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domingo, janeiro 11, 2004

De regresso, umas notas 

1) Fico, como todos, triste com a saída do Luís Filipe Borges. Percebo, no entanto, as suas razões. O Tiago explicou-as com profundidade e clareza num post recente. Julgo que a médio prazo a saída do Luís vai ter bons e consistentes resultados criativos.

2) Esqueçamos, por uns instantes, as farfalhices - e outras histórias igualmente sórdidas. Da minha terra, os Açores, chegam (vá lá!) excelentes notícias – vão surgindo novos blogs em cada semana. Aos meus queridos amigos do Ilhas e ao Nuno Barata, do Fogotabrase, juntam-se agora as inquietações do André Bradford.

3) Sabe cada vez melhor mergulhar no Ondas. Escrita límpida como o fundo do mar (quando o imagino) junto às rochas e um conjunto de referências - cinematográficas, literárias, musicais, etc. - interessantes para quem tem pelo surf – e pela vastidão dos oceanos - uma paixão platónica.

4) Não venho a tempo de entrar no debate blogosférico sobre a vida privada, iniciado pelo Luís Osório. Digo apenas que a entrevista com o Nicolau Breyner que o próprio fez e publicou na semana passada no DNA é um óptimo exemplo de como a vida privada de alguém pode ganhar transcendência humana e artística nas páginas sujas e contingentes de um suplemento de jornal. Foi das melhores peças que li na imprensa nos últimos tempos.

5) Um abraço final para o Miguel Nogueira, do agora renovado Origem do Amor, que tem tido com esta coisa dos blogs uma relação que me parece saudável – de descoberta, de partilha. O Miguel (felizmente) não está aqui para dar lições a ninguém. NCS

sábado, janeiro 10, 2004

lições de capitalismo, vol. I 

Foram ontem divulgados os números mais recentes sobre o desemprego na Alemanha. De acordo com os dados, a taxa de desemprego neste país atingiu em Dezembro os 10,4 %, percentagem que corresponde a cerca de 4,3 milhões de pessoas. Num país habituado a várias décadas de aumento dos níveis de prosperidade, também o ano de 2004 continuará ensombrado por um clima negativo. O presidente do Instituto Federal do Emprego prevê que a situação no mercado de trabalho apenas irá melhorar em 2005. O presente ano será também marcado pelas reformas que o governo pretende implementar no sistema de saúde e na segurança social, ambos em risco de colapso, reformas essas que irão aumentar substancialmente os custos para os utilizadores. A Alemanha vê-se também confrontada com o denominado “conflito das gerações”, devido ao envelhecimento progressivo da população e ao aumento da esperança de vida, que estão a pôr em causa o regime de reformas actual. Enquanto os idosos, cada vez mais numerosos (e poderosos), gozam de reformas muito confortáveis e não pretendem abdicar de direitos adquiridos, as gerações mais jovens estão conscientes que a reforma garantida não será suficiente, sendo ao mesmo tempo obrigados a contribuir de forma significativa para tapar buracos financeiros em vários sectores. Face a este panorama pouco auspicioso para um início de ano optimista, e tendo também ainda presente o ano de 2003 como um ano de crise económica mundial, não deixa de espantar que nesse mesmo ano a Porsche tenha conseguido obter nos Estados Unidos o seu segundo melhor ano, em termos de vendas, da sua história. Como já dizia o outro, há sempre uns que são mais iguais que os outros. REC

e para finalizar o post anterior, uma pitada de humor negro (apesar de não se dever brincar com estas coisas) 

Segundo as últimas notícias, o Ministério do Trabalho alemão está a considerar recorrer aos serviços do famoso canibal de Rothenburg para reduzir o número de desempregados. REC

sexta-feira, janeiro 09, 2004

O caminho do silêncio 

O Borges, inscrito nas memórias dos leitores deste blogue como LFB, saiu do Desejo Casar. Correndo o risco de receber algum «hate mail», deixem-me dizer-vos que acho que fez muito bem. Seguir o seu caminho é característica dos artistas e o Borges é, como sabemos, um artista. Como todos os artistas, corre o risco das seduções e tentações constantes. E aqui apetece, muito ao gosto do Borges, citar Oscar Wilde: “consigo resistir a praticamente tudo, excepto a uma tentação”.
As tentações do Borges são, muitas vezes, pequenas ideias sedutoras, pequenas genialidades, os vulgarmente chamados “projectos interessantes”. Ora, é sabido que os “projectos interessantes” são a coisa mais próxima que existe das “boas intenções”. Deles está o inferno cheio. E para um artista, sobretudo um artista jovem, o inferno pode ser a dispersão.
O Borges trabalha muito. Foi isso que fez dele a alma e o «enche-chouriços» do DC. Escreve compulsivamente. Não consegue parar. É o sintoma da sua paixão mas, como alguns amigos já lhe sussurraram num tom vagamente paternalista, pode também ser o caminho para a dispersão. Por isso é natural que o Borges queira concentrar-se em trabalhos pessoais e de maior fôlego. A blogosfera exige uma aceitação do efémero que nem sempre é agradável a quem tenha pretensões literárias. E o Borges tem-nas. Aliás, com muita legitimidade, como pode verificar quem já teve a oportunidade de folhear o seu primeiro livro de poemas “Mudaremos o mundo depois das três da manhã”. Deixemos o Borges seguir o seu caminho que, mais tarde ou mais cedo, passará novamente pela blogosfera. Mas façamos um esforço também para que todos os que leram o Borges pela primeira vez aqui na blogosfera, o «sigam» para outras paisagens como a poesia ou o teatro ou o já prometido romance.
A propósito da saída do Borges, recordo que, há uns dias, fiz algo que tenho como vício esporádico: ler revistas e jornais antigos. Não muito antigos. De há 5 ou 10 anos. Dos anos que recordo. Ao deitar os olhos por uma revista LER de 1993, encontrei uma reportagem sobre 18 escritores com menos de 35 anos. Eram aqueles que a LER elegia como o futuro da literatura portuguesa, os mais talentosos de uma geração. Só conheço meia-dúzia, o que me parece sintomático de uma de três coisas. Em primeiro lugar, a minha profunda ignorância em tudo o que não seja nomes de actores de filmes americanos (pode ser...). Em segundo lugar, a incompetência da revista LER no que toca a leituras de mapas astrais e capacidades proféticas (também pode ser...). Em terceiro lugar, o facto de só criar obra quem não desperdiça talento e tem realmente uma voz única (é pomposo, mas também é possível).
Eram 18. Estava lá o Jorge Sousa Braga, como se alguma vez tivesse sido um jovem com algo a provar e não fosse um génio desde o dia em que escreveu o primeiro verso. Estava lá o Rui Zink e a Catarina Fonseca (não os agrupei por qualquer espécie de afinidade lierária). Estava lá o Nuno Artur Silva, cujo perfil informava, em jeito de nota de rodapé, que “também” fazia parte de um pequeno gabinete de escrita chamado Produções Fictícias, como se se tratasse de um projecto paralelo. É engraçado hoje verificar que a empresa Produções Fictícias, onde tenho o prazer de trabalhar, é a mais reconhecida «obra» do Nuno Artur, pela qual com certeza sacrificou algumas obras pessoais.
Estavam lá mais um ou dois que conheço, não me lembro agora quais. Não tenho a revista à minha frente e se calhar, estou a esquecer-me de alguém importantíssimo. Talvez estivesse lá o Agualusa ou outro escritor desta geração, mas acho que não. Seja como for, não é isso o relevante. O relevante é que estavam lá mais dez ou doze nomes de tipos que eram talentosíssimos nesse ano da graça de 1993 e que hoje continuam, decerto, a ser talentosíssimos, só que ninguém sabe.
A medida do talento não é a medida do sucesso, bem sei e subscrevo. Mas a medida do talento muito menos é a medida do anonimato. Recuso-me a acreditar que assim seja ainda hoje. O que eu acho é que muitos desses tipos que eu não conheço não souberam deixar de escrever nos seus Desejos Casar, não souberam gerir as tentações, não souberam arriscar o silêncio que gera voz. TR

"Errare humanum est": afinal o Miguel Sousa Tavares também é humano!" 

Uma querida amiga escreveu um artigo sobre o recente livro de Miguel Sousa Tavares, Equador, fazendo uma crítica histórica sobre diversos factos que aí são narrados. Apesar do artigo ter sido escrito já há algum tempo, voltei a sugerir-lhe que o publicasse aqui no DC. Sensatamente, ela teve dúvidas em o fazer, pois algumas das críticas que referia foram posteriormente lançadas por outros leitores e críticos, facto que, supostamente, retiraria pertinência ao artigo. Como somos ambos admiradores do Miguel, insisti para que o publicasse. E foi exactamente por essa razão que a Stéphanie acedeu ao meu pedido, porque nunca é demasiado tarde dedicar a nossa atenção àqueles que admiramos.

"Errare humanum est": afinal o Miguel Sousa Tavares também é humano!

Sou uma eterna apaixonada do Miguel Sousa Tavares. Li tudo o que ele publicou, excepto "Sahara, a República da Areia" e "Um Nómada no Óasis", porque estão ambos esgotadíssimos e não os consigo encontrar. Gostei muito do "Sul", que mistura poesia e viagens; fiquei sensibilizada com "O Segredo do Rio"; adorei "Não te deixarei morrer, David Crockett" (quem diz que o Miguel Sousa Tavares é um homem seco e amargurado nunca leu este livro!); achei interessante a compilação de artigos políticos de "Anos Perdidos". Terça e sexta-feira são os meus dias preferidos da semana porque é nesses dias que, respectivamente, aparece o Miguel na TVI às 20h e sai um artigo dele no Público. E, quando soube que ele tinha acabado de lançar um romance histórico de 518 páginas, fiquei tão feliz que não dormi até comprar o livro. Mas, depois de ler o livro e descobrir que tinha vários erros de todos os tipos, fiquei bastante desiludida. Porque o meu Miguel Sousa Tavares tinha sido sempre perfeito, intocável. Farta-se de criticar e destruir os outros, mas ninguém o consegue atingir nem conseguiu até hoje, porque ele é sempre superior e tem sempre razão, sabe tudo. Só que eu, agora, com o "Equador", eu própria, tão nova e atrevida, já lhe posso apontar falhas injustificáveis, infelizmente... Não tiram nada à qualidade indiscutível da sua última obra (o livro está muitíssimo bem escrito e a história é interessante e inovadora), mas fazem ver no escritor um defeito grave: o desleixo.

O pior de tudo no "Equador" são os anacronismos, que são os erros contra a cronologia, a atribuição a uma época de usos, noções, práticas que ela não conheceu. Exemplos no livro: "(...) naquela chuvosa manhã de Dezembro de 1905 (...) o Mundo noticiava uma crise aberta no Governo francês devido ao aumento dos custos de construção do Canal de Suez, que o engenheiro Lesseps não se cansava de escavar (...)" - in "Equador", p.11 e 12. O único problema é que o Canal de Suez foi inaugurado em 1869 e o Lesseps morreu em 1894...! Miguel Sousa Tavares deve ter feito aqui confusão com o Canal de Panamá, porque foi o Lesseps quem primeiro planeou a construção desse canal, em 1881, mas as obras só foram retomadas em 1904, depois de uma interrupção de 16 anos por falta de meios financeiros e grandes dificuldades técnicas. Outro anacronismo: "O último fim-de-semana em Portugal fez questão de o ir passar ao Palace, no Bussaco, um dos seus locais preferidos" (p.102). No livro, estamos no início de 1906; ora, o Bussaco Palace Hotel, na Floresta do Buçaco (Mealhada), só foi construído em 1907 (sobre as ruínas de um eremitério beneditino do século VI), e foi residência estival da Coroa (não um hotel) até à República! E, finalmente (p.13), não se pode falar em telex em 1905 (só apareceu em meados do século XX!).

Agora falemos de lacunas em geografia... Se situar S. João Baptista de Ajudá no Ghana (p.101), em vez do Benim, é ignorância; dizer que Angola tem 330.000 kms2 (p.118), em vez de 1.246.700 kms2, é abuso. Talvez as fronteiras em 1906 ainda não estivessem perfeitamente definidas como hoje, mas duvido que no início do século Angola fosse um país quatro vezes mais pequeno do que é hoje...! E, quanto a S. João Baptista de Ajudá, Ouidah (hoje), ser na Costa do Benim, não tenho qualquer dúvida, pois já lá estive e visitei lá o Forte Português entre outras coisas. S. Jorge da Mina é que fica na costa do Ghana! Já agora, para acabar, note-se que quem gosta de fazer bem as coisas deve lembrar-se que, em 1906, o Ghana chamava-se Gold Coast, assim como o Benim tinha o nome de Dahomey.

Depois dos erros todos que já citei, pequenos erros históricos como o que a seguir transcrevo já nem nos chocam ou parecem graves: "Bombaim, a porta de entrada dos ingleses na Índia, só se tornara inglesa porque os portugueses a tinham oferecido à Inglaterra no dote de casamento de Catarina de Bragança com Jaime II (...)" - p.243. D. Catarina de Bragança, filha de D. João IV, casou com Carlos II Stuart, Rei de Inglaterra e da Escócia, a 30/05/1662 (e não com Jaime II)! Miguel Sousa Tavares fala também das exportações inglesas de café e cacau do Gabão e da Nigéria (p.40 e 56); porém, o Gabão nunca foi colónia inglesa, mas sim francesa desde o século XIX (juntou-se ao Congo francês em 1888). E acho difícil que a Inglaterra tivesse relações comerciais tão intensas com uma colónia francesa em 1905...

"Last but not least", porque absolutamente desnecessários e evitáveis, os erros de precipitação ou falta de paciência para reler o que foi escrito: Miguel Sousa Tavares fala em jantares semanais de amigos no Hotel Central à quinta-feira (p.18 e 303), ou quarta-feira (p.69), segundo a sua inspiração; ou ainda dos navios "Catalina", "Catarina" e "Catavento" (p.13) da Companhia Insular de Navegação, para depois falar mais longe do "Catrineta" (p.79 e 80) como um dos navios, como se nada fosse...

"The past is a foreign country", gosta de citar Miguel Sousa Tavares (cfr. "Não te deixarei morrer, David Crockett"). Pois bem, Miguel, visite bem esse país estrangeiro antes de voltar a escrever sobre o passado: aprenda a sua língua, as suas dimensões, a sua história, a(s) sua(s) cultura(s), e não pense que o conhece só porque leu (a correr) sobre ele... Se não for capaz disso, seja humilde, e continue a escrever sobre o presente, pois escreve muito bem (isso ninguém pode negar!).

Stéphanie Pinto da França Roux

LCA

Último Post 

Este é o último post que escrevo.
Julgo que a irregularidade ou inconstância das palavras que por aqui fui deixando não justifica que o meu nome continue a figurar no cabeçalho.
Por outro lado, este ano que acaba de começar vai ser, profissional e pessoalmente, arrasador (espero, in fine, que no bom sentido), inibidor de outra escrita que não a que se relaciona com o meu trabalho - verdadeira chatice, mas chatice necessária.

Ainda assim,

DESEJO CASAR.

HR

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Justiça poética 

Segundo a lei portuguesa, uma mulher que dê à luz um nado-morto tem direito a gozar licença de maternidade. TR

quarta-feira, janeiro 07, 2004

auto-retrato sobre cruzamento movimentado 

Na viagem para o aeroporto, atento às últimas impressões de Lisboa, reparei que o Marquês de Pombal que nos dá umas indicações úteis sobre o trânsito, num cartaz estrategicamente colocado no cruzamento entre a Rua Castilho e a Duarte Pacheco, tinha umas feições que se assemelhavam muito às do Santana Lopes. Trata-se de uma operação plástica feita de uma forma muito subtil, mas para quem olhe atentamente não restam dúvidas. Não sei se se trata de um tema já exaustivamente discutido nos cafés de Lisboa, nem se Santana Lopes também o confessou, mas a verdade é que as pessoas com quem falei até agora ainda não o tinham notado. Infelizmente não tenho forma de voltar ao local do crime, mas confesso que me intriga. Estratégia de marketing visando dominar o inconsciente das pessoas ou pura mania da perseguição da minha parte? (e era nestas alturas que costumava surgir o Fernando Pessa, com a sua famosa tirada) REC

A causa merece 

Não costumo transmitir forwards, nem pretendo adulterar este espaço, mas abro aqui uma excepção: para quem assistiu à lenta agonia do cinema Paris, em Campo de Ourique, ao pé do bairro onde vivi, trabalhou no Tivoli nos seus últimos tempos como cinema (Lisboa94), e sempre se sentiu revoltado com o abandono e desprezo a que a cidade condenou os seus cinemas históricos, esta iniciativa para salvar o Cinema Odéon merece todo o apoio (claro que os últimos filmes aí exibidos puxam para uma piada fácil, com subsequente piscadela de olho e cotovelada cúmplice, mas a graçola fica no ar, aproveite-a quem quiser).

“Caros amigos,

Comece o ano de 2004 a praticar uma boa acção!

Ajude-nos a lutar pelo Cinema Odéon (http://novoodeon.tripod.com),
comprando simbolicamente uma cadeira das 200 que ainda estão à procura de “dono", no nosso "leilão" virtual, em http://www.lisboa-abandonada.net/odeon .

Obrigado e BOM ANO!

Paulo Ferrero
NOVO ODÉON
Blogue: http://novoodeon.tripod.com/blogue

REC

Nostalgia do Adeus 

Ultimamente, também eu tenho tido uma grande vontade em desistir do DC. Apetece-me mandar a toalha ao chão, o lenço e a Termo-tebe. Tenho momentos em que sinto uma inclinação imperiosa em escrever aqui a minha "carta" de demissão. A fazê-lo, seria qualquer coisa deste género:
“Caros Casadoiros, Leitores, enfim, Portugueses!
É com enorme tristeza que anuncio o fim da minha participação aqui no Desejo Casar.
[Nestes casos é sempre boa ideia condimentar a notícia com uma pitada de drama. Se houver sangue à mistura, tanto melhor:] Estou para aqui, deitado de borco, mal conseguindo chegar com o braço ao teclado. É com grande sacríficio que consigo teclar estas últimas linhas de despedida. Algumas palavras poderão mesmo sair inbngitelihngíveis. [Agora a parte do sangue:] Os meus dedos sangram de comoção e puro desgosto [Convém não exagerar!] …sangram porque estive ontem a cortar cebolas enquanto via o “Gostas Pouco Gostas”, na SIC Radical. [Para o fim da missiva, reserva-se o drama:] Urge o tempo e o saber! [?] Eis, pois, chegado o momento em que o machado do destino verte a sua lâmina sobre as minhas frágeis palavras. [???] É o fim. [Se possível, citar uma frase conhecida. Se for de Pessoa, tanto melhor:] I know not what tomorrow will bring…" [Reticências no fim do texto é sempre de bom tom.]
Mas não vou desistir. Pelo menos para já. Faço este pequeno exercício porque ando invejoso com as reações que na blogoesfera surgiram em face do divórcio do nosso LFB. Tal como nalguns blogs, inúmeros leitores também escreveram indignados, chocados e infelizes para o correio do DC, lamentando a ausência do Luís. E, a julgar pelos títulos dos e-mails, o desalento é grande. E justíssimo, digo eu.
Apetecia-me desistir agora, assim de repente - dramaticamente -, através de um telegrama enviado no último minuto: Não posso regressar STOP África perdido STOP Rodeado leões STOP.
Tenho inveja da pena que os nossos leitores sentem pela ausência dos textos do LFB. Gostaria que também sentissem o mesmo se eu amanhã tivesse de sair do blog. Gostava de provocar lágrimas e loiça partida com a notícia do meu abandono. Mas tenho um mau pressentimento que, no máximo, as reacções seriam qualquer coisa assim:
LCA

pequena e condicionada tentativa de manifesto 

Se as minhas palavras não estivessem demasiado ocupadas a escavar um fosso gigante entre significados e significantes; se eu tivesse dado ouvidos ao LFB mais cedo, andasse pelo DC há mais tempo e soubesse pôr aqui uma imagem capaz de colmatar as impossibilidades das minhas palavras; se os poemas que, ultimamente e à revelia dos meus deveres, se impõe à minha memória não fossem compostos por versos do Miguel Torga, eu conseguiria queixar-me ao coração do LFB, falar-lhe sobre a minha indignação, a minha tristeza, chorar por me sentir abandonada (mesmo estando rodeada por mais 13 ou 14 ou não sei quantos casadoiros), em suma, demonstrar-lhe com um textozeco de nada a inquietação que sinto ao senti-lo deixar-me deixada por aqui nos meandros sondáveis da metade insondável da internet. Em todas as revistas femininas, o meu horóscopo prometia um 2004 perfeito. Até agora, sinto-me enganada. O facto de só conseguir nostalgicamente citar o primeiro poeta que li (ou que me leram) prova-o. Que os versos (nem sempre correctamente citados) sejam para o Luís:
«Aparelhei o barco da ilusão/ E reforcei a fé de marinheiro./ Era longe o meu sonho/ e traiçoeiro o mar./ (Só nos é concedida/ Esta vida/ Que temos,/ E é nela que é preciso/ Procurar o velho paraíso/Que perdemos.)// Prestes,/ larguei a vela/ E disse adeus ao cais, à paz tolhida./ Desmedida,/ A revolta imensidão/ Transforma dia a dia a embarcação/ Numa errante e alada sepultura.../ Mas corto as ondas sem desanimar./ Em qualquer aventura./O que importa é partir não é chegar.» Deve ser qualquer coisa muito próxima disto. Não o relembro desde os 16 anos. Mais ou menos. Chama-se «Viagem» e não sei se faz sentido nesta ocasião. Nem sei para qual das partes fará sentido. Mas será o Luís a julgá-lo. IFS

terça-feira, janeiro 06, 2004

calcorreando as calçadas lisboetas 

Regressado da viagem à minha terra, da época de amor e concórdia. A casa, a uma época que luta por não quebrar as promessas feitas, entre um caroço e outro, enquanto outros faziam soar as badaladas. Lisboa continua a cidade da qual tenho saudades quando lá estou. Onde continuo a descobrir novos recantos e recordar experiências vividas. Ao regressar, tenho sempre a sensação de estar a reler um livro que muito me marcou, em que vão desfilando as personagens que fui conhecendo. No teatro cruzei-me com uma amiga da faculdade, no cinema King relembrei fintas épicas no pátio da escola, e, entre um passo e outro, pessoas com quem trabalhei abordam-me para uma troca de histórias passadas. Até o Macário Correia encontrei, esquecido numa fotografia solenemente emoldurada na montra de uma papelaria, lá para os lados do Poço dos Negros. Colegas de blog também vi, ali na Bertrand do Chiado, onde o Nuno Costa Santos, algo intimidado pela proximidade do Saramago, descansava na terceira prateleira a contar de cima. Conversa sobre regressos puxa conversa (são dez!), e fui apresentado à Inês da Fonseca Santos com quem monologuei com prazer sobre a saudade, e continuarei a fazê-lo por cá. Constatei também que os lisboetas continuam a ostentar sinais de uma vida desafogada. Aliás, a quantidade de grandes carros que vi, a passearem o seu preço, demonstra o inquestionável aumento do nível de vida dos portugueses, sem comparação com o que se vê “lá fora”. Já para não falar do facto de ter a impressão de que em Lisboa apenas se constróem prédios de luxo (para alojar a classe média, evidentemente). O que também continua a aumentar são os cocós de cão no passeio, a interromperem deambulações contemplativas. Se calhar, dava um bom tema para os infindáveis telejornais, que durante as suas longas horas de duração vão debitando informações de extrema importância, como por exemplo o segredo do caroço da azeitona (RTP 1, 26 de Dezembro), ao mesmo tempo que os autores de certas peças não conseguem disfarçar a sua queda para os diminutivozinhos carinhosos, legando-nos o jornalismo do “sapatinho” e da “senhora Rosa que vai ter finalmente a sua casinha”. Mas tudo isto faz-me gostar de voltar, de andar de carro na Marginal, ao som dos Smiths e dos Housemartins (graças à Voxx), de ouvir o som dos estores a serem fechados, lembrando-nos que já se faz tarde. Olhem, até gosto de pisar em caca de cão, só pelo prazer de ouvir os mesmos comentários, repetindo-se ano após ano. REC

De Volta 

Poucos dias fora e o tempo dilata-se, renova-se. Volto de um Alentejo verde e novo, alagado pelo Alqueva. Em Mourão preveniram-me logo: isto agora está inundado de água por todos os lados. Comprovo ao longo da estrada, as cabeças de chaparros emergem da água, como banhistas. E outra coisa une as povoações que atravessamos: as ruas de laranjeiras, de perfume inodor, de laranjas redondas, vivas, loquazes mas impróprias para consumo.
Mourão. Uma noite de fim-do-ano, a passear entre ervas e pedras no castelo com luzinhas de árvore de Natal, a jantar o cozido de grão da Adega Velha, ou se quiserem da tasca de um engenheiro, que se cansou de projectos e voltou para os copos e petiscos da terra natal, entre velhas telefonias e ânforas, ao som de improvisados cantares alentejanos a que se junta o coro de poucos clientes“ ó comboio do Marvão/ levaste o meu amor/ levaste e não trouxeste/ olha o que tu fizeste” “ tenho um limoeiro no canteiro do meu jardim/ele dá-me limões o ano inteiro/em troca, rego-o todas as semanas/isto é, se não chover primeiro”. Uma tentativa falhada de encontrar um arraial ou festa na nova aldeia da Luz, tão nova que ainda só foi caiada uma vez, porque afinal a animação se resumia à tradicional fogueira de chão. Doze passas engolidas enquanto estalava o fogo de artifício e os carros buzinavam às voltas na praça central de Mourão. E para encerrar bem a noite uma discussão de casal, paredes meias com o meu quarto, em que ela o acusava de, por terras de Moçambique, cultivar a poligamia e ele traulitava a canção do bandido.
Monsaraz. Primeiro dia do ano. Entre muralhas, ao lado de curiosos como eu, descubro as figuras de gesso do meu tamanho que recriam a Palestina do tempo de Jesus: ovelhas, camelos, os reis magos, guerreiros, a samaritana junto ao poço. Eclipsou-se a vista sobre a planície lisa e homogénea que agora deu lugar a um verde manchado pela água.
Moura. Como o nome indica, três ruas a formar a Mouraria. Um poço árabe. Azulejos no interior da Igreja matriz. E à saída de Moura os moinhos da barca, bem conservados sobre as margens do Guadiana.
Serpa, vila branca. Vila rica, de oliveiras com oitocentos anos. Vila de solares (dos Ficalhos) e casas brasonadas. Vila de Igrejas várias, de portas devidamente trancadas e trancados os seus tesouros por um padre férreo que não está para perder as sua arte sacra à mão de larápios. Torre do relógio. E Igreja matriz de Santa Maria, ou antiga mesquita convertida por decreto de D. Diniz que abonava tais conversões: de antigas mesquitas em igrejas de Santa Maria. À entrada do castelo, uma pedra em riscos de rolar sobre as nossas cabeças, assim suspensa desde as guerras da implantação da República. No cimo, a vista de palmeiras a lembrar Sevilha e a Andaluzia. Petiscos: as melhores queijadas, mel, queijo e pão alentejano ensopado em azeite no excelente:”Molha o Bico”.
Minas de S. Domingos. Cem anos de concessões aos ingleses para arrancarem de dentro da terra pirite cúprica e enxofre, que se escoavam pelas embarcações atracadas no Pomarão. Se a beleza de um edifício se mede pela ruína em que se converte, isto é do mais belo que tenho visto. Apenas carris desconjuntados, traves de ferro oxidado, o que foram máquinas de extracção e separação do minério, entre ervas daninhas, pedras e lama.
Mértola. O melhor dos restaurantes: Alengarve. Ensopado de borrego ou cabrito à moda da casa. Do castelo sem muralhas, admirámos os telhados quase horizontais, o Guadiana a escorrer para a foz. E se não fossem as lareiras de chão a marcar esta quadra do ano quase nos julgávamos na Primavera, tão radioso e azul está o céu, convidando-nos a descer até Vila Real de Santo António. CMC

O Homem do Leme 

Em Maio de 2003, numa altura em que alguns blogs já davam que falar e inspiravam muitos leitores, jantei no São Luiz com o Nuno Costa Santos, a Clara Macedo Cabral e o Luís Filipe Borges, entre outros, por ocasião de mais um “É a Cultura, Estúpido!”. Lembro-me que o meu primo Pedro se virou para o Luís Filipe e disse qualquer coisa como “O meu primo também está a pensar criar um blog.” Estava lançado o mote e, a partir daqui, a conversa entre mim, o Luís e o Nuno rodou todo o jantar à volta do novo blog que dá hoje pelo nome de Desejo Casar.
Depois é o que se sabe.
No DC, o Luís foi O Homem do Leme. Trouxe entusiasmo, polémica e alma a este “barco”. E, principalmente, trouxe qualidade à navegação. Não que ela não existisse, mas, como dizia o poema, porque “Aqui ao leme sou mais do que eu […] E manda a vontade que me ata ao leme.”
Aquele Abraço Luís! LCA

adeus, até já 

Acho mal que o LFB se vá embora do DC. Eu é que costumava fazer isso ao LFB, não ele - deixei uma revista a meio, um programa de televisão a meio... O Luís fazia sempre 769 coisas ao mesmo tempo e normalmente aquilo saía bem feito. Assim, não vale... Acho que temos um jantar marcado para falar destas e de outras coisas.
Por outro lado, é sintomático que se sinta em relação ao DC o que muitos sentem em relação à multinacional em que trabalham - tenho que fugir daqui, não tenho tempo para nada, quero ir fazer surf e estou aqui fechado, em frente a um computador... Isto de facto não deve servir para viver a vida a que se disse não, fechado em escritórios todo o dia e toda a noite, Luís! Assim, vamos ter saudades do compulsivo e genial LFB, mas ele sabe viver para além de um blog e ainda por cima é mais feliz lá fora, onde existe e deseja casar e divorciar-se, viver e morrer, escrever e não escrever, sem o peso do LEITOR e do BLOG e do POST... Afinal, de tudo o que faz e faz, o DC era provavelmente a pior...
MR

Navegar é preciso, Viver não é preciso 



William Turner (1775-1851)
Ulysses deriding Polyphemus - Homer's Odyssey
Oil on canvas, 132.5 x 203 cm
National Gallery, London

RIS

Para o Luís Borges, o membro mais dedicado deste blog desde a primeira hora. E lembra-te: voltar com a decisão atrás, na blogosfera, não será nunca uma «falta de personalidade». Um grande abraço!

segunda-feira, janeiro 05, 2004

desejo divorciar-me 

Tudo tem um fim, menos a salsicha que tem dois.
escrito numa parede da Rua dos Soeiros, Lx


Tomo o título de empréstimo a outros que já o usaram. Despeço-me do DC mais cedo do que pensava. 2003 foi um ano muito cansativo e não quero repeti-lo e blá, blá, blá, trabalho a mais, blá, blá, blá, resolução de ano novo, blá, blá, blá, divórcio amigável, blá, blá.

Resolvi despedir-me com uma catrefada de posts que são um resumo dos meus 8 meses de blogosfera: ora humor, ora sensibilidade, uns gramas de onanismo e outro tanto de enchimento de chouriços. O post anterior, sobre o Alex, é também excelente exemplo de um dos motivos que me levam a acabar aqui a aventura. Uma história como essa poderia dar um conto, uma crónica, podia estar num romance.
Preciso de descanso, espaço e de respeitar aquilo que escrevo.

Deixo-vos sem responder a uma provocação do Luís Osório. Bem, em traços gerais, ele tem razão no que disse e pode provocar-me quando quiser. É meu amigo, meu "pai profissional", e um dos poucos génios portugueses.

Este será, de facto, o ano da confirmação para os blogs. Ficarão os melhores. Aqui ficam os meus favorites:

Miguel Nogueira, Zé Mário Silva, Joel Neto, Pedro Mexia, Francisco José Viegas, Zé Diogo Quintela, Luís Camilo-Alves, Hugo Gonçalves, Pedro Adão e Silva e Filipe Nunes, Rita FR.


Caros casadoiros,

fico-me pelo "DC alternativo", a combinar jantares - como o das 100.000 visitas, no Porto - e a ler-vos diariamente. De resto, e no que diz respeito a hobbies, fico com a encenação dos "Hipócritas", com a iniciação ao surf no sol de inverno de Vila Nova de Milfontes, com a bola às sextas-feiras, com os meus sonhos em línguas estrangeiras e com o desejo de, quando for grande, ser o Hugh Grant. Força nisso e até ao próximo copázio. LFB

amigo de alex 

Conheci o Alex às 3 da manhã de 2 de Novembro, depois da festa de anos do meu irmão, Alexandre. Fumava um cigarro junto ao meu carro quando o Alex surgiu. Vinha bem vestido mas cambaleante, com um violão a tiracolo.
Primeiro pediu uns trocos, depois perguntou se estava perto da Feira da Ladra e depois perguntou-me se lhe dava 30 contos pela viola. Eu não percebo nada de música. Não toco nenhum instrumento. Mas era uma bonita viola e fiquei tentado. Talvez para oferecê-la ao meu irmão, que aprendeu a tocar sozinho. Para me convencer, o Alex, um mariachi moçambicano, sacou da sua bela viola e começou a tocar e a cantar.
Não a comprei. O Alex era bom demais para se desfazer da sua viola. Dei-lhe os trocos que me restavam da noite de copos e desejei, em silêncio, que ele não se desfizesse do violão.
Foi quando ele me pediu para lhe dar uma boleia até à Feira. Não sei o que terá sido. Talvez por ter o mesmo nome do meu irmão. Talvez por tocar e cantar tão bem. Mas aceitei, sem pensar duas vezes. Só dentro do carro é que me ocorreu que o Alex, bem mais alto do que eu, podia dar-me uma facada e - no mínimo - levar a minha carteira do tablier.
Mas não foi assim. Eu é que não consigo acreditar na bondade intrínseca do ser humano. Talvez à noite se abram excepções -
Fomos a conversar sobre Moçambique, sobre a namorada que o Alex deixou lá, sobre o facto de estar desempregado e ser seropositivo.
Custou-me deixá-lo na Feira da Ladra, ainda noite cerrada, com o seu ar cambaleante e o magnífico violão. A desejar apenas que não se desfizesse dele e fosse tocar no Metro para ganhar algum dinheiro. E que a namorada voltasse, com o sol de Moçambique, e o orientasse nas ruas de Lisboa.

Uma semana depois, passei por acaso no mesmo local onde me despedi do Alex. Havia uma vela acesa e um ramo de flores depositado no chão. Sou capaz de jurar que estavam no exacto sítio onde o Alex ficou. Talvez ela tenha voltado tarde demais. Ou o Alex tenha vendido o violão que parecia trazer consigo desde a nascença. Ou outra coisa qualquer, uma morte anónima que tomou o seu lugar, ou -
LFB

almodóvar não mora aqui 

Quase todos os dias, almoço com colegas de trabalho num restaurante do outro lado da rua, onde somos atendidos por um travesti. O homem tem maquilhagem, tem mamas, e dá bitaites aqui e ali sobre projectos da empresa que se discutem ao almoço.
Mas, sempre que consigo evitar o pensamento "Onde terá ele andado com as mãos antes de me servir os filetes?" - penso que o que me perturba não é o Paulinho, ou "Diane L'Amour", personagem bem simpática, por sinal. O que me atormenta é ser atendido por um travesti feliz. Bem mais feliz do que eu. LFB

contradictio in terminis 

Um benfiquista optimista. LFB

Ó pai, vê. 

Durante cerca de um mês, os cartazes de Stand-Up Tragedy estiveram em todo o lado de Lisboa. O meu pai, que vive nos Açores, esteve por cá e assistiu a um dos últimos espectáculos.
Mas não foi o facto de ele ter gostado que mais me satisfez, nem sequer por ter sido a primeira vez que viu um espectáculo meu. Não, foi uns dias antes, quando passeavámos junto ao hotel e - como um menino em busca de aprovação - chamei a atenção dele para o meu nome num cartaz da Alameda. Não é apenas uma imagem. Foi tal e qual como uma criança que não se lembra da última vez que andou de mão dada com o seu pai. LFB

workshop de improvisação com taxistas 

Tenho um dilema por resolver. Uma costela de actor mal realizada que me atormenta. Um dos raros bálsamos que encontro é apanhar um táxi. Explico: 9 em cada 10 taxistas quer conversa. E de cada vez que entramos num táxi é-nos oferecida a oportunidade de inventar uma vida. O taxista não sabe quem somos e, dele, só queremos que nos leve ao destino pelo caminho mais curto e rápido possível.
Por isso pratico: já tive dezenas de nomes diferentes, já fui casado, divorciado e bígamo, já tive meia dúzia de filhos, um deles gay, e já adoptei um preto só para atrapalhar o facho do volante. Já fui cientista, júnior do Benfica, padre e trapezista. Até já fui um americano que namorava a Isabel Figueira. E só pergunto: quando é que a ANTRAL me manda o Óscar para casa? LFB

gosto de contar com orgulho que 

sou licenciado em Direito mas a única vez que estive num tribunal foi como arguido. LFB

o parodiante de Lisboa 

O meu irmão passou dois anos em tratamentos infrutíferos, no intuito de resolver um problema com o número de plaquetas no sangue. Acabou por tirar o baço e resolver o problema. Durante semanas ouviu este tipo de piadas:
"Tirou o baço? Bela maneira de emagrecer sem esforço!", "O baço? Óptimo! Quer dizer que ficou muito mais nítido.", "Coitado... Mas tirou o baço esquerdo ou o baço direito?"
Mas, mais importante do que isto - só a saúde, claro - e a curiosa ironia da vida. É que o trabalho dele é editar os diários da "Operação Triunfo", na Gestmusic. E a operação ao baço foi um êxito... LFB

post perfeitamente confessional e intimista, bastante ingénuo e sobretudo irrelevante 

Não fosse a minha educação católica e o relativo jeito para outras coisas que me dão dinheiro, e teria seguido a carreira de actor porno. Sim, é só. LFB

dúvidas existenciais de início de ano 

1. Souto Moura não será bisneto de Groucho Marx?

2. José Castelo-Branco tem ou não tem a mesma cara que Michael Jackson em 1985?

3. Não serão os Câmara Pereira os Baldwyn portugueses? Não se poderão exterminar uns e outros? Ou uns aos outros? Trinados de tirolês bebâdo contra canastrice pura e dura?

4. Vítor Baía não será o filho efeminado de Gregory Peck?

5. João Pereira Coutinho um Pacheco Pereira em fase de girino?

6. Carlos Castro o filho bastardo de Fidel Castro?

7. E os portugueses em geral um clone fajuto dos espanhóis, a quem faltou implantar o chip do orgulho?

Pensem nisto. LFB

mistério 

Ana Lamy, simpática ex-colega de José Carlos Malato (o irmão anafado de Fernando Pereira) constitui um dos maiores mistérios dos media portugueses: é a única mulher da rádio que só tem trabalho por ser boa. LFB

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