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domingo, novembro 09, 2003

post absolutamente confuso e relativamente irrelevante 

A caminhar para o final de um domingo no trabalho faço uma pausa para respirar. Mesmo com o espírito natalício, o que vou dizer a seguir não interessa nem ao menino Jesus, mas que fantástico fim-de-semana de trabalho tive!

E pronto! Explico a alegria: é que, por vezes e apesar de estar absolutamente realizado profissionalmente, custa pensar que não tenho sequer o fim-de-semana para me dedicar às pessoas queridas. Como mau amigo, contabilizei neste weekend:

4 jantares recusados,
uma viagem ao Algarve,
uma festa com o seguinte convite: "Cheia de mulheres carenciadas de sexo masculino". Nega essa que me fez pensar seriamente sobre a minha orientação sexual. Ou então, além de cafés e cigarros também já sou workaholic. É assim que se escreve?
Enfim, mas serve este post confuso para salientar algumas alegrias casadoiras. Estou feliz pelo regresso do Grande Arquitecto, o nosso Barnard, siderado com a qualidade do Ricardo Esteves Correia, apreensivo com as ausências prolongadas do AB, LDA e CMC, e feliz com a perspectiva de - e apesar de todas as piadinhas - termos mais um elemento a caminho. Que entrará directamente para a categoria de mulher mais bonita da blogoesfera, que me perdoem as restantes. Aguardem. Pode ser que façamos uma edição especial, com fotos.
Este fim-de-semana, produzi tanto e tão intensivamente e com tamanho gozo que, ao menos, senti o consolo (fraquinho) de estar a desleixar as amizades por motivos razoáveis. LFB

Justerini & Brooks & Poetry 

Caro João Pedro, os excelentes J & B estão convidados - sem dúvida. Aliás, precisarei deles para acalmar a ansiedade. O lançamento será uma óptima oportunidade para finalmente nos conhecermos e agradecer-lhe o post de ontem. Já agora, dê uma olhada ao seu mail: está lá um poema para pré-publicação no GF. Não vai em attach, está logo depois do meu abraço, na própria caixinha de escrita do e-mail. Não me podem dar um dedo, que quero logo a mão toda!LFB

ossos do ofício 

Ao convidar todos os amigos por sms para o lançamento do livro, peço confirmação. As melhores respostas vieram, sem dúvida, de ex-namoradas: "obrigada mas penso que não!", "Deves 'tar a brincar comigo!", "obrigadinho mas prefiro dar banho ao cão", "quem é que pensas que és?!" ou o meu preferido "vai mas é ver se te enr...", enfim. Interessante ironia. É que o livro é dedicado a elas, precisamente. O que só vem demonstrar como a arte pode ser auto-destrutiva. LFB

sábado, novembro 08, 2003

um poeta não diz coisas dessas, filho! 

Lendo o texto de João Lopes, hoje no DN, confirmo uma impressão antiga: JL seria o único homem capaz de repensar toda a pop-art a partir de um cagalhão da Madonna. LFB

Libertem José Castelo Branco! 

Cada país tem o Múmia Abu-Jamal que merece. LFB

The saturday afternoon show 

Quem faz humor, tem uma vida santa.
Quem faz amor, não.

Quem come pipocas, dorme à noite em casa.
Quem come pipis, dorme por vezes na Judiciária.

Quem vê televisão, nunca é visto pelos outros.
Quem faz televisão, às vezes é.

Quem abraça a namorada no cinema, sente-se feliz.
Quem abraça caixas de DVD's alugados, não.

Quem escreve para blogs, finge que tem uma vida.
Quem tem uma vida, finge que lê blogs.

Quem gosta de sashimi, gosta de ter pauzinhos em casa.
Quem gosta de cozido, gostaria de não ter pauzinhos na cabeça.

Ah, a vida... "It's often said that life is strange... Oh yes, but compared to what?". MR



sexta-feira, novembro 07, 2003

bela maneira de começar a promoção 

Acabou de chegar ao DC uma pessoa que fez a seguinte pesquisa no Google: MUDAREMOS+o+MUNDO+DEPOIS+das+3+da+MANHÃ.
É o título do meu primeiro livro de poesia. Estou babado. Mãe, se - por algum milagre aprendeste a trabalhar com o computador! - e foste tu, muito obrigado!

Estão todos convidados.

Apareçam na 5ª feira, 13 de Novembro, pelas 21h, no MADRES de GOA, um agradável bar na pequena Rua dos Industriais, primeira perpendicular da Avenida D.Carlos I, à direita de quem vem da Assembleia da República, entre a Casa México e o ISEG. Há Gin Tónico e comezaina. E pessoas espectaculares a apresentar o livro e a ler poemas. Voltarei a este tema.

Marquem nas vossas agendas e tragam 8 euros, por favor. É que, se isto não paga a edição, terei de passar a escrever para o blog, algures da Tanzânia, onde estarei refugiado dos meus raivosos editores.LFB

Pedro Zamith 



Amanhã, dia 8 de Novembro, inaugura em Lisboa, na Galeria Monumental (Campo Mártires da Pátria), a exposição de artes plásticas de Pedro Zamith: Tóquio - Hong-kong - Xangai - Singapura.
Estão todos convidados a conhecer o trabalho do artista, o artista em pessoa e, se lhes apetecer, a cantora Madona que já confirmou a sua presença.
Ok, a Madona não vai, mas não é por isso que vai deixar de valer a pena.
A não perder. LCA

ORDENADO PARA BLOGGERS 

No fim de um dia cansativo, vinda do nada - como todas as boas surpresas - recebo uma mensagem a agradecer um post que escrevi há uns 15 dias. Uma mensagem tão terna como inesperada. Numa altura em que me custa tanto encontrar tempo para o blog e, sobretudo, para as pessoas queridas, um gesto destes não é apenas um gesto. É um cachet, um ordenado, um recibo verde livre de impostos, um prémio monetário digno de estrelas literárias. Mais ainda quando o remetente é uma dessas pessoas estranhas, ostracizadas, mas que insistem em sair à rua sem vergonha: pessoas que não têm um blog.

Soube tão bem. LFB

quinta-feira, novembro 06, 2003

Arte Conceptual Ou Arte Exumada (2) 

(...) Fabrizio não conseguira ainda comunicar com os olhos da sueca. Tinha receio. Uma pálpera mais distendida ou uma pupila mais afilada poderia de imediato comprometê-lo. Aguardava pelo momento mágico em que ambos, distraidamente, chocassem de súbito numa erupção de certezas e de verdades. Aquele olhar sem reservas, descarado e tranquilo ao mesmo tempo. Aguardava por isso e pelo congelamento do espaço, quando tudo à volta se desfocasse e apenas houvesse uma impressionante macro a relevar uma expressão ou um gesto. Acreditava que só assim poderia funcionar. Enquanto o imaginava, porém, tudo nele era falso e fabricado. Qualquer movimento ou olhar, nada mais que uma contínua actuação em prol de um desejo pouco esboçado. Poderia ser aquela como qualquer outra. Apenas o acaso a trouxera ao mesmo lugar, durante o tempo suficiente para engendrar um plano e construir emoções. Não era mais bela do que outras que vira na noite passada. Não tinha uns olhos especialmente crepitantes ou inéditos. Nem qualquer outro aspecto físico de relevo, que Fabrizio não tivesse observado já em centenas de outras mulheres ao longo da sua vida. Estava apenas por perto, no seu campo de acção, permitindo-lhe um cogito um pouco mais prolongado do que aquele que sucede entre duas paragens do metro. O passar do tempo civiliza-nos, pensou. Ao observar uma imagem fugaz de beleza, concentramo-nos apenas em assimilar as suas formas o mais rápido possível, descortinando qualquer omissão e adivinhando o enorme prazer que supostamente teríamos. Nada existe de emocional nesse momento: instinto, composição acelerada de uma imagem imediatamente desfeita minutos depois. Isto poderia suceder ao homem que viveu cinquenta anos com a sua mulher. Se a visse por um minuto, desejaria apenas agarrar-lhe determinada parte do corpo. Se a visse por cinco, imaginaria uma posição extravagante. E ao final de uma hora estaria em refracção.

Fabrizio rondava-a, num processo civilizacional permanente. Desde a detecção primitiva, em que lograra encontrar o seu objecto, até à explanação, mais ou menos confusa, de uma ideia sobre o indivíduo e sobre um eventual enlace. A cada segundo, um novo elemento se juntava a essa construção. Consultava agora o relógio, verificando que o museu encerrava em menos de um quarto de hora, e esse era um patamar egrégio na evolução. Pensava friamente, ordenando uma frase e constituindo um gesto. Avançava ainda mais, considerando já uma hipótese de posteridade – que lhe iria propor, qual o local de encontro, onde jantariam? Era um sapiens sapiens, lentamente saído das trevas para o labirinto das percepções. Neste estádio maturado e consciente, sabia que apenas algo de muito primitivo lhe permitiria dar o primeiro passo. Notou que a mulher escrevia num papel e em seguida erguia claramente os olhos na sua direcção. Nesse instante ruiu o homem civilizado e inteligente, e um pequeno selvagem sem escrúpulos substituiu-o na acção. (...) RIS

mais máscaras, benévolas 

Enfim, que não passa por entre os dias o que passa por entre as vozes cruzadas, por entre o que se diz em vez de dizer outra coisa. E, de seguida, é olhar o relógio, ver o tempo, como se o tempo se visse de vez em quando, tal como fotografias antigas arrumadas na caixa das pessoas zangadas, mas silenciosas, ou lombadas de livros na estante, entrevistas do corredor. Amar o tempo das personagens inquietas das histórias, amar o tempo dos preceitos incumpridos – enquanto, na volta, resta esperar que uma harmonia qualquer se diga, inteira e corajosamente, “sou eu”. MR

Resolução do Futuro do Mundo 

Se se olhar bem fundo nos olhos de uma mulher, mas bem fundo mesmo, pode ser que se vislumbre, por breves momentos e entre a esperança aprisionada, parte do futuro da humanidade. BR

brain fitness 

Há quem vá ao ginásio por causa das miúdas. Há quem vá ao ginásio por causa dos miúdos. Há quem vá ao ginásio porque é giro ir ao ginásio. Há quem vá o ginásio a mando da namorada ou da mulher. Há quem vá ao ginásio para engatar miúdas. Há quem vá ao ginásio para engatar miúdos. Há quem vá ao ginásio por causa de uma receita médica ou por prestígio social. Eu vou ao ginásio para pensar (e também para perder vários quilos, mas isso não ficava bem escrever neste post). Descobri, por estes dias, que não há melhor sítio no mundo para pensar nos mistérios da vida e, já agora, ter uma ou outra ideia do que o ginásio. E, se calhar, não estou só. Ou melhor: desejo não estar só. Entre a passadeira e o remo, por detrás das rugas de esforço e humilhação, poderá haver gente a ter uma ideia para um romance, um filme, um poema, um artigo, um sketch, o problema do défice, as obras da casa de banho dos fundos. Às vezes, as ideias entram naquela assembleia de suor ainda em bruto e só depois da tortura dos exercícios é que ganham definição, rigor - é que, à semelhança de um corpo que procura sensualidade, encontram a forma certa. Como se as malditas ideias também tivessem gordura a mais e pudessem perder calorias. NCS

quarta-feira, novembro 05, 2003

Amplexo 

Pedro Baía, estudante de arquitectura, membro do corpo editorial da revista NU e
director-adjunto da NU#17_Revolução Digital, após gentilmente me convidar para este número, que irá reflectir sobre os benefícios e consequências do Digital para o futuro da arquitectura, avisa-me do seguinte blog, que aqui parabenizo;

Já agora deixo-lhe a indicação do mais recente blog de arquitectura EPIDERME:
Pedro Jordão, o primeiro director da NU, é quem está por detrás desta
epiderme.


A revista NU é uma publicação mensal de arquitectura dirigida por Bruno Gil e produzida pelo NUDA - Núcleo de Estudantes do Departamento de Arquitectura da Universidade de Coimbra, desde Abril de 2002.
A revista NU não tem fins lucrativos, tendo um preço de capa que serve unicamente para cobrir os custos de produção. Pretendemos contribuir para um ensino dinâmico da arquitectura, em que o debate de ideias e uma informação diversa e de qualidade deverão ser pilares fundamentais. Para isso, consideramos essencial a pluralidade da publicação, reflectindo-se este princípio na escolha dos temas e nas colaborações, que, desde o início, têm ido para além do âmbito do nosso Departamento de Arquitectura.
Até hoje foram publicados doze números que contaram com a colaboração dos mais reputados arquitectos e críticos nacionais e estrangeiros como Toyo Ito, Beatriz Colomina, Alberto Campo Baeza, Mansilla+Tunon, Francesco dal Co, Peter Testa, Alves Costa, Souto Moura, Graça Dias, entre muitos outros.

BR

Notas da semana 

1. Como assustar crianças, colocando-lhes questões interessantes
Na noite de Halloween (que estranhamente se celebra nos Açores, em antecipação ao triste dia do Pão-por-Deus), perguntava a jornalista da RTP-Açores a uma criança mascarada: “Viste fantasmas?” A criança respondeu afirmativamente, mas a jornalista não se contentou: “E acreditas em fantasmas?” Tornou a criança a responder pela afirmativa, agora mais a medo. Está bem que fosse noite de Halloween, mas a jornalista não devia ter assustado a pobre criança. Só faltava continuar o interrogatório: “Sabes que existem fantasmas, não sabes?”; “E sabes que os fantasmas são maus para as pessoas, sobretudo para as crianças, não sabes?”; “Sabes que os fantasmas aparecem de noite, quando as crianças dormem, não sabes?”; “E sabes que arrancam braços e pernas, não sabes?”. “Pronto, agora vai lá brincar”.
A mesma jornalista pergunta a outra criança se vai fazer asneiras e portar-se mal com os pais, quando chegar a casa, depois da fatídica noite. O interpelado responde que sim, mas pela sua cara, percebe-se que nem tinha pensado nisso. Já agora, obrigado pela sugestão.

2. A estrela da companhia
O advogado-estrela, verdadeiro “self-made man, embora à custa da televisão e do jornal 24 Horas”, de seu nome José Maria Martins, disse a uma jornalista da SIC, a propósito do pouco discutido processo Casa-Pia: “Ganhava-se que (...) e ganhava-se que (...).” Pois. Ganhávamos todos que ele se calasse.

3. Glorioso ma non troppo
Luís Filipe Vieira ganhou as eleições para a presidência do Sport Lisboa Benfica, com uma percentagem de votos superior a 90% (curioso: lembra, por exemplo, as eleições no Iraque). A jornalista da RTP pede-lhe uma palavra. Luís Filipe pensa um pouco e responde: “Obrigado”. Foi pouco imaginativo; podia ter dito caleidoscópio, vaso ou andorinha, mas preferiu dizer “obrigado”. Não se percebe muito bem a quem é que Luís Filipe agradeceu, se à jornalista, que apenas pediu uma palavra, e não quatro ou quinze, se ao proprietário do carocha vermelho que se ofereceu para o levar da sede de campanha até ao novo estádio, na companhia de Vilarinho e de Cristina Caras-Lindas (era ela, não era?). Já ao presidente Vilarinho, a jornalista pede que exteriorize o que lhe vai na alma: “Sinto-me mais emocionado do que quando fui eleito!” Bom, se calhar ele não queria mesmo ter sido eleito.

4. Alguns dados desinteressantes sobre as eleições do SL Benfica
174.000 votos para Luís Filipe Vieira, o que equivale a 90,47%, contra 7,2% de Jaime Antunes e 0,7% de Guerra Madaleno; cerca de 1.600 votos brancos; 1.233 votos nulos.

5. A bola é redonda, mas nem sempre. Também pode ser quadrada
O jornal “A Bola” nunca faz capa com o Futebol Clube do Porto (salvo em pequenina nota de rodapé). Fê-lo, porém, há dias, para mostrar as fotografias da famosa agressão do Deco ao árbitro. Pelos vistos, entre desprezar uma chuteira, atirando-a, e fazer pontaria ao árbitro, atirando-lha, já não há diferenças.

5. Afinal, os americanos sabem que o futebol existe
Na lista CNN World Soccer, o FC Porto surge em 8º lugar, à frente de Marselha e Ajax, e atrás da Juventus, do AC Milão, do Real Madrid, do Deportivo da Corunha, do Manchester United, do Estugarda e do Cruzeiro.
Agora que Luís Filipe Vieira é presidente do Benfica, esperamos ansiosamente que cumpra as promessas que fez, para vermos a equipa ocupar, naturalmente, o primeiro lugar daquela lista.

HR

Literatura da Merda 

Existem vários tipos de literatura. De entre os mais difundidos destacam-se à cabeça o romance, a poesia, a prosa e o conto, para dar somente alguns exemplos. Existe, porém, outro género literário que, embora pouco divulgado, é muito popular e encontra-se fortemente enraízado na sociedade. Falo, como todos devem ter percebido, da Literatura da Merda.
Apesar de muito remota, a Literatura da Merda não é tão antiga como o cagar. Desconhece-se em rigor o ano do seu aparecimento, mas sabe-se que terá surgido na mesma altura em que se inventaram as retretes. Geograficamente, podemos situá-la perto de Valadares, no norte de Portugal, região afamada pela produção de retretes, lavatórios, bidés, ou qualquer tina miserável que se submeta a um banho de esmalte.
Contudo, a Literatura da Merda não deverá, em hipótese alguma, ser confundida com a "literatura de merda" - variante menos higiénica e perfumada, muito em voga nos dias que correm. Se por Literatura da Merda considerarmos tudo aquilo que se lê na casa-de-banho enquanto se satisfaz um imperativo fisiológico primário, na "literatura de merda", por seu lado, nem as páginas se aproveitam para limpar o cú.
Ao contrário da "literatura de merda" - infelizmente muito vasta -, quase não se fala da Literatura da Merda. Votada ao esquecimento, ela é malquista e desconsiderada nos meios intelectuais, sendo os seus autores frequentemente discriminados. É, pois, chegada a altura de dizer basta!
Em primeiro lugar, existem obras de referência incontornáveis, às quais devemos a nossa maior atenção. Em segundo lugar já vai sendo tempo de nos assumirmos todos como leitores assíduos deste género literário (quem nunca se sentou a uma retrete e não leu a embalagem de um champô, que atire o primeiro cagalhão). Não tendo nada que ver com as revistas empilhadas ao lado da pia, a embalagem de um desodorisante vale como obra-prima em si, pelo menos enquanto se obra. Atente-se, por momentos, na seguinte citação de Vasenol:

"Formulação Especial
O Stick desodorisante dermoprotector enriquecido com Proderma e vitamina A, cuida e hidrata a sua pele, eliminando os odores e garantindo a protecção eficaz. Sem álcool.
ATENÇÃO: NÃO APLICAR SOBRE PELE IRRITADA OU FERIDA."


Mas quem é que ia ler esta merda se não estivesse sentado a cagar? A quem poderia isto interessar? Ainda por cima vem escrito numa letra ínfima, praticamente ilegível. A verdade, ao contrário do que dizem alguns intelectuais com prisão-de-ventre, é que a Literatura da Merda, em particular deste autor, poderá ajudar o leitor a relaxar e a descontrair, ao mesmo tempo que ajuda o tempo a passar. Tomemos outro exemplo, desta feita escrito por Nivea, retirado da obra "After Shave Bálsamo Sensitive":

"Protecção e Cuidado
Os ingredientes de cuidado - Hamamelis e Bisabolol - protegem e amaciam, proporcionando toda a hidratação necessária. [...] Testes dermatológicos provam compatibilidade com a pele."


Enfim, o que dizer... Quase que poderíamos passar um ano inteiro a escanhoar a face sem nos apercebermos da verdadeira importância do Hamamelis e do Bisabolol. E se nestes dois trechos parece haver uma clara obsessão com a pele e a sua hidratação, já no excerto seguinte, de Hansamed, tal prurido não se verifica. Senão vejamos:

"Utilizar apenas no exterior dos ouvidos e nariz sem penetrar no canal auditivo ou nasal. [...] ...garanta que a sua cabeça está bem firme de forma a evitar movimentos bruscos."

Ora, na posição em que estamos (sentados na retrete), não podemos garantir em segurança a ausência de movimentos bruscos. Não obstante, quem é que iria enfiar, por iniciativa própria, um cotonete numa narina? Pela leitura desta obra percebe-se imediatamente que ninguém deverá manipular um cotonete numa pista de dança. Embora muito poucos se tenham lembrado, até hoje, de transportar semelhante alfaia para uma discoteca, fica desde já o alerta.
E fica assim, por demais provado, o verdadeiro alcance da Literatura da Merda em Portugal. É tempo de se fazer justiça ao riquíssimo acervo que repousa em cima dos nossos lavatórios, bem como aos seus autores, tantas vezes menosprezados e votados ao abandono. Toca a arrefinfar essas nádegas nesses tampos de sanita e pegar no vasilhame que estiver à mão. Leiam tudo o que apanharem e não se esqueçam de puxar o autocolismo, pois, ao contrário do que o nome indica, a Literatura da Merda ocupa-se, sobretudo, da higiene. E, de futuro, quando se fizerem estudos e ensaios sobre este género literário, coloque-se em epígrafe a frase "Limpa a alma e hidrata a pele".
Termino com um aforismo - um dos meus preferidos - de outro grande expoente desta forma singular de escrita. Poderia citar aqui um Dove, um Sanex, um Palmolive, ou até mesmo um Badedas - porque não? -, mas só um autor de gabarito mundial, como Pepsodent, poderia dizê-lo de forma tão clara e magnânima:

"Contém: Fluoreto de Sódio 0,32%."

Pensem nisto. LCA

Um Homem de Sorte 

Ontem à noite, tive a grande sorte de assistir durante dez minutos ao programa Quem Quer Ser Milionário. Uma grande sorte, pois presenciei uma grande história.

O concorrente era um rapaz magrinho, pálido, com voz de Viseu. Não sabia nada. Não sabia onde era a Pérsia, não sabia quem era a Bjork, nunca tinha lido o Tintin. De milagre em milagre, lá foi ultrapassando as eliminatórias sem nunca ter certeza de nada.

À complicada questão de saber o ofício da personagem Bianca Castafiore, bloqueou completamente e pediu ajuda. Telefonou a uma amiga. Uma velha amiga. «Donde se conhecem?». Perguntou o Gabriel. «Não nos conhecemos». Respondeu o rapaz. «Pelo menos, pessoalmente. Mas já falamos pelo telefone há muito tempo». ‘Mistério’, fez a cara do Gabriel.

A amiga atende a chamada e o apresentador pergunta-lhe se conhece bem o rapazito. «Conheço-o há muito tempo». Responde ela. «É muito bom rapaz». Intrigado, o Gabriel ainda insiste: «Mas... Nunca se viram? Nunca tiveram curiosidade? Há quanto tempo se conhecem?» - «Ah, já há alguns anos. Mas realmente não, nunca nos vimos». Mistério.

Com ???!!!??? na cabeça o apresentador concede-lhes então trinta segundos para que se entendam. «Olha» Começa o rapaz. «Sabes o que fazia a Bianca Castafiore, uma personagem do Tantan?» - «Hum» Pensa a rapariga. «Não, não tenho a menor ideia, nunca li o Tantan». - «Pronto, obrigado». Completou o rapaz, seguindo-se o silêncio por parte da mulher, que desligou sem se despedir.

Com a mija habitual, o magrito lá passou a prova e chegou aos 1500 Euros, quantia que acabou por levar para casa. Sem saber puto, ganhou 300 contos. E, com a figureta que fez, certamente que conquistou o coração da desconhecida. Um homem de sorte. RIS



terça-feira, novembro 04, 2003

Acto de pagamento num qualquer restaurante indiano 

O empregado, solícito, com turbante e bigode, como convém, aguça os ouvidos quando nos ouve a falar numa língua estrangeira. Simpático e interessado, ensaia dois dedos de conserva durante a cerimónia da conta de forma a resolver o mistério que o anda a intrigar. “Estamos a falar português”, dizemos em coro. “Ah, português! E também vêm de Português?”. Eu e a Monika, como somos pessoas bem-educadas, respondemos que sim. À saída do restaurante, feitos júri, atribuímos-lhe o prémio da originalidade. É que o americano que me perguntou em que parte de Espanha é que fica Lisboa já faz parte do repertório de histórias preparadas para um jantar de curso de qualquer pessoa minimamente viajada, os taxistas que pensam que falamos russo são o pão nosso de cada dia em que ando de táxi (o que, confesso, é raro). Mas com esta da República de Português tenho a certeza que irei ser o centro das atenções na próxima festa. REC

enlarge your penis 

A faculdade "by referrals", do SiteMeter, é extremamente agradável. Permite-nos saber como chegam as pessoas ao blog, descobrir quem fala de nós e, quase todos os dias, descobrir novos blogs.
Tem um lado curioso, também, o de perceber - ao fim de quase 5 meses de vida - que há uma classe de blogues, caracterizada normalmente por números baixinhos de visitas e títulos de que ouvimos falar pela primeira ou segunda vez, que aprecia mandar uma provocação regular ao DC (e/ou, naturalmente, a outros blogs) acompanhada do respectivo link.
Considero isto, para pôr a coisa em termos correntes, o junk mail da blogosfera. Ora, defronte do junk mail deparam-se-nos duas hipóteses: responder (dar pérolas a porcos) ou apagar.
No passado, lá fomos respondendo - uma vez por outra - quando, manifestamente, não havia mais nada para fazer.
Arrogando-me porta-voz de uma dúzia de pessoas com vidas bem preenchidas, arrisco dizer que, no futuro, tal não sucederá.

Um conselho: mudem para um daqueles contadores que contabilizam todos os "clicks", mesmo que sejam os 1500 movimentos do dedo indicador do próprio dono do blog, preenchendo o vazio existencial entre a hora de almoço e a hora de jantar. É garantido que aumenta os números do SiteMeter e, como não implica provocações (contactos) com outros blogs, é o que se poderia designar de "sexo seguro blogoesférico".
Um grande bem haja. LFB

O país que temos, Dogvilliano 

Revela-se em pequenas coisas, onde, de forma abstractizante e apoiados pela memória da experiência de vida em outros países, poderemos tirar conclusões acerca da pequenez intelectual e do pouco alcance disponível geneticamente a esta burguesia cultural opinativa, consumista, iludida pela sombra do mundo real projectante de forma quase letal e insuportável neste pequeno quintal.
Por exemplo, ontem fui ao cinema, 2ª feira, erro crasso não cometido por mim há muito, dado ser mais barato e o povo ululante encher salas de cinema como quem vai ver futebol, ou olha a sopa rodopiante no micro-ondas. Saudades dos 8 dólares expiantes de NY.
O filme que vi (brilhante reinterpretação dos temas clássicos, eternas questões da virtude e vingança, para quem os leu e percebeu, claro, meus caros Ménons) Dogville, pouco vem agora à baila, aparte ser das melhores peças cinematográficas que vi nos últimos anos, desde O Sabor da Cereja, ou A Enguia, mas prontos, eu sou um gajo muito exigente...
O que me traz aqui a partilhar um momento de reflexão com o taralhoco leitor é o facto de observar repetidamente a falta de capacidade de abstracção no público genérico Português. Não se trata de opinião pessoal (é irrelevante socialmente) mas sim uma análise de factos, comportamentos, opções e resultados.
A experiência de ontem é disto exemplo, a maior parte dos presentes não usufruiu da capacidade que o cérebro oferece de abstracção e consequente potencialidade metafórica que qualquer criança é capaz. O autor opta por uma interpretação cénica que oferece por um lado a proposição desnudante do teatro (intelectualizado, propondo a tal abstracção metafórica) porém levando o olhar do espectador por linhas de perspectiva impossíveis no teatro (entre, sobre, por) o metafórico palco. Subtileza de excelente resultado narrativo, inteligente uso da ambivalência entre visível-invisível, dizível-indizível, etc, quase ao limite Peter Brookiano do tapete, diria (se eu percebesse algo do assunto, ou me arrogasse laivos de) como observei em Londres ao colaborar no projecto de cenário para uma peça da filha deste, Irina. Se nas primeiras imagens o riso poderá surgir, por espanto, por surpresa ou mera burrice do visor, ao fim de mais uns quantos espera-se que o anafado espectador já consiga seguir a linha de raciocínio proposta e navegar nas nuances e variantes da história que se conta, sem constantemente se rir, em repetição mimética, quase animal, da torre da igreja que olha que engraçado tá no ar, etc, etc. Não vou muito mais longe porque é cruel a existência, nem todos podem ser abençoados com as delícias da inteligência, não pediria a qualquer caixa bancário, ou estudante universitário, que no intervalo de protestar com o auto-financiamento da sua educação, ou a escolha do próximo modelo de telemóvel, ou o resultado do inócuo joguinho da bola, consiga ter tempo para ler os clássicos Gregos ou Latinos e assim poder acompanhar os diversos níveis perceptivos e interactuantes da história tornada filme de uma forma subtilmente brilhante, rara, até. Poderia apelidar de Genial, mas, meus tontos amigos, onde classificaria depois, Leonardo, Shakespeare, Dante ou Beethoven?
BR

Ora dá cá um / a seguir dá outro... 

Segundo Jorge Sampaio o país anda deprimido. Para combater a neurastenia colectiva o presidente da república tem já no prelo uma mega-campanha nacional anti-depressiva: "Um beijinho por cada violação do segredo de justiça". LCA

segunda-feira, novembro 03, 2003

Tusa, o que é? 

No cinema existem dois tipos de génios: os que estão conscientes desse facto e os outros. Lars Von Trier está consciente de que é um génio, toda a adulação - merecida - à volta de "Breaking the Waves", deve ter bastado para o convencer, se é que tinha dúvidas.
O problema é que a tusa nos génios inconscientes costuma ser maior. É mais febril, espontânea, não recorre a Viagras. Porquê? Porque génios inconscientes (arrisco um Lynch e um Fincher) não sentem necessidade de provar nada a ninguém - excepto a si próprios.
Von Trier estava tão seguro do seu programa, da sua "agenda", que deixou outro tipo filmar "Dogville Confessions", uma espécie de making-of deste big brother intelectual que é o seu último filme. Ora bem, eu detesto concordar com os críticos, sobretudo os mais odiosos, mas - neste caso - rendo-me a quem não gostou deste "filme".
As aspas são devidas. Na verdade, "Dogville" não passa de Brecht filmado. Com uma agravante, com excepção do longo plano de Nicole Kidman debaixo da serapilheira na carrinha que, julga ela, leva-a para fora da vilória, não há mais nada. Nada de visualmente assinalável.
Eu, que não tenho nada contra o Dogma, bem pelo contrário, sinceramente não tenho pachorra para camaramen com epilepsia. No caso, o próprio Lars. De resto, Von Trier usa e abusa dos planos panorâmicos, deslumbrado com a sua "criação". Permite-se até, num dos últimos planos, subverter o magnífico final de "Breaking the Waves". Nesse filme, os sinos sob as nuvens prenunciavam uma qualquer redenção. Aqui não. Entre o chão do armazém e a rede no tecto há, vemo-lo uma única vez, um céu nublado e sombrio.
As personagens parecem escritas cada uma por uma das vozes que o realizador escuta no interior da sua cabeça enquanto pensa na melhor forma de torturar as estrelas que reuniu. Por isso temos camponesas a citar Cícero e criancinhas com tiradas dignas do marquês de Sade. Nicole Kidman faz uma espécie de prostituta masoquista que leu demasiado Leibniz e a personagem de Paul Bettany, "Tom", dá mais voltas de 180 graus que o Vidigal à procura da bola. Tudo bem. Todo o sofrimento que possamos infligir a Paul Bettany é pouco, uma vez que - na vida real - este senhor partilha cama com a Jennifer Connelly... Chloe Sevigny e Lauren Bacall, claramente, não sabem o que andam ali a fazer. E depois, há aquele John Hurt insuportável, como voz-off impossível. Suponho que, aqui, houve medo. Lars Von Trier não quis levar o despojamento e o minimalismo até ao fim, ou não pôde. Escolhe assim uma solução absolutamente contraditória naquela mise-en-scène, uma voz-off para preencher os (muitos) espaços em branco.
É certo que o filme assume, rapidamente, o seu exercício manipulatório. Mas, quando percebemos enfim quem é o estranho indivíduo que persegue Grace, fica claro que seria perfeitamente ridículo que este autorizasse disparos sobre ela. Mais ainda quando descobrimos que o que afasta estas duas personagens é uma discussão, basicamente, sobre quem é mais arrogante... (preencher as reticências com o nome do realizador).
Von Trier dá-nos ainda um último piparote, no final, apelando à costela mais reaccionária do espectador e, por fim, destruindo a última coisa que faltava destruir, a coerência da personagem de Grace. Exercício brilhante de manipulação: porque prova que pode e deve e quer manipular-nos até ao fim, mesmo que - para isso - destrua totalmente o que restava de fio narrativo e credibilidade.
Nota final quanto à parábola/metáfora anti-americana: qualquer one-liner irónica de Woody Allen, diálogo de Ferrara ou conceito de Fincher, vale esta xaropada pretensiosa de duas horas e meia. Mas é por isso que Von Trier é genial. Ele sabia que ia pôr toda a gente a discutir "Dogville". Naturalmente, odiei o filme. Mas com todo o carinho. LFB

Os objectos - biografia em dois actos (II) 

Os objectos não têm vida, mas se lhes encostarmos o ouvido contam-nos histórias. O CD dos B-52´s que comprei numa tarde despreocupada com um amigo sem sabermos que a sua mãe estava a falecer, as cadeiras de cinema que, sentadas na nossa sala a gozar a sua reforma, nos revelam uma vida agitada. Assistiram aos primeiros encontros amorosos de uns, à fuga à solidão de outros, ao prazer de bons filmes, ao bocejo de matinés vazias. Os objectos falam connosco, se lhes dermos atenção. Sei que “A Imortalidade” de Kundera foi uma prenda dos colaboradores de um Senhor Grewe, guarnecida com uma dedicatória muito simpática. Mas parece que o Senhor Grewe ou não gostava do Kundera ou dos seus colaboradores, pois encontrei o livro, triste e abandonado, à entrada de um prédio. Se nos sentarmos com eles, ao pé deles, neles, os objectos falam da vida. Da toda uma vida que, por vezes, é lançada para a rua e mais tarde vendida na feira da ladra. Da vida fotografada, a retratar os momentos mais marcantes de uma família. Desta família, cujas recordações comprei no sábado (meia vida por 2 euros, vejam lá) a uma vendedora eslava. Lilo Welling, chamava-se a senhora que aparece muito jovem nas fotografias a preto e branco, com uma irmã gémea, na moradia em Marienburg, um bairro rico de Colónia. Lilo Welling, mais enrugada nas fotografias a cores. Pertencente à alta burguesia alemã, com especial gosto pela ópera e o teatro, a Senhora Welling partilhou comigo o seu primeiro dia na escola, o casamento dos filhos, as viagens a Milão, os passeios nos bosques outonais. Uma história na Alemanha do século XX. Estes postais e fotografias sobreviveram aos bombardeamentos na Segunda Guerra Mundial, mas não à solidão e ao desinteresse dos restantes familiares. REC

Os objectos - biografia em dois actos (I) 

Ao espreitar da janela do escritório para a rua, notei que a noite estava mais agitada do que o habitual. Pessoas com as mãos nos bolsos a assobiar, falsamente descontraídas, grupos com os olhos afiados, à procura de algo, bicicletas suspeitas a percorrer repetidamente as ruas do bairro. Um olhar para o calendário lembrou-me que hoje é o dia de uma tradição que alegra o coração coleccionador de muitos alemães, o dia de Sperrmüll. Trata-se do dia em que uns, aborrecidos com alguns dos seus móveis, electrodomésticos e por aí fora, decidem divorciar-se deles, e outros os levam para casa com a promessa de amor até que a morte os separe. Os objectos que ficam, feios, desgraçados e velhos, são levados pela carrinha municipal e nunca mais alguém lhes põe os olhos em cima.

Estas sessões de encontros e separações são organizados pelo departamento competente da Câmara, que define os dias em que cada bairro poderá encontrar a felicidade. E assim, grupos de pessoas vão-se reunindo à volta de montes de inutilidades (ou preciosidades, consoante os gostos de cada um) encostados às esquinas. Há os profissionais que têm bons contactos na autarquia e percorrem o território numa trotinete com um atrelado, conhecem os melhores sítios (o bairro de estudantes não vale a pena) e estão dispostos a lutar por algo de valioso. Há os tímidos, que, a medo (se o pai os visse!), olham primeiro para os lados antes de começarem a vasculhar. Há os surpreendidos, que apenas estavam a passear, ou o cão ou as mãos atrás das costas, e entram no jogo. Há os indecisos, que não sabem se irão ouvir mesmo aqueles discos antigos e perguntam e interrogam e questionam. Há os snobs, que olham com desprezo para os divertimentos populares. Há aqueles cuja idade e estatuto social já não permite estas andanças e passam a sorrir, lembrando-se da sua juventude. E muitos mais. É que nestes dias a sociedade de consumo alemã, obesa e confortável, expõe toda a sua perversidade, desprezando aquilo que há pouco comprava sonambulamente. Além disso, são um bom indicador da conjuntura económica. Em tempos de crise, a qualidade da mercadoria piora a olhos vistos.

Mas eu e a Monika lá nos vamos entretendo a transportar para casa objectos com vida e algo para contar: a televisão que há um ano encontrámos na rua e cujo antigo proprietário lhe colou o telecomando e um aviso simpático (“esta TV funciona”), as cadeiras dos anos 60 que nos foram dadas por um teatro, as cadeiras de cinema, o relógio de parede, a mesa do jardim, a bicicleta para as visitas ... Hoje também tive sorte. Ao voltar do supermercado, fui seduzido pela “Montanha Mágica” de Thomas Mann, “Effie Briest” de Theodor Fontane e um livro de crónicas de Hermann Hesse, todos em bom estado, apesar de serem edições dos anos 50. Devem ter passado o seu primeiro século de vida em boa companhia na biblioteca de um apreciador. Algum herdeiro não lhes quis dar o devido valor... Vou parar. Acabei de ser avisado que na Münstereifelerstraße se encontra um par de skis e este Inverno queremos ir para a neve. REC

geração chocapic 

Uma destas noites, acordei com um desejo intenso por CHOCAPIC. Alguém se lembra do que é chocapic? Uma bomba da BP aberta 24 h resolve o problema, por 3,10 euros. Se alguém precisar de indicações adicionais, pode mandar um email, que nós ajudamos. Volta-se rapidamente a um mundo onde o He-Man e a She-Ra substituem com vantagem o Manuel Luís Goucha e a Luísa Castelo Branco, apesar de o resultado poder ser próximo. Volta-se a ser pequeno outra vez. Os macacos que aparecem invariavelmente nas embalagens de cereais para crianças são sempre figuras imbecis, mas carinhosas. Temos vontade de pensar "estes bonecos têm um ar imbecil, mas querido", assim como se pensa de alguns jornalistas. Enfim... um dia vou ser ainda mais burguês e comprar golden grahams. MR

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