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domingo, dezembro 28, 2003

Domingo de Madeira 



Georges Seurat
«Sunday Afternoon on the Island of La Grande Jatte» (1884-86)
Oil on canvas, 81 x 120
Art Institute of Chicago, Helen Birch Bartlett Collection

RIS


sábado, dezembro 27, 2003

não venhas tarde 

Pela primeira vez comprei uma agenda. Uma bela agenda Taschen com reproduções de Dali. Tão bonita que me faz desejar que o ano comece rápido para, pela primeira vez desde 5 de agosto de 77, ter a ilusão de que a minha vida está organizada. Mas a espera mata-me. É que comprei a dita cuja em Junho, pensando que era 2003/2004, e tenho-a na mesa de cabeceira, a ganhar mofo e humidade dos Açores, desesperando por ser útil, incrédula dos meus propósitos e céptica dos meus objectivos, como aquelas mulheres muito belas, quando percebem que o fim está próximo. LFB

sexta-feira, dezembro 26, 2003

Post pós-natalício II 

É no Natal que melhor se compreende como a infância se tornou um lugar de exílio. IFS

quinta-feira, dezembro 25, 2003

sentimental 

Mais do que a escrita antiga e trabalhada (por vezes quase barroca, cheia de curvas e adjectivos), são pormenores como este que me fazem vibrar com o último livro de Mário de Carvalho:

"(...) O pastor tirou o cinto, e o coronel, lá ao fundo, pensou para consigo: 'não é que eu seja um sentimental, mas se este tipo me bate na Dores leva um tiro nos cornos'". (p.42) NCS

quarta-feira, dezembro 24, 2003

um santo natal ou um natal dos diabos, como queiram 

Amigos, desculpem a ausência mas - chegado aos Açores - encontro-me sem net em casa devido a incompetência da Telepac. Enfim, estou a escrever posts para a solidão do meu pc, na tranquilidade inspiradora de Angra do Heroísmo, que o nosso LCA fará o enorme favor de editar depois do Natal.
Vim momentaneamente ao emprego do meu progenitor para pôr a correspondência electrónica em dia e desejar a todos os casadoiros e a todos os que navegam por aqui, umas festas magníficas e tudo de bom.

aquele abraço,

LFB

Conto de Natal 

Nesta véspera de Natal, resolvi não esperar pelo senhor das barbas (o outro, que não o ministro Morais Sarmento) e, pela manhã, bem cedo, alegrei o meu dia com uma breve ida ao "Continente". Eu não gosto do "Continente" - prefiro o "Jumbo": mas, como é Natal, resolvi ter um gesto magnânimo e fui ao "Continente".

(As pessoas que se aborrecem de ler estas coisas, da vida real dos bloggers, podem ficar já aqui e poupar-nos dez emails a dizer que o nosso blog só devia ter posts importantes, que valessem a pena, com textos no estilo de meninas púberes deprimidas à janela, pelas madrugadas.)

Queria comprar lenha. Não havia lenha. Só havia pinhas. Comprei pinhas (pinhas de zona demarcada, do concelho de Proença-a-Nova). Isto faz sentido: os hipermercados de Portugal são iguais ao País. Aqui também não há hospitais que funcionem bem, trabalhadores produtivos bem pagos, empresas que invistam em si próprias e nos seus funcionários, etc. Mas toda a gente tem o último telemóvel da moda, janta-se fora por 50 euros, corta-se o cabelo a olhar o rio... Não temos lenha, mas temos pinhas. Então, venham as pinhas. E farei uma lareira de pinhas, que deve ser a última moda londrina, o que significa que, para a semana, já Lisboa inteira arderá em pinhas.
O "Continente" estava o que se espera - um desespero. Nos breves minutos em que lá estive, ainda consegui assistir ao espancamento de uma criancinha irritante, pela mãe. Vi gente a gastar 300 euros em garrafas de sumo (que diziam ter 13 por cento do dito) e coca-colas - trezentos euros que dão para cerca de 550 quilogramas de laranjas. Vi duas jovens senhoras entusiasmadas a comprar pilhas, discutindo tamanhos e adequações. E ainda tive tempo para reparar que a comida da Celeste, gata, ali custava mais dois euros que no sítio do costume. À saída, tive mais um gesto natalício, ao aceitar duas moedas de vinte e uma de dez, a troco do meu carrinho, já competentemente inflado da certeira moeda de cinquenta cêntimos.
Agora, três da tarde, tenho caixotes para encher de livros (mudança de casa oblige) e exames para corrigir. Fazer tempo, no fundo. Como toda a gente sabe, o que interessa são as prendas, mais à noite. Porque isto de comer bacalhau cozido e couves é um sofrimento, certo? O Natal devia ter chocapic e caipiroskas, e não peixe cozido, tal como em vez de sonhos fritos, a mesa devia estar cheia de vales da FNAC. Pretensioso? Quem ficar desgostoso com a troca, que atire a primeira pedra. Mas não atire já - espere pela meia-noite de amanhã, quando tudo volta a ser como ontem, e as pedras podem voar outra vez. MR



terça-feira, dezembro 23, 2003

Post pós-natalício 

Daqui a dois dias vai ser como assim foi:

DE UM CONGRESSO DE MIGALHAS
«- Ao grande torneio mandibular que os nossos antepassados introduziram no seu sistema de sobrevivência, com o correr sempre indiferente dos anos, sucedeu este pequeno jogo de migalhas, migalhas de tudo, que ficará como a forma típica do convívio neste tempo. Posto isto, resta-me anunciar, melancolicamente, a abertura do novo ESTÁBULO-VALA COMUM e, para compensação, o crescimento, ainda que trémulo e incerto, do mito das CABEÇAS LIMPAS...
(Vivíssimos aplausos)»

(Alexandre O'Neill; sublinhados nossos) IFS

segunda-feira, dezembro 22, 2003

ÚLTIMA HORA! NATAL NÃO SERÁ CELEBRADO EM PORTUGAL 

PAI NATAL CONSTITUÍDO ARGUIDO NO PROCESSO CASA PIA
UMA INVESTIGAÇÃO COM A CHANCELA DESEJO CASAR

Pela primeira vez em 800 anos, não se irá celebrar o Natal em Portugal. Depois de várias figuras públicas terem já caído nas malhas da justiça, o Pai Natal é agora apontado pelo Ministério Público como sendo o principal cabecilha da alegada rede pedófila envolvendo crianças da Casa Pia. Referenciado há anos por comportamento suspeito com duendes, o Pai Natal foi detido há dois dias num centro comercial de Lisboa, na altura com vários menores ao colo e dezenas de chupa-chupas nos bolsos. O alarme foi dado quando o agente Antunes, da divisão de trânsito de Lisboa, suspeitou de duas renas estacionadas em cima do passeio:” Eh pá, quando eu vi que não tinham a inspecção vi logo que havia ali marosca!”. Já identificado como Abílio da Silva Catarino, um octogenário natural de Vendas Novas, o Pai Natal foi entretanto ouvido pelo juíz Rui Teixeira que lhe pediu um comboio eléctrico. Mais tarde, numa busca domiciliária efectuada ao seu apartamento, foram encontradas centenas de cartas de criancinhas de todo o mundo a pedir brinquedos e guloseimas, facto que não terá passado despercebido ao procurador. O Desejo Casar soube entretanto que a PJ está a investigar uma dessas cartas, contendo um pedido particularmente suspeito: “Caro Pai Natal, eu gostava muito de ter um palácio em Belém. Sempre teu, P.S.Lopes”.
No prédio onde vivia, os seus vizinhos mostraram-se chocados com as acusações:”Para além de se vestir de uma maneira estranha, o Abílio era uma pessoa igual às outras. Costumava dizer-lhe boa tarde quando passava e ele respondia sempre.” Na sequência desta detenção, o governo reuniu-se de urgência para estudar a hipótese de se antecipar o Carnaval, substituindo assim o Natal de 2003 por outro feriado igualmente popular. “Nós tentámos primeiro o Santo António, mas havia aquela coisa de ele andar com uma criancinha ao colo, pelo que tivemos de optar pelo Carnaval”, sublinhou ao Desejo Casar o primeiro-ministro Durão Barroso. LCA

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