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domingo, novembro 16, 2003

Guerras há muitas 

Eu digo como o outro: uma guerra não acaba quando o vencedor vem dizer que ela acabou. Se esse vencedor fizer tamanha afirmação a bordo de um porta-aviões, vestido de militar, de olhar entontecido e der pelo nome de George W. Bush, presidente da nação transformada no «sincretismo do mundo inteiro», então dá mesmo para desconfiar. Primeiro surgem as dúvidas quanto à verdadeira classificação da intervenção militar norte-americana e respectiva pândega, que soa mais a invasão de um país, sem estar justificada por uma legítima defesa de terceiros, mas por uma acção preventiva – afinal, sempre é melhor prevenir que remediar. Admitindo, o que apenas se faz por hipótese, tratar-se de uma guerra, logo surgem os “is” que a classificam, como sejam o “i” de ilegal, o “i” de injusta, o “i” de inquietante. Se se dissesse, também como o outro, que «o sangue é dos outros», talvez se compreendesse a passividade norte-americana; agora, vendo todos os dias nas televisões o número de combatentes mortos a aumentar, estranha-se a falta de soluções que os EUA apresentam. Ora, tratando-se de uma situação de guerra, de combate, então nunca se pode dar por justificado o envio da GNR (a troco de atraentes compensações monetárias, claro) para o Iraque, a quem cabe sobretudo assegurar a paz e que pouca preparação terá em situações extremas, como a que se vive na região iraquiana. Aliás, em relato telefónico para as televisões, os jornalistas portugueses atacados a caminho de Bassorá reconheciam que não estavam preparados nem se tinham apercebido do quão instável se encontrava o triste palco de operações militares. E digo isto sem querer cair, ao contrário do que parece pretender Ferro Rodrigues, na culpabilização do Governo, do género: se a GNR não tivesse sido enviada, então os jornalistas portugueses não teriam ido atrás, e se não tivessem ido atrás, então nunca teriam sido atacados, baleados e raptados.
Resta-nos esperar que George Soros e os amigos democratas consigam derrubar o mais ineficaz e obtuso presidente dos EUA, e que depois se lembrem do pequeníssimo Portugal e de ajudar a empurrar Durão Barroso, em definitivo, às boxes.
HR

aquele abraço 

Há cerca de dois anos, aquando do lançamento em várias cidades mexicanas de "Ventana a la Nueva Poesia Portuguesa", ouvi a frase mais extraordinária da minha vida: "ainda não tinha visto uma imagem absolutamente perfeita até ver-te escrever". Dita em espanhol pela Marina depois de uma sessão de autógrafos à magnífica audiência da cidade de Querétaro. É evidente que a Marina é mexicana e eu relembro que o México é um país muito quente, Querétaro fica no meio do deserto e é sabido que o sol pode provocar danos cerebrais graves.
De todo o modo, a Marina - separada por 10.000 kms de oceano - não pôde estar presente no lançamento. Mas foi uma das raras mulheres da dedicatória que não estiveram lá.
Este é o meu último post sobre o livro, apenas para agradecer a todos os amigos presentes a grande festa, o belíssimo dia que me proporcionaram. Para agradecer a notável solidariedade blogosférica, as palavras escritas de tantos amigos, conhecidos ou desconhecidos, a ternura que me ofereceram com tamanha generosidade e disponibilidade.
Fui surpreendido ainda com a presença de várias pessoas, bati o record guiness de beijos e abraços por segundo e metro quadrado e, apesar de todas as tentativas, não consegui embebedar-me. Não esquecerei o dia 13 de Novembro.

Agradeço também a todos os que escreveram mails a perguntar como e onde poderão adquirir o livro. Prometo responder a cada um de vós, até porque - se não o fizesse - seria espancado por 3 imigrantes ilegais a soldo da editora.
De resto, e para terminar, "Mudaremos o Mundo depois das 3 da Manhã" estará à venda de hoje a uma semana. Como disse Celina, a pessoa que apostou tanto neste livro, "Guarde bem os sentimentos deste dia. Nunca mais se repetirão".
É uma grande e triste verdade. Mas que tinha de viver. LFB

sábado, novembro 15, 2003

à terceira foi de vez 

Terceira é uma excelente palavra. É o nome da ilha onde nasci. É o meu número preferido (como se pode ver pelo título do livro), e integra aquela expressão bem portuguesa "à terceira é de vez". E no caso da Inês, assim foi. Depois de duas apresentações à la Hollywood, enfim chegou a hora de estrear a nossa nova "casadoira", a magnífica Inês Fonseca Santos - que, neste momento, está a falar comigo na sala de sua casa e a ser ignorada... LFB

«É muito fácil, já te explico tudo» (apaziguamento dos nervos da tal Inês Fonseca Santos que, inocentemente e de boa fé, era aquilo a que ontem, depois do fabuloso, comovente e hilariante lançamento de «Mudaremos o mundo depois da três da manhã», ouvi chamar «blogless» [O LUÍS RI-SE FELIZ AO MEU LADO - NÃO PORQUE FINALMENTE ESTOU NA BLOGOSFERA MAS PORQUE VÊ NA MINHA TV «MAD TV»...]) O Luís tenta desesperadamente suspender-me o discurso: «Pronto, já me citaste, podes assinar IFS e carregar no bold e mais nesta tecla.» Não me inibo. Estou com problemas de relacionamento com o público e nunca as teclas do meu computador me escaparam assim debaixo dos dedos.
IFS

sexta-feira, novembro 14, 2003

Mudámos o mundo antes das 3 da manhã! 

Ontem foi o lançamento do livro do LFB que, imaginem, não só deixou a boina à Che e o brinco em casa, como cortou o cabelo. Para assinalar o nascimento do primeiro livro, gerado em 25 anos de vida.
O Luís deu-nos uma boa dose de piadas (ai, estes déspotas do humor!) Atirou, como noivo, um exemplar pelos ares que foi parar às mãos do Rude Golpe. Encheu de autógrafos "pindéricos e lamechas" os livros dos amigos: conservadores, relativos ou de esquerda. Nunca faz as coisas por menos. Aos seus olhos somos os homens e mulheres mais fabulosos do mundo. É de natureza apaixonada, excessiva e generosa.
Esteve vaidoso e com a lágrima ao canto do olho. Afinal à força de SMS, mails, blogs, telefonemas e sem ajuda da editora pois nem dinheiro tem para mandar cantar um cego, tinha ali mais amigos que num dia de aniversário. Difícil, tendo em conta que faz anos em Agosto!
Luís Osório apresentou o homem e desvendou-nos rábulas picantes- nada que nos espantasse- o NCS apresentou a obra, o TR leu poemas, o LCA foi o designer da capa.
Uma bela noite! Os livros também se fazem e valem pelos amigos. E ele teve a casa cheia para acrescentar a sua e a nossa alegria. CMC

fast scriptum 

Para o LFB

Sabe melhor abraçar as memórias junto ao mar, como numa noite em Angra, ou noutra no Porto, ou numa mesa partilhada nas Furnas, com o nosso amigo de sempre, aquele que se zanga connosoco e que vamos amar toda a vida e depois, ou até num bar velho de faculdade velha ou num quarto interior na Praça da Alegria, quando se podia ainda construir o azul que se quisesse, parece que foi noutro tempo, mais feliz, mais pequeno, mas maior, feito de dias que não se sabia se vinham amanhã ou daí a muito tempo, quando se corria Lisboa à procura de dias melhores e maiores, mas sempre se acreditava que acabariam por chegar. Será que corremos do Campo Grande para a Praça da Alegria para a Rua Augusta, ainda sem perder a vontade de grandeza, o riso necesário para combater o mal, a augusta vontade de cuidar de todos os amores? Tu, eu sei que sim. E, já agora, parabéns, pela terceira vez, tão encantada e tão verdadeira como as outras duas. MR

quinta-feira, novembro 13, 2003

Rowan leaves with hole 



Agrada-me a liberdade de utilizar apenas as minhas mãos e "descobrir" as ferramentas - uma pedra aguçada, o eixo de uma pena, espinhos. Eu aproveitos a oportunidades que cada novo dia me oferece: se está a nevar, trabalho com a neve; no Outono com as folhas; uma árvore caída é uma fonte de pequenos galhos e ramos. Detenho-me num local ou escolho determinado material porque sinto que está ali alguma coisa por descobrir. Aqui é onde poderei aprender. ANDY GOLDSWORTHY LCA

Cento e Seis Ponto Dois - Rádio Luna 

In memoriam

Cento e seis ponto dois é a minha rádio. Há muitos anos. Do lado de quem escuta. Porque não tem publicidade. E a música torna-se uma companhia que não quebra o raciocínio interior. Imersa na qual encontro soluções jurídicas, linguagem mais técnica ou registos líricos.
Sei que quem não vive na grande Lisboa não pode usufruir deste privilégio. O próprio Ministro da Cultura se queixou disso. Afirmando que quando se afasta de Lisboa, perde a Luna e entra, em segunda escolha, na Antena Dois.
Há um mês o Henrique Silveira, convidou-me para dizer poesia no programa “Em Volta da Luna” e esta passou a ser a minha rádio do lado de dentro. Do lado de quem emite.
Nesse intervalo, troquei este blog pela rádio, deixei de blogar e passei a “radiar”. Sem grande pena. Blogar faz-se a sós, a rádio faz-se em equipa. Para quem conheça a rádio, é fácil entender a paixão que desperta. Apaixonei-me pela rádio assim que lá entrei. Não é uma paixão efémera. As pessoas que ali trabalham não largam mais os programas ou a colaboração que oferecem.
Uma certa magia acontece mal se colocam os “head-fones”, se faz o teste de voz, nos transformamos em voz, que é nossa, mas alterada, com vida própria, se perspectiva vagamente o ouvinte que está do lado de lá. Ali está a oportunidade de receber os convidados com quem tínhamos vontade de conversar, antecipando perguntas que seriam descabidas à mesa do café. Conversas que são sumo.
Preciso explicar que esta é uma rádio caseira, simpática. Vive de carolas dispostos a dar o litro por nada, dois ou três por muito pouco. Conheci a Susana, a locutora oficial, aquela belíssima voz profunda e límpida, o único técnico de som: o André, os quarentões e cinquentões, eternos adolescentes, a curtir a rocalhada dura e pesada que passa na Voxx (91.6, em Lx, 90.0, no Porto) na maioria tripeiros (um deles dono do Indústrias no Porto), a arrancarem todas as semanas para Lisboa só para fazer o programa.
Colaboram a troco de nada de material, a troco do puro prazer inesgotável que são a emissão, os estúdios, o improviso, a cumplicidade gerada pela partilha do stress.
106.2, ao contrário do que pensem, não tem os estúdios no Montijo, mas em Lisboa. No Montijo está apenas a antena que há coisa de umas semanas, numa noite de temporal, foi atingida por um raio e “crashou” perante os ouvidos de alguns ouvintes. Poucos. 106.2 é para uma minoria. Uma elite. E agora a sua venda à Média Capital é uma ameaça à sua continuação. Nestes moldes. Vai ser só puxar a antena da Rádio Comercial que está dois pisos abaixo e converter estes programas de música clássica, poesia, arte, em música pop comercial, “programas da manhã” que nos põem aos pulos, pré-formatados em computador, com um animador que papagueia o nome da música seleccionada por outros. CMC

P.S- Não tencionava escrever este post, agradeço ao DBH o mote e a simpática referência que fez à Luna.

amigos na prateleira 

Já tenho nas mãos, desde ontem, o objecto-livro. Ao recebê-lo não rasguei o sorriso, não pulei de alegria, não beijei a aliança e apontei para a bancada, não fiz um mortal duplo com encarpado. Estava demasiado ocupado a ver se a lombada não descolava, se havia gralhas no título ou se, apesar de bonito, o livro não cheirava a formol - por algum sobrenatural motivo que não vem agora ao caso.
Certo é que, apesar de algumas ofertas, os livrinhos que recebi ainda estão no porta-bagagens do carro. Não retirei aquele que será o meu objecto e que irá para uma estante onde guardo, orgulhoso, os livros dos amigos. Talvez depois do lançamento, depois de passar o dia 13 de Novembro, 3 dias depois dos anos do meu pai, 13 dias depois dos anos do meu irmão - talvez depois deste dia que se tornará tão simbólico como o meu aniversário, possa então escolher um dos objectos-livro e colocá-lo, feliz, ao lado das lombadas com os nomes Nuno Costa Santos, Pedro Mexia, Alexandre Borges, José Mário Silva, Tiago Rodrigues, Mário Cabral, Rui Machado, António Bulcão, Inês Fonseca Santos, Luís Osório, João Nascimento, Joel Neto, Ivo Machado, Sofia Lemos, Nuno Artur Silva, Benjamin Valdivia, Roman Lujàn, Jeanne Karen, Octavio Cesar, Afonso Melo e Marco Gomes. A árvore também já está. LFB

Assim vale a pena! 

O DBH, ao mesmo tempo que me dá um abraço, prega-me um extraordinário pontapé. Mas um pontapé espantoso, com a classe do Platini e a violência do Eusébio. Assim, com gente desta categoria, vale a pena polemizar.

Obrigado, Diogo. E, a propósito, I give up!LFB

quarta-feira, novembro 12, 2003

Os cães ladram e caravana passa 

Este ano, já se percebeu que a luta dos estudantes universitários vai passar apenas pela contestação dos valores das propinas e pela organização de manifestações - que sempre acabam por se concentrar em Lisboa, em frente à Assembleia da República. É mais do mesmo, já que todos os anos não se ouve dos estudantes qualquer outra reivindicação que não a de não pagar propinas. Eu, que já fui estudante, que já paguei propinas, concordo com esta contribuição imposta a todos aqueles que estudam, se bem que o aumento do valor poderia ter sido estabelecido de forma gradual, para que a diferença não se fizesse sentir tão bruscamente no bolso dos pagadores.
Entre estudantes que reconheçeram que pagam mais em gasolina ou numa saída à noite do que pagariam mensalmente pela propina e estudantes que não têm, de facto, condições para suportar o aumento estipulado quase aleatoriamente pelas faculdades (estudantes a quem devem ser, portanto, atribuídas bolsas), pude ver, embasbacado, a Faculdade de Direito de Coimbra fechada a cadeado, o que impede a entrada de quem quer que seja (isto é, de quem queira trabalhar, leccionar, aprender), e a Porta Férrea a servir de estacionamento a uma carrinha da Associação Académica. Por sinal, a carrinha era de marca Mercedes. Mercedes! Quantas propinas ou bolsas não seriam asseguradas com o valor desta carrinha?
Ainda embasbacado, li a crónica de Helena Matos, a propósito da geração "bledine", supostamente constituída por meninos mimados e egoístas que não querem pagar proprinas por capricho. Como é que Helena Matos pode esquecer que não são propriamente os alunos a não querer pagar, mas os seus pais? É normalmente do bolso dos pais que sai o dinheiro para pagar a educção dos filhos, não é? Que se paguem proprinas, mas que se combatam as propinas por parte de quem as não pode, de facto, pagar, que acabam sempre ou quase sempre por ser os pais, e não os alunos.
HR

terça-feira, novembro 11, 2003

um abraço para a Alemanha, outro por cá 

1 - Caro Ricardo, o exemplar está guardado e dedicado. Fica junto à garrafa de vinho para quando regressares. Muito, muito obrigado.

2 - peço desculpa pela minha obsessão com o lançamento do livro. Prometo que terminará sexta, no máximo. Mas queria dizer que, mais simbólico que o objecto-livro, para mim, será a presença na 5ª de pessoas que não vejo há muito e de pessoas que, mesmo num momento difícil da sua vida, garantiram-me a sua presença. Para estas, mais do que palavras, uma promessa: estou sempre perto, mesmo que o melhor que tenha para oferecer seja uma qualquer piada parva e um carinho. LFB

re: post absolutamente confuso e relativamente irrelevante  

Caro Luís,
agradeço a simpática sideração pública e aproveito para te dizer algo como "os teus textos fazem-me lembrar os melhores momentos do Brian Ferry". Aliás, deviam ser saboreados em conjunto, acompanhados de um bom copo de vinho. Como infelizmente não conseguirei estar presente na apresentação do teu livro, deixo-te aqui os meus parabéns (espero que os venhas buscar). Guarda-me um exemplar e toma lá um abraço,
REC


NOBREZA 

Há posts que custa escrever. Sobretudo quando se tem um ego apreciável, como eu. Mas quero registar, num só texto, a vergonha e a nobreza.
Hoje, um colega de trabalho que conheço mal, e que tem um blog, veio calmamente pedir-me que tomássemos um café. Fomos. Mais tranquilo ainda explicou o que o perturbava. Num dos projectos em que trabalho teria utilizado uma piada dele. Era verdade. E não deixa de ser menos verdade por estar convicto de que me lembrei daquela piada quando sucedeu o acontecimento a que ela se reporta.
Explico. Na minha profissão é preciso ter cuidado. Sobretudo quando se lê toda a imprensa, se vê a TV e muitos filmes, e se lêem tantos blogs. No humor, muito foi feito e experimentado e muitos pensam nos mesmos temas e nas mesmas coisas que nós. Por isso, das duas uma: ou evitamos ver certas coisas ou vamos revê-las para assegurar que não erramos. Pensei nisto o dia todo e creio que deve ver-se aquilo que se gosta. Daí o cuidado, a precaução. Sobretudo quando, noutra ocasião, quase utilizei inadvertidamente uma piada que outro tinha escrito.
Suponho que dou razão, neste texto, aos que acusam a blogosfera de ser um gigantesco divã virtual. Basicamente, sou um católico a expiar a sua culpa. Aliás, tenho-me sentido durante todo o dia como aqueles beatos moralistas que vão à missa mas dão facadas no matrimónio.
Mesmo estando convicto da minha boa-fé, mesmo tratando-se de um projecto que não assino, mesmo tendo sido reprodução inconsciente, sinto-me envergonhado. Lembrei-me das aulas de Direito e do conceito de negligência. Coro de pensar nisso. E mais envergonhado me sinto por pensar que, no lugar do meu colega, não teria a sua elevação. A nobreza de falar, antes de mais, com o visado. Neste caso,

yours truly,
Diogo Morgado

ps: o lado positivo talvez esteja no aspecto comercial do meu primeiro livro de poemas. Pode ser que tenha "picado" o Yeats ou o Cummings. Enfim, tinha de vir a piadola... Agora a sério - e para terminar, o dia de hoje lembrou-me de que podemos ter a mania que somos perfeitos e superiores. Mas é só isso, a mania. LFB

o erro 

e quando se vê que se errou, que se erra a cada dia, sem retracção possível e sem memória de alternativas? errar, um puro e simples erro, não a errância do errare humanum est, que apela à perfilhação de todos os caminhos, não a incerteza de não saber traçar rotas definitivas, mas errar, avançar pelo engano absoluto, pela negação da certeza feliz. o erro que faz dizer mas se calhar não quero viver já, quero descansar um pouco e voltar depois, quando souber melhor como te trazer a paz à boca em cada palavra. MR

CONVITE ON-LINE 

Sucede que a minha editora, e eu próprio, não temos dinheiro para mandar cantar um cego perneta com uma dor marreca nas costas, por isso não há convites em postal ou outro qualquer tipo de papel giro.
De formas que, e além de todos os que já convidei por e-mail, telefone, sms, carta, telegrama, morse, linguagem gestual, post, fax, pombo-correio ou sinais de fumo,

gostaria ainda de convidar para o lançamento do meu primeiro livro os amigos, conhecidos ou desconhecidos, do:

Gato Fedorento, A Praia, Barnabé, Janela Indiscreta, Marretas, Mar Salgado, Conversas de Café, Epiderme, Extravaganza, Homem a Dias, Little Black Spot, Memória Inventada, A Natureza do Mal, Prazer Inculto, O Projecto, A 5ª coluna, Tradução Simultânea, Bomba Inteligente, Palavras Mudas, Pegada na Areia, Montra de Prémios e todos os que não me perdoarem por me ter esquecido deles.

Uff! LFB

ps: mais informações no post abaixo.

Então é assim: 

O MADRES DE GOA é um bar fantástico que fica na Rua dos Industriais, nº9.
A Rua dos Industriais é uma pequena perpendicular da Avenida D.Carlos I, a primeira à direita de quem vem da Assembleia a descer para a 24 de Julho/Santos.
Na 5ª feira, dia 13, pelas 21h - o bar tem o seu primeiro lançamento de um livro,

Mudaremos o Mundo depois das 3 da Manhã,

de Luís Filipe Borges

O Borges sou eu. Um gajo que vai tentar perder até 5ª os 10 quilos que tem a mais, cortar o cabelo e a barba e desmentir, de uma vez por todas, o rumor que o dá como sobrinho-neto do Jorge Luís Borges, esse tipo obscuro que - tal como eu - nunca ganhou o Nobel.

O Tiago Rodrigues, melhor actor português, e o Alfredo Brito, melhor voz nacional, dirão poemas. Pelo menos estes. O jornalista Luís Osório (meu "pai" profissional) e o Nuno Costa Santos (meu "irmão" mais velho) tentarão enganar os presentes sobre o autor e a qualidade do livro. A Tágide estará representada pela editora Celina Veiga de Oliveira. Há comes e bebes e, pode ser que seja desta!, devo acabar a noite a pôr música, com a camisa aberta até ao umbigo, e a pensar que o mundo - afinal - é uma maravilha e que Durão Barroso é o melhor primeiro-ministro da História da democracia europeia.

Apareçam. Sobretudo se gostam de nos ler, sobretudo se enviam mails, construindo aquilo que o TR já chamou de "Desejo Casar alternativo". Dêem-me esse prazer. LFB

segunda-feira, novembro 10, 2003

tu conheces os sons 

tu conheces o som do outono alemão, das folhas secas que pisamos indolentemente. vês como as cores conquistam o nosso jardim, envolvem as recordações do verão passado, passado na mesa no canto, ao pé da árvore. o nosso lugar, onde jantámos, rimos e bebemos vinho, ficou escondido pelas folhas, testemunhando o encontro furtivo das duas estações do ano. quando olho pela janela da cozinha, nas nossas águas-furtadas, apenas oiço o silêncio a esfumar-se pelas chaminés, o cheiro dos aquecimentos a carvão a anunciar a chegada do frio, o voo dos pássaros. os suspiros da madeira na lareira acompanham o leonard cohen, que religiosamente começo a ouvir por volta do dia de anos do diogo. se me perguntares, dir-te-ei que apenas o consigo sentir quando faz frio e as mãos se aninham nos bolsos do casaco, quando o gorro nos aconchega as ideias. quero-te lembrar que quando as árvores se despirem, quando a terra se despedir do manto acastanhado, irá chegar a neve, a mesma que nos acordou naquela madrugada, no primeiro inverno que passámos na nossa primeira casa, e cujos flocos nos acompanharam até ao parque, onde patinámos no lago congelado. irás então voltar a conhecer também o som do inverno a aconchegar os nossos passos. REC

Sopa de ti 

A Rita escreve coisas maravilhosas.
Mesmo sabendo que escrever é palavra demasiado pequena quando em cada letra queremos dizer sentir. LCA

Ladrão que rouba ladrão 

Na semana passada fiz o meu primeiro assalto. Nunca tinha assaltado ninguém antes (excepção feita, talvez, a um puto na primária a quem fanei três guelas - um deles abafador - e a quem vim, posteriormente, a atribuir um calduço). Mas, dizia eu, para fazer o assaltou bastou-me ter o carro estacionado à porta de casa.
O meu chasso tem mais de dez anos, acumula todo o tipo de papéis inúteis (take-away chinês, multas de estacionamento), esferográficas avariadas e, no porta-luvas, o objecto de mais valor que se pode encontrar é um matutazo de 1995.
Só dou boleia a amigos que tenham sido vacinados contra o tétano e a porta do condutor não se abre pelo lado de fora pelo menos há seis anos, facto que me leva, ciclicamente, a ter de entrar pelo porta-bagagens. Tenho um limpa-brisas diferente do outro, o espelho retrovisor do lado esquerdo só recolhe com a ajuda de um calhau da calçada a fazer - justamente - de calço, e a última vez que acendi um cigarro com o isqueiro de bordo foi noutra reincarnação. Fora isso, está impecável, i.e., leva-me do ponto A ao ponto B - a única coisa que eu exijo de um carro.
A vítima foi um larápio que se lembrou de assaltar essa coisa a que eu, carinhosamente, chamo de carro. O meliante perdeu o seu precioso tempo, energia (forçar a porta, vasculhar o porta-luvas, acesso à bagageira através do banco traseiro) e não levou nada. Obviamente, o assaltado foi ele. LCA

a mais bela despedida 

O Miguel anuncia uma paragem com o mais bonito texto de despedida (ou até logo) da blogolândia. Enquanto ele não regressa, ficam muitas palavras - todas - para ler. Com uma ternura tocante, um humor subtil, uma grande paixão pelo cinema e "somewhere over the rainbow" para ouvir, sempre que nos apeteça. Mesmo aqui ao lado, num dos melhores blogs portugueses. Um abraço e até já. LFB

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