já são dois Napoleões a depositar-me dinheiro na conta. E assim por diante, até realizar este velho sonho.
Anda muito maluco por aí que não é devidamente aproveitado. Em todas as cidades, em todas as esquinas e em todos os lares deste país os dementes são desperdiçados. Isto tem de acabar. E é já!
Então aqui vai: NIB 003300000038023492892
Desde já o meu sincero obrigado. LCA

Alexandre Borges 

Um puto de S. Carlos - Terceira, Açores.
Formado em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, está lá a fazer, também, um mestrado em Estética. Dificilmente o acabará alguma vez, mas dá jeito nas conversas com gajas e os colegas de trabalho, por piedade, sempre o vão chamando de "mestre". É jornalista e guionista da Gestmusic, colaborador do Correio da Manhã e de várias publicações açorianas a merecer atenção fora do arquipélago, entre as quais, a :Ilhas, o SAAL e a Atlântida. Encena um grupo de teatro amador e joga mal à bola umas quantas sextas-feiras por ano. Recebeu alguns prémios literários, está editado no México e por cá estará muito em breve. Elemento integrante dos programas "Prós E Contras" e "Zapping", fez algumas pequenas aparições como actor, entre outros, em "Fenómeno" e "O Espírito da Lei", não sabendo, contudo, cozinhar ou fazer surf, o que o torna um partido menos apetecível do que poderia parecer à partida.
Toca guitarra, estuda alemão, fez teatro universitário e vai escrever letras para uma grande banda de nome Azimute. Nunca fez strip-tease. Comprou hoje o seu primeiro Raymond Carver. Só tem internet desde Dezembro último. Nunca foi a um chat. Pensava, até há poucos dias, que "blog" fosse uma expressão que designasse uma substância ilegal passível de ser fumada (tipo: "broca"). Quando os amigos lhe telefonaram a perguntar, entusiasmados, "Vamos formar um blog?", ele terá percebido mal o verbo e respondido "Agora não. Já estou de pijama."

A SOLIDÃO DO BLOGGER MAL-AMADO 

Pois é, Bernardo. Não é impressão tua. Só nós é que carregamos esta charanga para a frente. Mas não desesperes, é do weekend prolongado. A partir de amanhã o resto da equipa começa a bombar e a publicidade a circular. Mesmo assim, não sei como, já tivemos quase 70 visitas sem que ninguém saiba que isto existe! Suponho que são pobres solitários que desejam mesmo casar...
Entretanto, fontes seguras garantem-me que Alexandre Borges vai juntar-se a nós nos próximos 5 minutos. Aguardemos.

LFB

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