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sábado, janeiro 03, 2004

finis terra 

por mais que se começe outra vez
do zero
do nada
de trás para a frente e
de novo

não faz esquecer a finitude sazonal que chega
sempre
mal se destapam os olhos e
recolhem os dedos

ainda apenas se percebem vultos
e já os corpos se desterram

ainda se pensa que é assim
- a definitiva saudade de assim ser -
e só já fica uma memória difusa

perguntas: "a que horas chegas?"
e a resposta está sempre na tua boca.

MR

03-01-04 enter 

is anybody out there?


MR

quarta-feira, dezembro 31, 2003

Será que é desta? 

«Deus realiza o julgamento - Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo. Houve, então, um grande terramoto. O Sol ficou negro como saco de carvão. A Lua inteira cor de sangue. As estrelas do céu caíram sobre a terra, como figueiras soltando figos verdes quando sacudidas por um vento forte. O céu enrolou-se como uma folha de pergaminho. Todas as montanhas e ilhas foram arrancadas do lugar. Os reis da terra, os magnatas, os capitães, os ricos e os poderosos, todos, escravos e homens livres, esconderam-se nas cavernas e rochedos das montanhas, clamando aos montes e pedras: "Caí sobre nós e escondei-nos da Face d'Aquele que está no trono, e da ira do Cordeiro. Pois chegou o grande Dia da sua ira. E quem poderá ficar de pé?" (Ap., 6, 12-17)

Mas, se não for, se não for desta, podemos sempre esperar pela Primavera de Matsuo Bashô: «Flores de cerejeira no céu escuro/ e entre elas a melancolia/ quase a florir». IFS

terça-feira, dezembro 30, 2003

manta morta 

Termino o ano a pensar na morte. Visito o meu avô na sua campa de cemitério. Um dia tipicamente açoriano, e o local atravessado por um nevoeiro baixo, com as cruzes invadidas por um branco ténue - uma imagem que faria as delícias de qualquer filme de série B.
Encontro o túmulo. Túmulo, lápide, campa, jazigo. Todas as palavras tem o mesmo sabor definitivo, imponente. E é ao ajoelhar-me junto de caules partidos e flores murchas que compreendo: não é a morte a tristeza maior da vida, mas sim o rosto com que se apresenta. LFB

O MELHOR E O PIOR DO ANO NO "É A CULTURA, ESTÚPIDO!"  

O ano literário e político em revista é o tema do último encontro "É a Cultura, Estúpido!" de 2003, a realizar hoje, dia 30 de Dezembro, terça-feira, às 18.30h, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz. O convidado da sessão será Mário de Carvalho, autor de um dos melhores romances do ano, "Fantasia para Dois Coronéis e uma Piscina" (Caminho).

Para além de poder acompanhar a conversa entre o escritor e a jornalista Anabela Mota Ribeiro, quem passar pelo Jardim de Inverno ouvirá as escolhas dos críticos e jornalistas residentes - José Mário Silva, Pedro Mexia, João Miguel Tavares e Nuno Costa Santos - para as diversas categorias - melhores livros, piores livros, melhores capas, piores capas, títulos mais comerciais, títulos mais improváveis, etc. - , saberá quais são os melhores e os piores factos políticos de 2003, no entender dos colunistas Daniel Oliveira e Pedro Lomba, e assistirá à stand-up comedy de Ricardo Araújo Pereira sobre o balanço do ano literário.

Os encontros "É a Cultura, Estúpido!", organizados pelas Produções Fictícias, continuarão a realizar-se até Junho de 2004, nas últimas quartas-feiras do mês, no Teatro Municipal São Luiz.

segunda-feira, dezembro 29, 2003

Correio Do Leitor 

«ùìåí øá
:àúí îæîðéí ìá÷ø áàúø äçãù ùìðå
÷åø÷éðèéí îîåðòéí
îðåò òæø ìàåôðéí
ãáåøéú ôìà ìøëá
ñ÷ééèáåøã îîåðò
úëùéøé ñéëä
àðèé ôðö'ø
÷ìðåòéåú
ö'àè áùãåø çé áéï äîá÷øéí áàçø»

îðäì äàúø

É uma pena acontecer em vésperas de Ano Novo, mas esta é uma polémica que não podemos evitar.
RIS

P.S. Antes de se abrirem as hostilidades, deixo aqui os meus votos de um 2004 em Grande a todos os casadoiros e casadoiras. E o mesmo se estende a todos aqueles que por aqui passam. Um abraço e até breve!

o telescópio cínico 

quando espreitas por cima do lençol
vês os três passos levam da porta
à cama.
são três passos inúteis:
porque se rebolasses da cama à porta
lá chegarias mais depressa e
com tempo e vontade de olhar para cima.
MR

domingo, dezembro 28, 2003

Domingo de Madeira 



Georges Seurat
«Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte» (1884-86)
Oil on canvas, 81 x 120
Art Institute of Chicago, Helen Birch Bartlett Collection

RIS


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